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Análise – La-Mulana 1 & 2

Análise

NOME: La-Mulana 1 & 2
FABRICANTE: Nigoro
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Aventura / Ação
DISTRIBUIDORA: NIS America

LANÇAMENTOS
17/03/2020 17/03/2020 17/03/2020


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
Espaço Necessário: 4,,68 GB
Legendas em PT-BR: Não
Dublagem em PT-BR: Não


A experiência típica de um metroidvania hoje é facilmente replicada, tendo em vista a ampla oferta de jogos desta modalidade no mercado. Seja com level design procedural ou fixo, existem ótimos jogos disponíveis dentro desta categoria, mas nenhum é tão ousado quanto La Mulana no que diz respeito à sua obscuridade de puzzles e dificuldade elevada.

A série de jogos da Nigoro ganhou notoriedade pela sua complexidade. São produtos que testam a resiliência do jogador e, em muitos casos, se apresentam como uma tarefa impossível de ser concluída sem um guia ao lado. As primeiras horas de La Mulana 1 e 2 podem ser desfrutadas de forma descompromissada, permitindo ao usuário brincar com as mecânicas mais primitivas e se sentir no controle da aventura – uma doce ilusão, pois para terminar os dois jogos é preciso de uma determinação descomunal.

O primeiro La Mulana lançou em 2005 exclusivamente para computadores e ganhou um remake em 2013, introduzindo uma pixelart mais atualizada e novos arranjos musicais. A versão original se assemelhava bastante aos jogos da plataforma MSX, também se distinguindo pela sua dificuldade exacerbada.

No PlayStation 4 não há a versão de 2005, mas sim o remake. Os dois jogos possuem um gameplay similar, com uma campanha de vasto conteúdo e que se estende por muitas horas. Considerando o custo x benefício, ambos são boas aquisições.

La Mulana incorpora uma estética de personagens com traços orientais aliada a uma temática “Indiana Jones”. O foco central é a exploração de ruínas que supostamente guardam segredos dos ancestrais da civilização humana, envolvendo a misteriosa figura de uma “mãe”.

Na primeira edição, o protagonista é Lemeza e na segunda, sua filha, Lumiza – ambos exploradores/arqueólogos. O jogo faz diversas referências à culturas e crenças distintas, abrangendo a mitologia egípcia, grega, nórdica, entre outras. Há uma boa dose de elementos fantasiosos inseridos em tais aspectos, com o intuito de estabelecer um elo com o próprio folclore das ruínas de La Mulana.

O jogador deverá transitar por variadas áreas dentro do templo principal, locais que escondem muitos itens e chefes, além de personagens excêntricos que lhe ajudam no decorrer da campanha, seja prestando informações ou pelo comércio. A progressão na jornada consiste de um excessivo “backtracking”, ou seja, o usuário precisa retornar a áreas antigas após colher um item novo, a fim de abrir novos caminhos e desafios.

A diversidade de ambientes, de enigmas e de informações escapam facilmente da memória, justificando a utilização de algum aparato para registrar as pistas mais relevantes, seja anotando em um caderninho, pressionando o botão share ou utilizando algumas das ferramentas in-game. E assim chegamos ao aspecto mais peculiar de La Mulana: seus vagos e obscuros puzzles.

Desvendar um mistério no game usualmente requer capacidade de observação e dedução, mas em alguns casos a inferência lógica não é o bastante. Além de decifrar textos com significados ocultos, existem muitas paredes que podem ser destruídas. E não são intuitivas em grande parte dos casos, é preciso tentar todas as possibilidades e muita paciência no processo.

Ainda que existam inimigos e chefes difíceis, o fator que vai definitivamente empacar a jornada em diversos momentos é um maldito puzzle. Enigma este que contém pistas de sua resolução em outro canto do mapa, que necessita de um item especial para decifrar hieróglifos, para então compreender a mensagem. Se não isso, provavelmente algum chão ou teto quebrável, em algum canto que não pareça nada suspeito.

Tamanha complexidade exige muito investimento do usuário do game, mas é justamente esse aspecto que torna La Mulana especial. Para quem está disposto e se maravilha com a sensação de descoberta, não há jogo tão recompensador quanto.

As investigações bem sucedidas guardam boas recompensas. Nesse ponto, os designers de La Mulana souberam dosar bem os frutos da exploração, pois é muito comum que um item novo abra mais de um caminho para ser seguido. A não linearidade do jogo, além de brilhante, é uma referência para outros jogos.

Quanto ao combate, este funciona de forma muito simples. Não existe uma movimentação ágil ou técnicas complexas. Os chefes demandam um certo nível de habilidade do jogador, fazendo-se necessário entender os padrões de ataques. Felizmente, é possível achar armas mais fortes e alguns upgrades que contornam tais adversidades. Alguns inimigos mais avançados inclusive podem ser facilmente derrotados por meio da compreensão de puzzles que oferecem itens de propósito singular.

A primeira e segunda edição são produtos com propostas muito semelhantes, no entanto, La Mulana 2 traz controles mais refinados, o que o torna mais agradável. Ambos apresentam os puzzles como foco e uma história envolta em mistérios do passado. Possuem as mesmas qualidades e defeitos.

A respeito da identidade visual, é uma pena que La Mulana não se adeque tão bem nas TVs como nas reduzidas telas de portáteis. Enquanto a pixelart cai como uma luva para a versão Vita, no PS4, em televisões maiores, é evidente o borrão em alguns detalhes nos cenários. Seus efeitos visuais e animações não se destacam, mesmo equiparados a outros produtos de limitado orçamento dentro do mesmo gênero. O segundo jogo traz melhorias nesse sentido, mas nada muito significativo. No departamento sonoro, La Mulana se destaca. As músicas são ótimas e, devido ao grande número de áreas, existem diversas faixas memoráveis em sua trilha sonora.

Veredito

Por um preço convidativo e com bastante conteúdo, La Mulana 1 & 2 rendem muitas horas de entretenimento. É um ótimo custo x benefício, desde que o usuário tenha ciência da saga em que está prestes a embarcar. Não é uma jornada fácil e, por sua maior parte, o jogo não traz orientações. Trata-se de um jogo bem produzido, mas, no fim das contas, cabe a cada jogador avaliar o quão indicado La Mulana é para si mesmo. Se os constantes obstáculos e becos sem saída lhe esgotam a paciência, é melhor passar longe. Caso a persistência e o gosto pelo mistério lhe definam, vale a pena conferir.

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela NIS America.

80%