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Análise – Lapis x Labyrinth

Análise

NOME: Lapis x Labyrinth
FABRICANTE: Nippon Ichi Software
PLATAFORMA: ps4
GENERO: RPG / Ação
DISTRIBUIDORA: NIS America

LANÇAMENTOS
31/05/2019 31/05/2019 29/11/2018


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
Espaço Necessário: 786,56 MB
Dublagem PT-BR: Não
Legendas PT-BR: Não


Manter a sua identidade mesmo lançando títulos diferentes em gêneros diferentes é algo difícil. É comum vermos desenvolvedoras terem dificuldade em produzir jogos distintos que mantém a sensação de se estar jogando algo dela. Esse problema não é algo que acomete a Nippon Ichi Software e merece ser reconhecido.

Mas o que é essa identidade? Do estilo gráfico dos jogos desenvolvidos pela sua equipe principal, responsável por séries como Disgaea e Labyrinth of Refrain, a capacidade de explorar com êxito diferentes vertentes de um gênero e os números absurdos dos seus jogos, ajudaram-na a construir uma identidade própria e a tornaram uma desenvolvedora querida entre os fãs de RPGs mais de nicho.
Lapis x Labyrinth é mais um êxito do estúdio, desta vez através de um RPG de ação focado em “mergulhar em calabouços”. Como isso é feito? O jogador controla uma equipe de quatro desbravadores explorando diferentes ambientes o mais rápido possível para matar o máximo de inimigos e coletar a maior quantidade de loot possível.

Lapis x Labyrinth

Sua equipe é composta de membros de uma guilda (cujo nome, classe e aparência são customizáveis) enviados para uma pequena vila passando por sérias dificuldades financeiras e esquecida pelo mundo, sendo seu papel explorar o labirinto que existe abaixo da Golden Forest, trazer o máximo de ouro e riquezas de volta e ajudar a vila a voltar a prosperar.

Fora esse plot básico e algumas poucas cenas ao final de algumas missões, não há muito em termos de história a se falar e, sinceramente, não faz muita falta. O principal foco de LxL é o seu combate e a exploração dos diferentes pisos das dungeons, com a ambientação, se interessante, merecidamente assumindo uma posição bem secundária em relação ao restante, algo que se reflete na própria estrutura do jogo e de suas missões.
Não há muita variedade na estrutura das missões sendo todas iguais: você aceita uma das opções disponíveis junto ao representante da guilda para explorar um dos diferentes andares da dungeon e parte para a exploração. Lá, em cada piso é necessário destruir uma determinada quantidade de cristais para ativar um portal para o próximo andar dentro de um limite de tempo. Quanto mais cristais forem ativados além do mínimo, melhor a recompensa ao final da fase, mas, falhe em entrar no portal dentro do tempo e um inimigo gigantesco que toma a maior parte da tela e te mata com um só toque passará a te seguir para todo lugar.

Lapis x Labyrinth

No começo, as missões se resumem a um ou dois andares e uma luta com um chefe. Quanto mais o jogador avança, mais andares serão necessários limpar antes de concluir a missão. Em contrapartida, isso faz com que o nível de ameaça suba e inimigos mais poderosos e mais emboscadas apareçam para tentar te impedir de prosseguir.

Para balancear isso, é possível usar itens de cura entre os andares e, mesmo que isso não seja suficiente, você mantém todo o seu loot caso perca, fazendo com que cada tentativa lhe traga pelo menos algo positivo. O sucesso nas missões, entretanto, ainda é o melhor e quanto melhor a sua performance, mais chaves para destravar baús com loots melhores você consegue.

Isso ainda faz com que o seu nível na guilda suba e lhe dê acesso a itens melhores nas lojas que vão sendo destravadas com o progresso no jogo. Afinal, quanto maior o seu sucesso em trazer riquezas para a vila, mais pessoas se interessam por montar lojas para atender às suas necessidades, seja vendendo petiscos para recuperar sua energia, seja vendendo itens e equipamentos para lhe tornar ainda mais poderoso.

Lapis x Labyrinth

Essa estrutura toda pode parecer meio complexa de se explicar, mas nos primeiros minutos fica bem claro para o jogador, sendo um jogo bem fácil de se entender de cara ou até mesmo de ir jogando em sessões curtas e intercaladas com outro jogo, já que é bem fácil de lembrar a essência dele e sendo o looping de gameplay de LxL tão divertido que o torna difícil de abandoná-lo por completo, apesar de jogá-lo todo de uma vez se torne um pouco repetitivo.

Por melhor e mais divertido que explorar seja, algo que se torna ainda melhor pelo fato de poder re-jogar as missões após destravar um novo nível da dungeon, algo que lhe dá loot ainda melhor mesmo nas primeiras áreas do jogo, o combate é ainda melhor. A primeira vista, a ideia de ter os quatro membros da equipe empilhados parece estranha, mas acaba funcionando muito bem na prática.

Enquanto há sempre um líder na parte de baixo da pilha sendo responsável por atacar e defender (as estatísticas dos quatro membros é combinada para se obter o poder total), é possível trocar entre todos os quatro membros com um toque de botão ou arremessá-los por aí, seja para usarem uma habilidade especial chamada Assist Order em combate ou até mesmo descartá-las temporariamente para dar um boost no seu pulo. Caso o líder seja derrotado, é possível recuperar sua cabeça e continuar lutando com os outros membros da party enquanto ele se recupera, pois a energia dos membros reservas vai se recuperando gradativamente. Há também a chamada Extra Order que utiliza todos os membros para causar mais dano em todos os inimigos da tela, recuperar sua energia e entre outros efeitos.

Cada uma das oito classes diferentes possui um padrão de ataque diferente, além de diferentes habilidades especiais usando a combinação de triângulo e um dos direcionais. É possível ter sucesso qualquer uma delas, cabendo ao jogador escolher entre qual ele prefere, com todas sendo bastante distintas entre si, inclusive com as interações entre as habilidades sendo algo bem divertido de testar, com efeitos bem legais sendo obtidos.
Algo bem curioso e uma mecânica que ajuda a aumentar o desafio de LxL é que, apesar de ser esse loot fest gigantesco, a equipe possui um limite de pontos de equipamento que podem ser utilizados. Enquanto é possível aumentar a pontuação máxima a medida que se evolui o nível da guilda, a ideia de ter que balancear equipamentos mais fortes e que custam mais para equipar com esse limite adiciona mais uma camada a questão dos itens ganhos nas missões.

Onde a identidade da NIS fica mais claro, entretanto, é na demonstração visual do combate. A primeira coisa que se precisa falar é um aviso: LxL é um jogo com excesso absurdo de efeitos visuais no seu combate, capazes de fazer até quem não tem problemas de epilepsia se sentir mal com a quantidade de luzes, explosões, inimigos voando, números de dano saltando e todo tipo de firula que se pode imaginar.

Lapis x Labyrinth

Mas, para quem não tem algum tipo de sensibilidade, o exagero dos ataques, a possibilidade de se matar inimigos com um ataque só e causar milhares de pontos de dano em áreas com arte muito bem feita é um show visual muito prazeroso, remanescente dos ataques especiais de Disgaea, só que completamente em tempo real e com o jogador no controle.

Como se isso não bastasse, mate inimigos o suficiente e cause bastante dano e o jogador ativará um modo temporário especial chamado Fever Time. Durante ele, mais luzes entram na jogada e toda a área começa a piscar como um cassino, te dando ainda mais dinheiro e loot para cada novo inimigo derrotado durante esse modo. A quantidade de kills, o tempo das fases e a quantidade de vezes em que você ativou o Fever Time se combinam para gerar uma nota no final da fase que, quanto mais alta, melhores as recompensas.

Lapis x Labyrinth não é sem pontos fracos, infelizmente. A trilha sonora é a primeira delas e é algo que, apesar de agradável, se torna repetitivo bem rapidamente, tornando-o um jogo que logo te fará ativar o Spotify ou colocar um podcast para tocar, até porque mesmo sendo bastante divertido, ele pode se tornar bastante repetitivo caso o jogador queira seguir todas as Quest Routes (os diferentes níveis que são destravados) para todas as missões do jogo.

Lapis x Labyrinth

Outro fator que chama a atenção é que, apesar de ter mais de 100 tipos distintos de inimigos (apesar desse número vir com uma boa quantidade de reskins), a quantidade de estratégias para derrotá-los, incluindo os chefes, não vai muito além de “ataque sem parar e use habilidades especiais”. Por fim, por mais que seus personagens ganhem experiência e aumentei de nível, isso não tem muito efeito além de só aumentar seu ataque e defesa, algo que o loot também faz.

No geral, LxL se vale da sua estrutura de missões e looping de gameplay bastante divertido para capturar um jogo ágil, rápido e com um grande senso de urgência que, casado sua relativa curta duração (pouco mais de 20 horas são suficientes para fazer tudo), entrega um jogo bastante divertido e digno do nome da Nippon Ichi Software.

Lapis x Labyrinth

Veredito

A combinação de seu gameplay bastante divertido, espetáculo visual e festival de itens fazem de Lapis x Labyrinth um jogo que consegue superar o seu roteiro raso e repetitividade para motivar o jogador a ir onde nenhum outro aventureiro jamais foi.

Jogo analisado com cópia digital fornecido pela NIS America.

82%