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Análise – Nioh 2

Análise

NOME: Nioh 2
FABRICANTE: Team Ninja
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação
DISTRIBUIDORA: Sony Interactive Entertainment / Koei Tecmo

LANÇAMENTOS
13/03/2020 13/03/2020 13/03/2020


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução PS4: 1080p/30fps ou 720p/60fps
Resolução PS4 Pro: 4K/30fps ou 1080p/60fps
Nº de Jogadores: 1 (1-3 online)
Troféus (inclusive Platina)
Espaço necessário: 36,38 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


O lançamento de Nioh em 2017 mostrou como um título, oriundo de um antigo projeto de anos atrás que precisou ser remodelado, obteve sucesso como aproveitar ideias consolidadas na atualidade. Em uma época com clones e sucessores espirituais de qualquer jogo criado pela From Software, o jogo da Team Ninja mostrou que era muito além disso, criando uma experiência bastante divertida e desafiadora.

A mescla de um combate punitivo mas recompensador, opções variadas de jogabilidade, um sistema de evolução e progressão amplo além do excelente uso de um fantástico período histórico do Japão criaram um jogo capaz de atrair inclusive os que torciam o nariz para jogos do tipo na época. Até porque, atire a primeira pedra aquele que não se enfureceu mas também adorou a batalha contra Tachibana Muneshige.

Com o grande sucesso comercial e de crítica apresentado, não seria surpresa se uma sequência surgisse em algum momento. Entre as mudanças que a própria indústria sofre a cada ano e até com a From Software precisando criar experiência diferentes, a Team Ninja precisaria apresentar no mínimo a mesma experiência agradável em um novo jogo e também melhorias e novidades para que a franquia siga evoluindo.

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Nioh 2 chega agora em 2020 muito mais como uma expansão do universo criado do que uma sequência direta do jogo anterior. A desenvolvedora prometeu no novo jogo um lado diferente do que foi visto antes, principalmente quanto a maior exploração dos Yokais e das lendas que os circulam.

Assim como no primeiro jogo, a sequência continua utilizando o folclore e fantasia em conjunto com um período histórico real do Japão. A mescla ali de ficção e realidade trouxe aos jogadores uma excelente experiência de jogo e também uma certa aula de história de boa qualidade. Nioh 2 não deixou isso de lado, mas agiu de forma diferente ao abordar dessa vez.

Enquanto anteriormente o jogador acompanhava a trajetória de William Adams, personagem real e primeiro britânico a chegar no Japão, e sua jornada durante um período de guerra civil no país que acabara de entrar, agora temos exatamente o período histórico antes desses eventos, apelando para a criação de algumas lendas e principalmente na ascensão de Oda Nobunaga enquanto este tenta unificar o Japão.

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Sem entrar em mais detalhes da história, já que a mesma apresenta a criação de personagens importantes e eventos que vão se entrelaçar na história do primeiro Nioh, a forma como tudo é apresentado ao jogador é satisfatório e cria um bom ambiente para que o jogo se desenrole. Mesmo assim, principalmente comparado ao seu antecessor, a narrativa é mais lenta e desinteressante na primeira metade do título, possuindo um longo desenvolvimento dos personagens principais e da própria trama, tomando forma apenas após a mudança para a terceira região do jogo. Aqui percebemos quase como se os eventos precisassem ser esticados para que o jogo se encaixasse no período proposto.

Algo que ajuda a deixar a história menos interessante a princípio é a falta de um protagonista definido. A visão de William dos eventos que aconteciam trazia um panorama único e uma narrativa a se desenvolver a sua volta. Em Nioh 2, o jogador pode criar seu personagem, definir sexo e aparência, com o mesmo tendo uma história já definida e um passado não muito explicado. O protagonista é um mestiço de humano com yokai, andando entre os dois mundos e se vendo no meio de uma batalha crescente enquanto adentra nos clãs do Japão e suas intrigas. O próprio personagem aqui tem um certo limite, principalmente quando é mostrado sua relação com os eventos reais do universo ali. Acaba sendo frustrante de certa forma, já que é nítido ver como mais um personagem sem definição, leia-se genérico e criado pelo jogador, acaba sendo limitado a estar de lado em pontos importantes de uma rica história apresentada e com vários nomes importantes que poderiam ser usados num melhor desenvolvimento de narrativa. Em resumo, acompanhar a história de um personagem criado é menos interessante do que toda a trajetória de William no primeiro jogo.

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De certa forma, jogos do tipo acabam não tendo tanto destaque para narrativa e história, com Nioh até se sobressaindo nesse quesito em relação a outros jogos. O ponto mais importante é a jogabilidade e a satisfação do jogador em evoluir e vencer desafios propostos. Nisso Nioh 2 continua tão excelente como seu antecessor.

Em suma, não existe uma diferença gritante na forma de se jogar. Prepare seu personagem da forma que achar melhor e avance pelas missões enfrentando inimigos poderosos, armadilhas, surpresas e chefes impiedosos. Seguindo o que parece ser um padrão universal de design de fases para o estilo de jogo, explore cada mapa enquanto abre atalhos para facilitar sua vida. Morreu ou precisou utilizar um santuário para recuperar vida, itens ou salvar o progresso? Os inimigos voltam ao mapa e o desafio recomeça. Termine a fase, derrote o chefe e avance na história. Não existe nenhuma engenharia complexa no desenrolar do jogo e hoje é algo assimilável por qualquer tipo de jogador que já enfrentou algo da From Software ou outro jogo inspirado no estilo.

O que precisa continuar sendo elogiado aqui é o excelente design de fases e arte de cada uma das missões. Se em Nioh cada missão principal era única pelo seu estilo, isso não mudou na sequência. Ainda temos missões secundárias que reutilizam os mapas já vistos para criar experiências diferentes, mas mesmo essa reciclagem não tira o mérito do que é apresentado.

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A maior novidade na criação das fase é a utilização de reinos sombrios. Áreas inteiras do mapa ficam possuídas por yokais numa espécie de submundo, onde o protagonista tem uma penalização de Ki (sua estamina aqui), com uma recuperação muito mais lenta. Tais áreas são eliminadas quando um inimigo principal da região é derrotado, limpando assim o local permanentemente do reino sombrio. Isso inclusive é muito bem usado como atalhos em várias missões, não sendo mais apenas abrir uma porta, mas sim tendo batalhas ferrenhas para tal objetivo.

Algo a se notar é como o desenvolvimento do protagonista influencia na jogabilidade. Antes tínhamos William conseguindo se vincular aos espíritos sagrados e utilizar seus poderes em benefícios, agora, o jogador que é um mestiço de yokai, se vê com um leque de opções usadas antes apenas pelos inimigos, mas também com limites quanto aos poderes que cada guardião podia oferecer.

Um dos grandes pilares da jogabilidade do primeiro jogo acabou sendo mudado. Os efeitos elementais ficam restritos apenas em água, fogo e relâmpago, não tendo mais vento ou terra e o protagonista não pode mais utilizar os elementais de cada espírito guardião. Sendo meio yokai, agora é usado os atributos brutos de cada espírito e seu tipo, definidos como Fera, Brutamontes e Espírito. Cada um tem uma variação de estilo, status e inclusive visual, transformando totalmente a forma de se jogar quando a transformação é realizada. Há ainda a possibilidade de utilizar 2 espíritos ao mesmo tempo e mudar entre eles a qualquer momento. Isso cria a oportunidade de variar ainda mais o estilo de combate e numa janela de tempo mais curta, mudando as características necessárias dependendo do desenrolar da batalha.

Outra adição à esse sistema é o uso de almessências deixadas pelos inimigos ao serem derrotados. Cada almessência traz uma habilidade única dos oponentes que pode ser usado pelo protagonista ao consumir anima, uma nova barra de status do jogador. Algumas fornecem bônus defensivos e status mais passivos, enquanto outras são excelentes para o combate e provêm vantagens interessantes. Utilizar essas habilidades com sabedoria pode salvar situações praticamente perdidas.

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No quesito armamento temos ainda mais variedade do que antes. No lançamento, Nioh oferecia opções de armas como katana, katanas duplas, lança, machado e kusarigama. As dlcs adicionaram a odachi e as tonfas. Temos agora a inclusão das machadinhas e também da foice borboleta. Armas de longa distância continuam intocadas com a presença do fuzil e do arco e flecha. Inúmeras armaduras e acessórios, de pesos, classes e atributos diferentes retornam e um sistema de loot que funciona muito bem. Além disso o jogador tem a opção do ferreiro com um excelente sistema de crafting e reutilização de equipamentos sem uso.

A evolução do jogador ainda é por pontos utilizados em árvores de habilidades distintas para cada tipo. Cada arma tem sua própria skill tree e os pontos são ganhos ao utilizar as armas específicas. Há ainda as tradicionais magias e habilidades ninjas do primeiro jogo, além de habilidades específicas para o modo yokai do protagonista.

Nioh 2 continua tão complexo como o primeiro para se conseguir o ápice de tudo o que ele pode oferecer. Inúmeros atributos de equipamentos, status do personagem e formas de jogar criam aqui um dos títulos mais difíceis de se masterizar, mas também um dos mais amplos em jogabilidade. Não é um jogo somente de avançar, esquivar, defender, contra atacar e utilizar habilidades vez ou outra, mas sim opções tão variadas que é difícil dois jogadores terem a mesma abordagem sempre. São tantas opções e uma quantidade imensa de informações que é comum para o jogador se perder nisso inicialmente, mesmo para os veteranos do jogo anterior. Em compensação, após entender o que o jogo oferece e finalmente conseguir encontrar aquilo que se adapta ao seu estilo é bastante prazeroso.

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Poucos pontos negativos chamam a atenção aqui. Além de problemas com a história e narrativa já comentados antes, o que é questionável continua não sendo uma grande variedade de inimigos ou talvez o uso incorreto dos que existem. Alguns aparecem poucas vezes durante a campanha, enquanto outros são usados exaustivamente. Balanceamento de alguns itens e de ataques parecem destoar dos demais, como aqueles que recuperam Ki ou agarrões de inimigos com alguns aplicando praticamente hitkill. Isso provavelmente será ajustado com feedback dos jogadores, como aconteceu no primeiro jogo. Vale mencionar os complicados comandos ainda existentes, como troca de armas, atalhos para itens, magias e mais. As combinações de botões e direcionais acabam sendo difíceis de executar no calor da batalha e causa frustração vez ou outra. Já era um problema anteriormente e não foi resolvido agora.

O que acaba destoando negativamente quando comparado ao antecessor são os chefes e os duelos principais. Nioh possuía chefes fantásticos e bem concebidos além de suas lutas extremamente empolgantes e desafiadoras. Ainda temos o desafio aqui e embates interessantes, mas não perto do que apresentava o primeiro jogo.

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Cooperativo está de volta e agora para até 3 jogadores juntos, diferente dos 2 do original. Ainda é possível durante os mapas pedir ajuda de outros jogadores que deixaram seu túmulo ali para serem invocados. Isso acrescenta um NPC que irá ajudar na missão até morrer ou ela acabar.

Mesmo que toda essa ajuda possa indicar que o jogo fique fácil, a realidade é bem diferente. Há sempre um nivelamento dos inimigos baseado na quantidade de jogadores presentes. Os personagens invocados não são muito inteligentes e acabam não durando muito em batalhas, servindo mais como chamariz em diversas situações. Como Nioh 2 é mais focado nos yokais como inimigos, é comum sempre defrontar estes que são inimigos mais poderosos e resistentes. Encarar mais de um ao mesmo tempo é um trabalho árduo e que eleva a tensão nas alturas. Praticamente não existe facilidade em Nioh 2, mas há uma imensa variedade de opções que te permite abordar cada aproximação de uma maneira que facilite o combate. Afinal, quem nunca usou o talismã da preguiça para desacelerar algum inimigo, certo?

Vale a pena ressaltar os atributos técnicos alcançados aqui. O jogo continua possibilitando escolher formas diferentes de jogar, favorecendo um melhor visual ou melhor performance. No PS4 Pro as melhorias são consideráveis, principalmente com uma taxa de quadros bem estável. A trilha sonora é espetacular durante as missões e principalmente nas batalhas. Faça um favor a si mesmo e prefira aproveitar o título com a dublagem em japonês, que apresenta uma qualidade excelente e ainda garante uma melhor imersão.

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Nioh 2 continua tão divertido quanto o primeiro jogo, porém talvez com algumas ressalvas não tão notáveis antes. As mudanças de jogabilidade condizem principalmente com a alteração do protagonista e seus detalhes únicos. Ainda que considere Nioh um título único, mas inspirado por outras franquias como o estilo de combate e design de qualquer “souls” e um sistema de loot e crafting similar a Diablo, Nioh 2 acaba por não mudar muito do que já funcionou antes e aplica aprimoramentos interessantes. A franquia possui claramente seu estilo e a desenvolvedora já demonstra saber para onde direcionar seus esforços num futuro. A todos que adoraram o primeiro Nioh, o novo jogo da Team Ninja é obrigatório e uma excelente pedida nesse momento.

Veredito

Nioh 2 traz de volta o combate brutal e desafiador junto com mais uma fantástica ambientação do Japão feudal. A variedade na jogabilidade continua como um dos grandes triunfos do jogo. Diversão e desafio andam lado a lado aqui, mesmo que o título ainda necessite de alguns balanceamentos. Pequenos defeitos como no desenvolvimento da história e nas lutas contra os chefes são notáveis, mas não tão importantes a ponto de diminuir a excelente experiência que ainda existe.

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela Sony.

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