AnálisesPS4

Análise – A Plague Tale: Innocence

Análise

NOME: A Plague Tale: Innocence
FABRICANTE: Asobo Studio
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Aventura / Ação
DISTRIBUIDORA: Focus Home Interactive


LANÇAMENTOS
14/05/2019 14/05/2019 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p / 4K - PS4 Pro
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
Espaço Necessário: 37.33 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


No decorrer do século XIV o continente europeu foi alvo de uma catastrófica pandemia que marcou a história da humanidade. Disseminada por ratos, a peste bubônica (ou peste negra) foi responsável por dizimar metade da população da Europa e teve profundas consequências econômicas, sociais e religiosas. Esse período de miséria e morte é a fonte de inspiração de A Plague Tale: Innocence – novo projeto da Asobo Studio.

A desenvolvedora francesa foi precisa no desenvolvimento da atmosfera de uma Europa devastada pela doença. A ambientação e o figurino das personagens em A Plague Tale remetem ao período do fim da idade média, embora com algumas liberdades criativas. Os visuais são um espetáculo e os detalhes fortalecem a imersão nesse período sombrio da história humana. Todavia, nem tudo remete ao real no jogo da Asobo Studio.

Além de tratar da ameaça da peste negra, o game traz uma abordagem fantasiosa no que concerne os hospedeiros da doença. Os ratos não são meros propagadores, atuam também como predadores. Essas pequenas criaturas são extremamente agressivas e devoram rapidamente os humanos quando não são confrontadas.

Devido ao instinto brutal dos roedores em A Plague Tale, o gameplay se amolda a uma modalidade mais estratégica, predominando o stealth e a resolução de puzzles. Há também o confronto contra um determinado grupo de humanos e é possível usar a ferocidade dos ratos a seu favor. Antes de aprofundar sobre todos esses aspectos, um pouco de contexto.

A narrativa do jogo se desenrola pela perspectiva de Amicia, uma jovem de origem nobre e que cresceu em um ambiente acolhedor. Por conta de uma grave doença, Amicia viveu separada de Hugo, seu irmão caçula. O aparecimento da inquisição no castelo da Família De Rune força os dois irmãos a escaparem e conviverem juntos pela primeira vez, deixando para trás uma vida de conforto e regalias.

Perseguidos pela inquisição e por soldados ingleses, os jovens vão vivenciar uma realidade muito distinta do que eram acostumados, testemunhando a miséria na França durante o período da peste negra. Nessa jornada, Amicia possui a difícil tarefa de sobreviver às mais diversas ameaças, enquanto precisa buscar por uma solução para conter a doença de Hugo.

O jogo estimula a furtividade e a progressão meticulosa. Para obter sucesso é preciso ter paciência e se esconder nos cenários detalhados por vários objetos. Quanto aos roedores, é preciso explorar a fobia dessas criaturas pelo fogo e criar rotas seguras. Os itens encontrados ao longo da jornada também são de grande valia para a progressão.

A protagonista começa com um limitado número de ferramentas, mas graças ao conhecimento adquirido de alquimia e do surgimento de alguns aliados, o jogador terá acesso à novas formas de resolver enigmas e lidar com os inimigos. Inicialmente, será preciso esconder dos soldados e se acolher perto do fogo para evitar os ratos. Com o tempo, Amicia poderá criar caminhos nos “enxames” ou atacar diretamente os diferentes tipos de guardas da inquisição.

O processo de criação de ferramentas é simples, bastando acessar um menu circular e combinar os itens corretos. Para construir upgrades, no entanto, Amicia precisará achar uma mesa de trabalho. Os itens podem ser encontrados ao longo das fases e há inclusive objetos para colecionar, que expandem a história do jogo e oferecem algumas curiosidades sobre a época abordada.

A respeito da estrutura do game, trata-se de um produto linear e que demanda soluções específicas para seus puzzles. Algumas áreas são mais abertas e possibilitam diferentes meios de progressão por meio do stealth e combate, contudo, a estrutura geral do level design de A Plague Tale dá pouca margem para criatividade. Por isso, o jogo fica repetitivo demais em jogatinas após seu encerramento.

O jogo surpreende por sua duração, contendo vários capítulos com cenários variados. A longevidade da campanha de A Plague Tale permite que a história comporte algumas reviravoltas e explore bastante a relação dos irmãos protagonistas. É uma pena que o gameplay não evolua tanto, trazendo mecânicas inéditas e relevantes somente nas etapas finais do game.

O produto da Asobo Studio surpreende pelo capricho em diversos departamentos. Os gráficos são fantásticos; seja na composição do cenário ou na modelagem das personagens. Igualmente competente é o trabalho realizado na animação das cutscenes, embora in-game as animações faciais pequem um pouco. Os efeitos sonoros são bons e a trilha sonora é composta por Oliver Dereviere (Alone in the Dark, Vampyr, Remember Me). As músicas são adequadas, mas não estão entre as melhores do compositor. O que impressiona de fato é a performance do trabalho de voz realizado, especialmente o da dubladora de Amicia.

O jogo possui suporte para o PS4 Pro, contendo uma resolução maior. É uma pena que o excesso de aberração cromática e do efeito de depth of field não deixe o jogo com uma aparência nítida em momento algum. A Plague Tale é borrado demais e infelizmente não existem opções visuais para contornar isso. Vale mencionar que o recurso HDR é ótimo e a localização para o português é satisfatória.

Veredito

A Plague Tale é uma interessante nova propriedade intelectual. O período da peste negra foi reimaginado com uma narrativa permeada por elementos fantasiosos, ao mesmo tempo que explora a relação fraternal entre Amicia e Hugo. É um jogo tecnicamente muito competente, que transmite um universo rico e detalhado, mas seu potencial é barrado por um gameplay trivial. Apesar dos problemas, vale muito a pena ser jogado!

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela Focus Home Interactive.

82%