Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning – Review

A história do desenvolvimento de Kingdoms of Amalur: Reckoning é algo interessante dentro da indústria de videogames. A 38 Studios foi fundada pelo ex jogador de baseball Curt Schilling, que gostaria de investir no mundo dos games após sua aposentadoria, já que essa era sua paixão após o esporte. No processo de concepção da 38 Studios e seus projetos, a desenvolvedora Big Huge Games foi adquirida junto à THQ e participou então diretamente de 2 títulos.

O primeiro era a concepção de um MMO intitulado projeto Copernicus, que compartilharia seu universo com um jogo mais tradicional, um RPG chamado Kingdoms of Amalur: Reckoning e que teria envolvimento de personalidades famosas do mundo do entretenimento digital, como Ken Rolston (Game Designer de TES IV: Oblivion). Além disso, juntaram-se ao projeto R. A. Salvatore (escritor literário de fantasia), Todd McFarlane (criador de Spawn e responsável pela arte do jogo) e Grant Kirkhope (Compositor do título).

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No papel, a 38 Studios e a Big Huge Games pareciam ter um projeto extremamente promissor, com grande potencial e que entregaria um RPG de ação para fãs que clamavam por mais desse conteúdo na época. Uma parceria com a EA garantiria uma melhor distribuição do jogo, que poderia alavancar ainda mais as vendas em seu lançamento e, com isso, suprir os imensos empréstimos feitos para o financiamento de ambos os títulos.

Acontece que, mesmo tendo boa recepção pela crítica e pelos jogadores e ainda tendo vendido mais de 1 milhão de cópias na sua janela de lançamento, para cobrir todas as despesas o jogo precisaria vender quantidades absurdas e quase impossíveis de se alcançar. Sem poder cobrir os rombos financeiros causados por uma péssima administração, a 38 Studios e a Big Huge Games decretaram falência e todos os bens e propriedade intelectual dos jogos ficam para o governo de Rhode Island, maior credor do estúdio.

De um projeto com potencial imenso ao completo ostracismo, o mundo de Amalur ficou perdido em questões judiciais por anos, até que a já ressuscitada THQ Nordic negociou o uso das propriedades intelectuais e pôde assim ter direito a produzir algo baseado nesse universo. Dito isso, agora com a produção da KAIKO, um remaster do jogo foi feito e disponibilizado em 2020, numa tentativa de colocar esse universo nos holofotes e talvez tentar algo novo para o futuro da franquia.

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Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning traz de volta todo o jogo original e suas duas expansões remasterizadas e mostra a história de uma terra fantasiosa, desolada por uma guerra que perdura por anos. Enquanto raças distintas se matam pelo poder e controle de Amalur, uma delas tem uma vantagem imensa nesse combate, sendo praticamente imortal. Com a derrota iminente dos menos favorecidos, um pesquisador trabalha numa espécie de poço das almas, que poderia trazer de volta guerreiros derrotados em combate. Após inúmeros fracassos, um desses combatentes volta misteriosamente a vida, mas num ataque dos inimigos, o poço das almas é destruído e seu criador precisa fugir, para assim tentar garantir a sobrevivência do único guerreiro que foi trazido de volta.

No papel do ressuscitado, sem memória e sem objetivo, o jogador se encontra numa posição nunca imaginada. No mundo de Amalur, cada vida já tem seu destino traçado desde o nascimento, que implica na sua função nesse universo até sua morte. O jogador aqui é uma exceção, sendo que quando foi trazido a vida por algo não natural, se tornou o único que não possui um destino traçado, estando livre para moldar cada decisão de seu futuro. Essa premissa é o que move a história do jogo, desde o impacto disso em questões maiores, como a grande guerra que ocorre, até decisões pequenas e que vão interferir em outros destinos de outros personagens.

Mesmo hoje, 8 anos após seu lançamento oficial, o jogo é algo peculiar. Muito de sua estrutura, como desenvolvimento de história, quests e personagens, seguem um modelo tradicional já visto em outros títulos, como TES: Oblivion e Skyrim. O mundo fantasioso abre precedentes para entrar de cabeça numa história nova, com elementos diferentes e que agrada facilmente com o tempo. Entretanto, é na sua jogabilidade que está o grande trunfo do título.

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Talvez nenhum RPG te dê tanta liberdade de como jogo, com tantas opções e variações, como em Kingdom of Amalur: Re-Reckoning. Algo que induz a isso é como as opções de jogabilidade ficam entrelaçadas com a história do jogo. Tendo o personagem com um destino a escrever, o jogador pode colocar isso da forma como jogar, tendo opção de mudar e variar isso quando bem quiser. Começou como mago e não se adaptou? Mude para um guerreiro. Quer experimentar um estilo mais furtivo? Comece a jogar com adagas e altere tudo pra isso. Decidiu fazer uma mistura de mago com armas elementais e foco em arqueria? Ok, é possível.

A variedade de gameplay é um imenso ponto positivo. É possível experimentar várias formas de como aproveitar o jogo em cada momento dele. Armas diferentes, estilos de abordagem diferentes e muito mais, dando ao jogador tem uma liberdade absurda. Além disso, independente de como se deseja jogar, todas as formas são satisfatórias e bem realizadas. Cada arma é única, cada tipo de combate e diferente, desde magias com cetros ou varinhas, adagas, chakrams, espadas grandes, martelos, escudos e muito mais.

Progresso e melhoria do seu personagem é algo que entra nessa roda. É possível mudar tudo mediante sua necessidade ou por querer mais variação. Habilidades que vão desde o famoso lockpick de baús até persuasão ou stealth. Cada um pode ter uma relevância em algum momento ou de acordo como se joga. Além disso, há árvores com habilidades passiva e ativas para cada tipo de gameplay, sendo para Magia, Força e Sutileza.

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Tudo isso foi intocado na versão remasterizada do título. Além do que já era bom, melhorias em pontos importantes foram feitas. Um melhor sistema de nivelamento de inimigos e áreas deixou o jogo mais balanceado. Não existe, ao menos a vista, o sistema de níveis de inimigos mais, sendo que as áreas e os desafios ali vão escalar com o jogador. Isso mantém o interesse em explorar e combater mesmo já estando muito acima de uma área inicial. Eventualmente, o jogador ainda estará mais poderoso do que um dos primeiros inimigos após 20 horas de jogo, mas pelo menos a sensação de combate estará lá, sem que cada lute termine com hitkill.

Essas melhorias são pontuais principalmente para atualizar o jogo aos dias atuais. Tendo em conta que algumas coisas já era consideradas antiquadas ou datadas em seu lançamento, muito do que foi feito na remasterização ajuda em deixar o jogo mais atraente para um público atual. Entretanto, é nítido que mais poderia ter sido feito, como os menus, mais configuração visual ou mesmo um melhor sistema de inventário.

Se tudo isso é visto como ponto positivo até agora, chegou a hora de falarmos exatamente do que desagradava no jogo em 2012 e que continua ainda hoje. Apesar das melhorias visuais, que são vistas aqui em melhor iluminação, resolução mais alta, taxa de quadros mais estável comparado ao original e texturas melhoradas, ainda sim é difícil ver o jogo tendo dado um salto entre gerações. Talvez o remaster tenha feito o que era possível, mas ainda tem muita cara de título da geração passada.

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É preciso entender que o estilo visual do título sempre foi um pouco datado. Favorece bastante as fortes cores e efeitos além de apresentar características visuais únicas, mas quando se trata de modelos de personagens e cenários, o visual do jogo fica devendo bastante. Como um dos grandes sentidos de remasterizar um título seja melhorias na parte técnica, temos pouco disso aqui, principalmente no âmbito visual e sonoro. Poderia ser imensamente melhor essa evolução, mas soa mais como um port da versão de PC para os consoles atuais, com mais adaptações do que realmente melhorias significativas, mesmo que o próprio jogo original apresentasse uma parte visual já datada.

Quanto a parte técnica, o trabalho da KAIKO é questionável. Em seus primeiros dias, bugs e problemas impediam o jogo de ser aproveitado por completo. Inimigos que desaparecem, progresso interrompido e impossibilitando avançar na história, equipamentos que não caiam de inimigos, problemas de crash de aplicativo e mais. Foi preciso aguardar 4 atualizações para ser possível jogar e finalmente escrever essa análise, tendo inclusive iniciado um novo jogo 3 vezes. Entretanto, com a mais recente atualização, o jogo está mais estável e sem nenhum problema aparente. Ainda assim, ver defeitos técnicos tão grosseiros numa versão que deveria ser a melhor possível do jogo é deprimente.

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Há ainda aspectos que deveriam ser atualizados e/ou melhorados. A câmera continua um incômodo em boa parte do mapa, não tendo uma definição certa de quando auto ajustar e sempre estando fora de foco, perto demais do personagem ou quase sempre mais apontada para o chão. Além disso, a interface visual claramente carecia de mais dedicação, principalmente com ícones ou textos que ocupam uma grande porção da tela sem muita necessidade.

Mesmo que muitos problemas tenham sido solucionados através de atualizações, pesa ainda negativamente o baixo trabalho em realmente remasterizar o título, ou seja, aproveitar o poder dos consoles atuais para trazer uma versão bastante aprimorada do jogo e não somente um port com melhorias pontuais. Mesmo assim, o retorno do mundo de Amalur é válido, ainda que seja mais para aqueles presos a nostalgia do título original e principalmente para os que nunca puderam aproveitar um ótimo RPG em sua época.

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela THQ Nordic.

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Veredito

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning traz de volta um ótimo RPG em um pacote completo, com uma boa história num universo que ainda tem muito a ser explorado. A jogabilidade diversificada continua sendo o ponto forte do jogo, porém, a remasterização deveria ter sido melhor, com mais melhorias visuais e técnicas para um jogo que sempre se apresentou datado nesse quesito.

75

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning

Fabricante: KAIKO

Plataforma: PS4

Gênero: RPG / Ação

Distribuidora: THQ Nordic

Lançamento: 08/09/2020

Dublado: Não

Legendado: Não

Troféus: Sim (inclusive Platina)

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Veredict

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning brings back a great RPG in a complete package, with a good story in a universe that still has a lot to explore. The diversified gameplay remains the strong point of the game, however, the remastering should have been better, with more visual and technical improvements for a game that has always been dated in that regard.


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