AnálisesPS3

Just Cause 2

Análise

NOME: Just Cause 2
FABRICANTE: Avalanche Studios
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação / Aventura / Tiro em terceira pessoa / Open-world
DISTRIBUIDORA: Square Enix


LANÇAMENTOS
26/03/2010 26/03/2010 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Definição HD: 720p

Jogadores: 1

Troféus


Jogos de exploração livre (também conhecidos como open worlds) são uma das tendências atuais da indústria de videogames. Dar liberdade total (ou quase total) para os jogadores permite que cada um jogue da forma como preferir, seja apenas passeando pelos cenários, realizando missões secundárias ou seguindo à risca a história. De Shenmue a Fallout 3 e New Vegas, de Assassin’s Creed, inFamous e Borderlands aos grandes jogos da Rockstar como Grand Theft Auto, Red Dead Redemption e L.A. Noire (a ser lançado), opções de jogos do gênero não faltam. Impressiona, portanto, o fato de Just Cause 2 ser, em muitos aspectos, melhor que todos esses nomes de peso.

Just Cause 2 (JC2) é um jogo de ação/aventura e tiro em terceira pessoa que se passa na fictícia ilha de Panau, no sudeste da Ásia. O novo ditador da ilha, Pandak "Baby" Panay, não está cooperando com os Estados Unidos como seu pai fazia antes de morrer, e uma agência norte-americana conhecida apenas como "The Agency" (provavelmente uma referência à CIA) despacha um de seus melhores homens, Rico Rodriguez, para lidar com a situação. A história é cheia de clichês, de personagens absurdos e situações e atuações ridículas, mas isso não diminui em nada o valor do jogo, pois tudo tem um ar de "feito de propósito" para ser assim. Você vai rir do jogo, e não com ele, mas propositalmente. Considerando outras características de JC2, como a jogabilidade, essa abordagem é mais do que acertada.

 

Os controles diferem um pouco do padrão dos jogos de tiro em terceira pessoa. Não há um botão para mirar, apenas o botão para atirar (R2). L2 atira a granada (ou o C4, caso esteja equipado), X pula, quadrado recarrega a arma, círculo usa um ataque físico, triângulo é o botão de ação contextual (faz diferentes ações dependendo da situação) e R1 é usado para correr ou para se esquivar. O grande diferencial do jogo está no L1: ele atira um gancho que agarra qualquer superfície e puxa Rico em sua direção.

Essa simples mecânica altera completamente a forma de jogar um jogo de mundo aberto e navegar pelos seus ambientes. Para ir para a frente em poucos segundos, para escalar uma montanha ou um prédio ou para se aproximar de um veículo distante para dirigí-lo, basta mirar e usar o gancho para ser puxado rapidamente. O gancho por si só já faria JC2 se destacar em meio aos outros jogos, mas ele possui outra mecânica que cimenta a sua superioridade: o pára-quedas.

 

A qualquer momento no ar (a partir de uma determinada altura) é possível abrir um pára-quedas e planar suavemente até o chão. Isso permite que você possa pular de montanhas, prédios ou aviões sem se preocupar em cair e morrer: basta abrir o seu fiel pára-quedas a qualquer momento para pousar com tranquilidade. Isso dá uma liberdade imensa para o jogador, que pode se focar nos objetivos que deve cumprir, e não em como não morrer caso caia de algum lugar alto.

O pára-quedas também é extremamente útil para navegar pelo mundo: ao soltar o gancho e enquanto você é puxado para a superfície é possível abrir o pára-quedas e manter a velocidade que você adquiriu ao ser puxado, então você estará planando para a frente bem rápido. Para manter a velocidade e continuar avançando basta soltar o gancho no chão ou em alguma superfície próxima, o que "dará corda" para o seu movimento. Isso é ótimo para navegar pelo mapa e é uma mecânica injusta: JC2 acostuma mal os jogadores com suas facilidades, e vai ser difícil voltar aos jogos tradicionais em que se deve andar lentamente para ir para onde se quer.

 

O gancho não serve apenas para navegar pelo cenário, também podendo ser usado para puxar inimigos durante as batalhas, esteja ele no chão ou em alguma plataforma alta (sendo portanto morto pela queda, economizando munição). Também é possível prender inimigos nas paredes, onde eles ficarão indefesos à espera de suas balas. Caso você se sinta mais sádico, pode prender um inimigo em algum veículo que você irá dirigir e então arastá-lo até a morte. Também é possível brincar de boliche: prenda algum veículo menor em um helicóptero, pilote-o perto do chão e use o veículo preso para acertar os inimigos sem dó nem piedade. As opções são inúmeras, e ficará ao seu critério decidir qual a sua forma preferida de lidar com os vilões.

Não seria justo dizer que somente Rico é a estrela do jogo. Tão importante quanto ele, ou até mais importante, é o mundo em que o jogo se passa. A ilha de Panau é, primeiramente, grande. Imensa. Colossal. Você não imagina quão grande ela é até conhecer o jogo, navegar pelo mapa e perceber, mesmo depois de 50 ou 60 horas de jogo, que você ainda está descobrindo lugares novos. Afinal, são mais de 1000 quilômetros quadrados de mapa (são aproximadamente 1.035,99524 km², ou 400 milhas quadradas, para ser mais exato ). Para dar uma ideia do tamanho do jogo, confira o mapa do jogo em alta resolução. Dê uma olhada nele. Pode ir, eu espero você voltar.

Grande, não é? Caso queira ter uma ideia ainda melhor do tamanho do mapa, veja essa imagem comparativa de vários jogos com mundos extensos. A desenvolvedora de Just Cause 2, a sueca Avalanche, não poupou esforços para criar um mapa gigantesco para o jogador aproveitar. O mapa não somente é grande como também é variado e detalhado. Há florestas, praias, montanhas nevadas, desertos, cidades, aeroportos, portos navais e bases militares de todos os estilos possíveis para você explorar (e eventualmente explodir), e todos os locais possuem placas, letreiros, objetos de decoração nas ruas e muito mais para ajudar a trazer o mundo "à vida".

 

 

Além de gigantesca, a ilha de Panau é visualmente belíssima. Alguns locais são dignos de uma pintura e não somente de um videogame. As montanhas do centro do mapa, por exemplo, são deslumbrantes de se ver ao nascer ou ao pôr do sol. Falando em sol, o jogo possui um ciclo completo de variações climáticas, com dias e noites, chuva, relâmpagos, neve e neblina que ajudam o jogo a variar o visual e evitar a mesmice de somente um tom de cor. As texturas são ótimas para apreciar os cenários de longe, mas ao se aproximar de algumas superfícies nota-se que nem todas foram bem detalhadas. Algumas possuem até texturas "flutuantes", que saem de onde deveriam estar. O jogo também padece de slowdowns em alguns momentos, especialmente em locais mais populosos, mas isso não interfere na qualidade geral.

Navegar pelo mapa de JC2 é uma tarefa tão boa quanto pode ser demorada. É possível ir a todos os pontos do mapa a qualquer momento após a primeira missão do jogo, e depois da tela de carregamento inicial não há mais nenhum loading, ou seja, você pode percorrer os mais de 1000 km² sem ter que parar nenhuma vez para que o jogo carregue a próxima área, um feito impressionante da equipe de produção. Os loadings aparecem somente quando se inicia uma missão ou quando se usa o sistema de viagem rápida.

 

Inicialmente todas as 368 localizações (considerando aí cidades, vilas, bases militares e tudo mais) são marcadas como "não identificadas" no mapa do jogo. A partir do momento em que você chega a uma nova localização, ela é "descoberta" e passa a ser listada no mapa com seu nome e um ícone indicando seu tipo e quanto já foi completada. Você então pode usar o sistema de Extraction (através de um helicóptero de um aliado) para solicitar uma viagem gratuita para qualquer um dos locais já descobertos. Dado o tamanho do mapa, isso é um facilitador imprecindível. Também é possível comprar armas e veículos desse helicóptero, e também fazer upgrades em ambos.

Mencionei que as localizações podem ser completadas e isso merece uma explicação. Cada uma das 368 possui itens a serem colecionados e objetos militares a serem destruídos. Quanto mais itens você obtém em uma região e quanto mais objetos específicos destrói (eles são sempre marcados de vermelho com uma estrela branca), mais completa fica a localização. Isso por si só já seria um jogo completo, e nem mesmo faz parte da história principal de JC2. Você irá colecionar os itens de upgrade para as armas e os veículos (também há itens que melhoram a sua armadura e itens que dão dinheiro) e irá destruir os objetos simplesmente porque é divertido e para melhorar o seu arsenal. São 2700 itens de upgrade colecionáveis e mais de 3500 objetos militares, além de 300 itens colecionáveis das facções que disputam a ilha de Panau. Um prato cheio para os completistas.

Panau possui três grandes facções rebeldes que lutam contra o ditador. Todas as três são lideradas por criminosos e se envolvem em atividades ilícitas como tráfico de drogas e armas, exploração de mulheres e sabotagens aos militares. Isso não impede Rico de se aliar a todas elas na luta contra Baby Panay. Inicialmente há algumas missões de cada facção a serem cumpridas, e conforme você as completa e avança no jogo a área de influência das facções é expandida e mais missões podem ser acessadas. São 49 missões opcionais das facções e elas conseguem ter uma grande variedade de objetivos, apesar da execução ser sempre parecida (dirigir ou matar até completá-las). Você irá acompanhar rebeldes na sabotagem de bases militares, escortar pessoas importantes em meio a tiroteios, invadir áreas controladas para resgatar um refém e muito mais.

 

Outro tipo de missão é a captura de Strongholds, áreas muito bem protegidas e abarrotadas de inimigos. Algumas dessas missões são obrigatórias no jogo e são apenas 9 no total, sendo 3 para cada facção. O problema desse tipo de missão é que todos, sem exceção, são idênticos. Você chega ao local de destino com alguns membros da facção que está ajudando no momento, sendo um desses um técnico que irá acessar um sistema no final da base para poder controlá-la. Esse técnico não pode morrer de forma alguma, pois se isso acontecer você irá voltar ao último checkpoint. Depois de enfrentar um batalhão de soldados você deverá proteger o técnico ao final enquanto mais soldados e um helicóptero aparecem. Mate os soldados e sequestre o helicóptero e a missão se encerra.

É muito repetitivo, mas felizmente você gastará pouco tempo em cada missão desse tipo, e esses locais são uns dos poucos onde você inicia o jogo após carregá-lo ou onde renasce após morrer, então é recomendável completar todas as 9 para ter mais opções. Todas as missões do jogo podem ser abortadas a qualquer momento, caso você não queira completá-las, e ao fazer isso você inexplicavelmente é levado para o Stronghold completado mais próximo. Se você quisesse explorar algo perto de onde estava antes de abortar a missão, vai ter que chegar lá novamente, o que é bem inconveniente.

Os checkpoints do jogo no geral foram bem posicionados, mas alguns são extremamente irritantes. Em várias missões opcionais você irá morrer facilmente, especialmente se estiver jogando na dificuldade Hardcore. Na maioria delas você voltará perto de onde morreu, mas em algumas você deve chegar novamente até o local onde estava, e isso pode ser extremamente irritante. Você pode perder vários minutos somente para chegar até onde precisa, para então morrer subitamente e ter que percorrer o mesmo longo caminho de novo.

 

O jogo também oferece desafios de corrida ao longo de todo o mapa. São 75 desafios no total e cada um tem sua própria rota e veículo a ser usado. Você usará aviões, carros, motos, quadriciclos, barcos e até mesmo o pára-quedas para atravessar os anéis de checkpoint até a linha de chegada. Alguns desafios são fáceis e rápidos, enquanto alguns exigem muita habilidade para manobrar pelo cenário, especialmente alguns desafios de aviões perto de prédios. Essas corridas trazem uma boa variedade ao jogo, já que você não deve matar ninguém nem conquistar nada, apenas se divertir dirigindo ou pilotando.

Além dos veículos já mencionados há também helicópteros, ônibus, jangadas, iates, dentre outros tipos diferentes, totalizando 104 veículos sem contar os vendidos por DLC. Os controles de todos são simples e intuitivos, não dando muito trabalho para o jogador. Alguns carros são extremamente escorregadios e exigem uma firmeza na hora de dirigir, e alguns aviões são ágeis demais e se mexem com qualquer toque leve no direcional, mas nada que não fique natural com o tempo e a prática. Você pode comprar veículos, como já mencionado, como também pode encontrá-los pelo mapa parados ou sendo utilizados. Você pode roubar qualquer veículo que encontrar no jogo, e os pilotados por civis não exigem mais que um aperto do botão triângulo quando se está próximo deles.

Roubar veículos militares é outra história. Primeiramente eles geralmente têm 2 ou mais ocupantes, e você só pode roubá-lo quando restar apenas o motorista. É aí que entra outra mecânica simples e divertida: matar os outros ocupantes enquanto se mexe pelo veículo. Ao tentar roubar um carro, por exemplo, você pode se pendurar na frente ou atrás dele, e com toques no direcional para os lados pode se mexer até enxergar as portas do carro. Você então pode atirar nos inimigos, que geralmente abrirão as portas para tentar acertar você. É possível alternar entre a frente e a traseira do carro à vontade, assim como é possível ficar em pé no teto esperando as portas se abrirem. Quando somente o motorista restar, você inicia a captura do veículo e deve executar 3 rápidos eventos de botões (os famosos quick time events) para então sair dirigindo. Pode parecer demorado, mas tudo isso geralmente acontece em poucos segundos e nunca fica cansativo.

 

O estilo bad-ass do jogo se aplica até aos veículos. Em todos eles (menos nas motos, quadriciclos e alguns barcos) é possível realizar um stunt jump, uma manobra que coloca você de fora do veículo em movimento e que permite você atirar livremente, saltar do veículo ou até mesmo se agarrar em outro para roubá-lo. Nos carros você fica em pé sobre o teto, nos helicópteros você prende o gancho na parte de baixo deles e fica pendurado, e nos aviões você fica de pé sobre o nariz. É muito recompensador você estar em um caça militar, despejar balas e mísseis nos inimigos, dar a volta na área, mirar em algum objeto destrutível (quanto maior, melhor), usar o stunt jump para ficar de fora do avião e acompanhá-lo até chegar bem perto do seu alvo, para então abrir o pára-quedas e ficar a salvo enquanto o avião explode e leva tudo consigo. É nesses momentos que JC2 brilha, e são esses momentos que você vai repetir só pela diversão.

Tudo que você fizer em Just Cause 2 pode ser salvo para a posteridade. É possível salvar em vídeo tudo o que você faz e exportar o arquivo para a XMB ou enviá-lo diretamente para o YouTube. Você pode iniciar e parar manualmente uma gravação, permitindo que grave por um tempo considerável (acredito que até 10 ou 15 minutos), ou pode ativar a gravação automática e jogar normalmente. Quando fizer algo que achar legal, pode ir no menu de vídeo e salvar os últimos 30 segundos e guardar para sempre aquele momento.

Infelizmente os brilhos do jogo também têm as suas sombras. Além da repetitividade de algumas missões, o jogo por vezes apresenta alguns bugs muito incômodos. Certa vez eu estava tentando sequestrar um avião e por algum motivo inexplicável o jogo me colocava a mais de 1 km de onde eu estava, como se eu fosse teletransportado. Após voltar ao mesmo lugar, o mesmo bug aconteceu de novo, o que me fez desistir do avião. Várias vezes também fiquei preso em paredes, seja apenas em uma ponta delas ou até mesmo dentro de 4 paredes sem saída. Eu não podia me mexer, me matar ou até mesmo chamar o Extraction, sendo então forçado a sair do jogo.

Outro bug bizarro que aconteceu durante um desafio de corrida foi que simplesmente todas as configurações de menu mudaram sozinhas para valores diferentes, geralmente 0. O jogo ficou sem som nenhum e os controles ficaram todos bagunçados. Tive que ir opção por opção até voltar aos valores corretos. Aliás, falando em corridas, algumas foram muito mal planejadas e fazem você passar perto de bases militares, o que muitas vezes significa que você irá morrer muito facilmente. Uma certa corrida com um avião que deveria passar por uma base militar simplesmente não era possível de completar, pois toda vez que eu chegava perto da base mísseis eram lançados e o avião era explodido com apenas 1 deles. O avião não era rápido para fugir dos mísseis e nem ágil para desviar deles. Depois da terceira tentativa frustrada eu desisti e mudei de missão.

 

As missões repetitivas e os bugs mencionados impedem Just Cause 2 de ser o "jogo perfeito" do gênero, mas ainda assim o jogo é um dos melhores exemplares do gênero que se pode encontrar hoje, e um dos melhores jogos de toda a geração. Há mais conteúdo aqui do que em vários outros jogos comuns, juntos. Um mundo gigantesco e visualmente incrível, com centenas de missões variadas e objetivos opcionais a serem cumpridos, além de milhares de colecionáveis, fazem de Just Cause 2 um jogo obrigatório para qualquer um.

— Resumo —

+ Mundo gigantesco e muito bonito
+ Missões de diferentes tipos
+ Milhares de colecionáveis
+ Diferentes tipos de veículos
+ Clima de filme de ação de altíssimo orçamento
+ Salvar vídeos no YouTube

Bugs incômodos
Checkpoints mal posicionados
Slowdowns ocasionais
Algumas missões repetitivas

 

96%