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Análise – Shadow of the Tomb Raider

Análise

NOME: Shadow of the Tomb Raider
FABRICANTE: Eidos Montréal / Crystal Dynamics
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação / Aventura
DISTRIBUIDORA: Square Enix


LANÇAMENTOS
14/09/2018 14/09/2018 14/09/2018


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p (PS4) / 2160p (PS4 Pro)
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
DLC
Espaço necessário: 46,94 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Sim


Tomb Raider é um clássico dos videogames desde que surgiu, em 1996. Em 2013, na tentativa de modernizar a série, a Crystal Dynamics lançou o reboot, ou seja, o jogo que ofereceria um novo começo a Lara Croft. E deu certo: o título, de maneira geral, agradou com suas diversas inovações. Logo em seguida, tivemos Rise of the Tomb Raider, que pegou a base sólida criada e a expandiu ainda mais: não apenas na campanha, mas também com seus diferentes modos, como o Resistência.

Agora, em 2018, a Eidos Montréal (conhecida por Deus Ex) assume o desenvolvimento principal com Shadow of the Tomb Raider, para dar fim à trilogia iniciada com o reboot em 2013. E já adianto: é um excelente título, mas possui algumas falhas.

Primeiramente, vamos falar da história. Sem oferecer muitos detalhes e partindo do que vimos nos outros jogos (e possivelmente em materiais isolados da série, como livros), o enredo segue Lara Croft dois anos após os acontecimentos de Rise of the Tomb Raider. Lara acabará passando por regiões da Mesoamérica e da América do Sul e encontrará a lendária cidade de Paititi. Além disso, batalhará contra a Trindade e correrá para evitar que um apocalipse Maia aconteça.

Não vou entrar em detalhes da história, pois um dos charmes de jogar Tomb Raider (principalmente pós-reboot) é acompanhar o desenvolvimento dela. No entanto, a história é facilmente um dos pontos negativos. O enredo até chega a fazer o jogador querer saber o que acontecerá em seguida, no entanto, principalmente após finalizar o jogo, você notará que a história não teve nada de marcante. Além disso, o vilão principal, considerando o que ele deveria representar, foi muito mal desenvolvido.

Apesar da história não agradar, isso não significa que o jogo não tenha momentos marcantes. Muito pelo contrário.

Shadow of the Tomb Raider possui cenas de ação incrivelmente bem feitas e memoráveis. Em um determinado momento, por exemplo, uma cidade está sendo destruída por um tsunami e você deve sobreviver. A cena em si contém uma imensidão de objetos sendo destruídos e você estará no meio daquela zona, tentando se agarrar no que pode. E isso não é nada perto do encontro com o primeiro jaguar.

O encontro com o animal feroz ressaltou algo que estava passando despercebido enquanto eu jogava: a qualidade dos efeitos sonoros em Shadow of the Tomb Raider. Em toda a minha vida de jogador, acredito que poucos títulos tenham me impressionado tanto quanto esta nova aventura de Lara em relação aos efeitos sonoros. É simplesmente incrível: jogue com fone de ouvido. É outra experiência e completamente imersiva. O som do jaguar, a chuva do lado de fora do avião ou os passos na lama, são inúmeros exemplos e todos fielmente representados.

A música, por sua vez, é bonita e faz o seu papel (inclusive, foi criada usando instrumentos pré-Colombo), mas não possui tanto destaque quanto os efeitos sonoros. Ainda sobre o áudio, vale lembrar que Shadow of the Tomb Raider está dublado em português do Brasil e, tanto a dublagem quanto os textos, foram muito bem localizados para o nosso idioma.

Esses momentos (como o do jaguar) tornam evidentes também a beleza gráfica de Shadow of the Tomb Raider. Em pouco tempo vimos Horizon Zero Dawn e God of War, por exemplo, entregarem gráficos realmente belos no PS4. Mas ouso dizer que Shadow of the Tomb Raider está no mesmo patamar que esses jogos. A selva, as vistas presentes… tudo é incrivelmente bem feito e detalhado. O único ponto negativo talvez seja o rosto dos personagens. É detalhado e possui expressões, mas não é tão refinado quanto o restante.

Os gráficos e os sons, somados, criam uma ambientação perfeita. Quando estiver jogando em uma das cidades do jogo (que são novidades quando comparamos com os títulos anteriores), pare e observe. Note o quão incrível é o ambiente ao seu redor; o quão detalhado, denso e bem criado ele é. A experiência pode ser tão imersiva que você vai acabar ignorando essas coisas por estar tão mergulhado nelas.

Vale ressaltar que o PS4 Pro permite escolher se deseja jogar com uma resolução alta ou taxa de quadros por segundo alta. Decidi jogar com a taxa alta em um monitor de 1080p e foi uma ótima experiência. Há quedas notáveis, mas de maneira geral a perfomance está aprovada. Infelizmente, não foram feitos testes no PS4 padrão.

O esquema de Shadow of the Tomb Raider segue o mesmo que os seus dois antecessores. Ou seja, é um mundo aberto que pode ser explorado quase que à vontade (conforme progride, mais áreas vão sendo abertas). Quando terminar a aventura, poderá explorar tudo com calma e ir atrás dos artefatos e missões paralelas que tenha deixado para trás.

Em relação às missões paralelas, chegamos ao segundo ponto negativo (além da história): elas são meio bobas e sem graça em sua maioria. Algumas podem ser interessantes e são bem desenvolvidas, fazendo você entrar em criptas para encontrar o que procura. Mas outras consistem em achar determinados personagens, conversar e voltar para aquele que entregou a missão. Isso normalmente funciona num RPG, mas aqui quebra o ritmo e não adiciona nada à jornada de Lara.

Não confunda essas missões paralelas com o conteúdo opcional do jogo. As tumbas de desafio, por exemplo, ainda existem e são uma ótima maneira de aumentar a longevidade do título. Some as tumbas com uma quantidade imensa de colecionáveis e upgrades, além do Novo Jogo+, e você tem um game bastante completo.

Em relação aos seus movimentos e opções de combate, a grande maioria das opções que Lara possui veio dos dois jogos anteriores. Então, você usará bastante o arco, assim como a picareta para escalar, por exemplo. Espere também nadar bastante em Shadow of the Tomb Raider, mas pode ficar sossegado que a natação foi bem implementada e não segue a maldição de que fases aquáticas em jogos são ruins.

Ainda assim, há algumas poucas novidades nos itens, mas isso deixarei para você descobrir, porque é um pouco spoiler. A única coisa ruim no combate é o desvio com o botão bola: é muito estranha a maneira com que Lara desvia (toda desajeitada).

Não é spoiler comentar, porém, que a principal diferença em Shadow of the Tomb Raider é o stealth. A Eidos Montréal possui como seu principal título desenvolvido a série Deus Ex. Não seria surpresa, portanto, vermos um foco do stealth aqui. Lara pode usar a lama para ficar mais invisível aos inimigos, assim como subir em árvores e se esconder na vegetação, inclusive nas paredes. Isso serve para atacar os inimigos quando eles não perceberem e finalizá-los com o triângulo. Também é possível, por exemplo, usar uma flecha que causa um alucinógeno no inimigo e ele acaba atacando seus parceiros.

O stealth é muito divertido em Shadow of the Tomb Raider. Porém, se você não é muito fã, não se preocupe. O jogo perdoa bastante os seus erros e você sempre tem a opção de ir no estilo Rambo.

A flecha nos leva ao sistema de criação e upgrade. Se você jogou os anteriores, já sabe o que encontrará aqui: você usa itens para criar a sua munição e as armas podem ser melhoradas com uma quantidade específica de outros itens, assim como há uma skill tree para a própria Lara. No caso de Shadow of the Tomb Raider, a skill tree é dividida em três categorias, que destacam diferentes aspectos que você quer melhorar, adaptando o seu estilo de jogo.

E por falar em estilo de jogo, Shadow of the Tomb Raider conta com diferentes níveis de dificuldade. A principal diferença para o mais difícil (Obsessão Mortal) é que não é possível ter dicas visuais de onde você pode se pendurar. É algo inédito para um jogo do estilo e que oferece algo verdadeiramente desafiador.

Por fim, Shadow of the Tomb Raider possui uma campanha sólida e bastante conteúdo opcional. No entanto, faltou a gama de opções que Rise of the Tomb Raider oferecia, como o Score Attack. Infelizmente, veremos novas tumbas apenas via DLC, então resta aguardar para ver a qualidade delas.

Se você gostou dos antecessores, Shadow of the Tomb Raider merece ser conferido. Ele possui pequenos problemas, como sua história, mas é um excelente jogo. Se não gostou dos antecessores, tente dar uma chance: a parte técnica, o ambiente e as novidades (as mecânicas de stealth, por exemplo) podem fazê-lo mudar de opinião.

Não é preciso ter jogado os anteriores para aproveitar Shadow of the Tomb Raider. Basta saber que a Trindade está buscando a mesma coisa que Lara Croft, porém com finalidades diferentes.

Veredito

Shadow of the Tomb Raider é um excelente título de ação e aventura. As mecânicas presentes de stealth são ótimas, as possibilidades de abordagem também são muito boas e toda a parte técnica merece todos os elogios possíveis. Ou seja, os gráficos são incríveis e o áudio (efeitos sonoros, no caso) é um dos melhores que já experimentei no PS4. Esses dois fatores combinados geram uma ambientação simplesmente perfeita. Por fim, o conteúdo opcional continua sendo bastante vasto. No entanto, a história deixa a desejar, assim como determinadas side quests.

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela Square Enix.

90%