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Análise – Wolfenstein: Youngblood

Análise

NOME: Wolfenstein: Youngblood
FABRICANTE: MachineGames / Arkane Studios
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Tiro em Primeira Pessoa (FPS)
DISTRIBUIDORA: Bethesda Softworks


LANÇAMENTOS
26/07/2019 26/07/2019 26/07/2019


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Troféus (inclusive Platina)
Nº de Jogadores: 1 (2 online)
Espaço Necessário: 35,7 GB
Dublagem PT-BR: Sim
Legendas PT-BR: Sim


Youngblood é um spin-off no qual os desenvolvedores puderam testar novas ideias para a série Wolfenstein. O título foca na experiência cooperativa e conta com duas novas protagonistas, além de renovar e modificar vários sistemas na jogabilidade. Realizar grandes alterações em uma fórmula de sucesso requer bastante cuidado e, infelizmente, isso parece ter sido ignorado para implementar características populares em jogos atuais, mas que entram em conflito direto com os principais pilares da jogabilidade da série. O resultado final não é ruim, mas muito aquém dos títulos que antecedem Youngblood.

A história se passa 19 anos após The New Colossus e B.J.Blazckowicz desapareceu durante uma missão em Paris. Suas duas filhas, Jess e Soph Blazkowicz, resolvem ir até Paris para encontrar seu pai e ajudar a resistência francesa a lutar contra os nazistas. Ao contrário dos títulos anteriores, existem poucas cenas cinematográficas e diálogo, sendo que a maior parte da história é contada por jornais e documentos encontrados em cada fase. Jess e Soph são duas jovens adultas, portanto não tem a seriedade de seu pai nos jogos anteriores, porém as personagens também não evoluem durante a campanha e o desenvolvimento das personagens é quase inexistente.

Paris é dividida em diferentes distritos que agem como regiões para missões opcionais e servem como acesso os mapas principais da história, uma estrutura semelhante a vista em Wolfenstein 2009. O design de cada região é muito bom, considerando o tamanho de cada uma, sendo que possuem várias conexões entre suas diferentes partes, vários segredos bem escondidos, caminhos alternativos e muito mais. Explorar essas regiões é um dos pontos altos e as missões opcionais incentivam o jogador a encontrar cada canto escondido do mapa.

Estranhamente, as demais fases não seguem o mesmo padrão de qualidade visto nas regiões de Paris. É possível acessar os mapas da história principal por meio do esgoto que, francamente, são as piores fases que vi na série, pois são labirintos escuros, pequenos e cheio de inimigos, forçando o jogador a lutar com um arsenal consideravelmente reduzido. As torres, onde se passam as missões principais, são lineares e possibilitam o uso de stealth para eliminar alguns inimigos antes do combate. Essas fases são excessivamente longas, não tem um sistema de checkpoint decente e alguns cenários de combate são simplesmente mal-feitos, a ponto dos inimigos não caberem propriamente no nível. Apesar desses problemas, a exploração tem seus pontos altos, mas que são agravados pelo elo fraco do jogo, o combate.

O combate ainda utiliza da base shooter run-and-gun dos Wolfenstein anteriores, mas Youngblood opta por adicionar elementos de RPG como níveis, árvores de habilidade, etc. Os inimigos têm uma barra de vida e utilizam diferentes tipos de armadura que requerem armas específicas para serem quebradas com facilidade. Caso utilize a arma errada, o dano será drasticamente diminuído. A diferença de níveis entre o jogador e os inimigos também ajuda a definir o dano que cada bala pode causar e quantos tiros cada inimigo pode levar.

Em um shooter run-and-gun (DOOM, Serious Sam) o jogador precisa se manter em constante movimento, eliminar rapidamente os inimigos fracos para se concentrar nos fortes e ter conhecimento da fase em que se encontra como possíveis caminhos e obstáculos, além da onde os inimigos estão posicionados e da onde estão saindo. Com a adição dos elementos de RPG, muitos dos inimigos que seriam teoricamente fracos tornam-se verdadeiras esponjas de dano e o level design muitas vezes faz com que inimigos apareçam de locais aleatórios, muitas vezes diretamente atrás dos jogadores.

O foco em cooperação permite que dois jogadores humanos eliminem os pontos cegos um do outro e rapidamente eliminem em conjunto todos os inimigos que aparecem. De fato, jogando-se no normal, o equilíbrio do jogo pende demais para os jogadores resultando em uma experiência sem desafio e que, por consequência, faz com que a cooperação seja desnecessária. Caso um dos jogadores caia em combate, o outro pode revivê-lo e caso ambos caiam ou demore demais para reviver, ambos perdem uma de três vidas compartilhadas. Jogando-se sozinho, a AI assume o papel do segundo jogador e irá focar em inimigos próximos e reviver o jogador quando necessário, sem se importar muito em levar uma chuva de tiros no processo. O resultado é que os elementos de RPG desbalancearam completamente o combate, tornando-o uma briga com inimigos que são esponjas de dano e monótono pelo jogador dificilmente encontrar-se em perigo real.

Veredito

Wolfenstein: Youngblood deu uma oportunidade para os desenvolvedores trazerem novos elementos para a série, mas o resultado foi aquém do que esperávamos. Temos esperanças que Wolfenstein 3 nos relembre o que fez essa série tornar-se tão especial.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela Bethesda.

50%