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Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration

Análise

NOME: Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration
FABRICANTE: Crystal Dynamics / Nixxes Software
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação / Aventura
DISTRIBUIDORA: Square Enix


LANÇAMENTOS
11/10/2016 11/10/2016 13/10/2016


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p (4K no PS4 Pro)

Nº de Jogadores: 1 (2 online)

Troféus (inclusive Platina)

Leaderboards

Headset

PlayStation VR

Espaço necessário: 30,1 GB

Disponível na PlayStation Store

Legendas em PT-BR: Sim

Dublagem em PT-BR: Sim


Lara Croft é um ícone dos videogames. Há 20 anos, a personagem estreava em Tomb Raider – um clássico que entrou para a história. Após vários altos e baixos, Lara comemora seu aniversário em grande estilo: Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration é um pacote completo. Há um jogo excelente, vasto e desafiador. Junto a ele temos DLCs já inclusos que são variados, contando até mesmo com um cooperativo interessante.

Quando Rise of the Tomb Raider foi anunciado com exclusividade para o Xbox, demorou um tempo para que a confirmação de que isso era temporário chegasse. O jogo acabou saindo, agradando a muitos e agora, quase 1 ano depois, está nas mãos dos donos de PS4. A espera valeu a pena? Sem dúvida.

Rise of the Tomb Raider é um dos melhores jogos lançados nesta geração. Parece pesado afirmar isso, pois sem dúvida possui algumas falhas, mas após terminá-lo e conferir tudo o que vem no pacote, será injusto não relembrá-lo naquelas listas de melhores jogos de PS4.

Vamos começar pelo jogo base: o Rise of the Tomb Raider em si. Na história, Lara Croft parte em busca da imortalidade na lendária cidade de Kitezh na Sibéria. Lara não está sozinha: uma organização perigosa, denominada Trindade, também está à procura da tal imortalidade. O enredo é muito mais complexo que isso, porém, entrar em detalhes seria spoiler e cabe a você experimentá-lo.

Se você jogou o Tomb Raider reboot, lançado em 2013, já pode imaginar o que encontrará aqui. O gameplay é simplesmente o mesmo, mas refinado em todos os aspectos. Lara ainda começa sua aventura com poucos recursos e precisa sobreviver ao frio da Sibéria coletando material e criando itens e armas. Ou seja, você ainda pegará vários objetos explorando o cenário e montará ou melhorará tanto as armas quanto a própria Lara (com suas três skill trees) nas fogueiras espalhadas pelo jogo, que também servem como fast travel.

Lara pula, corre e se pendura. A escalada continua sendo um ponto forte, com seus dois machados em rochas porosas e em outros tipos de ambientes. Ao longo da jornada, porém, há elementos novos. Não vamos estragar a surpresa, pois as verdadeiras novidades só chegam bem mais tarde, mas acredite: são interessantes e adicionam à experiência.

O combate é outro foco do gameplay de Rise of the Tomb Raider. O elemento stealth está melhor do que nunca, dando várias opções de como o jogador pode abordar a situação. O maior problema, para mim, continua sendo o sistema de cobertura (cover). Lara se agacha de forma automática quando há inimigos por perto, mas o "encaixe" na parede não é algo muito eficaz. Não queria citar, porém se torna inevitável em algum momento: o cover de Uncharted é excelente por existir esse ímã entre o personagem e a parede. Há inúmeros jogos que adotam isso, como a série Batman: Arkham, e Lara poderia ser assim também. Não se engane: o sistema existente é eficaz e, considerando que o stealth deveria ser a sua primeira opção antes do combate direto, dá conta do recado. Entretanto, não é perfeito.

Isso sem contar com o que chamamos de input delay: um atraso nos comandos. Testes realizados por sites especializados em perfomance confirmaram sua existência em Rise of the Tomb Raider. De forma geral, isso não afeta o gameplay, pois você acaba se acostumando. O maior problema é quando há um inimigo vindo em sua direção e você precisa mirar o mais rápido possível em sua cabeça: simplesmente não acontece. Você vai se sentir um retardado até se acostumar à compensação no atraso da resposta.

Mas vamos voltar aos pontos positivos. Rise of the Tomb Raider possui um mundo aberto, com gráficos incríveis (Lara está muito bela e os cenários detalhados mais ainda) e que se passa boa parte na Sibéria. Por causa disso, é de se imaginar que o cenário seja neve em boa parte do tempo. Isso está correto em partes, pois devido a um Vale Geotérmico, a paisagem muda bastante. Além disso, no começo há alguns flashbacks que nos levam à Síria e a uma tumba nela. Essa parte, pessoalmente, foi sensacional e deveria ser mais vezes adotada pela Crystal Dynamics. O terceiro jogo dessa série reboot, inclusive, deveria possuir um hub central (no caso, a mansão de Lara, que falaremos mais adiante) e que nos levaria a outros pequenos mundos abertos variados e com tumbas a serem exploradas. Apenas um devaneio meu. Isso não ocorre aqui: o flashback é o da Síria e logo voltamos à aventura principal na Sibéria.

Isso, porém, não impede algo que merece muito destaque em Rise of the Tomb Raider: as tumbas opcionais. Todas elas são variadas e incrivelmente inteligentes, ou seja, com puzzles que nos fazem pensar e são bastante lógicos quando solucionados (do tipo "por que não pensei nisso antes?"). Há várias tumbas no jogo a serem encontradas e vale a pena procurá-las.

As tumbas nos fazem entrar em outra discussão: os inúmeros colecionáveis como documentos, relíquias, etc. Como um bom Tomb Raider, estamos falando de vários itens escondidos pelo jogo e que aumentam significativamente a vida útil.

Vale ressaltar que esta edição do PS4 do jogo adicionou uma dificuldade ainda maior para a campanha, oferecendo um novo desafio a quem se interessar. Fora a campanha, o jogo base ainda oferece uma espécie de Score Attack, permitindo que você rejogue tudo em busca de uma melhor pontuação e marque sua presença nos rankings online. Aqui entram os cards (que também estão presentes nos DLCs). Parece confuso no início, porém os cards são basicamente boosts que você pode escolher antes de começar a jogar o modo. Na verdade, é incorreto chamar de boosts, pois além de fornecer estatísticas melhores (como flechas de fogo infinitas, skill tree completamente destravada, etc) e consequentemente reduzir sua pontuação final, eles também podem enfraquecer a Lara, o que por sua vez aumenta sua pontuação.

É um modo divertido e que sem dúvida aumenta o replay do jogo, porém, em sua essência, não há nada novo quando comparamos com o que você viu na campanha. Os cards, aliás, só nos fazem entrar na discussão de microtransações (o que o jogo oferece é o suficiente para tudo, mas os que desejam mais e mais terão que desembolsar dinheiro).

Se analisássemos o jogo quando saiu para o Xbox, o review teria acabado aqui. No entanto, a edição do PS4 inclui um conteúdo extra significativo que precisa ser mencionado.

O primeiro deles é o chamado Resistência (Endurance), podendo ser jogado sozinho ou cooperativo. Nesse modo, que possui um mapa gerado aleatoriamente, o conceito de sobrevivência é levado ao extremo. Lara possui duas barras de vida: uma de comida e outra de frio. Para comer, é preciso caçar inimigos. Para se aquecer, encontrar fogueiras ou similares. Sozinho, o modo se torna sem graça em poucas horas. Cooperativo, porém, é divertido, mas também acaba ficando chato com o tempo. Se você busca troféus, é interessante ir atrás de todas as conquistas do DLC, mas depois disso dificilmente jogará novamente.

Outro DLC incluso é o Escuridão Fria. Nele, Lara basicamente deve impedir que uma espécie de vírus (que transforma homens em zumbis) presente em uma base soviética se espalhe. O DLC funciona como uma espécie de Score Attack e é bem simples. Comparado aos outros conteúdos adicionados, Escuridão Fria é um tanto quanto decepcionante.

O próximo DLC a ser comentado é o Baba Yaga. Os jogadores de PS4, na verdade, acharão que o conteúdo faz parte da campanha, pois ele é acessado a partir de um determinado momento dentro da mesma. Basicamente, é uma missão de história em que Lara busca a verdade sobre a bruxa Baba Yaga e as mortes que têm acontecido. Delírios podem acontecer no processo e deixam a jornada interessante. O DLC, entretanto, é curto, podendo durar cerca de uma hora para ser finalizado e mais uma ou duas para fazer 100%.

Por fim, a Mansão Croft. Ao contrário dos outros DLCs, esse conteúdo é dividido em dois. A primeira parte coloca Lara dentro da mansão em busca do testamento de seu pai, pois seu tio deseja ficar com a propriedade. Para encontrar tal item, Lara explora a mansão em busca da combinação do cofre. É justamente aqui que o DLC se diferencia: você precisa andar, conferir os itens e até mesmo ler os documentos para saber o que fazer em seguida. Não há ação e nem combate, apenas exploração. Inclusive, é justamente aqui que o PlayStation VR é compatível com o jogo, mas não pudemos testar pois não temos o headset em mãos.

A outra metade do DLC é um Score Attack que acontece na mansão. Ou seja, Lara começa a sonhar (na verdade, ter pesadelos) e diversos seres sobrenaturais aparecem na mansão. Você precisa matá-los, destruir três em específico e escapar com vida. É algo totalmente sem criatividade, apenas criado para aproveitar o mapa da mansão com um pouco de ação, mas justificável dado o outro conteúdo de exploração.

Todos esses Score Attacks mencionados nos DLCs fazem uso dos cards mencionados anteriormente. E é aqui que você fará uso de diversas skins para Lara (além da campanha principal), inclusive de várias clássicas dos outros Tomb Raider. Uma simples e eficaz comemoração de 20 anos.

Todos os DLCs e a campanha principal tiveram perfomances sólidas em nossos testes. No entanto, vale ressaltar alguns bugs que ocorreram: o primeiro foi no cooperativo online do modo Resistência. Do nada, a câmera bugou e ficou fixa no ombro de Lara (isso pode ser visto aos 23 minutos no vídeo mais acima). Ainda no modo online, mensagens de erro do servidor da Square Enix apareceram, mas a conexão não caiu, o que nos deixou confusos. Outro bug foi em relação aos cards: os específicos dos DLCs não destravaram para mim, infelizmente. Ainda, em outro momento, que pode ser visto no final da parte 3 da playlist no início desta análise, a porta que permite continuar o jogo não tinha o ícone de abertura. Foi preciso sair e entrar novamente para que isso fosse corrigido. É possível que outros bugs aconteçam com você, por isso fique atento. No entanto, são pequenos, contornáveis e não comprometem o pacote.

Para finalizar, a localização para o português do Brasil está muito boa, inclusive a dublagem. Para aqueles que querem ouvir Camilla Luddington (a Lara verdadeira e britânica), é possível, sem problemas, deixar o áudio em inglês e os textos em português.

Veredito

Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration é um pacote completo: uma campanha sólida, muito conteúdo extra e DLCs interessantes. É um dos melhores jogos desta geração, mesmo com alguns pequenos problemas relatados ao longo desta análise. Jogue, nem que seja apenas para aproveitar as tumbas opcionais.

Jogo analisado com código fornecido pela Square Enix.

97%