AnálisesPS3

Prototype

Análise

NOME: Prototype
FABRICANTE: Radical Entertainment
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação / Aventura
DISTRIBUIDORA: Activision


LANÇAMENTOS
12/06/2009 12/06/2009 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Nº de Jogadores: 1

Definição HD: 720p

Troféus


Certamente [Prototype] não será concorrente a jogo do ano. E mesmo que exista uma série de defeitos no jogo, isso certamente não quer dizer que ele não mereça ser jogado. Publicado pela Activision e desenvolvido pela Radical Entertainment, [Prototype] conta a história de Alex Mercer, um cidadão normal que acorda em um necrotério logo antes da sua própria autópsia e, ao tentar fugir, percebe que conta com poderes super-humanos. Pra completar, ele ainda não se recorda de nada, tendo uma completa amnésia. Agora, ele tentará lembrar-se de tudo o que aconteceu, ao mesmo tempo em que planeja se vingar de quem o colocou nesta situação, em meio a uma Manhattan devastada por um vírus e vivendo o embate entre o exército e hordas de monstros orgânicos frutos. Ok, mais clichê, impossível. Mas quem dera este fosse o único problema do jogo.

 

 

Hadouken!

 

[Prototype] é um jogo com estilo Sandbox (mapa aberto), com 31 missões principais e diversas missões secundárias, bem no estilo do que já estamos acostumados neste não-tão-novo-mas-já-bastante-imitado estilo de jogo, lançado por GTA. Mas peca em alguns detalhes tão cruciais a um jogo deste tipo, que nos faz ponderar se o seu lançamento não deveria ter sido adiado por mais algum tempo para a correção destes problemas. Embora a história do jogo em si seja interessante, a forma como é contada é desanimadora. As cutscenes (mesmo individualmente tendo sido bem elaboradas) são travadas e inconstantes, de uma forma que, às vezes, dá a impressão de não possuírem relação umas com as outras. Além disso, o próprio Alex Mercer possui muito pouco carisma e, em momento nenhum do jogo, faz questão de esconder que é um anti-herói, preocupado com seus próprios interesses em detrimento dos outros (ao oposto do possível em inFAMOUS, cuja comparação com [Prototype] é inevitável).

 

 

Calma Totó! Calma!

 

Existem diversos outros problemas relacionados ao jogo e sua estrutura: as side missions são bastante repetitivas e resumem-se tarefas não relacionadas à história do jogo (correr pelos prédios dos edifícios passando por checkpoints ou matar um determinado número de inimigos, dentre outras tão "criativas" quanto estas), com o único objetivo de conseguir mais Experience Points e destravar novos poderes. O sistema de mira é bastante impreciso (principalmente diante da enorme quantidade de inimigos na tela), e invariavelmente você acaba mirando e atacando o inimigo errado. Alex pode também assumir a forma de algum inimigo que tenha consumido para realizar ataques disfarçados (algo como um stealth mode), mas não isso não funciona tão bem quanto deveria, por simples "detalhes", como o exército não achar nada demais em um cidadão escalar um prédio correndo ou por ser inútil se disfarçar nas áreas que possuem detector de vírus (invariavelmente dentro das bases do exército). Manhattan, além de não ter sido construída em escala exata, ainda é extremamente repetitiva e genérica em suas construções (tirando um ou outro edifício mais conhecido). A possibilidade de dirigir tanques e helicópteros, bem como as missões que necessitam disso parecem ter sido forçosamente inseridos, e os controles são meio confusos. A quantidade de inimigos na tela às vezes é exagerada demais, o que transforma o jogo em um grande caos onde você não sabe quem atacar, quem está te atacando e como se defender.

 

 

E é assim que eu faço quando estou cortando o meu bife e… Ops!

 

Os gráficos são meio porcos, as texturas são borradas e repetitivas, e existe popup de elementos no cenário o tempo todo, mostrando grande ausência de pré-processamento do mesmo. A cidade e os edifícios, quando vistos de longe (principalmente em cima de outros edifícios) aparecem atrás de uma penumbra / neblina monocromática e sem detalhes, o que é mais uma indicação de falta de cuidado com os gráficos do jogo. Embora a cidade seja muito vertical, esta característica é muito pouco explorada, existindo raras missões nas quais o topo dos prédios (que, tirando alguns específicos, como prédios infectados e prédios do exército, são estranhamente indestrutíveis) é o foco da ação. A parte sonora parece repetitiva e sem criatividade, à exceção da dublagem de Mercer, que é muito bem executada e convincente, com um "quê" de Solid Snake.

 

 

Os meus olhos continuam os mesmos, mas os meus cabelos…

 

Então, pelo que leu até agora, você deve estar pensando: "Nossa, este jogo deve ser uma desgraça. Mas por que ele deu aquela recomendação que eu já dei uma espiadinha ali embaixo?" Pelo simples fato de que a jogabilidade de [Prototype], bem como a capacidade de diversão do jogo, são inversamente proporcionais à falta de esmero em todos os outros pontos acima citados.

 

 

Murro na cara até que vai, mas puxar a orelha é maldade!

 

O "recheio" do jogo são os poderes de Mercer e suas possibilidades que, de tão bem executados e pela sua enorme variedade e fluidez de animação, quase conseguem encobrir os principais defeitos do jogo, e fazem com que [Prototype] valha a pena ser jogado. Alex pode correr muito mais rápido do que os humanos normais, pode realizar super-pulos, correr pelas paredes escalando os prédios (sem precisar daquelas escaladas no estilo Assassin’s Creed, muito presentes em inFAMOUS), planar para alcançar maiores distâncias, dentre outros destravados durante o jogo. Além disso, seus ataques são excelentes, contando com lâminas, garras, martelos e chicotes, tudo isso através de transformações em seu próprio corpo, possibilitadas pelo vírus que ele aloja (ou não, mais informações sobre isso só jogando).

 

 

Este golpe eu aprendi com o Edward Mãos de Tesoura.

 

Embora às vezes exagere um pouco, a dose de violência do jogo também é digna de destaque. Alex pode "consumir" os seus inimigos (tanto monstros, quanto humanos), conseguindo com isso restaurar sua barra de vida, além da possibilidade de assumir a forma de quem ele consome (neste caso, somente a forma dos humanos). Os humanos, quando atingidos pelos golpes, são retalhados ao meio, tendo partes de seus corpos espalhados por todos os lugares (imagine isso no meio de uma multidão de centenas de humanos, e terá uma idéia de quantas pernas, braços e cabeças existirão voando por todos os lados). Fatalmente, você se verá indo de um lado para o outro da cidade apenas para realizar matança sem sentido de inocentes, ser identificado pelo exército e atacado pelos strike teams (equipes especiais que atacam com helicópteros e tanques, e são sempre chamadas pelo exército ao perceberem sua presença em uma área), derrubar todos os helicópteros, consumir alguns humanos e monstros para recuperar vida e partir para outra área para fazer tudo de novo, simplesmente porque é divertido.

 

 

Meio corpo pra mim, meio corpo pra você. E o Ketchup é brinde.

 

A Web of Intrigues é uma adição interessante ao jogo, e consiste em consumir alguns personagens chave que são mostrados no mapa, que contam alguns detalhes a mais da história do jogo. Mas tem o ligeiro problema de aparecer em alguns momentos bem inconvenientes, como por exemplo, durante uma missão cujo objetivo é perseguir um helicóptero e destruí-lo antes de sair de Manhattan e, ao se consumir um personagem da Web of Intrigues, a sua cutscene não deixa que pare o tempo do jogo, fazendo que depois seja impossível alcançar o helicóptero para cumprir a missão, obrigando-o a realizá-la toda novamente.

 

 

Não é o que você está pensando, Alex está apenas consumindo mais uma vítima.

 

No final das contas, ao contrário de inFAMOUS, que é muito balanceado em termos de jogabilidade, qualidade gráfica e história (e, cuja comparação, repito, é inevitável pelo estilo semelhante de jogo e por terem sido lançados muito próximo um do outro), [Prototype] com certeza se segura em sua jogabilidade, enquanto peca bastante nos outros sentidos. Mesmo assim, com uma duração média entre 12 e 15 horas, vai ser divertido durante todo este tempo. Apesar de suas qualidades não conseguirem sobrepor totalmente os defeitos, e de não ter grande fator replay (ao se finalizar é liberado um modo New Game + onde você poderá reiniciar o jogo com todos os poderes que adquiriu anteriormente e nada além disso), vale a jogatina principalmente pela sensação de força e de liberdade e destruição que o jogador tem no controle de Mercer.

78%