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Castlevania: Lords of Shadow

Análise

NOME: Castlevania: Lords of Shadow
FABRICANTE: MercurySteam e Kojima Productions
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação / Aventura
DISTRIBUIDORA: Konami


LANÇAMENTOS
07/10/2010 07/10/2010 16/12/2010


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Nº de Jogadores: 1

Definição HD: 720p

Troféus


Castlevania e 3D nunca foram dois termos bem vistos na mesma frase. A série, louvada por suas diversas iterações em duas dimensões, nunca conseguiu emplacar um bom jogo tridimensional. Muitos diziam que a série deveria permanecer como estava, sem grandes mudanças. Castlevania: Lords of Shadow veio para quebrar essas paradigmas e mostrar que é, sim, possível, termos um bom Castlevania em 3D.

Lords of Shadow (LoS) é um reboot da série, um jogo que pode ser considerado o marco zero da nova direção que a Konami quer dar à série. Desenvolvido pela espanhola MercurySteam, ele não se parece muito com os jogos mais recentes da série, principalmente os lançados a partir de Symphony of the Night (SotN). Não há um castelo ou uma área única a ser explorada. LoS é similar aos jogos originais de Castlevania, aqueles lançados nos idos dos anos 1980 e começo de 1990. As fases são lineares e o foco é o combate e a resolução de puzzles. Muitos dizem que LoS "não é um Castlevania", mas eles estão errados. Muitos elementos que fazem a série estão presentes, apenas não da forma que os jogadores estão acostumados depois de SotN.

 

A história se passa no século XI e acompanha Gabriel Belmont, um membro da Brotherhood of Light, uma organização que tem como objetivo defender os inocentes das criaturas sobrenaturais que assombram o mundo nessa época de trevas. Diz-se que a ligação da Terra com o Céu foi quebrada por três seres malignos conhecidos como Lords of Shadow, que também criaram um feitiço que impede as almas mortas de ascenderem ao paraíso. Marie, a esposa de Gabriel, foi assassinada e está presa no Limbo. Ela então guia Gabriel para desvendar os acontecimentos e tentar salvar o mundo das trevas. A premissa básica é essa e parece simples, mas acredite, a história é bastante complexa e sofre diversas reviravoltas que irão sempre surpreendê-lo positivamente. O final em especial deve deixar qualquer um de cabelo em pé.

Gabriel é acompanhado em sua jornada por outro membro da Brotherhood, chamado Zobek, que também atua como narrador e luta ao lado de Gabriel em alguns momentos. LoS é dividido em 12 capítulos e cada capítulo é dividido em fases, e cada fase é introduzida por um texto narrado por Zobek (voz de Sir Patrick Stuart, impecável como sempre). Os textos ajudam a criar o clima do jogo, e são muitas vezes acompanhados por cutscenes muito bem feitas na própria engine do jogo.

Os gráficos são simplesmente espetaculares e são um dos pontos altos do jogo. Algumas fases do início podem não comprovar isso, mas as fases a partir do capítulo IV ficam cada vez mais impressionantes. Os cenários são deslumbrantes e muitas vezes vão fazer você parar de jogar só para apreciar a beleza do jogo. Vários detalhes menores contribuem para a qualidade gráfica.  A chuva e a neve, por exemplo, grudam na tela ao cair, e escorrem e derretem, dando um simples porém ótimo efeito visual.

 

 

Os modelos dos personagens no geral também são impressionantes, incluindo aí Gabriel, Zobek, Pan e, principalmente, um personagem conhecido como Silver Warrior. É impossível não ficar impressionado quando ele aparece. Contudo, alguns modelos deixam muito a desejar, como das personagens Marie e Claudia. Fica a impressão de que foram feitas às pressas e não receberam a mesma atenção que os outros. A sincronização labial no geral também é boa, mas por vezes nota-se uma discrepância grande entre o que se ouve e o que se vê.

O sistema de combates é muito bom, baseando-se nos jogo de ação recentes como God of War e expandindo o modelo com magias Light e Dark. Gabriel só empunha uma arma principal, uma cruz de combate que contém um chicote metálico retrátil que possui ataques fracos e fortes. Ele também pode usar armas secundárias, adquiridas ao longo do jogo, e que realmente são úteis para enfrentar os inimigos. Saber usá-las é fundamental para sobreviver em alguns momentos. O jogo oferece diversos combos para serem adquiridos pelo jogador, aumentando ainda mais as possibilidades de combate.

Tanto a cruz quanto as armas secundárias são afetadas por magia. A magia Light, quando ativada, permite que cada golpe com a cruz recupere uma fração dos pontos de vida (HP) de Gabriel. A magia Dark permite que Gabriel utilize ataques mais fortes. Cada arma secundária é afetada diferentemente (as adagas ficam mais fortes com a magia Dark, a água benta cria um campo de força temporário com a magia Light, e assim por diante).

 

 

Cada tipo de magia possui um medidor próprio, que deve ser preenchido com orbs deixadas ao derrotar inimigos. Além disso, o jogo oferece um sistema chamado Focus: quanto mais variados forem seus ataques, quanto mais você se esquivar e defender golpes na hora certa, mais a barra de Focus se encherá. Quando ela está cheia, cada golpe que atingir algum inimigo irá liberar orbs, o que permite que o jogador encha seus medidores e monte estratégias avançadas de combate. Ao ser atingido a barra de Focus é totalmente esvaziada, e ao utilizar alguma das magias, os inimigos não liberam orbs, então é essencial planejar suas ações.

A câmera é fixa e não pode ser controlada de forma alguma pelo jogador, e é um grande problema do jogo que atrapalha principalmente quando se está lutando. Em diversos momentos os inimigos estão fora da tela e você não consegue saber onde eles estão nem quando ou como vão atacar. Não é um problema que impeça você de aproveitar o jogo, mas algumas vezes você vai se perguntar por que a câmera não foi melhor posicionada, ou até mesmo porque um sistema de câmera como o de Metal Gear Solid 3: Subsistence, da própria Konami, não foi usado como inspiração. Nele, a câmera é originalmente fixa, mas com o aperto de um botão ela passa a ser livre e o jogador a controla como preferir. LoS não usa o analógico direito (a não ser o clique dele, para encher a magia Dark), então talvez esse sistema seria útil aqui.

Como já dito, o jogo possui 12 capítulos e cada um é dividido em fases. Alguns capítulos possuem várias fases, enquanto outros contam com apenas uma ou duas. No geral, LoS é um jogo bastante longo. O autor desse texto levou quase 20 horas apenas para terminar o jogo a primeira vez, sem repetir fases. Essa duração é algo raro hoje em dia, com jogos que podem ser terminados em 8 ou 10 horas, na média. Além disso, o fator replay é muito alto em LoS. Ao terminar o jogo uma nova dificuldade é liberada e traz um desafio a mais. Além disso, ha os já mencionados combos a serem adquiridos, e jóias e baús escondidos pelos cenários que aumentam a vida, as magias e a quantidade das armas secundárias.

 

 

Talvez o maior fator que influencia no replay sejam os trials. Todas as fases, ao serem terminadas a primeira vez, podem ser jogadas novamente com um objetivo específico a ser cumprido. Cada fase possui um objetivo único e eles são tão variados quanto interessantes. Alguns exigem que se derrote inimigos de determinada forma, ou que não se leve dano na fase, ou que se resolva um puzzle usando uma quantidade limitada de tentativas, ou que se derrote um chefe em um tempo menor que o definido. O desafio é grande, e alguns trials são genuinamente cruéis, sendo um prato cheio para os jogadores que gostam de desafio ou que gostam de completar tudo em um jogo.

Falando nos chefes, eles conseguem impressionar bastante, por diversos fatores. Com uma certa inspiração em Shadow of the Colossus, alguns chefes são monumentais, dezenas de vezes maiores que Gabriel, e devem ser literalmente escalados para serem derrotados. Outros chefes são mais tradicionais, mas não menos interessantes, e todos são divertidos de serem enfrentados. Muitos deles exigem atenção e destreza com as magias, como o chefe final, então prepare-se para usá-las corretamente.

O jogo, assim como tantos outros da atual geração, possui quick-time events. Eles são de dois tipos. Um tipo é o genérico, que consiste de um círculo maior que se fecha sobre um menor. Quando ambos os círculos estão juntos deve-se apertar qualquer botão, não importa qual, para realizar a ação. Outros eventos exigem que o jogador massacre um botão específico e são mais parecidos com aqueles a que estamos acostumados. Seria interessante que apenas o primeiro tipo, o dos círculos, estivesse no jogo, pois maltrata menos o controle, mas isso não afeta a experiência geral.

 

 

A estrutura das fases deixa um pouco a desejar. Elas são, em sua grande maioria, totalmente lineares, e incentivam pouco a exploração. Outro problema do design das fases é que muitas delas acabam de repente. Diversas vezes você vai estar andando, talvez explorando um caminho em uma das poucas fases que oferecem alternativas, e de repente a tela de final de fase aparece. É um pouco irritante e muitas vezes faz com que você jogue novamente uma fase apenas para explorar algum outro caminho. Felizmente o jogo possui um mapa principal que permite que qualquer fase seja revisitada quando o jogador quiser. Poderia haver uma indicação mais clara de que a fase está terminando.

Outros problemas também afetam a experiência do jogador. Pular entre plataformas nem sempre é bem reconhecido pelo jogo, e diversas vezes você cai e morre não por falha sua, mas por falha de cálculo de distância do jogo. A ativação de diversos mecanismos também é problemática. O botão de ação é o R2, e você deve apertá-lo para executar ações de contexto como mover alavancas. O jogo exige que você esteja em uma posição bem específica para reconhecer a ação. Se você estiver muito perto do item, o jogo muitas vezes não executa a ação, e você deve se mover até achar o ponto ideal, que é indicado por um brilho leve e pouco perceptível no objeto com o qual se interage. É um problema pequeno, mas que acontece tantas vezes que acaba irritando.

Mesmo com alguns problemas, Castlevania: Lords of Shadow é um ótimo jogo e merecedor do título de primeiro Castlevania em 3D que "funciona". Os puristas podem vê-lo com olhos preconceituosos, mas eles devem repensar seus conceitos e dar uma chance a Lords of Shadow. O jogo consegue prender a atenção mesmo sendo razoavelmente longo, e pode ser jogado novamente para enfrentar dificuldades maiores, os trials e para comprar os combos. Há também uma enorme galeria de artworks que podem ser compradas, com centenas de belas imagens conceituais do jogo, o que aumenta ainda mais o seu valor de produção. Experimente Lords of Shadow sem preconceitos. Você verá que o jogo tem muito mais a oferecer do que você imagina.

 

90%