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Análise – The Ninja Saviors: Return of the Warriors

Análise

NOME: The Ninja Saviors - Return of the Warriors
FABRICANTE: Natsume Atari Inc.
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação / Beat 'n Up
DISTRIBUIDORA: ININ Games / Softdistribution


LANÇAMENTOS
Não disponivel Não disponivel Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1-2 (offline)
Troféus (sem Platina)
Espaço necessário: 455.54 MB
Disponível Exclusivamente na PlayStation Store
Legendas em PT-BR: Não
Dublagem em PT-BR: Não


A cultura pop é, sem sombra de dúvidas, uma grande miscelânea de referências, histórias e mitologias, e tem a capacidade de misturar temas distintos das mais descompromissadas maneiras e, talvez por isso, seja uma fonte inesgotável de histórias malucas que todo mundo ama. Alguns destes assuntos são recorrentes e, certamente, você consegue listar os seus favoritos rapidamente: zumbis, cavaleiros medievais, samurais, androides, dragões, vikings, deuses… e qualquer forma inesperada de misturar isso tudo. The Ninja Saviors – Return of the Warriors faz isso de forma tão simples quanto eficaz: coloque ninjas, robôs, soldados desavisados e um vilão fanfarrão tão raso quanto um piris e pronto: uma mistureba da boa!

Ok, o jogo não é bem uma ideia inovadora. Na verdade, é a continuação direta de uma franquia que se iniciou lá os anos 1980 e que, para esta nova geração, mantém muito do seu espírito original, trazendo para uma nova geração de jogadores a experiência mais direta e objetiva de outrora. E mesmo que você não tenha jogado a versão original – não são realmente dos mais conhecidos por aqui – fique despreocupado, porque conhecer o background, os personagens e o sistema de jogo não é um pré-requisito. Importante saber, contudo, que o jogo se mantém fiel à sua base original, o que pode ser positivo ou negativo para você, dependendo das suas expectativas e gostos pessoais.

Em resumo, The Ninja Saviors – Return of the Warriors é um beat ‘n up side scroller dos mais convencionais. Utilizando um dos protagonistas – são três ninjas cibernéticos logo no princípio, e outros dois liberados mais tarde – você deverá atravessar as sete fases do jogo de um ponto a outro do mapa, massacrando os inimigos que surgirem pela frente. Parece até simples e, bem… na verdade, é. A missão é basicamente derrubar um governante caricato e seus androides que lhe ajudaram a subir ao poder usando todas as habilidades de combate ninja dos heróis da história, que mantém aquela configuração arquetípica clássica. Um trama de golpes políticos que logo acaba importando muito pouco na prática, mas que cria aquele mix cultural interessante do qual falamos no começo do texto.

Sem melindres, sem afetações, sem segredos, sem desvios, tudo é direto ao ponto. Há um botão de ataque principal, que encadeia combos simples, um botão de pulo (que na verdade assume funções um pouco diferentes para cada personagem) e movimentos especiais. Em um campo mais avançado, a combinação do direcional com esses comandos ajuda a dar mais variedade de ação, e aprender esses movimentos será de extrema importância para criar maneiras de vencer certos inimigos de forma mais efetiva. Contudo, na primeira missão, se aproveitar bem os estágios de aprendizagem que ele oferece, você já terá compreendido e aprendido – para o bem e para o mal – tudo o que será necessário para zerar o game. Exatamente por estar testando aquilo que você entendeu em termos de jogabilidade, o primeiro chefe será, inclusive, um dos mais difíceis o que força uma aceleração da curva de aprendizagem do jogo.

A grande questão é que como a movimentação funciona em um único plano, quem está acostumado com games como Streets of Rage e Final Fight vai sentir falta de opções de ação como dar a volta nos inimigos para deixá-los todos de um lado só, ou ainda usar aquele falso eixo Y para desviar de ataques. Tudo se resume a bater em quem chegar primeiro de uma fila de as vezes 4, 5 inimigos. Para quem se lembra, é quase como espancar bonecos no clássico game dos Power Rangers, só que sem a possibilidade de mudar de uma “faixa” para outra. Evidente que depois de se adaptar ao sistema, é possível aproveitar o game em sua proposta, mas confesso que senti falta de poder me movimentar mais livremente, talvez por costume, talvez por esperar um clichê a mais dentro do gênero.

Esta simplicidade somada a uma repetição de inimigos e situações, porém, acaba limitando o jogo de forma a esgotá-lo rapidamente. Não a toa sua campanha pode ser fechada em menos de duas horas, dependendo da habilidade e da paciência do jogador. Claro que não será de primeira que isso vai acontecer, uma vez que The Ninja Saviors – Return of the Warriors traz consigo a herança dos anos 1980/1990 de jogos com um nível de dificuldade mais elevado. Nada que seja exagerado ou absurdamente irritante como outros clássicos da época, mas sim, é necessário dominar aquilo que o jogo oferece, aprender o tempo de cada personagem selecionável e estudar os chefes e seus padrões para prosseguir, sobretudo se você é daqueles que adora caçar troféus. Se terminar a campanha usando “continues” é algo exequível com um pouco de dedicação, fazê-lo no bom e velho estilo “uma ficha” já complica mais as coisas.

Esse clima de nostalgia também é sentido no visual de The Ninja Saviors. Claro que há certos aspectos mais sofisticados se compararmos com os jogos originais, principalmente em termos de efeitos de sombra, níveis de detalhes nos personagens, animações, cenários de fundo e iluminação, mas sempre resgatando uma estética clássica da era dos 16 bits, algo que vai da tipografia de textos e elementos de HUD aos padrões de ataque e de movimentação dos adversários. Aliás, aproveitando o tema da fonte dos poucos textos do jogo, a compreensão da história não é lá tão importante assim para se aproveitar o game, mas faltou uma localização para o nosso idioma, algo que seria bem tranquilo para o escopo deste projeto. Uma pena.

Em outras palavras, ainda que a escolha em manter um alinhamento com a era clássica do gênero seja evidente, a produção toma algumas liberdades que oferecem uma experiência mais interessante ao jogador. Ainda assim, poderia haver uma variedade maior em termos de ambientação, que passa por cenários internos e externos sem muito destaque. Mesmo que as fases do jogo tenham ali sua divisão quase cartesiana – cada uma acontece em um lugar muito bem definido – isso não chega a se destacar e, ao final, a identidade de cada ambiente passa despercebida.

Se o visual acaba se adaptando ao estilo modernizado do pixel art, a trilha musical usa do mesmo artifício para criar um equilíbrio entre a clássica trilha ritmada, sem contudo os ruídos decorrentes de limitações técnicas de outrora. O resultado é, sem dúvidas, um trabalho refinado sem parecer pedante, que remete diretamente a clássicos dos arcades do gênero. A construção da ambientação sonora é igualmente fiel às referências, com ruídos exagerados de socos, chutes e tombos, tal como deveria ser. É, em resumo, um trabalho com todas as características mais convencionais e grande parte dos clichês do gênero. Não espere mais do que isso do começo ao fim.

Experimentar The Ninja Saviors – Return of the Warriors no final desta geração é quase que compreender o que de melhor existiu em um passado não tão distante assim e reconhecer suas limitações em termos de diversidade na jogabilidade e profundidade narrativa. É quase que um ensaio que delimita valores, e sentimentos que remetem a um momento onde você não precisa de um cut-scene de meia hora para explicar androides ninjas descendo o sarrafo em soldados que mais parecem clones uns dos outros. Ainda assim, poderia ousar um pouco mais para trazer algo de novo e ir além do “uma bela homenagem aos tempos áureos”. Para aproveitar esse jogo, é necessário antes de mais nada saber do que se trata primeiro para não esperar nem mais, nem menos do que ele oferece.

Veredito

Enquanto conjunto da obra, The Ninja Saviors – Return of the Warriors é um ótimo jogo para se jogar sozinho (ou até mesmo com um amigo de sofá) com um nível de desafio muito bem dosado. O game sabe o que pretende atingir, quem é seu público e, deste modo, sabe muito bem lidar com o escopo do projeto. Se em termos audiovisuais consegue buscar elementos clássicos de forma muito competente, com pequenas doses de modernidade, o gameplay brilha ao tratar da simplicidade com algo sofisticado, ainda que uma variedade maior de possibilidades faça falta. A campanha é curta e o fator replay depende da sede do jogador em buscar troféus e a perfeição, mas tudo é bem dosado para garantir que o jogo não se torne repetitivo demais antes de terminar.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela ININ Games.

78%