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Análise – Remnant: From the Ashes

Análise

NOME: Remnant: From the Ashes
FABRICANTE: Gunfire Games
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação / RPG
DISTRIBUIDORA: Perfect World Entertainment


LANÇAMENTOS
20/08/2019 20/08/2019 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p (PS4); 4K (PS4 Pro)
Nº de Jogadores: 1 (2 -3 online)
Troféus (Inclusive Platina)
Espaço necessário: 31,35 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


Algo que foi deixado de lado, principalmente nessa geração atual de consoles, é o uso de ideias originais para a criação de jogos. Claramente é visto que vários títulos fazem uso de conceitos já aprovados e de relativo sucesso em outros jogos, para assim criar algum produto que possa ser atraente para um certo público em específico. Um dos maiores exemplos disso é a quantidade imensa de jogos que se inspiraram nos títulos desenvolvidos pela From Software.

Além disso, temos aqueles que se inspiram em várias mecânicas e estilos diferentes, tentado assim tirar algo único desse mix de coisas batidas em um liquidificador gigante. O resultado mais frequente é sempre uma bela bagunça que não possui originalidade e nem qualidade individual, não mostrando nenhum resultado satisfatório e sequer alcança seus objetivos iniciais.

Remnant: From the Ashes é um título diferente em toda essa história. Um jogo com pouco marketing e sem muita badalação, que começou a ter mais destaque poucos meses antes de seu lançamento. Desenvolvido pela Gunfire games (estúdio que ressurgiu da Vigil Games e produziu o mais recente Darksiders 3), o título talvez seja o melhor exemplo atual de como se inspirar em vários outros jogos de sucesso e mesmo assim ter uma identidade própria.

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Ao começar Remnant, a primeira impressão é de o jogo ser apenas um Dark Souls com armas de fogo. Após algumas horas investidas, essa impressão já muda. Particularmente, depois de umas 10 horas jogadas, já observava o jogo mais como um shooter cooperativo com alguns aspectos de Bloodborne e lembranças de Darksiders. No fim, Remnant começou a se mostrar muito mais do que cópia de outros jogos.

A história do jogo começa na década de 60, onde cientistas descobriram um objeto estranho e o começaram a pesquisar. Similar a um grande cristal, o objeto acabou sendo ativado, criando assim um portal para outro mundo e trazendo criaturas destruidoras que foram chamadas de Raiz. A humanidade começou a ser caçada e extinta, até que os sobreviventes se refugiaram em abrigos subterrâneos e escondidos. Séculos depois, o herói criado pelo jogador surge próximo de um desses abrigos. Sem muita história de seu passado e somente com um objetivo, o herói precisa ajudar os sobreviventes a derrotar a Raiz para chegar onde deseja ir.

Mesmo que a história não seja original o suficiente, ela funciona muito bem no contexto do jogo, principalmente quando extrapola o contexto inicial. Aqui veremos uma jornada não somente pela sobrevivência da Terra, mas também por todo um universo que também está sendo ou vai ser afetado pela Raiz. Isso lembra bastante jogos já produzidos pela Gunfire Games ou pela antiga Vigil Games, onde a premissa inicial se desenvolvia além do que o jogador esperava.

O desenvolvimento da narrativa é satisfatório, já que realmente existe uma história a ser acompanhada e com vários personagens que vão fazer parte dela. Há ainda escolhas feitas no caminho que pode mudar o caminho seguido, assim como aliados que podem se tornar inimigos e vice versa. Temos então um jogo de tiro em terceira pessoa, cooperativo, com uma campanha principal possuindo caminhos alternativos. Ainda não é muito para diferenciar de jogos que se inspiraram em outros e fracassaram nisso, mas ainda temos mais pela frente.

De certo modo, jogos como Darks Souls e Bloodborne são fortemente fundados em suas jogabilidades. Sekiro: Shadow Dies Twice talvez tenha sido a maior aposta da From Software em fugir do padrão criado por ela mesmo, introduzindo uma história com mais narrativa do que os títulos anteriores. Mesmo Nioh teve grande sucesso ao focar fortemente na jogabilidade, mas ainda sim mantendo uma campanha e narrativa principal. Remnant: From the Ashes faz bom uso de sua história, mas o coração do jogo é sem dúvidas a jogabilidade que oferece.

Na árdua tarefa de matar a Raiz, o jogador tem acesso a um grande arsenal. É possível carregar uma arma de longa alcance, uma pistola e uma arma de corpo a corpo. Também é possível equipar vestimentas e acessórios, que são divididos entre armadura para cabeça, torso, pernas, 2 anéis e 1 medalhão. Remnant não é um jogo de loot ou lootshooter, os itens, armas, armaduras são encontrados no mundo, comprado de vendedores, quando se derrota algum chefe ou em eventos pelos mapas.

Além dos equipamentos citados, é possível equipar um modificador em cada arma. Esses modificadores funcionam como habilidades ativas, que precisam ser carregadas acertando ou eliminando inimigos com a arma em uso para depois ativá-la. Apenas armas conseguidas de chefes possuem modificadores fixos, o restante pode ser alternado e equipado em qualquer tipo de arma de fogo.

A jogabilidade do título funciona muito bem. Atirar e se movimentar é prazeroso e flui naturalmente. A boa diversidade de armas estimula o jogador a montar configurações para um melhor estilo de jogo. Um rifle de caça e uma pistola é útil em qualquer situação, mas uma escopeta e uma submetralhadora é uma ótima pedida aos que querem jogar em uma distância menor.

Aqui podemos ter mais algumas similaridades com outros jogos. Há uma barra de stamina que é consumida para ações como correr ou esquivar. Esquivar no momento certo garante ao jogar alguns frames de invencibilidade, mas não é algo agressivo ou vantajoso demais, precisa ser usado no momento certo. Não há recuperação automática de vida, sendo necessário o uso de um item chamado Coração de Dragão, que vai lembrar os Estus Flasks de Dark Souls. Há ainda status negativos que o jogador pode receber, como sangramento ou irradiação, que obrigatoriamente precisam ser eliminados com consumíveis específicos.

Quanto aos itens usáveis, o jogo é repleto deles. Itens de cura por tempo, que eliminam algum status negativo ou que devolvem munição, todos são úteis e precisam ser utilizados. Algo interessante é que quase nenhum item existe apenas por existir, tendo uma função específica e sendo obrigatórios em vários momentos do jogo. Ficar sem munição durante uma boss fight e não ter uma caixa de munição para repor o estoque é praticamente o fim da batalha.

O sistema de evolução do jogo é por nível. Acumule XP suficiente e ganhe um ponto para investir. Aqui os pontos são investidos em características. Diferente dos já comuns vitalidade, destreza e outros, as características precisam ser conquistadas para então serem utilizadas. Por exemplo, elimine 150 inimigos com golpes críticos e libere uma característica que aumenta a porcentagem do dano crítico. Há várias outras características que vão sendo liberadas no decorrer do jogo, algumas eliminando chefes, conversando com NPC ou adquirindo algum item específico.

Essa evolução é bem profunda, principalmente ao lado dos equipamentos a serem usados. O jogo apresenta várias formas distintas de jogar e encarar os desafios propostos. É primordial se adaptar e entender uma melhor combinação de armas, equipamentos e modificadores em determinadas áreas. Algumas regiões podem favorecer o combate a distância, enquanto em outras os inimigos são mais susceptíveis a receber dano de fogo. O jogo sempre vai te forçar a tentar formas diferentes de jogar.

O maior trunfo de Remnant: From the Ashes é a sua aleatoriedade. Explicando de forma mais simples, terminar o jogo uma vez proporciona ao jogador apenas parte da experiência. Ao se entrar em uma nova área, esta é montada de forma aleatória. Reiniciar sua campanha ou entrar no jogo de algum amigo, essa mesma área é gerada de forma diferente. Itens podem estar em outros lugares ou nem existir, o chefe final pode ser diferente e até equipamentos distintos podem ser encontrados.

Algo semelhante acontece quando o jogador morre e retorna ao último ponto de controle (um cristal checkpoint que lembra uma bonfire de Dark Souls). Os inimigos renascerão, podendo estar em locais diferentes ou serem de diferentes tipos. Entretanto, todos os itens já recolhidos não serão reiniciados. De forma diferente dos jogos da From Software, morrer ou utilizar um desses checkpoints não faz o jogador perder todo seu progresso, apenas faz ressurgir todos os inimigos da área. Não há penalização quanto ao xp adquirido ou itens obtidos.

Quanto a parte técnica, tanto qualidade visual e sonora é bem atraente. Por não ser um projeto de grande orçamento e até por ser um jogo de valor mais baixo, o que é fornecido é de alta qualidade. Bons gráficos, boa distinção de cores e efeitos, uma taxa estável de quadros por segundo e bom campo de visão fazem de Remnant uma conquista técnica bastante decente.

Poucos bugs foram encontrados e o matchmaking e netcode são decentes, tirando o fato do jogo não possuir a opção de convidar um amigo e o mesmo precisa ficar buscando o seu jogo numa lista para se conectar. Mesmo que a experiência solo seja excelente, a jogatina com até 2 amigos é a melhor maneira de ser aproveitar o jogo no seu ápice, já que muito é feito para incentivar o cooperativo.

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Talvez um dos grandes pontos negativos do jogo é o design dos chefes. Do primeiro ao último chefe encontrado, praticamente todos compartilham a mesma estrutura. Cada um tem ataques únicos, mas a arena é sempre infestada por inimigos menores e em grande quantidade. Em certos momentos, a quantidade de eventos simultâneos é tão grande, que a maior preocupação em cada boss fight é lidar com os inimigos menores e não com o chefe em si. Se fosse algo isolado para 1 ou 2 chefes que tivessem essa habilidade de invocar inimigos, seria algo mais plausível. Infelizmente vários chefes acabam por ser uma experiência cansativa, principalmente pelo design repetido das batalhas e pela frustração de quase nunca se lutar contra um chefe, mas sim contra uma horda de inimigos.

Algo que o jogo ainda precisa são de balanceamentos, principalmente na escala dos jogadores e inimigos. Em 3 jogadores, a dificuldade aumenta bastante, mas muito pela quantidade excessiva de inimigos em tela. Nos chefes, alguns se tornam grandes esponjas de bala e não há uma variação de mecânicas para 3 jogadores. A melhor experiência por enquanto é obtida com 2 jogadores.

Mesmo que se possa notar várias características de outros jogos, quando tudo isso é somado em Remnant, começamos a ver o jogo com uma identidade própria. Ainda há algum trabalho a ser feito e os desenvolvedores já se comprometeram a atualizar e criar conteúdo para o jogo frequentemente. Por tudo que é oferecido pelo valor cobrado, Remnant: From the Ashes é um jogo excelente e uma das grandes surpresas de 2019.

Veredito

Remnant: From the Ashes consegue aproveitar de maneira positiva vários aspectos de outros jogos sem deixar de criar uma identidade única. Como uma das grandes surpresas do ano, temos um excelente jogo de tiro cooperativo, com boa profundidade na sua jogabilidade e ainda desafiante na medida certa.

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela Perfect World Entertainment.

88%