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Análise – Devil May Cry 5

Análise

NOME: Devil May Cry 5
FABRICANTE: Capcom
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação
DISTRIBUIDORA: Capcom


LANÇAMENTOS
08/03/2019 08/03/2019 08/03/2019


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
DLC
Espaço necessário: 31,52 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


Devil May Cry 5 é a aguardada sequência de uma das principais séries de ação da Capcom e, felizmente, o novo título faz justiça ao enorme legado da série que contém dois dos melhores jogos no gênero hack-and-slash. A jogabilidade de DMC5 é precisa e bastante técnica, permitindo que o jogador possa demonstrar suas habilidades e criatividade em como derrotar cada grupo de inimigos. As possibilidades utilizando os recursos de cada personagem são quase infinitas, fazendo com que cada jogador possa desenvolver seu estilo próprio de jogo. Aliado a isso, DMC5 utiliza a RE Engine para trazer gráficos foto realistas a série e faz com que a parte visual seja um destaque por si própria.

DMC5 traz Nero, Dante e o misterioso V como protagonistas que tentam lidar com o aparecimento de uma árvore demoníaca que se alimenta do sangue de suas vítimas, além de Urizen, um novo demônio extremamente poderoso responsável pela árvore. A narrativa, surpreendentemente, é um dos pontos fortes do jogo, principalmente por retratar a forma que Urizen é um oponente páreo para a equipe de protagonistas e pelas ações de V que demonstra saber mais do que aparenta sobre o atual incidente. Junto a Nico, mecânica responsável por desenvolver os armamentos de Nero, este grupo de novos personagens são excelentes e alguns dos melhores na história da série.

A história é fácil de ser acompanhada, mesmo para os que não tem familiaridade com a série, e é contada de maneira não linear, retratando eventos passados ou diferentes pontos de vista para fornecer melhores explicações para os diferentes focos da narrativa. Em termos de escrita, DMC5 é o melhor da série até o momento, com diálogos e narrativa muito bem desenvolvidos. As cenas de ação, chefes e história, como um todo, demonstraram potencial para superar a campanha de DMC3, no entanto, o conjunto da obra ainda não alcança o enorme patamar do clássico de PS2.

A jogabilidade é a mais acessível da série e, possivelmente, a com maior profundidade e possibilidades para cada personagem. Nero perdeu seu braço demoníaco, literalmente na história, e agora utiliza as diferentes próteses criadas por Nico, sendo que cada uma tem características únicas que podem servir para ataque, mobilidade ou até mesmo alterar o modo de combate de outras armas. Todas as próteses mantém a função básica do Devil Bringer de DMC4 que permite Nero se aproximar rapidamente de inimigos grandes ou puxar inimigos leves para perto de si, permitindo um certo controle da distância entre Nero e seus inimigos. Caso se utilize um ataque carregado de uma prótese ou sofra dano ao utilizar as habilidades de uma, ela se quebra e a próxima no pente a substituí. As demais mecânicas de Nero continuam semelhantes a DMC4, portanto, a melhor forma de utilizar o personagem é dominar o uso das diferentes próteses em conjunto com as habilidades de sua espada Red Queen.

Dante, por sua vez, teve poucas alterações aparentes se comparado com sua jogabilidade em DMC4, cujo foco é no controle dos diferentes estilos de combate em conjunto com seus equipamentos e que podem ser trocados a qualquer momento. A novidade fica pelo fato que Dante pode carregar até quatro armas de curto e quatro de longo alcance, se comparado às duas de cada tipo em DMC4. Os estilos de Dante alteram drasticamente o funcionamento do personagem como, por exemplo, o estilo Trickster é focado na movimentação do personagem permitindo teletransportes e movimentos aéreos, enquanto que o Swordmaster expande o conjunto de ataques possíveis de cada arma de curto alcance. Utilizar todos os estilos em conjunto e no meio de um combate requer uma imensa habilidade por parte do jogador e Dante é, sem dúvida, o personagem mais complexo existente no gênero devido as infinitas possibilidades em seu conjunto de ataques e mecânicas.

O novato V utiliza de um conjunto drasticamente diferente de todos os personagens já jogáveis da série, sendo que o mesmo só entra em combate direto com seus inimigos para finalizá-los. As criaturas sombrias invocadas por V (um falcão, uma pantera e um golem) ficam encarregadas de enfraquecer os inimigos sendo que cada um é controlado por um botão diferente. A estratégia de V, portanto, é utilizar das invocações simultaneamente e posicioná-las de forma que seus ataques sejam efetivos, enquanto mantém V por perto para finalizar os inimigos enfraquecidos. As invocações, por sua vez, têm sua própria barra de vida e caso sofram muito dano, elas ficam indisponíveis por algum tempo, limitando drasticamente as possibilidades de combate. A jogabilidade de V é interessante, no entanto, é bastante difícil e incômodo jogar de forma eficiente com o personagem devido à quantidade de elementos ativos no combate e pelo posicionamento dos botões que controlam cada invocação.

Apesar da alta complexidade do combate, DMC5 traz mudanças que tornam o título mais acessível, especialmente para aqueles que não tem familiaridade com a série ou com o gênero. A cada missão, o jogador é graduado com uma nota e, diferentemente de jogos anteriores, esta nota agora é estritamente decidida em relação aos pontos de estilo obtidos em cada combate, sem levar em consideração dano levado e tempo em cada missão. Obter boas notas tornou-se consideravelmente mais fácil, sendo que as piores notas ficam reservadas apenas se você foi derrotado várias vezes em uma missão. O novo esquema de notas pode ser bom para novos jogadores, porém a facilidade de se obter boas notas e a falta das estátuas onde o jogador era desafiado a conseguir níveis cada vez maiores de estilo fazem com que existam poucos incentivos em melhorar seu estilo de jogo.

Orbs vermelhos, moeda no jogo para se trocar por habilidades, agora aparecem mais claramente em cada estágio e ao derrotar inimigos. Não existem mais itens de recuperação que antigamente eram comprados com orbs vermelhos, no entanto, cada missão têm orbs de recuperação de vida em abundância, fazendo com que a sobrevivência em um nível seja bastante facilitada. Além disso, o jogo distribuí orbs para reviver o jogador aos montes, sendo também possível utilizar de orbs vermelhos para a mesma finalidade. Obter um game over em definitivo, portanto, tornou-se quase impossível se comparado a dificuldade dos anteriores.

DMC5 peca pela pouca quantidade de conteúdo em seu lançamento, sendo apenas a campanha como único modo jogável e demais extras como fotos, visuais chave, músicas, entre outros que vão sendo liberados gradativamente. A campanha tem uma boa duração e, felizmente, não reutiliza as mesmas fases como ocorreu em DMC4, no entanto, a variedade de ambientes torna-se muito menor na segunda metade do jogo. Ao se fechar a história, os personagens mantém todo o arsenal e habilidades adquiridos, portanto, as dificuldades maiores alteram a composição dos grupos de inimigos para equilibrar o jogo e fornecer desafios cada vez maiores para os jogadores.

Veredito

Devil May Cry 5 faz justiça ao legado da série, até mesmo superando em alguns pontos seus predecessores. Sua excelente jogabilidade faz deste um dos melhores jogos de ação já criados e sua ótima narrativa faz com que o jogador fique atento no desenrolar da história. Fico feliz em dizer que Devil May Cry está de volta e espero que fique conosco por um bom tempo.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela Capcom.

95%