Sifu – Review

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É difícil causar uma primeira impressão tão positiva quanto a gerada por SIFU quando o jogo foi anunciado. É ainda mais difícil manter essa impressão positiva e aumentar cada vez mais o interesse e empolgação em torno do jogo como SIFU conseguiu fazer. Mas nem todo hype, empolgação e trailers bem editados do mundo é capaz de esconder o jogo quando ele finalmente chega às nossas mãos.

Felizmente, SIFU é exatamente aquilo que ele aparentava ser. Não que isso seja necessariamente surpreendente, já que a Sloclap, estúdio responsável pelo jogo, já havia entregado outro título de grande qualidade com seu jogo de estréia, Absolver. Enquanto o escopo de Absolver era claramente algo menor, SIFU busca dar um passo ainda maior e estabelecer o estúdio como um dos mais capacitados na arte dos combates digitais.

O título anterior da desenvolvedora era algo muito mais ambicioso, buscando integrar uma narrativa single-player e um ambiente multiplayer cooperativo e competitivo que se misturavam, acabando falhando por isso, apesar de ter construído uma comunidade apaixonada pelas várias qualidades que o título tinha.

Sifu

SIFU é muito mais contido em si, pegando aquilo que a Sloclap tem de melhor e transportando para um projeto mais enxuto e uma ideia melhor desenvolvida. Ao invés de múltiplos elementos multiplayer e singleplayer, temos um jogo exclusivamente single-player, onde o foco é na história a ser contada.

Aqui a narrativa nos apresenta um jovem aprendiz de kung-fu que parte em uma jornada para se vingar do grupo de assassinos responsáveis pela morte do seu pai. Para isso, ele irá explorar diferentes regiões de uma cidade, deixando uma pilha de corpos no seu rastro e sacrificando a única coisa que ele tem em troca daquilo que ele deseja: tempo.

É uma premissa bem comum de tradicionais filmes de ação, sejam eles protagonizados por Bruce Lee ou Jet Li, mas é uma que funciona e é capaz de capturar o jogador com bastante facilidade. Os motivos que justificam a sede de vingança do protagonista são bem demonstrados, sem que haja a necessidade de longos diálogos expositivos.

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Isso é algo que tanto trabalha a favor quanto contra SIFU. Fora estabelecer a motivação por trás das suas ações, consequências e, eventualmente, uma resolução para o confronto central da trama, a história não é algo tão presente aqui. É claro, não é o que SIFU se propõe a vender, mas se você for jogá-lo esperando um grande desenvolvimento dos personagens ou algo do tipo, você irá se decepcionar.

O que o SIFU realmente promete e entrega é um combate de altíssimo nível. Absolver já havia sido bem reconhecido pela qualidade das mecânicas de combate, mas aqui as vemos levadas para um novo patamar. Há uma estrutura básica bem simples que vai se expandindo e se enriquecendo quanto mais você joga e mais domina essas mecânicas.

Esse sistema básico gira em torno de quatro comandos essenciais que você sempre terá à sua disposição. Dois botões de ataque, um fraco e um forte (com quadrado e triângulo respectivamente), um botão de defesa/aparação (L1) e um botão de esquiva (R2). É um layout que, num primeiro momento, não é dos mais intuitivos, mas na prática acaba sendo bem fácil de se adaptar e funciona muito bem.

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E isso faz com que o combate de SIFU seja absolutamente espetacular. As batalhas geralmente envolvem mais de um inimigo contra você e para conseguir sobreviver você precisar dominar o timing certo da esquiva e de aparar, bem como quais ataques precisam ser evitados usando um ou outro, já que há uma barra de defesa que, caso seja usada indiscriminadamente, pode ser quebrada e te deixar à mercê dos inimigos.

Errar a defesa ou esquiva costuma ser punido com bastante força pelos inimigos e você precisará sofrer pouco mais do que um punhado de ataques para se ver encarando a morte. Por outro lado, defender bem abrirá o inimigo para que eles não consigam se defender e derrotá-los (especialmente usando ataques finalizadores com triângulo + círculo) recupera um pouco da sua barra de vida.

Esses ataques finalizadores ocorrem quando você consegue completar a barra de atordoamento do inimigo. Raramente você irá derrotar inimigos simplesmente usando ataques diretos, então tudo acaba girando em torno de quem conseguirá quebrar a defesa do inimigo primeiro para aplicar os golpes fatais.

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Algo que SIFU faz com excelência é sempre te deixar em uma situação em que você se sentirá frágil e em desvantagem, precisando sempre estar atento a tudo que está acontecendo ao seu redor para sobreviver. Em quase toda nova sala que você entrar, você se verá rodeado de inimigos e, ao contrário de certos outros jogos, os inimigos não esperam o seu turno de atacar, constantemente te forçando a lidar com dois ou três deles ao mesmo tempo.

Um outro elemento importante disso é que o jogo também conta com armas, então você precisará estar sempre ligado quando um inimigo já chega em combate portando uma arma e precisará lidar com eles o mais rápido possível (já que armas causam uma quantidade altíssima de dano), inclusive para pegar essa arma, ou quando um deles pega uma garrafa, pois ela pode ser arremessada em sua direção. O único ponto negativo fica por conta da baixa variedade de inimigos já que, fora a aparência diferente, a esmagadora maioria é idêntica em seu comportamento.

Além de te manter seguro, derrotar inimigos rapidamente e sem sofrer dano irá aumentar o seu multiplicador de combo, o que te dará mais pontos e mais EXP, te permitindo comprar mais habilidades nos santuários espalhados pelas fases. Esses bônus vão de aumentar a sua barra de foco (habilidade especial usada com L2), a quantidade de vida recuperada ao derrotar inimigos, até a compra de novas habilidades que aumentarão o seu arsenal em combate.

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Basicamente, ao alcançar um santuário, você terá três opções de uma melhoria que pode ser comprada: melhorias limitadas à sua idade, melhorias compradas em troca da sua pontuação ou melhorias compradas em troca da sua EXP (além da possibilidade de comprar habilidades da árvore de habilidades usando EXP, essas sem limitação).

É um sistema interessante e que te limita a poucos upgrades de uma vez, mesmo que você até tenha pontos suficientes para mais e que ajuda a manter o desafio sempre alto. Isso também garante que você constantemente precise se esforçar para melhorar suas próprias habilidades, sem se apoiar demais em melhorias providas pelos sistemas do jogo.

Algo que você fará muito no jogo é morrer e é aqui também que os elementos roguelike de SIFU se apresentam. Após cada derrota, você poderá imediatamente se levantar ao custo de tempo de vida e a adição de um ponto no seu contador de mortes, graças a um artefato que o protagonista carrega. Com a progressão no jogo, você irá morrer mais e mais e você verá o passar do tempo sendo refletido no protagonista em mais de uma maneira.

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Fora o visível envelhecimento físico dele, ao passar de uma década (o protagonista começa com 20 anos e pode ir até os 70), você verá sua vida se reduzindo e a quantidade de dano que você causa no inimigo aumenta graças à sua experiência. Isso faz com que, quanto mais você morrer, maior a chance de você morrer novamente, especialmente quanto mais velho você for se tornando.

Existem formas de minimizar o passar do tempo, seja se vingando imediatamente do inimigo que te derrotou ou gastando EXP para zerar o seu contador de mortes. Caso você não consiga e sofra um Game Over, você pode reiniciar o jogo da última fase na qual você estava com a idade em que iniciou. No entanto, você começará sem qualquer habilidade destravada, precisando reiniciá-lo da forma mais precária possível.

O que você irá manter, no entanto, são todos elementos que você encontrará explorando as fases, como chaves e cartões de acesso. Algo bem legal é que itens encontrados em um local podem ser usados para destravar portas em outros, então há um constante incentivo de voltar em fases anteriores para melhorar a sua idade de finalização e acessar novas áreas. Essas chaves também te darão acesso à atalhos, te permitindo avançar pela fase sem precisar explorar tudo novamente.

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A questão com SIFU é que quando o jogo funciona e você começa a entender como o combate funciona, ele funciona como um dos mais belos ballets que um jogo pode apresentar. E o fato da parte técnica do jogo ser tão bem afiada na versão de PS5, com comandos responsivos, uma velocidade de carregamento impressionante, belos visuais, um claro impacto visual nos golpes e uma trilha sonora espetacular fazem com que a experiência seja incrivelmente divertida.

É uma pena que SIFU seja uma experiência tão curta e com um fator replay relativamente limitado. Fora a questão já citada com o retorno às fases para explorar novas áreas, cada área demora algo em torno de 40 minutos a uma hora para ser completada de ponta a ponta. É claro, você vai gastar muito mais que isso em inúmeras tentativas de entender e aprender cada fase, mas como são também poucas fases, é difícil ver a experiência rendendo tanto assim se você só quiser completar a campanha (ainda mais considerando o preço do jogo).

Ainda assim, naquilo que SIFU se esforça para ser e entregar, ele o faz com primazia. A sensação é realmente de se estar em um filme de kung fu buscando vingança pela morte de seu pai, Sifu. Se você é fã de filmes do gênero ou simplesmente quer um jogo com combate muito bem desenvolvido e recompensador, SIFU é o jogo para você.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Sloclap.

Veredito

Sifu é um incrível jogo de ação com um combate rico e desafiador que constantemente o força a pensar sobre como melhor enfrentar e sobreviver a certas situações. A baixa variedade de inimigos e a curta duração desapontam um pouco, mas são pequenos tropeços de um título excelente.

85
Sifu
Fabricante: Sloclap
Plataforma: PS4 / PS5
Gênero: Ação
Distribuidora: Sloclap
Lançamento: 08/02/2022
Dublado: Não
Legendado: Sim
Troféus: Sim (inclusive Platina)
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Sifu is an amazing action game with rich and challenging combat that constantly forces you to think about how to better face and survive certain situations. The low variety of enemies and the short duration are a little disappointing, but they are minor stumbling blocks for an excellent title.