AnálisesPS4

Toukiden 2

Análise

NOME: Toukiden 2
FABRICANTE: Omega Force
PLATAFORMA: ps4
GENERO: RPG de Ação
DISTRIBUIDORA: Koei Tecmo

LANÇAMENTOS
24/03/2017 24/03/2017 28/07/2016


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p

Nº de Jogadores: 1 (2-4 online)

Troféus (inclusive platina)

Espaço Necessário: 15,7GB

Dublagem PT-BR: Não

Legendas PT-BR: Não


É inegável que a atual geração tem visto um ressurgimento das desenvolvedoras japonesas. Se ao longo da maior parte da geração passada, os grandes jogos lançados no Oriente pareciam destinados ao PSP e ao PS Vita, o lançamento do PlayStation 4 parece ter reconciliado os consoles de mesa com uma parte fundamental da indústria. Essa reconciliação parece ter aberto caminho para que gêneros que floresceram nos portáteis alcançassem jogadores que não tiveram a oportunidade de acesso a eles.

Um desses gêneros foram os RPGs de Caça ou, como também são conhecidos, “Monster Hunter clones”, RPGs de ação com foco muito maior no combate do que na história e que se apoiam bastante em enfrentar e vencer inimigos gigantes, normalmente com bastante planejamento e ataques precisos. O gênero que, como o apelido indica, se tornou um fenômeno no Japão desde o lançamento do primeiro Monster Hunter para PS2, fez com que vários outros jogos inspirados nele surgissem, dentre eles, o primeiro Toukiden.

Desenvolvido pela sempre produtiva Omega Force (da franquia Warriors) e produzido pela Koei Tecmo, o Toukiden original (e sua expansão, Toukiden: Kiwami), seguem uma linha bem diferente da adotada pelos outros jogos do gênero, com um grande enfoque na história, mas mantendo a estrutura básica de combates contra inimigos gigantes em áreas restritas, com um tempo limite para completá-las.

Se o primeiro jogo já era uma das melhores opções do gênero fora da franquia da Capcom, concorrendo com a série God Eater pelo segundo lugar, Toukiden 2 pega traz todas as qualidades do jogo anterior e busca corrigir muitos dos erros que encontrávamos nele. A estrutura de missões e fases restritas do jogo anterior foi substituído por um mundo aberto e sistema mais fluído de missões e side-quests que, casado com as melhorias no gameplay e as novidades no sistema de combate, levam a franquia para um novo nível.

O principal charme de Toukiden vem da sua ambientação, muito influenciada pela cultura japonesa, seus mitos tradições. O jogo se passa em um mundo pós-apocalíptico em que, durante o Japão Feudal, Onis (demônios do folclore japonês) invadiram o mundo e precisam ser combatidos por Slayers, com a ajuda de Mitamas (as almas de guerreiros valorosos que pereceram em combate).

Como praticamente todos os outros jogos da Omega Force, Toukiden veste com orgulho a sua origem. Das opções de customização às armas disponíveis para combate (dentre as 12 opções estão várias armas comuns dos jogos da desenvolvedora, como arcos longos tradicionais japoneses, foices com correntes e espadas de samurai), ao contrário de outras produtoras que tentam negar as suas origens, aqui tudo funciona em favor do jogo.

A ambientação em si funciona muito pela narrativa que a constrói. O jogador assume o controle de um guerreiro que é arremessado por um Oni em um vortex e acaba, 10 anos depois, em uma vila que é um dos últimos focos de resistência da humanidade contra os demônios. Apesar do 2 no título, ele não exige conhecimento do jogo anterior e apresenta o mundo muito bem. E apesar da premissa simples e, sinceramente, cliché, Toukiden consegue se mostrar forte, muito por conta de seus personagens. Desde os outros caçadores até as facções que brigam pelo controle da vila onde se passa o jogo, quase todos mostram motivações críveis.

Mas, como todo e qualquer RPG de Caça, aquilo em que Toukiden precisa brilhar é no combate, e isso ele o faz com maestria. O combate no primeiro jogo já era muito bom, buscando bastante inspiração nos musous que tornaram a desenvolvedora famosa, com ataque fraco, forte e especial, que rendem diversos combos diferentes e habilidades destravadas equipando mitamas diferentes. A principal adição de Toukiden 2 é a Demon Hand, uma habilidade incrivelmente útil com a qual é possível se prender a inimigos e se lançar em direção a eles, puxá-los para o chão ou até mesmo destruir partes dos Onis com um ataque especial.

O combate é bastante recompensador. Os ataques parecem sempre ter peso e os especiais são bastante efetivos, mesmo que se esteja lutando, na maioria dos casos, com monstros gigantes que, por sua natureza, são esponjas de dano. Em momento algum o jogador é capaz de relaxar, havendo uma sensação de perigo constante e a necessidade de se manter atento e concentrado, sempre recompensado pela ótima sensação de sucesso que jogos assim possuem.

Com a mudança para um mundo aberto, Toukiden 2 traz outras novidades para o gênero. Ao contrário dos outros jogos desse estilo, o jogador não está mais preso a selecionar uma missão e ser transportado para o cenário no qual ela se passará, já que aqui é possível explorar o mundo, enfrentando inimigos e resgatando civis que se aventuraram fora da vila. Essa mudança, se é bem-vinda, em momento nenhum parece necessária e só não incomoda por não sofrer com a miríade de ícones e colecionáveis que aflige quase todo jogo de mundo aberto.

No fim das contas, essa mudança só funciona para adicionar as tarefas (missões secundárias espalhadas pelo mundo) e as “joint operations” (missões com outros caçadores que encontrados pelo cenário e que podem ser feitas online com outros jogadores), mas até elas poderiam ser acessadas de um menu, caso necessário. Parece mais uma concessão de design em razão da febre do “open-world” que vivemos do que um avanço fundamental para a série.

Tecnicamente falando, Toukiden 2 é um jogo bem acabado. Seu framerate é bem fluído, o estilo artístico adotado é bem agradável e os modelos de personagem são muito bem feitos, fazendo o necessário. As cutscenes são bem bonitas, mas no geral, o jogo entrega o básico de maneira competente, mesmo que não disponha de muito modelos de personagem. Entretanto, a trilha sonora e a dublagem (apenas em japonês) ajudam muito no tom e ambientação.

Apesar do ritmo lento no começo, Toukiden 2 é um jogo que consegue elevar o gênero e trazer muitas adições positivas a ele. O ritmo do combate é mais cadenciado do que a maioria dos RPGs de Ação, o que já é da natureza dos jogos de caça, mas é, com folga, o jogo mais acessível do gênero e talvez o que melhor tenha capturado os avanços da atual geração, sem deixar de incluir no pacote o grande volume de conteúdo que é tradicional destes jogos.

Veredito

Toukiden 2 dá vários passos na direção correta para os RPGs de Caça, trazendo-os para a atual geração, mantendo-se acessível e desafiador ao mesmo tempo. É um jogo que funciona perfeitamente para quem já conhece esse gênero, assim como para quem quer conhecê-lo mas não sabe por onde começar.

Jogo analisado com código fornecido pela Koei Tecmo.

80%