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[PSN] Tony Hawk's Pro Skater HD

Análise

NOME: [PSN] Tony Hawk's Pro Skater HD
FABRICANTE: Robomodo
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Esporte
DISTRIBUIDORA: Activision


LANÇAMENTOS
Não disponivel Não disponivel Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução HD: 720p

Jogadores: 1 (2 - 4 no Multiplayer online)

Espaço necessário no HD: 395 MB

Leaderboards

Troféus

DLCs


Tony Hawk’s Pro Skater é uma série que marcou muita gente no final da década de 90. O primeiro jogo revolucionou o gênero de esportes radicais e criou uma potência nos videogames, uma referência que todos almejavam alcançar mas que nenhum conseguiu (nem a série skate, da EA, que apesar de muito boa não teve um sucesso estelar). O segundo jogo da série de Tony Hawk conseguiu o que parecia impossível: melhorou tudo o que era possível e ainda trouxe mais. Ele é o meu favorito da série, de longe. Dois jogos tão clássicos, e fundamentalmente tão bons, não mereciam cair no esquecimento. A Activision tem plena consciência disso, e querendo ganhar uns trocados a mais entregou os dois primeiros jogos da série para a Robomodo polir e fazer um remake em alta definição. O resultado tinha tudo para ser perfeito, mas infelizmente ele passa longe disto.

Antes de falar mais sobre este remake HD, um pouco de história é necessário. Eu joguei tanto o primeiro Tony Hawk’s Pro Skater (THPS) quanto o segundo no Dreamcast à exaustão. No THPS2 eu gastei centenas de horas para pegar 100% com todos os skatistas (incluindo o Homem-Aranha), fazer todas as gaps e construir dezenas de fases, algumas delas muito boas, modéstia à parte. Joguei muito o multiplayer split-screen com meus amigos, mesmo anos depois do jogo ter sido lançado. Eu realmente adoro THPS2 e considero ele um jogo perfeito, já que não mudaria nada no original. Eu esperei muito tempo por este remake (o que pode ser comprovado por este artigo que eu escrevi em 2010), então as minhas expectativas eram altíssimas.

 


THPS HD é decepcionante. Dói muito dizer isso, mas esse remake HD que eu esperei por tanto tempo deixa muito a desejar em quase todos os aspectos. A Robomodo é a desenvolvedora responsável pelos últimos jogos abismalmente horríveis da série Tony Hawk (Ride e Shred), então fica difícil entender como a Activision teve a coragem de entregar essa sua joia nas mãos destes incompetentes.

Primeiramente, o jogo tem apenas 7 fases, sendo que os originais somados possuem 19 fases, incluindo normais e secretas. Elas são (entre parênteses o jogo de qual foi tirada):

– Warehouse (1)
– School II (2)
– Hangar (2)
– Mall (1)
– Venice Beach (2)
– Downhill Jam (1)
– Marseille (2)

A escolha de fases deixa muito a desejar. Eu particularmente gosto muito de Warehouse, School II, Hangar e Venice Beach. Marseille é simpática. Mas a Mall e Downhill Jam eu detestava quando jogava THPS, e agora elas voltam pra ocupar dois espaços nesta lista já pequena. Essas duas fases são lineares, possuindo um começo e um fim, e destoam muito do restante, onde há liberdade de exploração e de realização de manobras. Nestas duas você é obrigado a ir pra frente e para baixo. Ao chegar ao final da fase você é transportado para o começo e caso a sua barra de especial esteja cheia, ela é esvaziada. Muito irritante.

 


Há tantas fases boas nos dois jogos que é difícil entender porque se limitaram a apenas 7. Fases como Chicago Skate Park (1), Downtown Minneapolis (1), NY City (2), Philadelphia (2), dentre outras, mereciam estar no jogo. Na verdade, todas as fases dos 2 primeiros jogos deveriam estar em THPS HD (sim, até as duas que eu odeio), tal qual estavam em Tony Hawk’s Pro Skater 2X. É desapontador ver a parca quantidade de fases disponibilizadas, e as únicas explicações que eu consigo pensar são (a) falta de tempo, (b) preguiça ou ( c ) lançar mais fases futuramente como DLC pago. Não sei qual destas opções é a pior.

As fases podem ser jogadas em diferentes modos de jogo. O principal, o modo Carreira, é similar ao de THPS2 com 10 objetivos por fase, por skatista. Estes objetivos ainda são relacionados a obter determinadas pontuações, encontrar X itens de um determinado tipo e encontrar um DVD secreto (ao contrário de uma fita cassete secreta, como nos originais), geralmente localizado em algum lugar de difícil acesso. Cada rodada neste modo dura 2 minutos, e você pode cumprir objetivos em diversas rodadas. Não há mais fases de competição, onde você deveria apenas fazer a maior quantidade de pontos. Até mesmo Marseille, que era uma fase assim em THPS2, foi adaptada para os 10 objetivos em THPS HD.

 


Depois de completar todos os 70 objetivos originais com um skatista, um novo modo de jogo é habilitado, chamado Projectives (mescla de professional + objetives, ou seja, objetivos profissionais). Neste modo cada fase ganha 5 novos objetivos mais difíceis, e você tem apenas 1 minuto para completá-los. É um modo legal e bem desafiador em algumas fases, especialmente quando se busca coletar as letras C-O-M-B-O em apenas uma longa e contínua manobra.

Outra adição é o modo Hawkman, no qual você deve coletar esferas coloridas espalhadas pela fase, e elas só podem ser pegas com manobras específicas. As esferas verdes exigem manual ao passar sobre elas, as amarelas exigem grind, e assim por diante. Também há um estranho modo Big Head Survival, em que a cabeça do seu personagem se infla continuamente e só diminui conforme se realiza manobras. Um mostrador indica a porcentagem do tamanho da sua cabeça, e ao chegar aos 100%, ela explode em mil confetes.

 

 

Vários destes modos de jogo podem ser jogados em multiplayer online de 2 a 4 pessoas. Em mais uma falta de respeito aos jogadores, o multiplayer local foi retirado deste remake, e certamente é algo que faz muita falta. O multiplayer online até funciona bem na maior parte do tempo, mas joguei algumas partidas com lag considerável.

Outras duas coisas importantíssimas que foram totalmente cortadas foram a criação de fases e a criação de skatistas. Criar fases mirabolantes era uma das melhores partes de THPS2, e criar o seu skatista, um personagem que reflete quem você quiser, era ótimo. O jogo já oferece poucas fases, e ainda por cima você nem pode criar as suas para suprir essa necessidade. É de entristecer qualquer um.

Inicialmente o jogo oferece 10 skatistas, mas outros podem ser destravados ao longo do jogo. Tony Hawk é obviamente um dos skatistas que retornam, assim como o rei do freestyle Rodney Mullen. Infelizmente Bob Burnquist, um dos favoritos de nós brasileiros, está ausente de THPS HD. Cada skatista ainda possui uma série de atributos que podem ser incrementados com o dinheiro obtido ao longo da campanha, melhorando assim os seus ollies (pulos), o equilíbrio em grinds e manuais, dentre outros.

 


A jogabilidade, um dos principais pontos que muitos temiam que fosse estragado, está aparentemente intacta aqui em relação aos originais. A física ainda é absurda, os pulos são impossíveis, e eu não gostaria que fosse diferente. Foi muito interessante voltar a jogar THPS e ver como a memória muscular é forte. Na primeira hora de jogo eu não estava conseguindo jogar direito e fazia poucos pontos, mas conforme fui jogando os comandos foram naturalmente voltando pra mim e em pouco tempo eu já conseguia manobras que percorriam toda uma fase. A prova de que estou jogando como antigamente são as pontas dos dois dedões da minha mão, que estão amassadas e doloridas como no lançamento dos originais.

A eterna luta para masterizar um skatista e/ou uma fase felizmente ainda está intacta para mim. Não basta só cumprir os objetivos de uma fase; você tem que destruir os seus próprios recordes em toda nova tentativa, e se não fizer isso você vai querer tentar de novo e de novo. Uma boa adição em THPS HD são as Leaderboards, permitindo que você compare as suas pontuações com seus amigos e com o restante do mundo. É um pouco frustrante ver que você faz 800 mil pontos em Venice Beach, por exemplo, enquanto alguns fazem mais de 15 milhões, mas eu consigo conviver com isso.

Os gráficos deste remake são bons e realmente foram bem trabalhados. As texturas e os modelos de personagens e cenários são muito superiores aos originais. A neblina que era tão usada para ocultar as distâncias nos jogos originais (limitados pelo hardware dos videogames de então) desapareceu, e vários novos efeitos de luz e sombra preenchem os cenários. School II, em particular, está muito bonita. Um defeito menor do visual é que sempre que você começa a jogar em uma fase, você vê as texturas sendo carregadas lentamente ao seu redor, e não pode começar a jogar até que todas sejam terminadas. É um problema não só deste jogo, mas de praticamente de qualquer um que utilize a Unreal Engine 3 no PlayStation 3.

 


Qualquer Tony Hawk’s Pro Skater não é nada sem a sua trilha sonora. As músicas dos 2 primeiros jogos têm um espaço especial no meu coração e nas minhas playlists, onde até hoje elas tocam com certa frequência. Portanto, naturalmente a trilha deste remake era algo que deveria ser tratado com muito cuidado e carinho. Fico infeliz em dizer que a Robomodo novamente nos decepcionou, com uma trilha sonora muito aquém do ideal.

Apenas 14 músicas fazem parte da trilha sonora, e destas apenas 7 são dos jogos originais:

– Superman do Goldfinger (1)
– No Cigar do Millencolin (2)
– You do Bad Religion (2)
– Bring the Noise do Public Enemy + Anthrax (2)
– When Worlds Collide do Powerman 5000 (2)
– May 16 do Lagwagon (2)
– Heavy Metal Winner do Consumed (2)

Onde estão Police Truck, Cyco Vision, New Girl, Guerrilla Radio, Blood Brothers e tantas outras? As 7 novas músicas não são nada memoráveis, e eu gostei um pouco apenas de 2 delas (We The People e Marathon Mansion!). Além disso, a pouca quantidade de músicas no geral faz com que elas se repitam muito e acabem enjoando um pouco. Uma solução seria permitir o uso de custom soundtracks no jogo, mas aparentemente nem isso a Robomodo foi capaz de fazer direito.

Não são apenas falhas de conteúdo que permeiam toda a extensão de THPS HD. O jogo também é repleto de bugs de todos os tipos. O jogo travou muito comigo, principalmente nas duas primeiras fases. Diversas vezes, no meio de manobras ou simplesmente entrando no menu de pausa o jogo travava quase completamente (às vezes apenas as músicas continuavam tocando) e exigia um puxão do fio da tomada para resolver o problema. Para não dizer que estou mentindo ou exagerando, gravei 3 destes momentos de pura diversão:



 


Em diversos momentos também encontrei micro-travadas do jogo. Eram momentos que duravam mais ou menos meio segundo, mas que eram suficientes para me fazer cair e perder combos e pontos. Depois de algumas experimentações, percebi que essas travadas aconteciam quase sempre na School II, quando os sinais da escola tocam. Muito estranho.

Apesar de todos estes pesares, eu ainda consegui me divertir com THPS HD. Se todo o conteúdo dos dois jogos originais estivesse aqui, atualizado, essa geração seria abençoada. Minha frustração maior é pelo que o jogo poderia ser, mas não é. Mesmo com os problemas eu tive bons momentos enquanto jogava, e a nostalgia por vezes bateu forte. O jogo oferece pouco conteúdo, e parte dele tem sérios problemas, mas se você consegue se satisfazer com isso, pode aproveitar a oportunidade e (re) jogar um dos maiores clássicos de todos os tempos. Mesmo que com dor no coração.


— Resumo —

+ Jogabilidade intacta
+ Gráficos bonitos
+ Algumas fases clássicas
+ Algumas músicas excelentes
+ Modos de jogo divertidos

Pouquíssimas fases
Trilha sonora limitada
Ausência de Bob Burnquist
Ausência de criação de fases e personagens
Multiplayer local foi extinto
Muitos bugs

60%