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Valkyrie Profile:Lenneth

Análise

NOME: Valkyrie Profile:Lenneth
FABRICANTE: tri-Ace/TOSE
PLATAFORMA: psp
GENERO: RPG
DISTRIBUIDORA: Square-Enix


LANÇAMENTOS
27/04/2007 27/04/2007 02/03/2006


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Nº de Jogadores: 1


Não existe nada mais difícil do que falar sobre "o" jogo. Vocês sabem, aquele jogo que você considera o seu favorito de todos os tempos. Para algumas pessoas, esse jogo é Metal Gear Solid. Para outras, The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Para outras, Metroid Prime. Half-Life 2. Mass Effect. Deux Ex. System Shock. Final Fantasy VII. Portal. Enfim, cada um tem o seu jogo do coração. Para mim, esse jogo é Valkyrie Profile (VP). Sim, eu sou fã de VP. E espero que, ao final desta análise e após experimentar Valkyrie Profile: Lenneth, vocês entendam o porquê.
 

 
VP foi originalmente lançado para o PSOne em 1999 no Japão, e chegou aos EUA pouco depois. Na época, a Enix ainda não havia se fundido à Square, e era a Publisher de todos os jogos da Tri-Ace (Star Ocean, Resonance of Fate). O potencial de VP foi um tanto subestimado no mercado Ocidental, e poucas cópias foram feitas (o que nos leva aos preços absurdos que podemos encontrar no ebay às vezes, com cópias de VP para PSOne custando cerca de 100 dólares). Ainda assim, VP acabou ganhando um status "cult", e por vezes nos deparamos com sua presença em listas de melhores RPGs. 
 
Em 2006, um port do jogo foi feito para o portátil da Sony, intitulado VP: Lenneth. O jogo é exatamente o mesmo, salvo algumas esparsas mudanças. No port do PSP, você ainda controla Lenneth, uma Valquíria (deusa da mitologia nórdica encarregada de encaminhar as almas valorosas para Valhalla) recém-desperta para cunprir sua missão de angariar guerreiros para lutar na batalha final do Ragnarok. O sono do qual Lenneth desperta, porém, não é comum: enquanto um Valquíria não está "a serviço", ela encarna em um corpo humano, e vive uma vida normal. Sem ideia de seu passado como humana, Lenneth inicia sua missão de encontrar almas nobres para levar à guerra. O enredo de VP toma certas liberdades com a mitologia nórdica (assim como God of War o faz com a grega), mas os pequenos detalhes são inconfundíveis para quem conhece do assunto. Aliada a um conto original e cheio de reviravoltas, o enredo de VP é interessante e bem cadenciado, ajudado em muito por seus personagens extremamente carismáticos (dos quais Lezard Valeth é destaque absoluto).
 

 
Não é o enredo, porém, que faz VP ser tão bom. Talvez o que mais chame atenção no jogo sejam suas mecânicas originais. Diferentemente dos JRPGs tradicionais, VP é pouco linear. Após terminar a primeira dungeon, você está quase "livre". VP é dividido em capítulos, e os capítulos são divididos por períodos. A cada capítulo, o jogador pode apertar start para fazer Lenneth se concentrar e fazer uma marcação no mapa. Os lugares marcados são dungeons ou almas de guerreiros mortos disponíveis para recutamento na eventual batalha do Ragnarok. O detalhe é que você pode ou não cumprir sua missão. Vasculhar as dungeons, recrutar personagens (e treiná-los) é totalmente opcional, e você pode simplesmente usar a opção Rest para pular períodos e capítulos. Entretanto, o Ragnarok chegará com o fim do capítulo 8, e se você não se preparou bem, terá problemas para terminar o jogo.
 
A exploração de VP se dá em três dimensões no mapa-mundi, mas ao adentrar uma cidade ou dungeon, o jogo passa para um formato de scroll lateral (ou seja, movimentação em 2D). As cidades são poucas, mas são bem diferentes entre si. O destaque, porém, são as dungeons. O design delas é espetacular, com visual variado e puzzles inteligentes – em especial as dungeons exclusivas da dificuldade Hard. Algumas dungeons são enormes e exigem um bom trabalho do jogador para serem totalmente exploradas, no melhor estilo dos "metroidvanias". Para navegar nas dungeons, Lenneth pode pular, rastejar e soltar cristais de gelo, que servem como plataformas e também podem paralisar inimigos.
 

 
Ao encontrar um inimigo, você entrará em batalha com ele ao atacá-lo com sua espada ou ao fazer qualquer contato com ele. Em batalha, VP age por um sistema de turnos com alguns toques de action-RPG. Cada personagem da sua party de 4 pessoas é associado a um botão de face, com 3 personagens na linha de frente e um personagem no back-row. Magos têm à sua disposição um bom arsenal de magias elementais e podem associar uma única magia ao seu botão de comando, enquanto personagens guerreiros podem executar até 3 ataques diferentes. Montar a ordem destes ataques é fundamental para o sucesso em batalha – de nada adianta iniciar um ataque rasteiro se o último golpe dado levou o inimigo ao ar, por exemplo -, e ordená-los em batalha faz com que VP evite se tornar um Button Masher, já que criar um combo exige uma boa dose d eplanejamento e estratégia. Ao atingir o inimigo, uma barra semicircular no canto inferior esquerdo da tela começa a se encher, e ao atingir o número 100, permite que o jogador use as técnicas especiais dos personagens, aqui chamadas de Purify Weird Soul (PWS). O uso dos PWS e magias, porém, é regulado por uma barra logo abaixo da barra de energia, evitando que os golpes poderosos sejam abusados pelo jogador, embora não seja à prova de falhas (a combinação Guts + Auto Item, por exemplo, quase quebra o sistema de batalha).
 
Graficamente, VP não é nenhum primor, mas também está longe de ser um jogo feio. Este é um port de um jogo de PSOne, não se esqueçam, e o primeiro console da Sony nunca foi exatamente um bom exemplo para jogos 2D. Os sprites dos personagens não são tão bem detalhados como outros jogos 2D de seu tempo, mas são muito bem animados e possuem um certo "charme". Os cenários, por sua vez, são belíssimos e não há elogios a se poupar para a direção de arte soberba do jogo. Dentro da batalha, as magias não possuem efeitos chamativos (talvez por ficarem em segundo plano), mas todos os PWS são belíssimos de se ver. No geral, VP é agradável aos olhos – ainda que não impressionante. Por fim, uma mudança: enquanto a versão original de PSOne possuía várias cenas em anime no transcorrer do jogo, o port para PSP substitui estas cenas por outras em FMV – uma troca puramente estética, embora possa desagradar quem gostava das cenas em anime do original.
 

 
O áudio de VP é estonteante. A trilha é assinada por Motoi Sakuraba (Star Ocean, Tales of, Golden Sun, Baten Kaitos e outros), e é um dos melhores trabalhos do compositor. Do tema de Weeping Lily Meadow (Epic Poem to Sacred Death) às músicas de batalha (como o quase obrigatório remix de The Incarnation of Devil), VP é um dos trabalhos mais diversificados de Sakuraba, e se encaixa perfeitamente no jogo. A dublagem é boa – não perfeita, mas boa -, embora não seja feita de forma integral. No PSP, o script utilizado é praticamente o mesmo da versão original, e algumas falas foram gravadas especialmente para as novas cenas em FMV, com as falas restantes recebendo um "tratamento" para ficarem mais limpas. Por fim, vale lembrar que VP data de uma época em que a maioria dos jogos sequer possuía trbalho de voz, quanto mais uma dublagem tão (para a época, claro) extensa quanto a de VP.
 
Se estivéssemos falando de VP no PSOne, eu diria que o jogo sai da análise isento de críticas. No PSP, porém, VP sofre com algumas instâncias de slowdown mais frequentes que em sua contra-parte do PSOne (especialmente em batalhas) e com alguns loadings inexplicavelmente demorados. Além disso, algumas melhorias feitas na versão ocidental do PSOne (como poder customizar o equipamento de qualquer membro do grupo, e não só daqueles que estão ativos na Party) foram deixadas de lado. Por fim, VP é uma escolha estranha de jogo para portátil – suas cutscenes longas e save points escassos podem atrapalhar aqueles com pouco tempo para dedicar a um jogo, e um esquema de save state (ou poder salvar a qualquer momento no menu) faz muita falta. São alguns detalhes que, acumulados, podem incomodar o jogador durante as 3 longas jornadas.
 

 
Sim, três jornadas. VP definitivamente possui um valor de replay mais alto que seu RPG tradicional, e não faz feio com seus extras, possuindo 3 finais (bem) diferentes entre si. A quantidade de personganes é dependente da dificuldade escolhida, e para adquirir todos, é necessário jogar no Hard (que, aliás, não é tão difícil assim). Terminar o jogo com os finais B ou A abre, ainda, a tradicional dungeon pós-jogo da Tri-Ace, desta vez tomando a forma do Seraphic Gate (SG). O SG é uma dungeon enorme, lotada de inimigos poderoso e dois chefes dificílimos (que também são tradição da tri-Ace) e, caso acessada com a dificuldade Hard, contém os 3 melhores personagens do jogo. Considerando-se que VP já é um tanto longo, passando facilmente das 40 horas de jogo principal, há conteúdo a granel para os fãs de RPG.
 

 
Mesmo hoje, quase 11 anos após seu lançamento original (e quase 5 do port para o PSP), VP ainda é tocante da forma como poucos jogos são. Talvez sejam os personagens carismáticos, talvez sejam as mecânicas originais ou talvez o design soberbo de fases, mas VP ainda é um exemplo de excelência. Aqui não falamos em "nota", e sim em "recomendação" – e se você gosta de RPGs, não há nenhum outro jogo que eu possa recomendar com tanta ênfase quanto Valkyrie Profile. No PSOne ou PSP, você estará mais que bem-servido.

 

— Resumo —

+ Personagens carismáticos
+ Mecânicas de jogo originais, funcionais e divertidas
+ Design de dungeons genial
+ Enredo instigante
+ Trilha sonora espetacular
+ Alto valor de Replay

Slowdowns
Loads podem ser demorados em algumas ocasiões
Falta de Save State

93%