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Tokyo Twilight Ghost Hunters

Análise

NOME: Tokyo Twilight Ghost Hunters
FABRICANTE: Toybox Inc.
PLATAFORMA: ps3
GENERO: RPG/Visual Novel
DISTRIBUIDORA: Aksys Games


LANÇAMENTOS
13/03/2015 13/03/2015 10/04/2014


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 720p

Nº de Jogadores: 1

Troféus (inclusive Platina)

Disponível na PlayStation Store (2,7 GB)


Como seria a versão japonesa para “Os Caça-Fantasmas”? Essa é uma pergunta que o novo jogo da Toybox Inc., Tokyo Twilight Ghost Hunters deve nos ajudar a responder. Se na popular franquia dos cinemas temos senhores de meia-idade e situações bem humoradas, no novo RPG lançado para PlayStation 3 e PlayStation Vita temos adolescentes e um tom mais sério para as aventuras desse grupo de caçadores de fantasma.

Publicado no Ocidente pela Aksys Games, Tokyo Twilight Ghost Hunters é uma mistura interessante de diversos gêneros. Sua apresentação e história são contadas usando o cada vez mais comum layout de visual novel, lembrando bastante outros jogos lançados pela Aksys como Zero Escape e XBlaze, com o combate se passando como uma mistura entre jogos de tabuleiro e RPGs de estratégia.

Tokyo Twilight Ghost Hunters é uma história contada de maneira “episódica”. Não nos moldes dos jogos da Telltale, mas num estilo mais próximo de uma série de TV, em que cada capítulo conta um certo ponto da história, mas com um plot maior se desenvolvendo com o passar dos atos. O jogador assume o comando de um jovem estudante que se transfere para a escola aonde o jogo se passa, a Kurenai Academy.

Lá, o protagonista acaba se envolvendo com um grupo de estudantes que formaram uma agência de detetives sobrenaturais conhecidos como “The Gate Keepers”. Assim, cada capítulo do jogo se passa como um caso a ser resolvido para um dos clientes, descobrindo as razões por trás dos eventos de cada caso e, após coletar informações o suficiente, o jogador passa então à porção de combate do jogo. Essa divisão lembra bastante a maneira como a série Zero Escape divide-se em dois momentos distintos e funciona tão bem aqui quanto no jogo que parece ter lhe influenciado.

O jogador passa a mover a party por um tabuleiro, buscando os fantasmas para só então entrar em combate direto. Antes de cada combate, o jogador pode então não só alterar os equipamentos dos membros da sua party, como também colocar armadilhas e outros itens na sala em que o combate irá se desenrolar. Não é necessário vencer todos os inimigos de uma determinada área ou uma quantidade mínima deles, uma vez que enfrentar e derrotar o chefe principal é o suficiente para acabar com o capítulo.

Infelizmente, o combate tem sérios problemas. O principal deles é que muitas das ações, sejam no tabuleiro ou no combate em si, são definidas por um gerador aleatório de números que, com uma frequência bastante incômoda, colocam um jogador em posições desconfortáveis ou até mesmo injustas. Adicione a isso o fato de que muitas vezes não há tempo hábil para reverter essas situações, por mais habilidoso que o jogador seja, já que há um temporizador nos combates e o jogador precisa começar do zero caso a contagem de turnos acabe. Desse modo, o combate se torna, de longe, o ponto mais frustrante do jogo.

TTGH também não faz um trabalho muito bom em explicar suas mecânicas básicas. Não chega nem a ser uma questão de elas serem intuitivas ou comuns o suficiente para que a falta de tutoriais seja compreensível, e, para um jogador menos habituado a jogos do gênero, a chance de um game over sem você nem ter ideia do que foi que aconteceu de errado pode ser bem frustrante. TTGH exige uma boa dose de planejamento desde o começo, o que o distingue de outros jogos que carregam o jogador pela mão por algumas horas até te dar mais espaço para experimentação.

A parte de visual novel do jogo também tem algumas mudanças interessantes, como adicionar as costumeiras escolhas de diálogos (uma roda de emoções) como forma de responder aos personagens que interagem com o jogador, ativando assim uma série de outras ações classificadas por cada uma das partes relacionadas a um dos cinco sentidos. Sim, além de olhar e tocar, o jogador pode escolher entre “nariz”, “boca” e “orelha”. Os efeitos que cada uma dessas escolhas têm também não é muito bem explicado, mas não chega a ser um problema, já que é algo com o que o jogador acaba por se acostumar de maneira bem rápida, mesmo que para isso seja necessário lamber ou morder seu pobre colega de equipe por “acidente”.

Talvez o principal destaque do jogo venha por meio do elenco e da história, que, se não são nada revolucionários, adicionam uma variedade e um sabor diferente ao jogo, por mais que alguns deles sejam tão comuns em outros jogos que deveria haver um certo limite entre as produtoras de quantos deles podem ser usados em um ano (há um limite do que se pode fazer com alunos transferidos para uma escola com acontecimentos estranhos e idols no mesmo jogo). Em defesa do jogo, a falta de nome e personalidade do protagonista ajudam demais a dar a sensação de que é o jogador quem passa por aquela situação, tornando os momentos socialmente estranhos e os acertos mais íntimos para o jogador.

TTGH conta também com uma quantidade considerável de conteúdo extra, que vai desde missões secundárias até acontecimentos rápidos que permitem ao jogador treinar melhor seus personagens e suas habilidades, bem como interagir com os outros membros da equipe de detetives e forjar seus próprios equipamentos e itens. Não há uma quantidade grande de itens e armas diferentes, mas a possibilidade de evoluir todos os seus personagens como o jogador bem entender é uma mudança bem vinda.

A arte e o som do jogo são um outro destaque, sendo a abundância de artes em 2D uma bela ajuda para manter a qualidade visual do jogo. Mesmo com poucas animações e a utilização de um estilo mais fotográfico para alguns cenários, há um toque interessante que mostra um nível de cuidado que impressiona nesse esse estilo mais estático das partes de visual novel (há um certo ar de pintura a óleo nesses cenários que são muito gratificantes de se admirar). O combate não tem animações muito bonitas, mas cumprem o seu papel, já que a maior parte do jogo se passa como visual novel realmente e a Aksys continua a fazer um bom trabalho de tradução nessa parte.

Tokyo Twilight Ghost Hunters mostra o que de melhor as visual novels têm a oferecer e é um dos melhores jogos do gênero a serem lançados nesse lado do mundo. Se o combate é muitas vezes frustrante, o formato episódico incentiva o consumo quase homeopático do jogo, o que torna os problemas um pouco menos graves, até pela maior parte do jogo ser focado na sua história. A história é diferente o suficiente para manter o jogador interessado, mesmo que às vezes lembre e se aproveite demais de clichês de vistos em outros jogos e em animes.

 

Veredito

Com uma história criativa e interessante, um estilo artístico impressionante, bons personagens e algumas novidades bem-vindas ao gênero, Tokyo Twilight Ghost Hunters é uma boa mistura entre RPG e Visual Novel, por mais que a falta de explicação de suas mecânicas tornem o jogo muito frustrante em alguns momentos. É um jogo recomendado para os fãs dos dois gêneros, mas não muito fácil para quem não está acostumado com eles.

 

Jogo analisado com código fornecido pela Aksys Games

80%