AnálisesPS4

Análise – Submersed

Análise

NOME: Submersed
FABRICANTE: Main Loop Games
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Survivor Horror
DISTRIBUIDORA: Gaming Generation Factory


LANÇAMENTOS
17/07/2019 17/07/2019 17/07/2019


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
Espaço necessário: 2,37GB
Disponível Exclusivamente na PlayStation Store
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


De tempos em tempos, algumas temáticas clássicas do mundo do entretenimento retornam, seja com uma nova roupagem, em uma nova mídia, um novo formato, sempre buscando emular emoções e sensações nostálgicas do público mais velho, ou ainda trazer algo que já funcionou no passado para uma nova geração. Não a toa, o cinema se alimenta de remakes e continuações desde sempre, e os games estão seguindo pelo mesmo caminho. A questão é o quão capazes são esses novos conteúdos de atender a essas expectativas dos diferentes consumidores.

Submersed, game exclusivo do Playstation 4 desenvolvido pela Main Loop (estúdio que conta com o apoio oficial da Sony por meio do programa Playstation Talents), investe pesado em um subgênero do terror que tem como grande marco histórico o longa Tubarão (1975), dirigido por Steven Spielberg e que, além de 3 continuações, inspirou uma infinidade de outros produtos mais ou menos significativos. A sensação de perigo contínuo ao se confrontar com um dos maiores predadores da natureza é o grande atrativo dessas produções, e esse game aposta nessa premissa. E, de certa forma, ele cumpre o que promete. Basta compreender se isso é suficiente para torná-lo algo especial ou não.

O jogo começa narrando um acidente misterioso em uma instalação submarina de pesquisa, e logo nos encontramos sozinhos na pele de Jack Ballard, um paramédico que chega aos trancos e barrancos para atender um pedido de socorro e sem qualquer sobreaviso, precisa achar um jeito de sobreviver ao caos e aos perigos do mar aberto. Ao longo da jornada, ele terá alguma ajuda via rádio, mas precisará se virar com o pouco que tem em mãos, o despreparo para uma situação extrema e o medo de ser devorado a cada passo.

Submersed segue bem a cartilha do survivor horror (ou horror de sobrevivência), gênero criado na época dos primeiros Alone in the Dark e imortalizado com franquias como Resident Evil e, mais tarde, Silent Hill. Há, sobretudo, algumas semelhanças mais óbvias com Alien Isolation. Está tudo lá: ambiente isolado e inóspito, mistérios que vão se revelando ao longo da campanha, um protagonista despreparado, gestão de inventário, recursos limitados, sensação de fragilidade e, claro, jump scares regulares. Estão lá também alguns puzzles e documentos que explicam melhor o que está rolando, um ou outro plot twist, e tudo funcionando como um típico filme B.

A sensação de insegurança, porém, não vem da próxima porta, ou do canto mais apertado. Ao contrário, são os espaços abertos que causam os maiores momentos de tensão. Afinal, não há sensação de impotência maior do que não ter para onde correr, nem como reagir a um ataque feroz e fatal do grande tubarão que nos persegue. Pena que o jogo sabe trabalhar pouco com o equilíbrio entre momentos de exploração e outros onde o objetivo é só chegar até o final de uma plataforma sem ser devorado. Tudo é muito cartesiano, muito compartimentalizado.

Depois do primeiro impacto e da criação de uma ambientação amedrontadora, o game sofre para manter uma crescente na tensão e na narrativa. Primeiro, porque – e aqui tomo um cuidado para não entregar spoilers do desenvolvimento da trama – as formas de perigo começam a se tornar previsíveis, inclusive com a quebra de algumas expectativas. E depois porque o desenvolvimento da trama não consegue ir além da superfície (com um trocadilho intencional) não criando qualquer tipo de envolvimento com o drama do protagonista e a sua situação. Essa combinação é o que de pior pode haver em uma trama desse tipo: saber onde o jogo programou uma tentativa de susto, e um desprendimento do jogador para com o que está rolando.

Assim, a duração curtíssima da campanha pode parecer frustrante em um primeiro momento – é possível terminar a primeira jornada com algo entre três e quatro horas, e depois de conhecer os caminhos, é tranquilo fazer em menos de duas – mas, no final, parece bastante adequada para aquilo que o jogo se propõe. Esticar a duração da experiência poderia tornar Submersed algo insuportável e, certamente, saber lidar com isso foi um dos grandes trunfos dos desenvolvedores. A questão é que essa escolha pode pesar para o jogador quando for considerar custo e benefício: investir ou não (e quanto) em um jogo que dá para terminar (duas vezes) em uma tarde de bobeira ou uma madrugada mais longa.

A soma de todos esses fatores, portanto, nos leva a uma triste conclusão: o jogo está muito longe de oferecer uma vivência claustrofóbica e aterrorizante como no game baseado na série Alien, ou ainda a sensação de evolução e descoberta dos primeiros games da franquia Resident Evil. Tampouco, consegue alcançar um nível de envolvimento e nervosismo tal qual visto nos momentos submersos dos primeiros Bioshock ou das fases de água de qualquer jogo das franquias Sonic e Mario. Tudo isso não por ser uma produção de escala menor, mas sim porque há pouco tempo (e nenhuma motivação) para se importar com o que está acontecendo.

Se a ambientação sofre com uma certa inconstância, o mesmo vale para os aspectos técnicos e estéticos de Submersed. Com uma paleta de cores bastante fria, que varia entre o azul pesado dos ambientes aquáticos ao grafite metálico das instalações submersas, a busca pela sensação de opressão é constante. Uma escolha da produção foi a de deixar tudo sempre muito escuro, tomado pela penumbra. Se não é uma solução necessariamente surpreendente, ela garante que o clima de desolação seja permanente e faz da sua lanterna (e das baterias) os mais importantes recursos. Não a toa, todas as imagens que ilustram essa análise precisaram de um significativo ganho de brilho para cumprirem melhor seu papel. Espere por algo muito mais escuro do que aquilo que está vendo aqui.

A ambiência sonora, com ruídos incômodos das criaturas que te perseguem e dos corredores pouco iluminados é um acerto, com a utilização de músicas em momentos pontuais, mas quase sempre apostando naquele silêncio incômodo, nos murmúrios, na respiração ofegante do protagonista. A dica importante aqui é jogar com fones de ouvido, ou ao menos em um lugar tranquilo e sem distrações. Os pequenos detalhes fazem diferença na imersão, desde que você não seja muito crítico com vozes (tanto na versão em inglês como na em espanhol) e expressividade caricata tanto do protagonista quanto dos que falam com ele.

Todavia, não há como negar as falhas. O design das criaturas, de perto, parece muito simplório e, deste modo, fica difícil senti-las vivas, violentas e sedentas por carne. Ao se prestar atenção aos detalhes, inclusive de comportamento e movimentação, é necessário ter muito boa vontade para comprar a ideia de a ameaça é, de fato, tão grande quanto deveria. E essa simplicidade excessiva também se reflete nos cenários, com texturas repetitivas, alguns pequenos bugs de modelagem e de animação, objetos de cena escassos e efeitos de fogo e de partículas bem tímidos. Mesmo a textura da água, algo central no game, varia entre uma tempestade muito convincente e salas alagadas que, bem, parecem ser com outro tipo de líquido mais viscoso.

Ainda assim, o game tem suas qualidades. Há uma boa percepção de fragilidade, com passagens desafiadoras e ambientes amplos, com um valor de replay médio, que se divide entre a possibilidade de se explorar todos os cantos (sem esperar, contudo, grandes recompensas) e a busca por troféus. O universo criado também tem potencial para ser explorado por outros pontos de vista e, gostando ou não, o final acaba sendo bem inesperado quando comparado com aquilo que se espera. Se a arte do jogo não é tudo o que poderia ser, há um bom trabalho de iluminação em várias passagens. Talvez com um pouco mais de ousadia, o jogo poderia ter ido além e oferecido algo realmente inovador. Mas ao que tudo indica, ficou no quase.

Como um todo, Submersed parece sofrer com uma inconsistência técnica, mesmo consciente de suas limitações. Há ótimas ideias e boas soluções, mas que pecam pela repetição e por uma quebra de expectativa que passa rapidamente do surpreendente para o frustrante. Estenda isso para a jogabilidade enfadonha, resumida em andar, coletar itens e abrir portas (e um sistema bem esquecível de “combate”) e para o level design (com ambientes que, quando muito, te fazem ir e voltar duas vezes de um ponto a outro e, depois, seguir em linha reta) e teremos um jogo pouco inspirado, com algumas ótimas sacadas, mas uma execução muito aquém do satisfatório.

Veredito

Submersed é um jogo cheio de boas intenções quase sempre mal executadas. Um survivor horror que peca em vários aspectos, desde um visual pouco inspirado, passando por uma narrativa rasa e irrelevante e um sistema de jogabilidade sem sal. Tem uma duração bastante curta, mas suficiente para não se tornar um incômodo, ainda que seja um fator importante para a decisão de compra ou não. Ainda que consiga entreter e, com boa vontade, até dar um ou outro susto, está muito distante de ser memorável.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela Gaming Generation Factory.

53%