AnálisesPS Vita

Mary Skelter Nightmares

Análise

NOME: Mary Skelter Nightmares
FABRICANTE: Compile Heart / Idea Factory
PLATAFORMA: psvita
GENERO: Dungeon RPG
DISTRIBUIDORA: Idea Factory International


LANÇAMENTOS
22/09/2017 22/09/2017 13/10/2016


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: qHD

Nº de Jogadores: 1

Troféus (inclusive Platina)

DLC

Espaço necessário: 2,9 GB

Disponível na PlayStation Store

Legendas em PT-BR: Não

Dublagem em PT-BR: Não


Em algumas de minhas análises de jogos da Compile Heart como, por exemplo, Omega Quintet e Dark Rose Valkyrie, mencionei que ambos tinham excelentes sistemas de batalha, mas que a qualidade de produção de outros aspectos do jogo impedia que o conjunto da obra fosse verdadeiramente excelente. Mary Skelter Nightmares é um Dungeon RPG, um gênero que foca na qualidade das suas mecânicas de combate e exploração, aproveitando os pontos fortes da produtora, e alia uma ótima direção de arte e música, o que resulta em um dos melhores DRPGs já lançados no Vita.

Mary Skelter Nightmares se passa dentro da “Cadeia”, um ser vivo que aprisiona a população humana há muito tempo, a ponto que a população já não sabe por que seres humanos estão presos naquele lugar e como era a civilização em uma época antes da Cadeia. A Cadeia é habitada por Marchens, monstros de diferentes tipos que capturam, torturam e matam as pessoas, sendo a principal ameaça para a população local.

A história começa na cela de Jack e Alice, dois adolescentes que foram capturados por Marchens e passam por uma rotina diária de torturas. Essa rotina se repete até que ambos são salvos pela Chapeuzinho Vermelho, escapam da cela e a Chapeuzinho explica que Alice é uma das poucas pessoas com poderes para enfrentar os Marchens, enquanto que Jack também tem “poderes desconhecidos” em seu sangue que podem ajudar em batalha.

Chapeuzinho Vermelho é uma das personagens que compõe o grupo que explora a Cadeia e enfrenta os Marchens, sendo que a equipe consiste apenas dessas personagens de contos de fadas famosos como, por exemplo, Alice no País das Maravilhas, Bela Adormecida e Branca de Neve. É interessante que as personagens têm características de suas histórias de origem, mas ainda conseguem manter uma identidade própria que se destaca conforme se avança na história principal do jogo e se liberam cenas opcionais com as personagens.

Jack, Alice e Chapeuzinho Vermelho exploram a Cadeia para uma organização chamada “The Dawn” (O Amanhecer, em tradução livre), que administra a única cidade humana na Cadeia e também procura uma forma de escapar da mesma. O plano principal da organização é forçar o crescimento da Cadeia para então utilizar a torre central para escapar. Portanto, cabe à equipe de Jack e Alice explorar a Cadeia e encontrar modos de fazê-la crescer e permitir que escapem com vida.

Ainda existem outras organizações, como a Ordem, e muito a se descobrir sobre a natureza da Cadeia em si, portanto, a história ainda é um ponto importante de Mary Skelter. Além da história principal, também é possível conhecer melhor as personagens principais por meio de cenas opcionais sendo liberadas conforme cresce a afeição delas por Jack.

Como mencionei anteriormente, a Cadeia é um ser vivo e é possível satisfazer sua vontade em três categorias: Fome, Libido e Sono. A fome se satisfaz derrotando inimigos, a libido encontrando pontos específicos no mapa e o sono depende de quando a Cadeia resolve dormir. Existe esse elemento de aleatoriedade ligado às vontades da Cadeia e realizá-los pode garantir vantagens como, por exemplo, tesouros, recuperação, dinheiro ou fazê-la crescer e liberar acesso a áreas secretas.

No entanto, o principal crescimento vem da destruição de núcleos, sendo que existe um escondido em cada área da Cadeia e é protegido por um Marchen bastante poderoso sendo também a fonte de regeneração de um Nightmare. Nightmare (ou Pesadelo, em português) é uma criatura aterrorizante que irá caçar sua equipe em cada uma das áreas e são indestrutíveis enquanto o núcleo estiver intacto, forçando a equipe a fugir do mesmo ou apenas atordoá-lo temporariamente.

Impressionantemente, o design e as mecânicas dos Nightmares realmente remetem perfeitamente a um pesadelo. Caso um esteja por perto, a iluminação da área diminui e, caso entre em sua área de influência, o mesmo irá começar a persegui-lo até que se escape da área de influência. Uma vez dentro da área de influência, praticamente não existe iluminação alguma, sendo possível ver apenas o espaço a sua frente e manchas de sangue de inimigos já derrotados que ajudam a iluminar um pouco a região. Batalhas comuns ainda ocorrem dentro da zona de influência e, ao contrário de muitos outros jogos, Nightmares não param de perseguir o jogador por nada. É uma experiência interessante ter um inimigo visualmente horrendo atrás de você enquanto se sente desnorteado por estar em um labirinto mal iluminado, onde uma curva errada pode te levar a um beco sem saída.

Mary Skelter também tem outras mecânicas de exploração como habilidades únicas de cada personagem, passagens secretas, armadilhas e até mesmo quebra cabeças, que dão variedade à exploração. Cada região possui uma temática, são conectadas entre si e cada andar varia em termos de tamanho, força dos inimigos e outros desafios. Uma das maiores conquistas do título, portanto, é nunca permitir que a exploração se torne algo monótono e sem graça.

Felizmente, o sistema de batalha e auxiliares também acompanham a mesma qualidade dos sistemas de exploração e tornam as batalhas menores em confrontos rápidos, enquanto que chefes só serão derrotados com estratégia e planejamento. Cada personagem tem acesso a um conjunto de classes e habilidades como, por exemplo, Alice assume a classe de lutadora, que é ótima para causar dano físico, enquanto que Chapeuzinho Vermelho inicialmente é a única que possui classes que utilizam magias de cura, suporte e ataque. Conforme novas personagens entram na equipe, duas personagens têm acesso a um conjunto de cinco classes únicas, o que permite ao jogador experimentar com diferentes dinâmicas com as personagens.

A equipe de batalha consiste de cinco membros e Jack dando suporte com itens, defesa e sangue. Conforme as personagens lutam contra os Marchens, as mesmas ficam banhadas de sangue e, passado uma certa quantidade, o mesmo causa uma transformação. A transformação é chamada de Modo Massacre, que aumenta drasticamente o poder das personagens e dá acesso a ataques únicos desse modo. No entanto, o sangue Marchen também corrompe as personagens e, caso ela esteja com muita corrupção, entrará no modo “Blood Skelter”, outra forma extremamente poderosa, mas que ataca inimigos e aliados sem distinção alguma. O sangue de Jack permite limpar a corrupção e evitar o estado Blood Skelter.

A dinâmica de batalha então consiste utilizar corretamente as classes e suas características, enquanto utiliza Jack para defender as personagens e evitar que entrem em estado de Blood Skelter. Algumas classes são típicas de RPGs como tanque, curandeira, mas existem outras mais experimentais que dependem de sorte ou mudam os estados da luta de maneira não muito convencional como, por exemplo, abusar das mecânicas de crescimento da Cadeia para garantir vantagens no meio da batalha ou fazer os inimigos sangrarem bastante e ativar o Modo Massacre de maneira frequente.

Jogando na dificuldade mais alta, o desafio é considerável inicialmente, sendo que alguns poucos ataques são suficientes para derrotar sua equipe. Felizmente, o jogo também permite salvar ou retornar à base em praticamente qualquer momento, o que diminui a frustração por progresso perdido. Outro detalhe maravilhoso do jogo é o fato de ter um botão de skip que acelera batalhas, tornando as lutas contra inimigos fracos interrupções de pouquíssimos segundos. Outro ponto positivo é que qualquer batalha, mesmo com inimigos fracos, contribui para o crescimento das personagens de alguma maneira, fornecendo recursos para melhorar equipamentos ou liberar novas classes.

Minhas únicas reclamações em Mary Skelter são pequenos detalhes que melhorariam a experiência de jogo caso fossem consertados ou alterados. Modificar sua equipe é mais trabalhoso do que deveria ser, alguns menus não respondem tão bem, os equipamentos que encontramos em fases ou de criaturas é dificilmente útil e existe um desequilíbrio entre algumas mecânicas, com algumas beirando a inutilidade e outras sendo praticamente obrigatórias de serem abusadas. Por exemplo, existe a opção de banhar as personagens com sangue e garantir algumas vantagens para a próxima exploração, sendo que essa mecânica também é levada para um lado pervertido. No entanto, é algo que precisa ser feito apenas uma vez e depois pode-se pular a parte pervertida e obter apenas as vantagens facilmente.

Veredito

Mary Skelter Nightmares é um dos melhores jogos da Compile Heart e também um dos melhores DRPGs no Vita. Com suas mecânicas de exploração e batalha, Mary Skelter tem um progresso viciante e sempre com algo novo para manter o jogador interessado. O título ainda vai além disso, trazendo história, personagens e mundo bem desenvolvidos e atiça a curiosidade dos jogadores. Escapar da Cadeia é o objetivo final da jornada, mas admito ter me divertido muito nas várias horas em que passei dentro dela.

Jogo analisado com código fornecido pela Idea Factory International.

95%