AnálisesPS3

Bayonetta

Análise

NOME: Bayonetta
FABRICANTE: Platinum Games
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação
DISTRIBUIDORA: SEGA


LANÇAMENTOS
08/01/2010 08/01/2010 29/10/2009


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Nº de Jogadores: 1

Definição HD: 1080p

Troféus


Bayonetta é um dos melhores jogos de ação de todos os tempos e não há como negar isso.

Frase pesada? Não, nem um pouco. A Platinum Games, uma produtora que surgiu há pouco tempo e possui poucos títulos em seu currículo (além de Bayonetta, temos MadWorld de Wii e Infinite Space de DS), fez um excelentíssimo trabalho. Surpreendente? Não. A Platinum Games é composta por ex-integrantes da Clover Studios, famosa por Okami, Viewtiful Joe e outros jogos. Além disso, Bayonetta foi dirigido por Hideki Kamiya, criador de Devil May Cry. Portanto, no final das contas, Bayonetta é uma soma de pessoas competentes, unidas em um único projeto.

Bayonetta não é só um jogo de ação. É um ode aos videogames. É impressionante a quantidade de referências a outros jogos que nós, jogadores, apreciamos. Clássicos da SEGA possuem referências diversas, MadWorld, da própria Platinum Games também, e até mesmo jogos da Capcom, como Resident Evil 4 e Viewtiful Joe estão ali, de alguma forma. Mas não podemos deixar de citar Devil May Cry. A quantidade “sugada” desse jogo por Bayonetta é muita. A mecânica de jogo lembra muito Devil May Cry e, se não fosse pela protagonista e sua história, é até possível dizer que este jogo seria um Devil May Cry 5.

Bayonetta conta a história da bruxa “Bayonetta” que renasceu após 500 anos, porém, sem memória do que aconteceu. O jogo se passa 20 anos após esse renascimento. Ao longo do enredo, é explicado o que aconteceu no passado. Nessa jornada, cheia de cutscenes com ação frenética que são impressionantes (sem se esquecer de um humor característico deste game), Bayonetta encontra alguns personagens. Logo de cara temos Rodin, que serve como um mercador no game. Durante o jogo, há portais vermelhos que o levam para o bar “Gates of Hell” (portões do inferno), no qual Rodin vende armas, itens, acessórios por halos (anéis obtidos ao matar inimigos ou terminar capítulos), os quais são uma referência clara à Sonic. Além de Rodin, temos Luka, um jovem repórter que teve seu pai assassinado por Bayonetta quando renasceu há 20 anos. Mas será mesmo que foi ela? Bayonetta é uma bruxa e, como tal, possui a habilidade de transitar nos quatro meios que existem: Paradiso, o mundo dos humanos, Inferno e Purgatório. No jogo, apenas Paradiso, purgatório e o mundo dos humanos são explorados. Dessa forma, Bayonetta pode acessar um “mundo paralelo”, no qual enfrenta os anjos de Paradiso, sem que os humanos notem que isso está acontecendo.

A temática do jogo é a inversa do convencional: você é o ser do mal e precisa destruir os anjos do bem. Por isso, todos os inimigos encontrados são anjos ou seres divinos. Mas Bayonetta é tão má assim? Não, pois ainda ela tem coração quando encontra a pequena Cereza, uma pequena garota que chama Bayonetta de “mamãe”. Mamãe? Pois é. Mas jogue para entender o que está acontecendo.

Há ainda alguns outros personagens, como a rival de Bayonetta, Jeanne. Jeanne, inexplicavelmente, sempre duela com Bayonetta quando as duas se encontram. Isso também é explicado durante a jornada.

A história de Bayonetta é bem feita e nada complicada. O que a torna interessante é o seu humor característico e as cenas extremamente bem feitas de ação, tudo usando a engine in-game. Alguns momentos acontecem umas cenas “paradas”, através de “negativos” de filmes antigos, mas isso não causa uma ruptura na ação.

Bayonetta causa uma ruptura no jeito que os games são feitos, isso sim. A abertura é completamente interativa e já joga o jogador na ação. É incrível toda a introdução: a música tocada, o ambiente que está acontecendo e todo o seu desenrolar. Até os créditos, no final do game, são diferentes do normal!

A trilha sonora de Bayonetta é incrivelmente bela. Apesar do tema principal que toca em algumas batalhas “aleatórias” não ter me agradado, o conjunto da obra é excepcional e, sem dúvida, uma das trilhas sonoras mais bem feitas. As músicas contra os chefes são épicas e, quando há a referência a um determinado jogo, acredite, toca a música remixada daquele jogo em questão!

Porém, o coração do game é o gameplay e aqui entra o melhor de todo o pacote. Bayonetta possui cerca de 20 capítulos (considerando o prólogo e epílogo). A cada capítulo, a experiência é renovada. Nenhum capítulo é igual ao outro e jamais você sentirá uma sensação de “já joguei isso em outro capítulo”. Cada capítulo é único e traz um acontecimento diferente, uma batalha diferente, um gameplay diferente. As batalhas contra os chefes são incríveis. O tamanho deles sempre é abismal, a ponto de fazer comparações com Shadow of the Colossus. Uma batalha no mar é simplesmente perfeita. Jogue e me cobre depois.

Como dito, Bayonetta aproveita muito do gameplay de Devil May Cry. Você pode equipar armas diferentes e cada arma possui seus golpes próprios e combos próprios. Por exemplo, a arma inicial de Bayonetta são as suas quatro pistolas (Scarborough Fair), duas nas mãos e duas nos pés. Com o botão triângulo, você ataca com as mãos. Com o círculo, com os pés. O quadrado serve para atirar constantemente e causar danos pequenos mas com um alcance muito grande. Por fim, X pula. Dessa forma, é possível unir diversas combinações de ataques com o triângulo e círculo. É fato que a combinação que você mais vai usar é Δ, Δ, Δ, Δ, Δ e O. O golpe é extremamente poderoso, principalmente em sua parte final com a animação. Mas em níveis mais difíceis, você precisará masterizar outras combinações, sem dúvida.

Bayonetta pode usar outras armas, além das pistolas. A katana é uma das opções. É poderosa, mas possui curto alcance. Temos um chicote também, além de duas garras como armas. Porém, você pode customizar os pés da personagem também. Além das pistolas, é possível inserir uma espécie de shotgun e até mesmo um “patins” que congela os inimigos. Dessa forma, você consegue salvar dois “sets” e trocá-los quando quiser apertando L2. Exemplo de dois sets: pistolas na mão, shotgun no pé; katana na mão, pistola no pé.

Além das armas, existem acessórios que podem ser comprados no bar de Rodin, Gates of Hell. Esses acessórios também influenciam o gameplay. Um, por exemplo, realiza contra-ataques apertando para frente quando o inimigo ataca. Além de acessórios, novas técnicas (movimentos) também podem ser adquiridas no bar.

Fora isso tudo, existe uma mecânica chamada Witch Time. Apertando-se R2, é possível realizar um desvio. Se esse desvio for feito exatamente na hora que o inimigo está atacando, o Witch Time é ativado. Quando isso acontecer, tudo fica extremamente lento e você “normal”, podendo encaixar diversos golpes no inimigo. O Witch Time é algo que precisa ser masterizado para não perder muita vida no jogo.

Apertando-se R2 duas vezes, Bayonetta pode se transformar em uma pantera (a qual deixa um rastro de flores, referência clara à Okami). Essa transformação fornece uma velocidade de locomoção bem maior e também um pulo com maior alcance. Na batalha, isso ajuda a desviar dos ataques também. Executando esse movimento no ar, Bayonetta se transforma numa espécie de corvo. As duas transformações não estão disponíveis no início, são aprendidas ao longo do game.

Existe um modo automático no game nas dificuldades Very Easy e Easy. Quando se joga nesse nível, basta apertar triângulo sem parar que Bayonetta fará tudo: combos de diversos tipos mesmo que não sejam somente com o triângulo; ativará o Witch Time quando o inimigo atacar e correrá em direção ao inimigo com ataques, se você estiver longe dele. Esse modo é uma adição interessante, mas estraga toda a mecânica desenvolvida pelos produtores. Ele existe apenas para quem quer curtir a história, no final das contas.

Quando você finaliza a batalha contra um chefe, é possível ativar o “climax”, ou seja, o cabelo de Bayonetta (que na verdade é a sua roupa ao mesmo tempo) invoca um ser das trevas, que por sua vez atacará o chefe que você acabou de matar. Apertando-se quadrado diversas vezes, mais bônus receberá, na hora que o ser estiver destruindo o chefe. De forma semelhante, existem os “Torture Attacks” que podem ser feitos contra os inimigos “comuns”. Acontece uma pequena animação com algum equipamento medieval de tortura e Bayonetta tira muito dano do inimigo. Este Torture Attack só pode ser feito dependendo da sua barra de magia, a qual enche conforme os combos que você executa e os desvios (Witch Times) executados corretamente.

Bayonetta possui diversos extras, além da jornada principal. Além de todos os itens que precisam ser comprados no bar de Rodin (e que forçará você a finalizar o game em diversos níveis de dificuldade para juntar a quantidade necessária de halos), há os Alfheim Portals. Trata-se de “Challenge Rooms” espalhados pelo jogo e que precisam ser encontrados. Quando você entra neles, precisará executar algum pedido específico, como por exemplo derrotar todos os inimigos sem ter à disposição o Witch Time. Você não é recompensado muito nesses lugares, mas há um troféu de ouro que consiste em terminar todos esses portais.

Mais uma mecânica não comentada (e que é algo clássico de bruxas) são as poções. Para fazê-las, você coleta os elementos pelo mundo do jogo, em grandes quantidades. Quando atinge a marca necessária para preparar o que deseja (acredite se quiser: são pirulitos mágicos que recuperam vida, magia, fornecem proteção por algum tempo, etc), você, na tela que pode ser aberta através do botão select, precisa juntar os elementos que possui e preparar a poção girando o analógico (percebeu a analogia?).

Bayonetta não é muito longo. Leva aproximadamente 10h de jogo para finalizá-lo pela primeira vez no modo Normal. Mas, como os troféus exigem mais do jogador em relação ao “dinheiro” (halos no bar de Rodin), será necessário finalizá-lo no easy e very easy também. Após finalizar no Normal, abre o Hard (assim como galeria de artworks, músicas e até uma opção para ver os modelos em 3D dos personagens). Terminando no Hard, abre, por fim, o nível Infinite Climax, que é basicamente o Hard mas sem o Witch Time, o que tornam as coisas mais complicadas.

Agora vamos aos problemas e do porquê Bayonetta não ter recebido nota máxima em nossa análise: a culpa é da SEGA. A SEGA, considerando a estrutura do PlayStation 3 em relação ao Xbox 360, fez um ótimo trabalho de conversão, mas não considerou a opção de instalar o game no HDD do console. Assim, os loadings são absurdos. O tempo de carregamento de uma transição a outra levam, em média, 10 segundos. Até itens que são pegos pela primeira vez nos cenários necessitam de loading para serem visualizados.

Portanto, o loading é um problema sério e pode deixar você decepcionado. No entanto, é comum ouvirmos que não só de loading o game sofre: que existem problemas de framerate principalmente. É mentira. Através de todo o gameplay, sofri em dois momentos uma pequena queda dos frames mas era compreensível. Havia dezenas de inimigos na tela e a câmera havia se afastado da personagem a ponto de mostrar todos esses inimigos de uma só vez. Mas mesmo com essa queda, era possível jogar tranquilamente. Em uma sequência de gameplay que envolve a pilotagem de uma moto no maior estilo Hang-On e com uma música de After Burner ao fundo (não se preocupe, se você viu os trailers do jogo, já sabia da moto), é frenético a aparição de obstáculos e o framerate não sofre com isso – a taxa se mantém constante.

Sobre o jogo em si, desconsiderando os problemas técnicos de loading que foram causados pela SEGA, não há nada do que reclamar. Na verdade, há alguns pontos que podem ser considerados como negativos: há muitos “Quick Time Events” (gameplay originário de Shenmue e que está presente em outros jogos como Resident Evil 4 e 5, God of War e muitos outros), ou seja, momentos que você precisa apertar um determinado botão em uma cutscene. Se não apertar, morre. Existem algumas cutscenes que pegam o jogador de surpresa com esses Quick Time Events. Você está lá, apreciando a cena de ação sensacional, e do nada aparece que você precisa apertar quadrado para desviar de alguma coisa. Pronto, morreu e já pode dar continue.

Dando continue, você perde pontos no ranking ao final da fase. Os capítulos são divididos em verses (versículos). Cada verse é, mais ou menos, uma batalha. A cada batalha concluída, você ganha uma medalha de bronze, prata, ouro, platina ou platina pura. No final da fase, dependendo dessas medalhas e se usou continue, você pode receber uma estátua de latão, bronze, prata, ouro, platina ou platina pura. Essa pontuação pode ir para um ranking online – essa é a única interatividade online que o game oferece.

Poderia continuar mastigando ainda mais o game que não me cansaria de falar dessa jóia que é Bayonetta. Mas quero deixar o restante para o jogador. Aproveito para dar dois conselhos: aprecie as cenas de ação e não se prenda à história. Você não vai entender muitas das coisas que são mostradas pois somente no final “tudo é explicado”. Já o outro conselho é: o final é aberto, portanto, pode esperar por um Bayonetta 2 no futuro.

Bayonetta é sensacional. É um game único e que não surge todo dia. A Platinum Games fez um excelente trabalho com essa criação e mostra, usando princípios básicos, como deve ser um jogo de videogame.


98%