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Análise – Catherine: Full Body

Análise

NOME: Catherine: Full Body
FABRICANTE: Atlus
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Aventura
DISTRIBUIDORA: Atlus USA


LANÇAMENTOS
03/09/2019 03/09/2019 14/02/2019


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
Espaço necessário: 13,37 GB
Legendas em PT-BR: Não
Dublagem em PT-BR: Não


Catherine: Full Body é o relançamento para PlayStation 4 de um clássico de PlayStation 3 de mesmo nome. Desenvolvido como um projeto paralelo pela equipe por trás da série Persona, e agora remasterizado pelo Studio Zero, um novo grupo dentro da Atlus que atualmente desenvolve uma nova propriedade para a empresa, Catherine: Full Body busca trazer à geração atual uma das apostas mais arriscadas da empresa até então.

Catherine: Full Body conta a história de Vincent, um homem que, em seus trinta anos de idade, se depara com um grande dilema em sua vida. Com dificuldades de se comprometer e pedir sua namorada Katherine, com quem está há cinco anos, em casamento, Vincent acaba por conhecer uma jovem sedutora, chamada Catherine, no bar em que frequenta todas as noites com seus amigos.

Após uma noite de sexo casual com Catherine, assim traindo sua namorada de longa data, Vincent se encontra preso numa situação sem escapatória. Katherine revela que está grávida de seu filho, assim como sua família a pressiona para se casar de uma vez. Catherine também não para de perseguir Vincent, continuando a ir para cama com ele e ameaçando querer exclusividade com o nosso protagonista.

Até então, esta é a história original de Catherine, assim como foi lançada na geração passada. Catherine: Full Body adiciona uma terceira rota como opção para Vincent, a jovem Rin. Numa dessas noites enquanto perambulava pela cidade, ele dá de cara com uma jovem sendo perseguida, e após dar abrigo à ela, descobre que ela sofre de amnésia e não tem para onde ir.

Vincent então consegue um trabalho para Rin no bar em que frequenta e assim tenta ajudá-la a recuperar suas memórias, enquanto passa por toda a confusão com sua namorada e sua nova amante. Dependendo de suas escolhas, Vincent poderá ainda deixar as duas de lado e decidir ficar com Rin.

O jogo original traça muito bem o dilema entre responsabilidade e prazer, assumir compromissos e se desfazer de todas obrigações. Katherine e Catherine representam lados totalmente opostos da vida adulta e colocar o jogador na vida de Vincent faz com que surjam muitas reflexões sobre o que significa responsabilidade e o que precisamos abrir mão conforme amadurecemos.

A adição de Rin à essa equação, no entanto, não adiciona muito ao jogo. No dilema responsabilidade vs. prazer, Rin não traz um terceiro contraponto ao dilema. Muito pelo contrário, a sua adição à história preexistente traz cenas inconsequentes em que tanto Katherine como Catherine mal reconhecem a sua existência, ou mesmo como uma ameaça à conquista do coração de Vincent.

Sem entrar no campo de spoilers, os desenvolvedores tentam abordar a rota de Rin como “diversidade”, tentando quebrar com paradigmas existentes na sociedade e mostrando como Vincent pode fugir da escolha entre responsabilidade ou prazer, como se fosse um terceiro contraponto tão relevante como esses dois aspectos da vida adulta.

No entanto, a abordagem do jogo em relação à este assunto me lembra muito de algumas visual novels japonesas, principalmente as mais antigas. Como é do gênero, grande parte possui várias rotas, e algumas mais antigas possuíam “gag routes”, ou rotas engraçadas, a fim de dar uma perspectiva e humor diferente às rotas tradicionais.

A rota de Rin, nesse caso, me parece muito uma “gag route”, uma vez que não apenas a perspectiva de “diversidade” foi levada de forma muito superficial, como também seu desfecho é completamente inconsequente. Claro, num jogo em que algumas reviravoltas entram no mundo “fantasioso” por assim dizer, não seria surpreendente que o novo conteúdo também o fizesse, mas qualquer resquício de relevância dado à nova rota se perde com o final.

Em relação à jogabilidade, esta nova versão trouxe várias melhorias e adições que devem agradar até veteranos que pretendem voltar apenas pelos puzzles. A jogabilidade, restrita aos pesadelos de Vincent, se dá com o protagonista escalando, arrastando e puxando blocos, a fim de chegar ao topo a tempo antes que os blocos abaixo dele se sucumbam e ele morra, tanto nos seus pesadelos como na vida real.

Os pesadelos ocorrem ao final de toda noite a fim de dar urgência à vida do protagonista e a tomada de decisão, para que não fique em cima do muro e decida logo que rumo quer tomar. Também são nos pesadelos que perguntas são feitas a fim de compreender melhor o jogador e decidir qual será o final que encontrará ao fim de seus pesadelos.

O jogo agora conta com várias dificuldades para todos os gostos. Para atender aos jogadores que achavam o jogo muito difícil, existe um novo modo mais fácil, que não apenas os blocos não caem mais, como também é possível ligar uma espécie de “autopiloto”, inclusive para aqueles que estão interessados apenas na história. Para atender aos jogadores mais experientes, não apenas foi adicionada uma modalidade mais difícil, como também um modo “remix”, que muda completamente os puzzles já conhecidos do modo história.

Além do modo história, agora também temos um modo online, em que você pode tanto competir com outros jogadores, como também jogar juntos num modo cooperativo. Pelo menos durante os testes antes do jogo ir ao ar, o modo online funcionava muito mal – ou mesmo não funcionava. Enquanto parecia que eu estava correndo até o topo e a outra pessoa estava parada no início, o mesmo acontecia para a pessoa do outro lado, até que pouco tempo depois surgia uma mensagem de erro de conexão que derrubava os dois jogadores.

Com as novas adições, fica mais fácil ainda para o jogador completar o jogo e conferir as três rotas principais e todos seus possíveis desdobramentos. No entanto, fica difícil saber para quem recomendar este jogo. A adição da nova rota serve apenas como uma piada de mau gosto, uma adição sem muito pensamento por trás dela, que serve ainda para distrair o jogador do dilema original. As mudanças na jogabilidade foram muito bem-vindas, principalmente para quem acompanha o jogo pelos puzzles.

Talvez se você está conferindo pela primeira vez e está interessado na história, não seria uma má ideia conferir a versão clássica em outras plataformas. Se você está interessado na jogabilidade, seja porque gostou do clássico ou porque sempre quis conferir, talvez esta seja a versão para você. Em todo caso, foi ótimo relembrar o conflito de Vincent e seja a versão clássica ou o relançamento, Catherine continua sendo um grande jogo.

Veredito

Catherine: Full Body traz conteúdo adicional inconsequente à história e ótimas melhorias à jogabilidade. Independente da versão escolhida, Catherine se mantém uma ótima experiência para jogadores interessados em ótimas histórias ou puzzles não convencionais.

Jogo analisado com código fornecido pela Atlus USA.

80%