AnálisesPS3

Dead Space 2

Análise

NOME: Dead Space 2
FABRICANTE: Visceral Games
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Survival Horror
DISTRIBUIDORA: Electronic Arts


LANÇAMENTOS
28/01/2011 28/01/2011 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Nº de Jogadores: 1 (multiplayer: 8)

Definição HD: 720p

Troféus

Headset

Downloadable Content (DLC)


Dead Space 2 finalmente está aqui! Mais de dois anos após o lançamento do primeiro jogo da série, a sequência desenvolvida pela Visceral Games chega com uma tarefa difícil: superar um dos melhores jogos da geração (confira o nosso review clicando aqui) , um jogo que inovou de várias formas e conseguiu "reviver" o gênero Survival Horror, que há algum tempo sofria com jogos fracos. Muito aconteceu nesse tempo, e o protagonista Isaac Clarke passou por muitas transformações e hoje está muito mais preparado para o que deve enfrentar.

Antes de falarmos de Dead Space 2 (DS2), é importante falar sobre o que aconteceu antes dele. Desde o lançamento do jogo original a franquia já recebeu três outros jogos: Dead Space: Extraction (mais sobre ele a seguir), Dead Space Ignition para a PSN (que nós também analisamos, confira clicando aqui) e Dead Space para o iPhone/iPad. Também foram lançados três livros e dois filmes de animação, Dead Space: Downfall e Dead Space: Aftermath. Esse último se passa entre o jogo original e DS2 e é essencial para quem quer entender a história da série. Ele conta o que aconteceu com Aegis VII depois do final de Dead Space e como um pedaço do Marker foi obtido pelo Governo da Terra e usado para criar um novo, além de explicar o que aconteceu com Isaac. Ignition também é útil para entender a série, pois mostra como o caos começou na estação espacial onde DS se passa, e o final de Ignition é exatamente o começo de Dead Space 2. Para quem gosta da série, portanto, não falta material para jogar, ler e assistir.

DS2 mostra Isaac na estação espacial Sprawl, montada em um fragmento da lua Titã, de Saturno. O jogo começa com Isaac sendo acordado e brevemente informado do caos que está se instaurando na estação, com uma invasão dos inimigos do jogo, os necromorphs, monstros criados a partir de humanos infectados por um organismo alienígena. A história inicial tem muito pouco tempo para ser contada, pois em poucos segundos de jogo você já pode testemunhar uma morte brutal e deve escapar dos inimigos que começam a aparecer por todos os lados. Dead Space 2 é um jogo frenético, com muito mais ação do que o anterior, e isso é muito bem vindo.

 

Isaac agora é um personagem melhor: ele está mais forte e corre mais rápido, e seus ataques físicos (R1 para um soco e R2 para pisotear) estão mais rápidos e mais fortes, causando dano real e ajudando nas lutas. A principal mudança, contudo, fica na personalidade dele: agora ele fala, e fala muito bem. Sua dublagem (assim como todas as outras do jogo) é excelente, e transmite uma sensação de cansaço e tristeza, e até de aceitação dos fatos. A experiência na Ishimura, no jogo original, mudou Isaac: agora ele sabe o que fazer e está pronto para isso. Isaac fala, mas apenas o essencial: ele conversa com outros personagens e se expressa com genuína humanidade (ao levar um susto, ou ao pisar repetidamente em um inimigo, ele pode soltar um xingamento), mas não fala sozinho como um Nathan Drake. Uma adição interessante é que geralmente ao conversar com alguém seu capacete desmonta, e os efeitos visuais e sonoros dessa transformação sempre são legais de se ver.

A história do jogo é interessante, continuando a linha político-religiosa da série, mostrando os interesses mesquinhos do Governo da Terra (EarthGov) e da Igreja da Unitologia, com seus ideais de unificação da humanidade. Os personagens são bem caracterizados e você realmente consegue empatizar com alguns deles, como a Ellie, possivelmente a melhor personagem da série ao lado de Isaac. Toda a história é contada em tempo real, sem nenhuma cutscene tradicional: você sempre está vendo Isaac interagindo com o que acontece no momento, tendo ou não controle sobre ele. Detalhes da história continuam sendo apresentados em logs de áudio e vídeo colecionados ao longo do jogo, e os diálogos por vídeo continuam sendo a principal forma de dar continuidade ao jogo.

Um ponto importante a ser observado é que o jogo possui apenas um loading: o inicial. Depois que se inicia um jogo novo, ou se carrega um save, em nenhum outro momento o jogo pára para carregar o próximo cenário. No original as viagens de trem entre as seções da Ishimura davam a deixa para a tela de loading. Em DS2 as transições são feitas por corredores e por elevadores, e geralmente apresentam algum diálogo em vídeo para distraí-lo. O resumo disso é que DS2 é um jogo muito mais fluído que o original e que pode ser jogado sem nenhuma interrupção do começo ao fim. Considerando os ótimos gráficos do jogo e a quantidade de informação que sempre é apresentada, a Visceral está de parabéns por conseguir essa façanha.

Essa fluidez tem um porém: o jogo está muito mais linear do que o original. Em Dead Space algumas áreas podiam ser exploradas livremente, e inslusive era possível escolher diferentes objetivos a serem cumpridos na ordem que se desejasse. Agora o único objetivo básico é "siga em frente e mate". O jogo está tão linear que nem possui mais um mapa: ele foi simplesmente retirado do menu e não pode ser visto em lugar nenhum. Dessa forma a história e o ritmo do jogo podem ser ditados pela própria Visceral, permitindo que eles level o jogo da forma que consideram ideal, mas isso também tira um pouco a liberdade criativa do jogador. Objetivos opcionais, como alguns existentes em Dead Space, simplesmente não existem. Era legal poder treinar tiro ao alvo e ganhar recompensas, e jogar basquete em gravidade zero e receber itens no original, mas nada parecido foi criado para Dead Space 2. É uma faca de dois gumes que pode não agradar a todos.

 

A Sprawl é um lugar muito mais interessante que a Ishimura. Os cenários aqui são muito mais variados e amplos, ao contrário do "corredor cinza, apertado e cheio de sangue" que era a regra do original. Você visitará o hospital da estação, os apartamentos onde os habitantes residiam, uma escola agora muito macabra, o gerador de energia solar da estação e muito mais. Os ambientes são muito mais "vivos" do que em Dead Space, o que ajuda a tornar a atmosfera ainda mais triste: um lugar até há pouco tão bonito e cheio de vida agora só abriga morte e destruição.

Comentei que os gráficos do jogo são ótimos, e eles realmente são. Os modelos dos personagens foram muito bem feitos, os cenários muito bem modelados e detalhados, as partículas se destacam nos cenários, especialmente com gravidade zero onde tudo flutua, e os efeitos de luz estão inacreditáveis. Fontes de luz móveis alteram as sombras em tempo real, e muitas dessas fontes podem até ser pegas com o uso de Kinesis e arremessadas para iluminar alguma parte mais escura do cenário. As luzes também ajudam a imergir o jogador no clima apropriado, com algumas seções escuras e que exigem cuidado e outras com luzes ofuscantes e que desorientam. A luz agora é tão boa, e tão importante para o jogo, quanto o som já era no original e continua sendo nesse.

Dead Space se destacou em muitos aspectos, mas um dos principais foi o design de som. Os sons de DS2 mantém e até aumentam o nível daqueles do original: barulhos de objetos caindo, de algo rastejando pelos túneis de ventilação, de algo batendo em uma porta perto de você, tudo isso ajuda a criar um clima de tensão sensacional. Os sons das seções de vácuo continuam excepcionais: quando você está em alguma sala sem oxigênio você só ouvirá a respiração de Isaac, que fica mais e mais ofegante a cada minuto que se passa, e também ouve sons transmitidos através de vibração na armadura do herói. Nada de explosões hollywoodianas e barulhos inverossímeis: Dead Space vence pelo silêncio e pela contenção, e pelo uso de músicas baixas e que conseguem ser altamente perturbadoras. Contudo, um detalhe mudou em relação ao áudio, e pra pior. No original, sempre que você entrava e saía de um local com gravidade zero ou com vácuo, uma voz feminina meio metálica informava esse fato. Era uma voz legal e te ajudava a identificar o que estava acontecendo. Na sequência essa voz ainda existe, mas ela só fala às vezes, não sempre, e com um tom diferente. Era um toque legal e eles o retiraram parcialmente sem explicação. Uma pena.

O clima do jogo é muito bom, sem dúvida alguma, mas infelizmente ele peca pela repetição e pela previsibilidade. Muitos sustos e muitas armadilhas são idênticos àqueles encontrados na Ishimura, como o inimigo que se finge de morto e que pula em você assim que você se aproxima; a sala com um botão que ao ser ativado irá atrair inimigos; a sala ampla e cheia de itens, onde você irá enfrentar um chefe; a sala cheia de pessoas mortas que em breve vai ser invadida por Infectors que irão transformar os corpos em necromorphs, e assim por diante. Mesmo as novidades que DS2 apresenta acabam se repetindo dentro do próprio jogo: sempre que você vir uma sala com caixas/contêiners, pode ter certeza de que irá enfrentar um maldito grupo de Stalkers. Isso acaba por tirar um pouco do clima do jogo, pois traz menos surpresas do que poderia.

 

Mas não pense que o jogo não traz surpresas: elas existem e são muitas, e várias delas são simplesmente sensacionais (não irei contar qual para não estragar o jogo, mas quem jogá-lo com certeza vai saber do que estou falando). A primeira cena controlável do jogo já traz uma surpresa muito inesperada, e várias reviravoltas acontecem ao longo do jogo que simplesmente deixam você estático. Até o "final" do jogo traz uma certa surpresa. Para quem acompanha a série, o diálogo que ocorre após o fim dos créditos é essencial.

Uma outra surpresa agradável é que os controles estão melhores do que nunca. Os controles de Dead Space já eram bons, mas agora estão ótimos. Como já dito, Isaac agora corre mais rápido e tem ataques físicos mais fortes. A habilidade de Kinesis (telecinésia), que permite que objetos sejam suspensos no ar e arremessados está ainda melhor que no original: ela agora é mais rápida e permite que objetos pontiagudos sejam usados para prender inimigos nas paredes. O controle em gravidade zero, que no original só permitia saltar de uma superfície a outra, foi radicalmente melhorado: agora é possível "decolar" e ter controle total de movimentos nas três dimensões. Os controles de vôo são ótimos e dão realmente liberdade total de movimentos e permitem que você vá onde quiser, de forma fácil e descomplicada.

O localizador de objetivos também foi incrementado. No original apenas a próxima missão era identificada com a ferramenta; em DS2 pode-se escolher ver o caminho para o próximo objetivo ou para o save point, loja ou bancada mais próximos. Um toque estético interessante é que o Locator, que antes consistia de linhas retas coladas de forma algo grosseira umas nas outras, agora é uma curva suave que guia você pelos caminhos necessários.

A habilidade de congelar temporariamente os inimigos, Stasis, também foi aprimorada: ela agora se recupera sozinha ao longo do tempo, e itens de recarga imediata dela são encontrados em maior abundância do que no primeiro jogo, fazendo com que ela possa ser usada frequentemente nos combates. Isso é essencial para enfrentar os novos inimigos: os Stalkers são muito rápidos e difíceis de serem acertados normalmente; os Pukers (na sua versão Dark) são muito rápidos e podem te acertar a grandes distâncias. Os Leapers, inimigos oriundos do primeiro jogo que andam com as duas mãos se rastejando e pulando em qualquer superfície, agora estão muito mais rápidos e causam muito mais dano, então fazê-los parar com Stasis é essencial para evitar uma morte brutal.

Falando em morte brutal, Dead Space 2 consegue ter ainda mais mortes nojentas do que o original, e cada uma é mais horrenda que a anterior. Isaac é desmembrado, fatiado, furado, cortado, rasgado, amassado, explodido e tudo mais o que você imaginar. A Visceral não tem dó de fazer seu herói sofrer, e nós com certeza não temos dó de fazer algo (ou deixar de fazer algo) só para ver ele sendo brutalmente destroçado. É cruel, com certeza, mas é uma parte essencial de Dead Space, e uma parte que nos agrada e muito.

 

Todo mundo que jogou o original sabe de uma coisa: a Plasma Cutter, a primeira arma do jogo, é também a melhor. Isso de certa forma continua sendo verdade em DS2, mas agora as outras armas estão muito mais úteis. As armas do original voltam e se aliam a novidades como a Javelin Gun, que atira lanças que podem grudar os inimigos nas paredes; o Detonator, um lançador de minas de proximidade e o Seeker Rifle, um rifle de precisão. Todas as armas continuam tendo uma função secundária, e algumas delas foram alteradas em relação ao original e no geral melhoradas: a função secundária do Pulse Rifle agora atira uma forte granada nos inimigos, e a da Force Gun atira um potente feixe concentrado de energia. A sensação é que não é mais necessário ficar só com a Plasma Cutter: todas as armas são realmente úteis e têm a sua função específica, e resta a você decidir com qual se identifica mais e qual a mais apropriada para cada situação.

Jogar Dead Space 2 uma vez é bom, mas jogá-lo outras vezes é ainda melhor. O jogo possui um New Game +, assim como o original, que permite que seus itens e sua armadura sejam carregados de um save para outro; contudo, agora é possível iniciar um NG+ em uma dificuldade maior do que aquela na qual se terminou o jogo. Isso permite que o jogador se aventure pelo modo Normal uma vez, e adquira itens e dinheiro suficientes para enfrentar a dificuldade Hard (aqui chamada Zealot) estando mais preparado. Esses múltiplos saves são importantes para um ponto negativo do jogo: os Power Nodes, itens usados para incrementar suas armas e sua armadura, estão muito mais escassos do que no original. É muito difícil encontrá-los em quantidade suficiente ao longo do jogo, e mesmo eles sendo vendidos nas lojas, eles custam caro e o dinheiro é melhor usado comprando munição e itens para recuperar a energia.

Para aqueles que gostam de um desafio, DS2 oferece um modo de nome imponente e que realmente irá atiçar a sua coragem: o Hard Core. Ele é habilitado após se terminar o jogo uma vez e é a experiência mais difícil dentro do jogo. Os itens e o dinheiro são escassos, os inimigos são mais difíceis que no modo normal e o pior: não há checkpoints. Caso você morra, não irá voltar para a última sala: irá voltar para o último save point onde salvou seu jogo. Suponha que esteja no capítulo 5, por exemplo, e não salvou seu jogo ainda e acabe morrendo: você voltará para o começo do jogo! Como se isso já não fosse ruim, só é permitido salvar 3 (três) vezes nesse modo. Estratégia no Hard Core é mais essencial do que em qualquer outro modo, assim como racionamento de itens e dinheiro. Escolha bem os seus save points, ao jogar nos modos tradicionais, pois essa escolha faz toda a diferença aqui.

As armaduras de Isaac receberam um upgrade gigantesco em relação ao primeiro jogo. Nele, as mudanças de armadura consistiam apenas de faixas de metal adicionadas na armadura, e havia apenas uma armadura diferente, conquistada após terminar o jogo. Em Dead Space 2 há diversos modelos de armaduras, cada um completamente diferente do outro e que têm inclusive animação diferente ao serem vestidas: ainda há a armadura de Engenheiro padrão, como no primeiro jogo, mas há também uma armadura policial, uma armadura Vintage (antiga, sem muitos detalhes tecnológicos) e uma armadura Avançada que tem um visual simplesmente sensacional.

Cada armadura também oferece benefícios diferentes: uma dá desconto em lojas, outra aumenta a força de uma arma, outra diminui o tempo de recarga do Stasis, e assim por diante. São várias armaduras para se obter em uma rodada, e são ainda mais caso você esteja no NG+: versões Elite de todas as armaduras podem ser encontradas nesse modo, e em locais diferentes dos quais você encontrou as originais, e essas versões são visualmente diferentes e muito mais bonitas, então é um incentivo duplo: você é estimulado a continuar explorando os cenários no NG+ e as novas armaduras fazem com o NG+ não pareça simplesmente "mais do mesmo".

 

DS2 é um jogo fenomenal e que merece toda a atenção que já recebeu e que ainda recebe. Utilizando as bases criadas pelo original, ele expande os conceitos da série e cria um jogo divertido, instigante e muitas vezes aterrorizante, que consegue te prender como poucos hoje em dia. É um jogo com uma boa duração (demorei 15 horas para terminar pela primeira vez) e que tem muitos incentivos para ser jogado novamente, como o NG+ e o Hard Core. Como se não bastasse ser bom por si só, Dead Space 2 foi lançado para o Playstation 3 na Limited Edition, edição que traz totalmente grátis Dead Space: Extraction, um jogo completo e muito bom (e que tem um conjunto de troféus completo incluindo uma Platina) recentemente portado do Wii para o PS3 e que traz suporte ao Move. São dois grandes jogos pelo preço de um, uma barganha difícil de recusar. Além da história principal, DS2  já possui um DLC, intitulado Severed, que mostra um dos protagonistas de Extraction atuando paralelamente a Isaac na Sprawl. Mais DLC está planejado para o jogo, aumentando sua vida útil.

 

Outro fator que amplia a vida útil do jogo é a presença de um multiplayer. Nele jogam 2 times, com 4 jogadores de cada lado: humanos contra necromorphs. Os humanos devem realizar diversos objetivos, e os necromorphs devem impedí-los e matá-los das formas mais tortuosas possíveis. Nós já postamos extensas impressões sobre esse multiplayer em outro artigo (confira clicando aqui). É um modo interessante, mas que ao ser colocado lado a lado com o single-player parece um adicional e nada mais. Não é um modo obrigatório (nem para pegar troféus) para quem quer ter a experiência definitiva de Dead Space 2: é um multiplayer de nicho, que agrada alguns poucos fãs e que não consegue prender a grande maioria dos jogadores. Há diversos itens destraváveis ao subir de nível nesse modo, como novas armas, armaduras diferentes e assim por diante, mas não é o suficiente para criar uma experiência completa de multiplayer. Os recursos da Visceral Games teriam sido melhor aproveitados se tivessem sido focados apenas no modo principal.

Dead Space 2 começa com um susto e termina com a revelação de que as coisas são mais complicadas do que parecem, e há muito material para criar novos jogos. Um Dead Space 3 com certeza já está sendo planejado e deve sair nos próximos anos. A franquia começou revolucionando e hoje se mantém com material de alta qualidade, mas isso pode não durar para sempre. A desenvolvedora deve tomar cuidado com os próximos lançamentos, tentando manter a essência da série e ao mesmo tempo adicionando novidades que façam com que cada novo jogo tenha aquela mesma sensação boa de inovação que o primeiro teve. Caso consiga isso, a franquia tem tudo para estar entre nós no futuro visível, fazendo o merecido sucesso.

 

Outra opinião – Patrick Seabra (Machine_God)


Não vou entretê-los aqui com o que é bom em Dead Space 2 (DS2) – a análise acima já faz isso muito bem, e o jogo merece cada elogio dispensado a ele. O que vou me ater nestes 3 parágrafos é algo um tanto mais sutil e direcionado àqueles que gostam da parte de "Horror" dos "Survival Horrors". Desde que Resident Evil 4 mudou para sempre o esquema de controle do gênero, muitos jogadores reclamam que o aspecto "Horror" foi abandonado, e não se tem mais atmosferas envolventes como Silent Hill 2 e 3 ou Eternal Darkness. Este, talvez, seja o único ponto negativo que tenho com o jogo: DS2 cria uma atmosfera envolvente mas não a usa tão bem quanto deveria.
 
Esse problema se resume a duas palavras: previsibilidade e repetição. Os ambientes são fantásticos e macabros, mas a forma como o jogo assusta acaba caindo em mesmice, mais ainda para quem jogou o primeiro DS. Corpos mortos que se reanimam e túneis de ventilação que abrigam monstros foram truques usados à exaustão em DS e ainda são prevalentes ao excesso na sequência, e com essa repetição, o jogador consegue deduzir onde encontrará os inimigos uma boa parte das vezes (caixas são sinônimos de Stalkers 100% das vezes, apertar um botão vai trancar a sala grande e enchê-la de inimigos, seções de zero-g com Lurkers etc). Os momentos em que DS2 abandona os trilhos criados pelo predecessor são facilmente os mais marcantes e e surpreendentes – o início do jogo, Tormenter, o capítulo 10 e outros. Além disso, o excesso de encontros com os inimigos faz com que os Necromorphs fiquem cada vez menos assustadores e diminui o impacto que eles exercem sobre o jogador. Não é à toa que os momentos mais sufocantes de DS2 são justamente aqueles em que não acontece absolutamente nada e o jogador espera que aconteça. DS2 é frenético, mas seu ritmo é tão constante que acaba amenizando o terror proposto. De fato, o jogo é menos Ravenholm (Half-Life 2) e mais a Vila de Resident Evil 4 – menos "terror" e mais "pânico", por assim dizer.
 
DS2 não é de forma alguma ruim – longe disso, ele é fantástico. Mas não satisfaz a sede de terror que alguns de nós temos. Pode decepcionar um pouco aqueles que esperavam algo nas linhas de Silent Hill 2, mas é um jogo de ação espetacular, de jogabilidade rápida, gráficos estupendos acompanhados de um trabalho sonoro invejável e momentos de fazer qualquer um se contorcer na cadeira ("Cross your heart, hope to die"). A repetição e previsibilidade dos encontros são a única mancha num jogo que, de outra forma, seria perfeito.
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