AnálisesPSP

The 3rd Birthday

Análise

NOME: The 3rd Birthday
FABRICANTE: Square Enix/Hexa Drive
PLATAFORMA: psp
GENERO: RPG
DISTRIBUIDORA: Square Enix


LANÇAMENTOS
01/04/2011 01/04/2011 22/12/2010


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Disponível na PlayStation Store.


The 3rd Birthday é o paradoxo materializado em jogo. Ousado por ser um dos títulos de PSP que carrega consigo uma grandiosidade típica de consoles de mesa, e tímido por transparecer a pouca vontade de convencer os fãs da série Parasite Eve de que aquele realmente merece se juntar ao diminuto grupo de jogos já lançados da franquia. The 3rd Birthday é ousado por mascarar-se em um third person shooter com ação intensa, porém nutrir-se de elementos que atestam sua riqueza como um RPG, e tímido por classificar-se numa narrativa que beira ao excesso de seguimento em linha reta, renegando uma das características mais básicas do estilo.

Por ser um jogo que se intitula paralelo à história principal de Parasite Eve, a Square Enix bem que poderia conferir-lhe préstimo de apresentar uma narrativa mais intensa no que se refere ao desenvolvimento aprofundado dos personagens. Esforço para isto não faltou, porém o resultado final migra para o conflitante e o tom satisfatório.

The 3rd Birthday ambienta-se em uma Nova York tomada pelo caos e devastada por poderosas forças inimigas conhecidas como Twisted. Com a proliferação de tais criaturas e a anterior destruição das estruturas das localidades, provocadas pela incidência de estranhas raízes, as quais são denominadas Babels, foi criado o CTI, uma espécie de organização investigativa para descobrir e repelir as ditas ameaças. Aqui temos uma Aya Brea parcialmente desmemoriada, recrutada por ter a habilidade Overdive, que reside na possessão de corpos e usá-los a seu favor. Com esta habilidade, e graças ao poderio tecnológico oriundo do CTI, Aya pode viajar no tempo e tentar impedir que tal catástrofe ocorra ou entender a causa disto tudo.

Por causa disto, o enredo, dividido em capítulos, proporciona idas e vindas, entre passado e presente, com Aya possuindo soldados aliados com o intuito de combater as forças inimigas, e (quase) sempre no CTI. Pouco a pouco a narrativa se torna palpável, porém não consegue alcançar um brilhantismo fantástico. Aya Brea, que outrora era firme, decidida, dá lugar a uma personagem mais dramática e, em vários casos, isto não é bem trabalhado pelos desenvolvedores, apesar do engenho com as cutscenes serem de um primor sem igual, seja as processadas em tempo real ou as de CG. Algumas cenas dramáticas são irregulares, porque Aya parece ter a personalidade deslocada, porém outras evidenciam que a personagem tem o seu valor, principalmente nos momentos em que ela se impõe em cena.

O seleto grupo de outros personagens transitam entre o convincente e a superficialidade já dita e que irregulariza a própria Aya Brea. Você, fã da série, notará a presença de conflitos envolvendo Eve e Kyle Madigan e se envolverá rapidamente com o jeito descontraído do Dr. Maeda, porém tudo isto é tratado de maneira bastante breve, o que nos dá margem a pensar que a narrativa se superficializa devido ao seu tempo curto de tomar uma forma robusta, mesmo os clímax, porque o jogo é demasiado curto para um RPG, mesmo que seja crível que a ação intensa justifique isto.

Se Aya Brea é irregular nas cenas de corte, in-game, com a ação se desenrolando, ela é soberana. The 3rd Birthday, graças à sua estrutura e à habilidade Overdive, nos traz uma ação intensificada, tendência que já começara em Parasite Eve II, porém de forma tímida. Utilizar o sistema Overdive nos traz um híbrido de satisfação, caos devido à atmosfera das batalhas e, antes de tudo, diversão. Basta o uso de um botão, no caso o triângulo, para que a utilização de tal sistema se torne uma constante. Ao possuir os soldados, Aya, também carrega o HP dos soldados, suas armas, porém ainda permanece com suas habilidades.

Diante das cenas de ação, desenvolvidas em diversos cenários, como as ruas de Nova York em época natalina ou nas profundezas de uma estação de metrô, você dificilmente encontrará momentos de calmaria. O único problema da progressão é que ela é linear demais; não há uma liberdade convidativa, porém, para os que não suportam ter que enfrentar inimigos de forma intensa apenas para subir de nível, aqui há uma vantagem, porque tudo é roteirizado, mesmo você podendo escolher abortar a missão e voltar para a área base. Um dos momentos de calmaria do jogo é entre uma luta e outra, em que existem áreas onde é possível salvar o progresso, definir suas habilidades e comprar novas armas, além de escutar conversações dos soldados, com alguns diálogos até interessantes e que ajudam na imersão quanto á atmosfera de The 3rd Birthday.

Tudo em The 3rd Birthday, no que se refere ao manejo de armas e habilidades durante a ação, funciona de maneira a tornar o caos mais agradável, mesmo que isto não soe muito bem ao ser dito. O sistema de mira é primordial para uma habilidade chamada Linkage. Basta Aya estar perto de um soldado, pressionar a mira, que uma barra, como se fosse um ATB (Active Time Battle) é carregada. Quando esta se enche por completo, Aya pode dar comando para que um ou mais soldados deem rajadas de tiro, denominadas CrossFire que funcionam até esta mesma barra, que outrora estava cheia, diminua. A perspicácia deste sistema simples está no intuito do uso constante de Overdive. Aos poucos, a mudança se torna natural e exigirá um tom de estratégia considerável, principalmente se você quiser, ao final de cada capítulo, ostentar um ranking máximo de pontuação, sendo que isto só é possibilitado devido a alguns aspectos, como morrer pouco, fazer um uso racional de Linkage e preservar ao máximo a vida dos soldados, mesmo a tarefa sendo dificílima e você encara sucessivas mortes, até mesmo as de Aya e tornar quase um tormento obter considerável sucesso. Porém a mecânica permite sofrer e a cada morte você estará lá novamente, controlando Aya e usando de suas habilidades. O sistema de mira também atenua consideravelmente os pequenos problemas com o controle de câmera, haja visto que este é manejado utilizando o direcional do PSP, na falta de um segundo analógico. Por proporcionar também, em inúmeros momentos, que Aya não perca o seu campo principal de visão, este problema é menorizado dentro do jogo.

Dentre as mecânicas simples e funcionais como rolar no chão (só possível com armas menores), se proteger em diversos pontos, que podem ser destruídos gradativamente pelos inimigos, ou o inventário de armas que proporciona uma troca entre elas ágil e em tempo real, há a barra "salvadora de vidas" denominada Liberation. Quando Aya Brea efetiva seus disparos, esta barra vai sendo preenchida. Quando isto é completado, ela pode liberar um poder que permite por alguns momentos a vulnerabilidade, proporcionando, além de um belo efeito gráfico, a retirada de mais energia dos inimigos, o que culmina numa espécie de ataque utilizando o Overdive, que possibilita tira uma considerável porção de HP inimiga. Essa habildade de ataque utilizando Overdive também é possível sem estar em modo "Liberation".

Pode não parecer, mas The 3rd Birthday é um RPG. Podem acusá-lo de descaracterizar a série Parasite Eve, porém, coisas recorrentes no estilo como aumentar de nível, ganhar pontos de experiência, por exemplo, ainda estão aqui, além de aumentar níveis de armas, customizar, através de Battle Points,  aumentando assim a munição, precisão, etc., e, ainda,  reagrupar diferenciadas habilidades através de um sistema de DNA, Over Energy (OE), manipulável via menu, que,através de novos sequenciamentos e rearranjos podem proporcionar curas, acumulação mais intensa de energia para a barra Liberation, dentre outras habilidades e atributos.

Mesmo que o jogo nos dê algumas regalias como gradual recuperação de HP, por exemplo, e o próprio uso de Overdive, The 3rd Birthday tem uma dificuldade considerável. No início, o jogo parecerá fácil, todavia algumas sequências de ação fará o jogador se enfurecer rapidamente. Alguns inimigos tem sub-barras de HP e acabar com todas estas torna-se um desafio intenso, principalmente em batalhas épicas contra os chefes no jogo. A possibilidade da roupa de Aya ser destruída gradualmente pelos oponentes não está lá somente para a alegria dos marmanjões, e sim para acentuar o dano que é causado, caso ela esteja quase desprotegida por suas vestimentas. Se quer desafio, jogue na dificuldade Hard ou outras que são liberadas posteriormente e boa sorte.

O arsenal técnico de The 3rd Birthday também impressiona. Possivelmente trata-se do jogo mais bonito do PSP. Mesmo devido à ação, a ocorrência de slowdowns é quase inexistente e o jogo flui de forma satisfatória. Além disto, o jogo é embalado por uma trilha sonora concebida de forma exímia e as dublagens, apesar de irregularizadas, preenchem um pacote de um jogo que se torna bem melhor no aspecto técnico do que muitos jogos de consoles de mesa, fazendo muitos donos destes lamentarem a sorte que o PSP teve de receber um título tão imponente nesta parte, sendo perceptível a cada CG ou cena em tempo real bem executada tecnicamente, mesmo que peque no aspecto da narrativa em alguns momentos.

Natural pensar que um replay do jogo é algo a ser considerado. Em The 3rd Birthday, o replay ocasiona algumas regalias como vestir Aya com diversos trajes e conseguir utilizar ao máximo todos os armamentos e aumentar o ranking das missões. Alguns trajes são célebres, como o de Lightining em Final Fantasy XIII, porém para conseguir este, o jogador terá que zerar a campanha algumas dezenas de vezes.

Com o seu paradoxo estabelecido, The 3rd Birthday caminha como um produto robusto para os donos de PSP, porém peca em muitos de seus aspectos internos, principalmente no que permeia a concepção e desenvolvimento do enredo. In-game, no entanto, ele é fantástico e talvez mereça a expressão de ser "um ótimo jogo, porém um irregular Parasite Eve".

 

— Resumo —

+ Repleto de ação variada e seletiva do início ao fim
+
Dificuldade deliciosamente insana em alguns momentos
+ Habilidade Overdive proporciona um uso funcional, estratégico e, antes de tudo, simples e divertido
+  Apesar de aqui ser inconstante, ainda é prazeroso jogar um título estrelado por Aya Brea
+  Um dos jogos mais exímios tecnicamente do PSP. Deixa muitos jogos de consoles de mesa envergonhados 
Controles funcionam quase que perfeitamente
A narrativa tem seus poucos momentos de satisfação

  A narrativa é irregular e tudo ocorre muito rápido, sem dar um tempo considerável para nos apegarmos a esta
 Progressão poderia ter sido menos linear
Apesar de ser ainda prazeroso jogar um título estrelado por Aya Brea, a personagem aqui é inconstante
Poderia ter mais extras recompensadores e variados

79%