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The Legend of Heroes: Trails in the Sky SC

Análise

NOME: The Legend of Heroes: Trails in the Sky SC
FABRICANTE: Falcom
PLATAFORMA: psp
GENERO: RPG
DISTRIBUIDORA: XSEED Games


LANÇAMENTOS
10/11/2015 10/11/2015 27/09/2007


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Nº de Jogadores: 1

Disponível na PlayStation Store (2,4 GB)


Trails in the Sky SC finalmente é lançado após um  processo extremamente conturbado de localização, devido principalmente à sua grande quantidade de texto e por se tratar de um jogo de PSP, plataforma cujo desenvolvimento já parou completamente. Todo esse esforço feito pela XSEED valeu a pena, pois Trails é um dos melhores RPGs que já joguei na vida.

O SC no título do jogo significa segundo capítulo e, caso não seja claro suficiente, é absolutamente necessário jogar o anterior, Trails in the Sky FC. Este novo começa algumas horas após a conclusão do anterior e não possui recordações ou resumos para aqueles que não jogaram FC. Certamente, isso irá afastar um novo público em potencial, no entanto, uma das grandes qualidades da série é a construção gradual do seu mundo e de seus personagens e isso não seria possível sem o primeiro capítulo.

Outro esclarecimento necessário é sobre o tipo de RPG que Trails in the Sky é. Hoje em dia é comum ver RPGs com mundos enormes, exploráveis e com um grande enfoque nas escolhas do jogador, juntamente com uma jogabilidade que mistura RPG com outros gêneros como tiro, luta, ação, etc. Trails in the Sky não tem absolutamente nada disso, sendo mais similar aos RPGs da época do PSX e PS2, ou seja, um título que foca na história do mundo e dos seus personagens e com a jogabilidade clássica de batalhas por turno.

O sistema de batalha é bastante simples, mas força o jogador a pensar de maneira estratégica. O canto esquerdo da tela mostra a ordem dos turnos e alguns deles garantem bônus como dano crítico, aumento dos espólios de batalha, etc. Controlar a ordem dos turnos é absolutamente necessário para se aproveitar esses bônus e se torna uma técnica importante contra chefes.

Cada personagem tem acesso a vários ataques especiais únicos e a uma lista de magias comum para todos, sendo que cada um desses ataques pode atingir um indivíduo ou uma área específica. As magias acessíveis por cada um são determinadas pela combinação de Quartz (pedras) utilizadas, relembrando em partes o sistema de Materia de Final Fantasy VII. Uma novidade de SC é o sistema de Craft que permite que dois ou mais personagens ataquem simultaneamente.

Como SC continua onde FC parou, todos os personagens começam em níveis razoavelmente elevados e com acesso a várias magias e técnicas. Isso praticamente elimina as lutas chatas em que se têm poucas opções e, no meu caso, também eliminou em grande parte a necessidade de grind durante o jogo. Mesmo as batalhas mais simples são vencidas mais facilmente utilizando estratégias que afetam as fraquezas dos inimigos e conseguem atingir vários de uma só vez, ao invés de simplesmente utilizar golpes normais infinitamente.

Como havia mencionado anteriormente, Trails tem um grande foco em seu mundo e nos seus personagens e isso torna a história uma das melhores que já tive o prazer de acompanhar. Esse foco, mais especificamente falando, está na atenção aos detalhes, desde o comportamento e ações de cada personagem e até mesmo os NPCs, que possuem suas próprias histórias individuais. A cada evento que se passa, o mundo evolui junto, os diálogos da população geral se alteram para refletir o novo cenário e é perceptível a evolução no comportamento de cada indivíduo. É muito difícil encontrar um RPG com um mundo tão conciso e acreditável como Trails.

Os personagens principais também são um show à parte, com características bem definidas, arcos e histórias próprias, além de alguns momentos cômicos inesquecíveis. Estelle pode parecer sua protagonista certinha e cabeça dura de RPGs, mas ela tem seus momentos genuinamente interessantes e engraçados, normalmente envolvendo ameaçar gente com o grande bastão que carrega. Olivier, o bardo que se proclama caçador do amor, também está de volta com suas performances fabulosas e continua atirando para toda direção e criatura viva possível. Eu poderia fazer um longo texto sobre cada um, mas são personagens que se tornaram extremamente interessantes e isso me traz um sorriso só de relembrar alguns dos melhores momentos.

Toda essa construção vem com um “custo”. A estrutura de cada capítulo é basicamente a mesma, envolvendo uma parte de investigação e outra que envolve calabouço, chefes e combate. Os ambientes são praticamente iguais aos vistos em FC e há momentos na história que serão muito mais pesados na narrativa do que no combate e vice-versa. Isso acaba por criar alguns momentos cansativos na jornada, sendo particularmente verdade com alguns objetivos opcionais.

Visualmente, esse é um jogo de PSP, mas que envelheceu muito bem. Os ambientes são feitos com 3D simples, mas as texturas os deixam muito bem detalhados. Pessoas e a maior parte dos monstros são feitos com animação 2D, que é excelente. Isso cria uma identidade visual bem distinta e faz com que seja visualmente belo. Melhor que isso, no entanto, é a trilha sonora, que é incrível, algo padrão para os títulos da Falcom.

Veredito

Trails in the Sky, como uma duologia, é obrigatório para todos que já gostaram de um RPG na vida. Não são títulos perfeitos, mas o conjunto da obra cria uma das melhores aventuras que já tive o prazer de acompanhar. Espero que os jogadores possam dar uma chance a esse incrível e charmoso RPG, que provavelmente é um dos melhores títulos a ser lançado no ano.

Jogo analisado com código fornecido pela XSEED.

100%