Steelrising – Review

Desde que o remake de Demon’s Souls foi lançado para o PlayStation 5, jogadores fãs do gênero passaram a se perguntar onde estava a remasterização de Bloodborne para a plataforma. Infelizmente a resposta não veio da forma que esperavam, mas sim em uma nova IP nos moldes soulsborne: um título chamado Steelrising.

Steelrising tem muitos elementos de ambas as franquias, principalmente de Bloodborne, mas também traz pontos únicos que divertem e frustram ao mesmo tempo. Na nossa análise você entenderá os motivos pelos quais o título ainda não é o melhor do gênero que o PlayStation 5 pode oferecer.

Steelrising
O design de Aegis ficou realmente muito bom no PS5. Fonte: PS5 Create

O ano é 1789 e você está em Paris, mais precisamente na Revolução Francesa, onde Louis XVl suprimiu tudo com sangue ao utilizar seus soldados mecânicos contra os revolucionários.

Trancafiada em um quarto numa mansão longe da cidade, a rainha Marie Antoinette desconfia que o rei esteja por trás de todo o caos. Para descobrir o que realmente está acontecendo, ela manda Aegis, uma automata inteligente e sofisticada, ir atrás de Louis XVl e impedi-lo de destruir sua amada Paris.

Se estivéssemos falando de qualquer outro jogo do gênero, a primeira crítica iria para o fato da história não ser explicada, algo muito comum em títulos assim. Mas não aqui. Uma das coisas que mais me chamou a atenção em Steelrising foi justamente o fato de o jogo trazer uma narrativa explicativa, sensata e com personagens que realmente interagem com você.

Ter uma personagem principal que se comunica com o restante do mundo é extremamente imersivo para o gênero, pois dá mais vida ao ambiente como um todo e mostra como ela se sente em relação aos acontecimentos ao seu redor.

Mesmo Aegis sendo uma guerreira mecânica, é possível perceber firmeza em suas falas conscientes, mostrando que mesmo sendo uma automata, ela consegue ter sua própria liberdade de escolha, diferenciando-a de todos os outros robôs.

Além disso, outro ponto positivo está no mundo em si. Personagens humanos foram adicionados na história para interagir com Aegis, dando um fim àquela chatice de conversar com NPCs que não falam nada com nada.

Steelrising
Durante suas conversas com os NPCs, é possível escolher algumas perguntas específicas antes de encerrar a cena, porém, isso não altera em nada a história. Fonte: PS5 Create

O fato de Steelrising lembrar muito mais Bloodborne do que Dark Souls, se deve não apenas aos cenários cheios de monstros (máquinas neste caso) e humanos trancafiados dentro de suas casas, mas também à apresentação de cada nova parte e a ambientação geral.

Ao contrário de Bloodborne, onde se via vários corpos de monstros jogados no chão, aqui em Steelrising chega a ser pesado ver a quantidade de humanos estirados sem vida pelas ruas de Paris. Embora forte, a imagem foi feita claramente para incomodar, pois aqui estamos lidando com um rei insano que quer acabar com os revolucionários, e o jogo faz questão de esfregar isso na cara do jogador.

Para deixar essa ambientação ainda melhor, é esperado que Steelrising traga gráficos lindos e cheios de vida, afinal, estamos falando de um título exclusivo para PlayStation 5, certo? Errado. Na verdade, o jogo deixa um pouco a desejar no quesito técnico, algo que me deixou realmente desapontado.

É preciso entender que estamos falando de um título mais obscuro, então claramente os cenários precisam carregar tal peso, trazendo cores mais opacas e menos vibrantes. No entanto, existem algumas falhas técnicas que passam aos montes, como texturas e a personagem presa em objetos toscos que ficam largados pelo chão.

Além disso, existem alguns problemas com serrilhados nos personagens humanos, o que torna a visão um pouco incômoda quando a câmera se aproxima. Os gráficos em si, por outro lado, passam um sentimento misto. Pois embora eles tenham conseguido retratar muito bem as imperfeições (como cicatrizes, acnes, etc), o estúdio não deixou as reações tão naturais assim, trazendo um resultado robótico e genérico.

Dentro desses problemas técnicos não está inclusa a jogabilidade, na verdade, ela é mediana. O que mais pode incomodar aqui é a resposta entre o comando e a ação, que te leva às mortes mais idiotas e irritantes possíveis.

Outro ponto importante e que eu senti falta, é a opção de conseguir cancelar um ataque para conseguir efetuar uma esquiva. Caso você se arrisque a cair na pancadaria sem preparação, é bem capaz de morrer ao tomar vários golpes consecutivos do inimigo. Por outro lado, entendo que a dificuldade em bloquear golpes vem do gênero em si, justamente para trazer mais dificuldade ao jogo.

Steelrising
Steelrising não é perfeito nos gráficos que propõe, mas a ambientação, bem como os efeitos de luzes e sombras, é realmente muito boa. Fonte: PS5 Create

Para ajudar Aegis na busca pelo rei Louis, você terá à disposição diversos equipamentos e vestimentas. Logo no início, por exemplo, é preciso escolher uma classe que definirá não só a sua arma, mas também os status iniciais.

Esse tipo de escolha é muito bom, pois garante que você entenda como os pontos devem ser distribuídos para cada classe. Claro que isso não é absoluto e é possível usar qualquer arma e mudar completamente a sua build durante a jornada.

Na verdade, a quantidade de armas que Steelrising oferece é bem grande e diversificada. Cada uma delas possui um ataque especial, e algumas possuem habilidades elementais. Caso você ataque um inimigo diversas vezes com um elemento, ele ficará com status negativo e poderá ficar com a condição de congelado, queimado, entre outros.

O único ponto negativo vai para o sistema de defesa. Aegis não consegue defender se não estiver utilizando a arma correta para isso. Essa “forçada de barra” obriga o jogador a ter que aprimorar (quase) todas as armas, pois só assim ele terá um arsenal diversificado e razoável para lidar com cada um dos chefes de cenário. E o problema aqui é que os itens de aprimoramento são bem difíceis de achar. Embora seja possível comprá-los (em uma quantidade limitada) no ponto de salvamento, ficam caros em grande quantidade e não valem a pena, pois é cobrado dos mesmos pontos utilizados para subir a sua automata de nível.

Steelrising
Não se engane, embora Steelrising seja separado por fases, elas são enormes e equivalem a um Bloodborne inteiro. Fonte: PS5 Create

Se você leu o review até aqui, muito provavelmente está com aquela sensação de que sim, o jogo é bom, mas tem suas ressalvas. E de fato ele é bom. A exploração de Steelrising é muito boa, e embora os cenários não sejam diversificados, eles são enormes e nem parecem que são divididos em “fases”.

Outro ponto muito interessante aqui é que Aegis vai conquistando novas habilidades de exploração ao longo da jornada, e com esses poderes é possível voltar em fases passadas para atravessar caminhos antes inalcançáveis. Este é o puro suco do gênero RPG que nós tanto amamos.

No entanto, como foi dito ao longo desta análise, existem problemas técnicos que precisam ser sanados. Estamos em uma geração onde muitos bugs podem ser resolvidos via patch, e aqui é extremamente importante, pois mesmo após pouco mais de um mês desde o lançamento, Steelrising continua apresentando quedas de frames, travamentos, entre outros.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Nacon.

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Veredito

Steelrising é um bom jogo do gênero soulslike, com uma diversidade bem grande de armas, combate divertido e ótima exploração. No entanto, fica devendo no quesito técnico, que decepciona um pouco pela falta de cuidado e traz alguns serrilhados, quedas de frame e travamentos.

80

Steelrising

Fabricante: Spiders

Plataforma: PS5

Gênero: RPG / Ação

Distribuidora: Nacon

Lançamento: 08/09/2022

Dublado: Não

Legendado: Sim

Troféus: Sim (inclusive Platina)

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Veredict

Steelrising is a good soulslike game, with a very wide range of weapons, fun combat, and great exploration. However, it lacks in the technical aspect, which disappoints a little due to the lack of care and brings some graphical problems, frame drops and crashes.


Rui Celso
Rui Celso
Jornalista que decidiu se aventurar no mundo gamer desde o tempo em que as revistas eram a principal fonte de informação deste mundo do entretenimento. Hoje eu expandi meu universo e também faço parte do backstage deste universo atuando como Assessor de Imprensa. Só pra constar: Paper Mario é o meu jogo favorito da vida.