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Análise – Zombie Army 4: Dead War

Análise

NOME: Zombie Army 4: Dead War
FABRICANTE: Rebellion
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação / Tiro em Terceira Pessoa
DISTRIBUIDORA: Rebellion

LANÇAMENTOS
04/02/2020 04/02/2020 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução: 1080p (PS4) / 4K/30fps ou 1080p/60fps (PS4 Pro)
Nº de Jogadores: 1 (2-4 online)
Troféus (Inclusive Platina)
Espaço necessário: 22,90 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


Existe uma premissa de que um jogo cooperativo já é divertido, ou deveria ser divertido, apenas pelo fato de se jogar junto com outro jogador. Apesar do fator coop realmente ser algo que consegue melhorar uma experiência, nem todo jogo fundamentado nisso é divertido por essência. Digamos que, se a experiência não foi planejada para ser divertida, não existe cooperativo que dê jeito em jogo ruim.

Zombie Army é uma franquia (se é que já pode ser chamada assim) que começou como um spin-off de Sniper Elite 2, utilizando uma temática de apocalipse zumbi durante a Segunda Guerra Mundial. A versão mais comum para os jogadores é Zombie Army Trilogy, que junto as duas primeiras partes já lançadas mais um capítulo inédito em um único pacote. Com grande foco no cooperativo e com boas doses de humor, o título da Rebellion ficou conhecido como um bom passatempo quando entre amigos. Não era um primor em história ou narrativa e a originalidade não era algo presente no jogo, seja em jogabilidade ou no design, entretanto, a diversão era garantida pelo pacote que o jogo oferecia.

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Zombie Army 4: Dead War é a proposta da Rebellion para mostrar empenho nessa nova franquia, saindo do spinoff copiado de outro jogo e criando uma proposta nova e totalmente dedicada no que oferece. De certa forma, Dead War é um avanço considerável quando comparado ao seu antecessor, mesmo que ainda mantenha um DNA trazido da franquia irmã.

O enredo mostra a resistência européia, principalmente na Itália, lutando contra as hordas de mortos-vivos que retornaram do inferno. A narrativa, quando existente, foca nos heróis avançando pela Itália e regiões próximas, lutando contra forças demoníacas, procurando a origem do evento que continua a trazer mortos-vivos do inferno até culminar numa corrida para evitar que Hitler seja ressuscitado.

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A história em si não traz nenhuma novidade e apela mais para o clichê básico de salvar o mundo contra o mal que o consome. Como a campanha é dividido em fases separadas, cada um concentra em uma localização e na luta ali para avançar e destruir o advento que continua a trazer os mortos-vivos naquele lugar. Ainda que agora há uma melhor divisão de cada fase, inserindo vários capítulos com objetivos distintos, a progressão em cada uma é similar em quase todas as elas. O jogador avança, elimina hordas de inimigos distintos, ultrapassa as particularidades de cada capítulo até culminar no ato final, que consiste em destruir uma torre vinda direto do inferno.

Não há nada que destoe na história além das duas fases finais. Ali temos um melhor uso do plot oferecido do que em toda a campanha anterior, distanciando do padrão de avançar e destruir a torre final. Algo que ajuda a não desenvolver o enredo é a forma como ele é contado. Jogando cooperativo, o jogador sempre vai se concentrar mais em comunicar com seus amigos e na jogabilidade em si. Ler vários textos e acompanhar diálogos enquanto todos estão conversando em party é algo que não funciona muito bem. Isso talvez se resolveria com melhor uso de cutscenes em pontos chaves ou que realmente desenvolvem a narrativa.

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Mesmo que há pontos que desencorajam o jogador a avançar na história, principalmente jogando solo, há bastante conteúdo e diversão como recompensa por aproveitar o que é oferecido. Logicamente não é o ponto forte do jogo ou da franquia, mas a história não deixa a desejar como um todo, só não se destaca mais do que a jogabilidade ou da diversão quando em cooperativo. Em certos momentos, é nítido que o jogador consome o que é apresentado apenas como uma desculpa para juntar os amigos e explodir zumbis como objetivo final.

Além da campanha principal, há ainda o retorno do modo horda, que talvez seja o grande atrativo do jogo. Enfrentar hordas de inimigos em vários formatos diferentes e junto de seus amigos é a maior diversão do título provê. Boas melhorias foram implementadas aqui, como mudança aleatória de armas disponíveis, munição e gadgets alterando de disponibilidade, novas áreas de cada mapa sendo liberadas com o progresso e ainda mais. Claramente é algo que se pode perder dezenas de horas sem nem perceber e principalmente ajudando na evolução do novo sistema de progressão.

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Quanto a esse novo sistema, aqui talvez temos uma grande mudança no título e de forma bastante positiva. Há um progresso do jogador em vários quesitos e que é compartilhado em qualquer atividade que se jogue. É possível subir de posto na resistência, o que seria o equivalente ao nível do seu personagem, melhorar armas e personalizar as mesmas, desbloquear habilidades específicas, alternativas de itens usáveis e ainda uma parte de customização visual. Qualquer ato do jogador culmina em experiência, que evolui o posto geral ou uma progressão específica, o que garante uma ótima sobrevida ao título mesmo depois de experimentar qualquer atividade pelo menos uma vez.

Apesar de tudo o que é oferecido e com a possibilidade de cooperativo em qualquer atividade, o jogo não seria divertido se sua jogabilidade não fosse consistente o suficiente. Ainda temos resquícios do que foi usado anteriormente, principalmente pelo uso do que era usado em Sniper Elite 2. Rifles de precisão continuam como arma principal, mesmo que exista variações permitindo um combate mais rápido utilizando tais equipamentos. O sistema de “Pulmão Vazio”, que permite concentrar o tiro usando luneta e ganhar mais precisão enquanto desacelera o tempo, continua presente e sendo bem útil.

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Como complemento ao sistema de equipamento, armas secundárias são rifles automáticos e escopetas, enquanto as pistolas completa o arsenal. A maior variação de itens consiste nas granadas e armadilhas, com uma diversificação considerável, que culmina no uso de cada uma para diferentes, e úteis, estratégias de combate.

Há um sistema de habilidade especial para cada tipo de arma e golpes especiais corpo a corpo. Ambos são efetivos e salvadores em situações mais tensas. De forma geral, as opções que o jogo fornece para se jogar são várias, onde cada jogador pode criar seu estilo próprio e, quando em equipe, distinguir diferentes funções para cada membro. Melhorias em acertos e hitboxes dos inimigos, assim como movimentação de personagem é uma evolução considerável para o título anterior.

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O design dos mapas continuam a favorecer uma abordagem mais cautelosa quando usando os rifles de precisão, mas também dão abertura para ações mais ofensivas e ataques mais diretos. A boa variação de inimigos acaba propondo situações únicas, como quando um general em específico consegue ressuscitar inimigos derrotados e aumentando ainda mais a tensão no campo de batalha.

Mesmo que a parte técnica do jogo acabe por não pecar muito, nada se destaca também. O visual não está acima de muitos títulos no mercado e se mantém de forma mais “padrão”, sendo bem similar ao que foi visto em Strange Brigade. A parte sonora é um destaque a parte, com trilhas inspiradas em obras do entretenimento de terror de baixo orçamento, vários efeitos de som cartunescos e um ótimo uso do alto-falante do DualShock 4.

Algo que vale comentar é o humor característico da Rebellion presente aqui. Pequenos easter eggs, colecionáveis divertidos de se procurar, histórias psicóticas com pequenas bonecas e muito mais. O título não tem qualquer compromisso em entregar algo que faça sentido com a realidade, mas acaba brincando com diversas situações de formas hilárias. É perceptível que o próprio jogo não se leva a sério em várias situações, o que acaba sendo ainda mais divertido do que o esperado.

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A evolução do jogo para seu antecessor, mesmo que isso fosse algo obrigatório acontecer, é bastante notável e positivo. A impressão é de realmente ver um Zombie Army feito como um jogo novo, não somente inspirado em outra franquia. Há muito de positivo em Dead War, principalmente pelo fato dele não precisar se sustentar apenas no cooperativo para se divertir. Há bastante conteúdo que deve chegar no futuro e criar um pacote ainda mais completo, com novas missões, armas, personagens e mais, mesmo assim, Zombie Army 4: Dead War hoje é um título divertido e que vale a pena ser experimentado.

Veredito

Zombie Army 4: Dead War continua sendo extremamente divertido em cooperativo, com uma jogabilidade mais refinada para seu estilo do que só aproveitando o que era inspirado anteriormente. O sistema de progressão é um ótimo achado e estimula a continuar jogando muito mais, entretanto, a campanha principal ainda peca por não ter uma narrativa que melhor desenvolva seu conteúdo.

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela Rebellion.

85%