AnálisesPS Vita

Steins;Gate

Análise

NOME: Steins;Gate
FABRICANTE: 5pb
PLATAFORMA: psvita
GENERO: Visual novel
DISTRIBUIDORA: PQube


LANÇAMENTOS
05/06/2015 05/06/2015 14/03/2013


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: qHD

Nº de Jogadores: 1

Troféus (com Platina)

Espaço necessário: 1.6 GB

Compatível com PSTV

Disponível na PlayStation Store


Steins;Gate é uma visual novel, gênero em que o jogo é contado através de diálogo e muito texto, enquanto imagens dos personagens vão interagindo durante o diálogo. Desenvolvida originalmente para PC pela Nitroplus e 5pb no Japão e trazida para o Ocidente pela PQube, Steins;Gate está cotado entre as melhores visual novels de todos os tempos em vários sites especializados, e agora está disponível para o PS3 e Playstation Vita.

A história começa com Okabe Rintaro, ou melhor dizendo, Houoin Hyoma, o cientista maluco que busca derrotar a “Organização” e trazer o caos para o mundo, destruindo a ordem natural da sociedade. Claro, essa é apenas uma persona que Okabe, o protagonista, assume quando está junto de seus amigos.

Com sua amiga de infância, Mayuri Shiina, e seu colega de faculdade “super hacker”, Itaru “Daru” Hashida, Okabe cria a “Future Gadget Laboratory”, uma espécie de laboratório amador e experimental encarregado de criar tecnologias inovadoras para o futuro. Enquanto isso, eles seguem a sua vida de estudantes sem imaginar o que está para mudar no curso da história.

Dois acontecimentos no começo do jogo marcam o destino da história. O primeiro, logo no começo, ocorre quando Okabe e Mayuri vão a uma palestra sobre máquinas do tempo, em que um satélite aparece inexplicavelmente no terraço do prédio e um homicídio abala as estruturas do protagonista após a palestra. O personagem assassinado tem um papel-chave em toda a história, pois o jogo deixa claro que o passado não é concreto e o futuro não é certo.

Também durante esse tempo, depois de várias experiências fracassadas, o protagonista e seus amigos se deparam com um microondas controlado remotamente por celular que, ao receber um comando inverso ao de aquecer a comida que está dentro, ele as transforma em algo diferente, algo com aparência de apodrecido, como se as comidas houvessem sido “gelificadas”.

Depois desses dois acontecimentos, o jogo se encarrega de se desenrolar e mostrar sobre o que se trata: viagem no tempo. O assunto é abordado de maneira bem técnica, com teorias de física sobre mundos paralelos, linhas do tempo, campos de atração, convergência e outros termos técnicos de física e outros campos da ciência.

Apesar de ser técnico, o jogo se encarrega de explicar tudo de forma bem didática, já que os termos são relacionados ao que acontece na história. É importante para o jogador entender o que está acontecendo envolvendo todos estes termos pois, com o progresso da história, as coisas vão complicando e a emoção explode.

Sem maiores spoilers, a primeira metade do jogo é uma preparação para tudo que acontece na segunda metade, quando a história vem mostrar para que foi feita. O gênero acaba sendo de ficção científica, mesmo se passando durante o ano de 2010, mas um dos grandes trunfos do jogo é como ele não se limita a um único gênero. Em várias partes do jogo, podemos ver cenas de romance, de comédia, de ação, o ritmo não para. Uma hora você pode estar rindo, na outra você pode estar apreensivo, em outras pode até ficar triste.

Um ponto forte que o jogo se encarrega de construir é a evolução do protagonista, Okabe Rintaro. No começo, ele passa a impressão de um cara de 23 anos maluco, irritante e até mesmo mimado em algumas situações. Chega um ponto em que fica difícil aguentar as loucuras que ele fala durante os diálogos. Até o final, seu crescimento é tamanho que você não acredita que presenciou o seu amadurecimento por todas as adversidades que vão aparecendo durante a sua história.

Cheio de reviravoltas, ele está no nível de outras visual novels para o Playstation Vita, como Danganronpa: Trigger Happy Havoc e Zero Escape: Virtue’s Last Reward. Nada é como parece ser. O jogo vai apresentando vários pontos em aberto para o jogador especular e criar suas próprias teorias, para então resolvê-los com o encerramento do jogo, de formas que alguns deles são quase imprevisíveis, de tão mirabolantes.

Por sinal, o jogo tem vários finais. Existe o final “verdadeiro” e vários finais alternativos, cada um com foco em personagens diferentes. Como o jogo não tem “gameplay” propriamente dito como os outros dois que mencionei, a sua interação está basicamente em atender ligações no seu celular, ler e responder certas mensagens durante o decorrer da história. Não é tão fácil distinguir para qual final está a caminho só pelas mensagens, então nesse caso, depois de chegar no seu primeiro final por conta própria, alguns recomendam o uso de algum dos guias disponíveis na internet para poder alcançar os outros finais.

A arte dos personagens é única, extremamente detalhada e cativante. Toda a arte foi feita pelo ilustrador japonês chamado “Huke”, que alguns devem conhecer como o criador da personagem “Black Rock Shooter”, que já ganhou até anime e jogo próprio. Cada personagem tem as suas características próprias e até mesmo exageradas, o que também ajuda a acentuar os pontos de suas personalidades.

Todo o diálogo é dublado em japonês, sem possibilidade de alterar para outras línguas. A dublagem é feita por atores bastante conhecidos no Japão por trabalhos em jogos, animes, até mesmo como cantores. Apesar de muitos não gostarem de dublagem em japonês por não conseguirem distinguir o que está sendo dito, os atores fazem um trabalho muito bom em demonstrarem as emoções dos personagens, então até esta dublagem é válida e as vozes são compatíveis com as personalidades dos personagens.

A trilha sonora do jogo traz faixas diferentes para cada situação e combina muito bem com as cenas que, como dito, variam em cenas de comédia, de drama, de ação, entre outras.

Steins;Gate com todos seus finais pode demorar até 40 horas para completar tudo que o jogo tem a oferecer. Um único final mostra apenas uma faceta do jogo, enquanto apenas o final verdadeiro não mostra o encerramento do relacionamento do protagonista com os outros personagens principais.

Por fim, é difícil explicar como o jogo é tão bom sem acabar soltando spoilers de momentos importantes. O que eu posso dizer, com certeza, é que a experiência como um todo é extremamente satisfatória. Os personagens e as interações entre si, a trilha sonora e a dublagem que variam com o ritmo das cenas, as reviravoltas que mostram que você nunca está preparado para o que está por vir. Quando o jogo encerra, você percebe que nada ficou solto, ele se encarrega de não deixar nós desatados e terminar de uma maneira incrível.

Veredito

Steins;Gate é uma visual novel completa. Desde a arte, a trilha sonora, até a história e suas reviravoltas, tudo é impecável. Não é a toa que o jogo figura entre as melhores visual novels de todos os tempos. É uma experiência única. Recomendo para todos que procuram uma história imperdível.

Jogo analisado com código fornecido pela PQube.

100%