REVEIL – Review

O “walking simulator de terror de curta duração focado em explorar cenários surrealistas”, é provavelmente um dos subgêneros de terror mais recorrente de estúdios pequenos e/ou independentes que procuram fazer barulho no mundo dos jogos. Porém, é recheado de armadilhas: jumpscares desnecessários, gimmicks ou seções de gameplay que envelhecem rápido (e.g. o monstro imortal que te persegue durante um puzzle).

Na minha visão, Layers of Fear pavimentou o caminho para várias dessas armadilhas e REVEIL tropeçou em quase todas elas, com algumas exceções que irei explicitar ao longo do texto. Num geral, não é um jogo que adiciona muita coisa no gênero. Pelo menos, conta uma história minimamente interessante que te prende até os créditos finais – o que também não é muito difícil, já que é possível terminá-lo em menos de 5 horas.

REVEIL conta a história de Walter Thompson, um protagonista com problemas de memória e severas dores de cabeça. Pouco a pouco, é revelado que Walter tem sonhos muito vívidos, quase confundíveis com a realidade. As coisas eventualmente se distorcem, pintando um cenário amedrontador e que reflete a psiquê distorcida do protagonista. Silent Hill fazendo escola aqui, como sempre.

Walter tem certeza de uma coisa: ele precisa encontrar sua esposa e filha, Martha e Dorie. Explorando o primeiro cenário, entendemos que a família trabalha em um circo, conhecido como Nelson Bros. Martha e Dorie são acrobatas, geralmente se apresentando em duplas – uma atração de mãe e filha. Já Walter mexe com trabalhos manuais e criação de props para o circo (embora o jogo nunca diga exatamente qual sua especialidade).

Ao longo do jogo, vários documentos e notas contam mais do relacionamento dos personagens. O casal enfrentava desentendimentos constantes e Walter se tornava um pai e um marido ausente, totalmente focado no trabalho. As obrigações com o circo e os problemas com dinheiro também iriam, lentamente, consumindo mais e mais deles, fragilizando a família.

Todos esses problemas vão se desdobrando nos pesadelos do protagonista. A medida que os cenários progridem, mais surreal os sonhos de Walter ficam, até o ponto que a linha do real e imaginário ficam borradas. Nada mais faz sentido na cabeça do rapaz. O objetivo dele, entretanto, permanece o mesmo. Martha e Dorie precisam de ajuda.

Cabe ao jogador destrinchar os pesadelos e tentar juntar as pistas para desvendar o que aconteceu com elas. Uma coisa nunca é exatamente o que parece ser, até os últimos momentos do jogo.

Walter é um protagonista com voz – coisa rara nesse tipo de jogo. O personagem constantemente faz ponderações sobre a ambientação e objetos espalhados pelos cenários. Em alguns momentos, isso ajuda a dar mais contexto sobre a trama e os envolvidos, mas muitas vezes a performance mediana mais atrapalha do que contribui para a experiência.

Diversas vezes a entonação da fala e a emoção que deveria ser passada não casam, deixando uma cena com pouco impacto (quando deveria ter) ou, no pior dos casos, cômica. As performances de Martha e Dorie, em contra partida, são mais convincentes. A de Martha (a esposa), em especial, acerta muito mais nas entregas.

De forma geral, os personagens não são exatamente o ponto forte do jogo. A história, entretanto, tem vários ganchos interessantes e um final revelador. Mesmo que não seja muito original, como citei ali em cima, é o bastante de engrenar o jogador até o final. Entendo que estou sendo super vago, mas para um jogo com um enfoque tão forte em história e narrativa, julgo ser o melhor caminho pra não correr o risco de estragar a experiência de quem for jogar.

Outro ponto que vale a pena mencionar são os cenários bem construídos e detalhados. A ambientação vintage de circo dos anos 60 se destaca e é um dos grandes highlights, ajudando-o a se sobressair em relação a outros jogos com temática parecida. A direção de arte como um todo merece reconhecimento.

O gameplay em REVEIL é simples e sem muitos segredos. O jogo não possui combate e as opções de exploração são limitadas. Os cenários são contidos e geralmente não possuem caminhos opcionais, deixando a experiência bem linear.

É possível investigar e manipular objetos específicos do cenário, vê-los em detalhes mais de perto aproximando a câmera e mexê-los a fim de solucionar os puzzles. O enfoque geral do jogo acaba ficando por conta dos quebra-cabeças, além de alguns coletáveis que ficam bem escondidos.

Os puzzles, por sua vez, são legais de se fazer e alguns demandaram minha atenção um pouco além do normal. É necessário investigar bem o mapa e estar atento às pistas para chegar a conclusão do quebra-cabeça.

REVEIL, infelizmente, conta com seções de fuga e uma delas em particular, mais pro fim do jogo, é bem frustrante. O cenário por si só não é o bastante guiar o jogador, e ficar rodando pra cima e pra baixo com um monstro imortal te perseguindo, nesse caso, não é exatamente divertido. A falta de recursos pra lidar com esses segmentos e com o monstro é presente, mas pelo menos essas seções são curtas e não há muitas delas no jogo.

Por fim, REVEIL conta com algumas ideias legais e puzzles interessantes, uma história minimamente curiosa e cenários bem ambientados e detalhados. Os personagens são esquecíveis e com performances questionáveis – fator notório que degrada a experiência, por ser tão focada na narrativa e na relação dos personagens.

Caso seja um saudosista da falecida demo de Silent Hills e ache legal esse subgênero de terror, REVEIL pode coçar um pouco essa vontade. Fora isso, é uma experiência mediana de cabo a rabo.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Daedalic Entertainment.

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Veredito

REVEIL conta com uma direção de arte rica, evocativa e vintage, com cenários detalhados e bem feitos. Infelizmente, todo o resto é amarrado num pacote mediano que sofre para se destacar da miríade de jogos do mesmo subgênero.

60

REVEIL

Fabricante: Pixelsplit

Plataforma: PS5

Gênero: Puzzle / Terror

Distribuidora: Daedalic Entertainment

Lançamento: 03/06/2024

Dublado: Não

Legendado: Sim

Troféus: Sim (inclusive Platina)

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Veredict

REVEIL features a rich, evocative and vintage art direction, with detailed, well-made scenarios. Unfortunately, everything else is tied together in an average package that struggles to stand out from the myriad of games in the same subgenre.