Yurukill: The Calumniation Games – Review

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp

Yurukill: The Calumniation Games é um jogo de aventura – parte visual novel, parte shmup, desenvolvido pela G.rev (Under Defeat HD, Dariusburst Chronicle Saviours), publicado originalmente no Japão pela Izanagi Games (World’s End Club, Death Come True) e lançado no Ocidente pela NIS America. Anunciado originalmente para PlayStation 4 e PC, o jogo também foi lançado para PlayStation 5 e Nintendo Switch, apesar da análise atual ser feita com base na versão de PlayStation 5.

Acordando numa cela dentro de um navio sem saber o que está acontecendo, Sengoku tenta contato para entender o seu estado atual. Sengoku, um rapaz que, dez anos atrás foi preso por um crime que diz não ter cometido, logo descobre que foi selecionado para participar dos jogos Yurukill, em que competirá com outros presos que se dizem inocentes, para que o vencedor no final ganhe a chance de provar sua inocência e ser liberado da prisão.

Os jogos Yurukill, que acontecerão numa ilha especialmente construída para o evento, contam com várias duplas, compostas dos prisioneiros, condenados que se dizem inocentes dos crimes que lhe foram imputados, e os carrascos, civis que foram convidados para participar do jogo junto de um prisioneiro, e que terá um desejo concedido caso esteja na dupla vencedora ao final dos jogos.

Logo Sengoku e Rina, sua carrasca, conhecem as outras duplas envolvidas nos jogos, com pessoas e prisioneiros de todos os estilos de vida, ainda que tenham o mesmo objetivo – vencer e ser inocentados de seus crimes ou ter seus desejos mais profundos realizados.

Inicialmente, cada capítulo acompanha uma dupla diferente, introduzindo e desenvolvendo os participantes dos jogos, além de explicar um pouco mais o motivo de cada um ter sido escolhido especificamente para esse evento. Claro, cada capítulo acompanha não apenas as duplas, mas também os jogos desenvolvidos especificamente para eles, contando ainda mais do seu passado e de suas relações.

Como dito no início da análise, o jogo é parte visual novel, parte shmup. Cada capítulo inicia com uma apresentação das duplas e a interação entre prisioneiro e carrasco, seguido de uma parte de investigação, que será muito familiar para fãs das séries de mistério, como Danganronpa e Zero Escape. Essa parte de investigação consiste em interagir com personagens, objetos e resolver puzzles variados, na sua maior parte bem fáceis para quem está acostumado com o gênero, e que ainda conta com um sistema de dicas, caso o jogador acabe ficando travado em algum específico.

Ao final do capítulo, prisioneiro e carrasco são então transferidos para um local em que colocam uma espécie de óculos de realidade virtual e são teleportados para um mundo virtual. O prisioneiro do capítulo, que é controlado pelo jogador, fica no comando de uma nave, devendo sobreviver até o final, destruindo inimigos que vão surgindo na tela, até alcançar o chefe final, então tendo que derrotá-lo depois de várias fases de cada chefe – a parte shmup do jogo.

Mais uma prova de que Yurukill: The Calumniation Games se espelha muito em jogos que o antecederam, durante os estágios da parte shmup do jogo, mini-games são realizados para o jogador poder responder corretamente o que descobriu durante a fase de investigação e suas conclusões sobre o mistério investigado. Alguns são interessantes, como responder corretamente fatos do capítulo para começar a batalha com mais vidas, outros são menos intuitivos, como escolher a resposta correta para derrubar as barreiras mentais do chefe.

Admito que inicialmente, quando o jogo foi anunciado, uma mistura de Danganronpa e Zero Escape com jogabilidade shmup não era exatamente o que eu esperava, e achava que o jogo seria muito mais shmup e muito menos visual novel, ou mesmo teria uma história fraca de fundo para justificar o desenvolvimento do jogo não ser apenas mais um shmup no mercado. Após ter jogado a demo, disponível nas lojas digitais, e me animado bastante com as duas horas que passei, que contemplam o primeiro capítulo inteiro, mudei de ideia e decidi dar uma chance ao jogo.

A arte do jogo, assim como os jogos que pretende emular ou mesmo competir, é um dos seus pontos fortes. Kiyohara Hiro, artista por trás do mangá Another e tendo apenas trabalhado em um outro jogo anterior – Valkyria Revolution, conseguiu em Yurukill: The Calumniation Games criar personagens distintos, charmosos, com visuais únicos e chamativos.

A trilha sonora do jogo também não deixa a desejar, variando bastante em cada capítulo, apesar de que no quesito som, a dublagem original foi o que me chamou mais a atenção. Todo o elenco japonês deu seu melhor com cada personagem, contando com dubladores experientes e renomados no mercado de games e animes. Por outro lado, é a única dublagem presente no jogo, sem a opção de áudio em inglês.

Antes de chegar no grande cerne da análise, vale pontuar algumas reclamações menores, que podem incomodar e até mesmo atrapalhar jogadores acostumados com o gênero. Não existe a opção de pular texto, seja texto lido ou todo o texto, fazendo com que um replay do jogo passe muito mais devagar do que deveria. As opções dos diálogos, no geral, não afetam em nada a história, exceto durante os mini-games. E por fim, não existe a opção de fixar a velocidade que o texto aparece na tela durante o diálogo. São pontos menores, mas que talvez não tenham sido atendidos por conta do jogo ter sido desenvolvido por uma empresa acostumada com shmups e não com visual novels.

O maior ponto sobre Yurukill: The Calumniation Games, e que talvez seja a maior ressalva que eu faça para que alguém talvez não pague o valor cheio no jogo, é como a história acontece. O jogo conta com sete capítulos, porém a sensação é que temos quatro capítulos de introdução, um de desenvolvimento e dois de conclusão. O jogo encerra tudo de uma forma muito rápida, sem desenrolar devidamente a relação entre as duplas e explorar mais o mistério por trás da ilha e de quem está por trás de tudo.

Cada dupla, cada prisioneiro e cada carrasco, conta com uma premissa, história e motivação bem diferente, específica e extremamente interessante, mas parece que o jogo se esforça tanto em mostrar isso para o jogador para apenar encerrar tudo rápido em seguida. O modo história, que dura de oito a dez horas, deveria durar pelo menos vinte horas, para conseguir aproveitar o que criou e dar o tempo de desenvolvimento de suas histórias adequado.

Além do modo história, existe o modo apenas de shmup, para fãs do gênero. Talvez esse seja o maior ponto durante o lançamento. Se você for fã de jogos como Danganronpa e Zero Escape e também for muito fã de jogos de shmup, vale a pena pegar Yurukill: The Calumniation Games no lançamento. Se você for fã apenas de um ou de outro, talvez valha a pena esperar mais um pouco, porque os dois modos, separadamente, não se sustentam.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela NIS America.

Veredito

Inicialmente engajante, Yurukill: The Calumniation Games encerra a história rápido demais, sem aproveitar o elenco e premissa interessantes que introduz tão bem. A soma das partes vale a pena, mas se você é fã só de jogos de mistério ou só de shmup, o jogo não se sustenta.

70
Yurukill: The Calumniation Games
Fabricante: G.rev
Plataforma: PS4 / PS5
Gênero: Aventura
Distribuidora: NIS America
Lançamento: 05/07/2022
Dublado: Não
Legendado: Não
Troféus: Sim (inclusive Platina)
Comprar na

Initially engaging, Yurukill: The Calumniation Games brings its conclusion far too soon, without taking advantage of its interesting cast and premise. The sum of its parts is worth it, but if you are a fan either of mystery games or shmup, the game doesn’t sustain itself.