AnálisesPS Vita

Rayman Legends

Análise

NOME: Rayman Legends
FABRICANTE: Ubisoft Montpellier
PLATAFORMA: psvita
GENERO: Plataforma
DISTRIBUIDORA: Ubisoft


LANÇAMENTOS
13/09/2013 13/09/2013 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução: qHD

Número de Jogadores: 1 (2 via multiplayer cooperativo)

Troféus (Com Platina)

Leaderboards

Disponível na PlayStation Store

Tamanho: 1 GB


Mentes criativas gostam de se sentir desafiadas. E Rayman Legends para os que o desafiaram a superar Rayman Origins e até duvidavam de tal feito. E com motivos, afinal, Rayman Origins foi o retorno espetacular do personagem icônico de Michel Ancel em sua melhor forma. Não obstante, Legends pegou para si a tarefa e, como bom aluno que é, fez Origins ser o alicerce do que estamos presenciando desde que o jogo chegou ao mercado. A construção está aqui.

Desfrutar desse sonho em forma de jogo é mergulhar no enredo simples, intimamente ligado a Rayman Origins, porém menos complexo. Nas primeiras (e raras) falas dubladas de Bubble Dreamer, as quais externam, inclusive, o suporte ao português brasileiro, Murfy, entidade recorrente na série desde Rayman 2: The Great Escape, é convocado para acordar os heróis Rayman, Globox e Teensie, que estavam dormindo há 100 anos e, devido a isto, e a outros acontecimentos oriundos de Rayman Origins, os pesadelos tomaram conta de Glade of Dreams, com monstros se alastrando e teensies dos mais diversos tipos sendo capturados. Um verdadeiro caos pronto a ser modificado.



Se você jogou Rayman Origins, entenderá as atitudes do Magician, agora transmutado em cinco Dark Teensies, os quais promovem a desordem no reino dos sonhos. A participação destes vilões em Rayman Legends se dá de forma bastante símile, promovendo perseguições, manipulando chefes no jogo, dentre outras características, algo que condiz com seus futuros destinos nada gloriosos, porém que se somam a uma das características mais fortes de Legends: a música.

E o vento estranhou. Abraçar o mundo de Legends e libertar cada teensie é preciso. E o jogador não se arrependerá desse acolhimento. Há aqui um jogo de plataforma que combina diversão, desafio e interatividade de maneira magistral. Michel Ancel e seu time simplesmente pegam recursos clássicos do estilo e reinventam a cada visita aos mais diferenciados mundos, munidos de personagens e inimigos carismáticos. Mundos com temáticas medieval e mitológica. Fases aquáticas aliadas a um plano furtivo, passando sem se detectado por luzes punitivas deixariam Sam Fisher orgulhoso. Níveis florestais e desérticos usando o vento aliado para a jogabilidade. E todos finalizados com um nível musical que incute ritmo e plataforma na medida certa, em melodias com puro rock'n roll, ou uma clássica orquestra, num conluio entre trilha sonora, inimigos, partes dos cenários e, claro, o próprio jogador, que é convidado a se mostrar um verdadeiro artista nesse palco de espetáculos em cada fase.

E tudo isto embalado por uma otimização da engine UbiArt Framework, usando de cores ainda mais vivas, ambientes com diversos backgrounds que nos trazem momentos memoráveis como em uma fase em 20.000 lums submarinos em que nos vem um elevador, inimigos vão surgindo e saltando para ele em três planos de fundo diferenciados, conforme progressão andares abaixo. Chefes estão em 3D e constrastam bem com o universo bidimensional, proporcionando diversos momentos visualmente impactantes.



Em cada fase, alguns teensies devem ser salvos (de 3 a 10, dependendo do nível). Substitutos dos Electoons vistos em Origins, os teensies podem estar enjaulados, amarrados ou simplesmente torturados pelos inimigos durante as fases. Salvar a maioria deles exige atenção total, pois muitos estão bem escondidos ou são acessíveis mediante a um determinado macete de jogabilidade. Reis e rainhas teensie estão em locais muito escondidos, onde se torna necessário completar uma minifase, cada qual com seu aspecto único, assim como em Origins, se tratando de mecânicas num híbrido de simplicidade e genialidade. Há um mostrador no canto da tela que serve de informativo para os teensies coletados. Porém a libertação deles ocorre de forma não-linear a esse mostrador. Você pode encontrar um rei após salvar três teensies ou, ainda, encontrar o último lá no canto direito da tela de finalização da fase, numa brincadeira ao testar sua percepção.

Sem Murfy presente, os mundos nos dão momentos em que recursos clássicos de jogos de plataforma (e da série Rayman) devem ser utilizados. O jogo valoriza o timing do salto, da forma de planar no ar com cada personagem e dos ataques realizados. isso fica bem evidente nas fases musicais e nos níveis mais difíceis e em alguns que fazem uso anti-gravitacional em prol do maravilhoso level-design. Corridas contra inimigos naturais ou criaturas também são destaques, afinal, você quer salvar aquela princesa (todas baseadas em Barbara, a nova personagem) ou até mesmo ver a loucura que é ter um Luchador correndo atrás de você e gritando freneticamente enquanto o cenário é destruído.

Usando o Murfy, entretanto, a situação muda de figura. Na versão de PlayStation Vita, similar a do Wii U, o uso desse personagem exalta mais as características únicas de jogabilidade de Rayman Legends, além de o Vita contar com desafios exclusivos que nem a versão de Wii U contém. Cortar cordas, mover plataformas, achar lums escondidas são apenas alguns dos artifícios possíveis com Murfy. No Vita, temos o controle total de Murfy, enquanto a máquina controla Globox, quando a troca de personagem é feita. De início, parece estranho, mas o jogo nos dá variadas possibilidades e nos mostra que o funcionamento é natural. A tela de toque do Vita responde muito bem aos comandos e força o jogador, em muitos momentos, a mostrar sua habilidade. O uso do sensor de movimento se mostra presente também em algumas seções das fases e tal característica também funciona de maneira adequada, além de se unir ao pacote no que tange a dar uma nova cara a um jogo de plataforma. Quer descontrair um pouco? Distraia oponentes dando cócegas neles enquanto Globox os golpeia. Ou então mude lums de cores com o simples deslizar dos dedos na tela.



Recolher Lums se torna tão prazeroso quanto em Rayman Origins, mas com algumas diferenças aqui. Em Legends, não há mais aquela Lum rainha que, ao ser adqurida, dobra momentaneamente o valor das lums pegas. Agora, quando há umas lums encadeadas para serem assimiladas, o jogador notará que uma delas tem uma cor diferenciada. Conseguindo uma, a outra da fila mudará de cor. Conseguiu outra, a seguinte mudará, e isso sucessivamente até a última. Entretanto, não pense que sempre será fácil, afinal, algumas séries de lums se movimentam de forma diferenciada, testando a capacidade do jogador de pegá-las no momento certo.

Conseguir centenas de lums implica no maior mérito de Rayman Legends, o qual consiste em fazer o jogador ficar atenado sempre no que o título pode oferecer. Complete uma fase e vá raspar o seu bilhete da sorte (conseguido caso angarie 450 lums em cada percurso). Você pode conseguir uma criatura (que lhe dará presentes a cada 24 horas, reforçando o aspecto longevo de Legends), um Teensie, uma fase em Origins que recebe uma tela especial com cinco mundos totalmente adaptados às características de Legends, mas inexplicavelmente sem perder o seu próprio feeling.

O menu sempre o alertará de coisas que você pode ter destravado no jogo. Um novo herói destravado na extensa galeria? Um simples toque no ícone o fará ir para lá verificar. Uma nova fase Invasion, a qual veio tardiamente via patch e que apresenta um belo desafio para adoradores no estilo? Um simples toque no ícone e o fará ir para lá verificar. A sensação de que há muita coisa a ser feita e refeita é constante.



Junto a isto, há um belo sistema de grandiosidade que medirá sua dedicação e habilidade em jogos de plataforma. Ganhando lums nas fases, troféus de prata, ouro e bronze são adicionados à respectiva pintura do nível no "hub world", além de um de diamante, esse estampado acima da figura do mundo, caso consiga pegar todos os teensies de um mundo. Cada um desses troféus equivale a um número específico de pontos. Então, conseguindo uma quantidade expressiva deles, seu nível de grandiosidade se elevará.

O que desafiará o jogador a se dedicar a Rayman Legends para que seu nível de grandiosidade aumente são os desafios online. Há diverso deles: diário, semanal, diário extremo e semanal extremo. Estar bem colocado no ranking de jogadores do mundo todo dará troféus e ajudará a aumentar o nível de grandiosidade, porém ser grandioso não é uma tarefa nada fácil, pois alguns dos desafios são muito difíceis e conseguir ficar bem colocado para conseguir uma taça de diamante é tarefa para poucos, muito poucos. Una isto às fases Invasion (um time attack para salvar teensies), com cada um desses apresentando partes diferenciadas de mundos já visitados, porém infestados de inimigos de outros mundos, além de um tenebroso e irritante Rayman das trevas e, diante disso, o jogador verá que o jogo propicia um desafio bem consistente, por vezes punitivo, mas com dedicação e percepção, o jogo proporciona com que suas habilidades em títulos de plataforma melhores substancialmente.

Ainda na vibe do desafio, temos presente uma pintura extra chamada Living Dead Party, a qual traz, além de uma fase musical inspirada no nível secreto de Rayman Origins, versões 8-bits das fases musicais dos outros mundos, que encantam pela sonoridade nostálgica e pelas diferenciadas distorções visuais, além da inexistência de checkpoints, ou seja, deve-se completar tudo de uma vez, resultando, talvez, em irritação para jogadores pouco persistentes ou pouco habilidosos, algo desfavorável no contexto, haja visto que uma das músicas convertidas em jogabilidade é a clássica Eye of the Tiger e se mostra, por si só, uma das fases musicais mais difíceis de serem completadas sem morrer.



Se há algo em que a versão de Vita "peca" é no suporte ao multiplayer. Apesar de não ser algo necessário para desfrutar do jogo e nem chegar a arranhar a qualidade do mesmo, a modalidade oferece uma conexão offline para dois jogadores (ora em uma seção normal de jogatina, outrora em uma fase em que um jogador controla o Murfy por meio da tela de toque e, por sua vez, o segundo jogador controla um outro personagem de maneira convencional. Mas para isto são necessários dois Vitas bem próximos e, caso você não conheça um amigo que tenha o portátil e o jogo, essa modalidade não será utilizada e, por exemplo, a tela do minigame kung futebol servirá apenas para artigo de decoração no hub world.

Versão para PlayStation 3


A versão para PlayStation 3 de Rayman Legends foi lançada um pouco mais cedo que a versão para PlayStation Vita, todavia a mesma ostenta todo o conteúdo que necessariamente não faça uso das características singulares do portátil.

Nas fases em que Murfy é a estrela, o jogador controla o personagem que Murfy auxilia, ao invés da própria entidade. Murfy é movido automaticamente para as áreas em que seus auxílios são necessários e, apertando um botão, Murfy concede a valiosa ajuda.

Além disso, o multiplayer offline se supera aqui, afinal, temos suporte para até quatro jogadores e o minigame Kung Futebol se beneficia disto. Vale notar que as fases Invasion estão presentes desde o início para o PlayStation 3, sendo que no Vita só foram disponibilizadas via atualização gratuita. Escolhemos a versão de Vita para análise detalhada, porque ela é a mais próxima do que os desenvolvedores almejavam ao criar Rayman Legends.



A equipe de Michel Ancel conseguiu, com Rayman Legends, entregar um jogo de plataforma consistente, numa mistura de mecânicas e artifícios clássicos e modernidade, dando um aspecto artístico, desafiador, musical e de longevidade que nenhum jogo no estilo proporcionou nessa geração. Ele pega para si características de jogos como Bit.Trip ou, ainda, um pouquinho de And Yet It Moves e condensa tudo juntamente a características oriundas de Super Mario Bros. e, obviamente, do próprio Rayman, e faz tudo isto funcionar a seu modo novidadeiro, singular e único. E com o jogador no centro de tudo. Não se sinta envergonhado se, após completar uma fase musical (Dragon Slayer ou Orchestral Chaos, por exemplo), sem morrer vez alguma e perceber o quão épica ela é, unida a outras tão épicas quanto, você largar o portátil (ou o controle em mãos) e aplaudir continuamente. Certamente estará aplaudindo um dos melhores jogos de plataforma da história dos videogames.


— Resumo —

+ Divertidíssimo
+ Desafiador na medida certa
+ Gráficos
+ Parte musical integrada à jogabilidade
+ Ótima utilização de características do Vita
+ Muito conteúdo
+ Longevidade
+ Suporte ao idioma oficial brasileiro
+ Um dos melhores jogos de plataforma já feitos
 


100%