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Shin Megami Tensei: Persona 3 Portable

Análise

NOME: Shin Megami Tensei: Persona 3 Portable
FABRICANTE: Atlus
PLATAFORMA: psp
GENERO: RPG
DISTRIBUIDORA: Atlus


LANÇAMENTOS
29/04/2011 29/04/2011 01/11/2009


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Não disponivel


Se existe uma série que dificilmente decepciona o jogador, esta é Megami Tensei (ou MegaTen para os íntimos). Os MegaTen costumam ter enredos originais e personagens carismáticos, e recentemente começaram a ganhar mais destaque – muito, em parte, por causa de Persona 3 (P3).

 

 

P3 é um RPG com combate por turnos tradicional, e possui uma curva de aprendizado suave mesmo para suas particularidades (1 More, All Out Attack e outros). Seus personagens possuem Personas, algo que o jogo explica como sendo "um aspecto de sua mente". Cada Persona possui suas fraquezas e forças, e seu personagem principal é o único capaz de mudar sua Persona à vontade – indicando, talvez, que ele possa mostrar o aspecto de sua personalidade que quiser. Essa pequena leitura sobre sua personalidade é fundamental para o enredo excelente de P3, e com os ótimos personagens que cercam a trama, é difícil não se importar com o destino de seu personagem principal e companheiros. Falar sobre o enredo de P3 é estragá-lo, então sintam-se à vontade para experimentar este excelente trabalho de narrativa da Atlus.
 
 
O que diferencia P3 dos outros JRPGs, porém, são suas mecânicas de exploração. Existe uma única dungeon, chamada Tartarus – uma torre gigantesca cujos andares vão se abrindo com o passar do tempo no jogo. As visitas à Tartarus têm que ser bem espaçadas, e o motivo principal é que, mais importante que explorar a torre, é aumentar suas conexões com os outros personagens. P3 é metade combate e metade simulador social. Suas Personas são ligadas a alguma Arcana do tarô (O Tolo, O Mago, O Imperador etc), e ao estabelecer relações (Social Links, ou S. Links) com determinados personagens, você fortalece a Arcana, podendo criar Personas mais poderosos, o que é de fundamental importância para avnçar na Tartarus. Este aspecto de simulação social de P3 e P4 é único, divertido, e o que realmente o separa dos outros jogos do gênero. 
 

 
Tudo que foi dito acima se refere a P3. Lançado em 2007 para o PS2, o jogo foi um inesperado sucesso de críticas, não fazendo feio com suas vendas também. O remake para PSP, Persona 3 Portable (P3P), é exatamente o mesmo jogo, com alguns extras (incluindo uma aparição de um personagem de Catherine) e uma única ausência notável. P3P é baseado na versão FES de P3, então alguns extras, como várias dificuldades, novos Personas (Black Frost, Orpheus Telos e muitos outros) e algumas cenas a mais estão presentes.
 
O primeiro e principal extra de P3P é a possibilidade de se jogar a história com uma Main Character (MC) Feminina (FeMC). Isso altera substancialmente os S. Links disponíveis e a maneira geral como a narrativa é contada, e é um modo destinado, como o próprio jogo diz, não apenas às gamers, mas para qualquer um que tenha experimentado P3 e queira uma nova perspectiva do enredo. A assistente de Igor, Elizabeth, pode ser substiuída por um homem equivalente, chamado Theodore, e existe uma nova sessão na Tartarus além da extra original Monad Dephts.
 
Uma melhoria discreta é feita na quantidade de save points. Agora, existe um save point extra na sua carteira na Gekkoukan High, deixando mais fácil manipular seus saves. Seus companheiros não ficam mais cansados ao explorar a Tartarus, apenas quando caem em combate e não são reanimados. A exploração da Tartarus, aliás, está muito mais fácil, já que agora você pode voltar diretamente ao último andar explorado, não ficando mais preso à necessidade dos teleportes nos andares com chefes. Mais ainda, agora você pode controlar todos os membros do grupo, não ficando restrito apenas ao MC, tal como P4. Outra mudança foi feita na forma de se explorar o mapa. Agora, seu personagem aparece de corpo inteiro apenas na Tartarus, e a navegação é feita na forma de menus. É um pouco estranho não ver seu personagem o tempo todo, mas é definitivamente mais fácil de se movimentar pelo mapa.
 

 
Graficamente, o jogo é quase o mesmo que no PS2. P3 não era um primor gráfico no PS2, e no PSP, o jogo sofreu um ligeiro downgrade gráfico. Os personagens são simples, mas as artworks são bem-feitas e os andares da Tartarus possuem um ótimo design, assim como as várias Personas. Todas as cenas em anime de P3 foram susbtituídas pelos (fracos) gráficos in-game, e não possuem o mesmo impacto que a contra-parte no PS2 – a primeira aparição de Orpheus e Thanatos é um dos melhores exemplos. P3P possui gráficos funcionais, mas nada mais que isso.
 
A trilha sonora dispensa comentários. Composta por Shoji Meguro, a OST de P3 é excelente e combina perfeitamente com o jogo. P3P recebe, ainda, algumas composições extras para melhorar ainda mais o que já era ótimo – como a música da nova abertura, Soul Phrase, por exemplo. A dublagem também é ótima, e conta com algumas falas adicionais para a história da FeMC. A FeMC, aliás, recebe uma ótima dublagem por Laura Bailey (Kainé em Nier, e futuramente Catherine no jogo homônimo), mas sua voz é usada apenas para algumas falas de batalha e ao invocar alguma Persona, assim como é o caso do MC de P3 e P4.
 

 
P3P é quase isento de críticas. O downgrade gráfico é praticamente irrelevante, mas P3P não é exatamente um jogo bonito. A ausência das cenas em anime, substituídas pelos gráficos in-game, também pode decepcionar alguns. Além disso, a despeito das melhorias no gameplay (poder controlar os outros personagens que não o MC, mais save points, mais flexibilidade com os S. Links) e de ser baseado em FES, P3P não conta com o conteúdo de Aigis existente em FES ("The Answer"). P3P não é fraco em conteúdo e pode passar facilmente das 100 horas (dobre esse valor se quiser ver os dois MCs), mas a ausência de "The Answer" quando tanto conteúdo foi adicionado, faz parecer que P3P deveria ser uma "versão definitiva", e não "incompleto".
 

 
Nada disso é um demérito do jogo, porém. P3P é uma bela adição a qualquer biblioteca do PSP. O pequeno downgrade gráfico e ausência do conteúdo de "The Answer" são balanceados pela nova narrativa feminina e pela navegação mais fácil. P3 foi um dos melhores RPGs da era PS2, e com a possibilidade de ser levado no bolso para qualquer lugar, não existe razão para se ignorar P3P. Facilmente um dos melhores jogos do portátil da Sony.

— Resumo —

+ Enredo excelente e profundo
+ S. Links mais maleáveis
+ FeMC dá uma nova perspectiva ao jogo
+ Cenas e personagens extras
+ Trilha sonora espetacular
+ Navegação mais fácil

Downgrade gráfico
As cenas animadas da versão original foram substituídas por gráficos in-game
Ausência de "The Answer"

95%