AnálisesPS3

Dead Space: Extraction

Análise

NOME: Dead Space: Extraction
FABRICANTE: Visceral Games
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Tiro em trilhos
DISTRIBUIDORA: Electronic Arts (EA)


LANÇAMENTOS
28/01/2011 28/01/2011 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Número de jogadores: 1-2

Definição HD: 720p

Troféus


Dead Space: Extraction (DSE) finalmente chega a um console de alta definição. Lançado originalmente para o Nintendo Wii em 2009, ele agora é relançado no Playstation 3 fazendo uso do Playstation Move e com algumas atualizações. Os gráficos foram levemente melhorados e o visual geral está melhor, mas para quem jogou o original, não há novidade significativa aqui. O jogo foi lançado na Playstation Network, mas o melhor negócio é comprar a Edição Limitada de Dead Space 2, que vem com Extraction gratuitamente. Para aqueles que nunca jogaram, e principalmente para os fãs da série Dead Space, não tenham dúvidas: vale muito a pena jogar DSE.

Diferentemente dos jogos principais da série, DSE é um jogo de tiro on rails, ou seja, você não controla o movimento do personagem, apenas a sua arma e onde ela atira. Em alguns momentos do jogo até há um certo controle sobre o personagem, mas apenas permitindo que se olhe para os lados, buscando armas, itens ou algum outro colecionável. O jogo é uma prequel (uma prequência? Essa palavra existe? Se não, ela acaba de ser criada) para o Dead Space original e mostra o momento em que o Marker é desenterrado em Aegis VII, e como o caos começou na colônia e posteriormente na USG Ishimura.

 

A história do jogo é muito interessante, e mostra com detalhes tudo que aconteceu nos locais por onde Isaac viria a passar no decorrer do jogo original. DSE começa onde Dead Space termina, e a fuga do planeta, em um capítulo mais à frente, traz um encontro que fará os fãs de Dead Space felizes. Falanfo em fãs, algo tem que ficar claro: esse é um jogo feito para eles. Há muito material para quem acompanha a série, há muitas revelações, desde a primeira cena do jogo até o diálogo no final, passando por um encontro no capítulo 5 que deixará muita gente arrepiada. Sendo um jogo para fãs, e sendo a série baseada principalmente no PS3 e no X360, fica a sensação de que esse jogo deveria ter sido lançado originalmente para esses dois consoles, e não para o Wii. O público-alvo dele está na geração da alta definição. Isso só não havia sido feito pela ausência de controles de movimento para o PS360, na época do lançamento, mas com o advento do Move, isso se tornou viável.

É possível jogar DSE com vários esquemas de controle diferentes. É possível utilizar apenas o Dualshock 3, utilizá-lo juntamente com o Move, usar o Move com o Navigation Controller ou usar apenas o Move. Essa última opção é a minha preferida, pois permite focar os esforços em apenas uma mão, e é possível fazer tudo somente com o Move. Algumas ações necessitam que se chacoalhe o controle, como ativar uma lanterna e usar o ataque físico, e é preciso fazer uma força considerável para que o jogo reconheça esses movimentos, mas nada que seja realmente extenuante. Utilizar o Dualshock é estranho, já que você é obrigado a mirar com o analógico esquerdo, atirar com R1 e usar ataques físicos com L2. Os botões podiam ter sido melhor definidos, ou ainda, seria ideal que se pudesse definir manualmente qual botão faz o que, mas isso não é possível. Uma pena.

 

Todas as características da série estão presentes em DSE. Os hologramas, os ícones nas portas, tudo é apresentado como no jogo original. Há várias armas para serem encontradas e utilizadas, desde a clássica Plasma Cutter até a poderosa Force Gun. Todas as armas possuem funções primárias e secundárias, e essas são ativadas girando o Move para o lado e atirando. Não é exatamente confortável atirar com a mão torcida assim, mas dá para acostumar. A habilidade de congelar temporariamente os inimigos, stasis, também aparece aqui, juntamente com a kinesis, a habilidade de pegar objetos à distância. Essa é, inclusive, a forma de se pegar os colecionáveis encontrados ao longo dos 10 capítulos do jogo.

Os colecionáveis são bem variados e incluem novas armas, munição, medkits (para recuperar energia) e logs de texto, áudio e vídeo. Assim como nos jogos tradicionais da série, esses logs ajudam a expandir a história, mostrando um lado mais pessoal e humano dos eventos que acontecem nos lugares afetados. Também é possível encontrar upgrades para as armas nos capítulos, e eles realmente fazem a diferença, deixando as armas mais fortes. Isso é essencial principalmente para as dificuldades mais avançadas. É possível jogar em vários níveis de dificuldade, do Normal ao Impossible, e os upgrades de armas podem ser usados em qualquer uma. O recomendado, portanto, é que você jogue uma vez no Normal (ou até no Hard, as duas dificuldades abertas inicialmente), encontre os upgrades e então tente jogar nas dificuldades Expert e/ou Impossible.

Os gráficos do jogo foram melhorados em relação aos originais, mas ainda deixam muito a desejar. É um jogo impressionante para o Wii, mas muito abaixo da média para o PS3. Texturas são borradas, sombras são estranhas (e muitas vezes surgem do nada em uma parede ou no teto), a iluminação deixa a desejar e há pop-ups constantes na tela, muitas vezes de objetos (ou inimigos) que estão próximos de você e simplesmente aparecem no ar. Contudo, os personagens se salvam desse "mal do Wii". A modelagem deles é boa, as texturas nos rostos e corpos são legais e o principal: a sincronização labial é excelente. Realmente excelente. Melhor que da grande maioria dos jogos realmente de alta definição. Nem todos os personagens foram tão bem animados, mas os principais conseguem mostrar emoções e reações genuínas e críveis.

 

A atuação de voz dos personagens também é excelente. Todos os dubladores são bons e as vozes combinam muito com os personagens. Os dubladores de dois protagonistas, Gabriel Weller e Lexine Murdoch (personagens principais de Dead Space: Severed, DLC de Dead Space 2), em particular, são meus favoritos. As vozes são ótimas, mas as legendas nem tanto. Muitas vezes o que aparece escrito nas legendas não condiz em nada com o que os personagens falam. Não é questão de uma ou outra palavra diferente, mas de frases inteiras diferentes e algumas até com sentido diferente. Faltou um trabalho de checagem maior para garantir que as falas fossem fielmente representadas pelos textos.
Não é só nos detalhes que o jogo recebe críticas. Há vários bugs espalhados pelo jogo, e são problemas sérios que impedem que a nota dada seja maior. Dois grandes problemas que enfrentei foram graves o suficiente para me fazer recomeçar dois capítulos, algo muito frustrante, especialmente quando você está procurando colecionáveis e deve fazer isso novamente por culpa de um bug. Gravei duas dessas situações para ilustrar o problema:

 

 

O primeiro vídeo mostra um bug no início do capítulo 9. O jogo simplesmente parou e não saía mais do lugar. Recomecei esse capítulo e consegui passar dessa parte, mas no final dele tive esse mesmo problema duas outras vezes. Não via inimigos e o jogo não avançava. A sorte é que eu estava com a Force Gun e o tiro secundário dela atira uma granada. Atirei granadas nessas duas ocasiões e consegui matar inimigos que estavam presos dentro de paredes ou escondidos atrás de objetos do cenário e invisíveis para mim. Esse capítulo é um dos mais longos e difíceis do jogo, e a ideia de ter que jogá-lo de novo, do começo, por culpa de um bug desses é simplesmente frustrante. Faltaram testes de qualidade para impedir que esses problemas acontecessem.

Algumas outras observações merecem espaço aqui. O áudio do jogo (não os diálogos, mas as músicas e os efeitos sonoros) não é tão bom quanto o de Dead Space. A versão de Wii vinha com uma história em quadrinhos animada (e dublada) que mostrava eventos paralelos ao jogo e ela não acompanha a edição de PS3. Essa HQ pode ser baixada da PSN, mas são 6 edições e cada uma tem uma média de 200 MB, então nem todos terão paciência para baixar isso tudo. O flamethrower pode ser usado no vácuo, e isso é uma falha chata principalmente porque no Dead Space original isso não era possível, pelo motivo óbvio de que não há oxigênio no vácuo e um lança-chamas não pode funcionar nessas condições.

O jogo possui multiplayer local para até dois jogadores e não há nenhuma forma de online no jogo. DSE não tem multiplayer cooperativo online, algo que seria bem vindo, e nem mesmo há leaderboards no jogo. Considerando que cada capítulo do modo principal mostra uma pontuação ao seu final, e que há um modo de desafios (challenges) cujo objetivo é fazer a maior quantidade de pontos, leaderboards seriam o mínimo que se poderia esperar de um jogo desse estilo, até mesmo para estender a sua vida útil. Por fim, apesar de Extraction vir gratuitamente no disco com a Edição Limitada de Dead Space 2, ele deve ser instalado no HD antes de ser jogado (são 3,5 GB de instalação) e só pode ser jogado caso o disco de DS2 esteja dentro no videogame. A versão comprada pela PSN pode, obviamente, ser jogada sem disco.

 

Esses problemas, contudo, não são suficientes para fazer um fã da série, ou até mesmo um fã de jogos de tiro em trilhos, desistir do jogo. Alguns podem se frustrar com as falhas, mas no geral o pacote é bom. A história é legal, os personagens são cativantes e o jogo é divertido de se jogar, tanto para acompanhar a história quanto para ficar em primeiro lugar nos challenges. É um jogo que faz um bom uso do Move e que resgata um pouco os tempos de fliperama, quando você ia jogar Time Crisis enquanto esperava sua mãe ir na loja de departamentos. E a melhor parte é que os seus créditos, aqui, nunca acabam.

— Resumo —

+ Jogo para fãs da série
+ Bom uso do Playstation Move
+ Personagens legais e boas atuações
+ Colecionáveis
+ Armas podem ser melhoradas
+ Desafios (challenges)

– Gráficos ultrapassados
– Pop-up de objetos é constante
– Falta de customização dos botões ao usar o Dualshock
– Bugs que travam o avanço no jogo e que forçam você a recomeçar a fase
– Sem leaderboards

80%