Gorn – Review

Para desenvolver um jogo de sucesso nem sempre é necessário que os desenvolvedores apelem para conceitos complexos e totalmente originais. Muitas vezes é possível achar diamantes brutos a partir das ideias mais simples que se pode imaginar. Esse é o caso de Gorn, o jogo mais recente da Free Lives, conhecida anteriormente pelo divertido Broforce e pelo bizarro Genital Jousting, que finalmente chega ao PlayStation VR.

Gorn é um jogo de ação em primeira pessoa em que o jogador encarna o papel de um gladiador sem nome na Roma antiga, sendo obrigado a sobreviver a dezenas de embates contra os mais perigosos (e hilários) inimigos já vistos da história. Apesar de ser um conceito previamente já utilizado por outros games ao longo das gerações, Gorn inova ao estabelecer uma visão mais bem humorada desses guerreiros que tinham como palco o grande Coliseu romano, que ao se misturar com o artifício da realidade virtual, cria um verdadeiro playground onde você pode fazer o que bem entender com seus inimigos. Não existe uma história a ser contada dentro do game e sua “campanha” se apresenta sob a forma de diferentes arenas que o jogador pode ingressar para batalhar contra dezenas de inimigos.

O brilho de Gorn está em seu combate que, além de ser divertido e frenético, é extremamente realista, exigindo uma boa dose de pensamento estratégico por parte do jogador. Não basta apenas lançar golpes às cegas na esperança de eliminar o inimigo no processo, uma vez que cada um deles estará equipado com diferentes configurações de armadura, que podem defletir os seus ataques e dificultar o combate. Caso você esteja empunhando armas cortantes será essencial procurar brechas na defesa inimiga, como partes do corpo desprotegidas, e explorá-las para obter a vantagem necessária para a vitória, desmembrando e incapacitando seus adversários sempre que surgir a oportunidade. Outro tipo de abordagem possível é o uso de armas contundentes, como porretes, estrelas da manhã e maças, que são capazes de destruir armaduras e escudos facilmente. Em uma situação com múltiplos inimigos você pode fazer uso de lanças para mantê-los distantes enquanto elimina um por um, ou ainda recorrer ao arco e flecha ou facas de arremesso caso tenha uma boa pontaria.

Há um arsenal gigantesco e variado de armas que utilizará ao longo do título e cada uma tem sua própria forma de ser manuseada, cabendo  ao jogador descobrir o melhor jeito de utilizá-la contra seus inimigos. Você empunhará espadas, escudos, machados, bestas, arcos, lanças, porretes, tacapes, garras retráteis, bastões, maças, manguais, nunchakus e muito mais enquanto avança pela campanha do game que é apresentada através de várias arenas repletas de desafios diferentes que você poderá cumprir na ordem que desejar. Gorn ainda oferece diferentes tipos de modos que geram uma excelente diversão, mesmo que a campanha principal já tenha sido completada. Há o modo infinito, em que você pode testar os limites da sua resistência enfrentando ondas intermináveis de inimigos e o modo customizado, onde você pode criar sua própria arena, e inserir modificadores diferentes que podem afetar o gameplay de formas hilárias. Por exemplo você pode lutar contra inimigos maiores (ou menores), aumentar a velocidade de movimentação, configurar para que tudo morra apenas com um único golpe e muito mais. O único ponto negativo é a falta de um modo multiplayer, seja cooperativo ou PvP, que certamente colocaria o jogo em um patamar semelhante ao de For Honor.

O que não faltam em Gorn são recursos diferentes para lutar, e no campo de batalha você nunca realmente estará desprotegido. Na falta de uma arma em mãos é possível atacar com seus próprios punhos, dar tapas, empurrões, agarrar o armamento inimigo e até utilizar seus corpos para se defender. Caso isso não seja o bastante, você pode recorrer ao próprio cenário, e empalar seus adversários nas paredes repletas de espinhos ou esmagar seus crânios com as pedras espalhadas pela arena. Não existem regras, e tudo é válido para ser o último homem (ou mulher) de pé ao final do confronto. Vale lembrar que o nível de violência gráfica encontrado no game é alto, sendo possível decapitar e desmembrar inimigos com armas cortantes, arrancar seus corações, esmagar seus membros e muito mais. Toda essa violência é acompanhada de centenas de litros de sangue, que ficarão espalhados por todo o cenário do game e, se você é sensível a esse tipo de conteúdo há a possibilidade de desativar o sangue e desmembramentos através do menu de opções.

Os comandos são extremamente simples, dependendo de um par de controles PlayStation Moves para serem executados enquanto o jogador fica de pé em um espaço apropriado para utilização do headset VR. Pressionar os gatilhos fará com que o personagem feche suas mãos, o que serve tanto para atacar os inimigos com seus próprios punhos, como para segurar e manipular objetos encontrados na arena. Uma vez que esteja empunhando uma arma, basta realizar movimentos em quaisquer direções para que possa desferir golpes em seus adversários. Caso você não goste de ficar segurando o gatilho do controle é possível apenas apertar o botão triângulo e sua mão permanecerá fechada. Já o botão quadrado faz com que o personagem levante o polegar ou o dedo médio para saudar ou ofender inimigos.

A movimentação por sua vez pode ser um pouco estranha para os que já estão acostumados a jogar outros jogos em realidade virtual, uma vez que é necessário segurar o botão central do controle enquanto o apontamos para alguma direção e, em seguida, puxar o controle para perto do nosso corpo. Esse tipo de movimentação dá a sensação de que o jogador está se arrastando pelo chão e, por mais que evite os enjoos e dores de cabeça recorrentes de se utilizar o headset VR, acaba sendo muito desgastante e cansativo com o tempo. Felizmente existe a possibilidade de alterar-se a configuração de movimentação com base nas preferências do jogador, havendo uma opção que permite apenas segurar o botão central do controle para que o personagem se mova para onde o jogador está olhando, e outra em que controlamos a movimentação com um dos PlayStation Moves. Vale lembrar que como de costume existem os botões de rotação que permitem que você gire o seu personagem.

A curva de dificuldade do game é excelente, e ao longo de toda a sua duração Gorn oferece uma boa gama de desafios para o jogador que ousar pisar na arena de batalha. O único ponto negativo é que basta um único golpe inimigo para que se entre em um estado de quase morte. Nesse estado a sua visão rapidamente ficará vermelha e em seguida os olhos de seu personagem se fecharão. Caso você consiga eliminar algum inimigo antes de seus olhos se fecharem você sairá do estado e poderá continuar a lutar normalmente, semelhante ao que acontece em Hitman Blood Money quando sua vida é esgotada. Mesmo com essa mecânica de “segunda chance” haverão momentos em que será praticamente impossível eliminar um inimigo e não ser acertado novamente por outro. Por conta disso é fundamental que você tenha uma boa visão periférica e esteja a par daquilo que está atrás de você para não ser pego desprevenido.

Ao longo do game o jogador enfrentará dezenas de inimigos que aparecem sob o mesmo modelo básico de personagem: um homem trajando apenas uma cueca, com pernas extremamente finas e um tronco muito musculoso. Essa aparência caricata é proposital e, uma vez de frente com seus inimigos será impossível não dar boas gargalhadas com a sua movimentação lenta e desajeitada pela arena. Mas as brincadeiras acabam por aí, uma vez que Gorn apresenta uma variedade interessante de inimigos que podem ser classificados com base no tipo de equipamento que estão utilizando, aumenta gradativamente a dificuldade do combate. Com o passar do tempo aparecerão inimigos mais fortes e em maior número, trajando armaduras de couro, pedra ou aço fundido e manejando armas de diferentes tipos, forçando o jogador a pensar em uma estratégia antes de entrar em combate, analisando atentamente o padrão de movimentação dos inimigos. Existem ainda os chefes, que são variações divertidas e bem mais complexas dos inimigos base e que certamente testarão a sua habilidade de combate.

A direção de arte do game é interessante e acerta em cheio ao empregar uma visão mais caricata, e com boas pitadas de humor negro, dos embates ferozes que ocorriam entre os gladiadores. Essa visão mais bem humorada desse período histórico faz com que o jogador observe com seus próprios olhos como a população romana enxergava os gladiadores que estavam tentando sobreviver a qualquer custo dentro das arenas. Estas por sinal são bem detalhadas e, ainda que não apresentem muita variedade, é perceptível a atenção dos desenvolvedores ao incluir texturas bem definidas e pequenos detalhes no cenário que passam despercebidos caso o jogador não preste atenção. Há um bom uso de cores vivas, principalmente o vermelho que acaba tomando conta de todo o cenário sob a forma de sangue. Os modelos dos inimigos podem parecer simples à primeira vista, mas cada um carrega dentro de si (literalmente) diversos detalhes que podem ser apreciados brevemente durante os confrontos. Já o mesmo pode ser dito das armas e armaduras que possuem dezenas de micro-detalhes , como arranhões, rachaduras e imperfeições que aplicam um grau mais realista a esse mundo caricato. Há ainda um bom trabalho de iluminação com destaque para o reflexo do sol nos equipamentos na arena.

Gorn também apresenta uma ótima direção de som, que utilizou excelentes efeitos sonoros para dar um realismo absurdo às armas e inimigos.  Tudo tem um som característico que cria uma bolha de imersão excelente, seja uma espada colidindo contra outra, um machado acertando o torso de um inimigo, ou um escudo sendo destruído por um martelo. Por conta disso é altamente recomendável o uso de headphones com uma boa qualidade de áudio, para ouvir os inimigos ao seu redor e ter maior noção do que está dentro do seu alcance. Infelizmente o jogo não possui uma trilha sonora durante os combates, mas é algo que dificilmente faz falta.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela Devolver Digital.

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Veredito

Gorn é, certamente, um dos melhores títulos disponíveis para o PlayStation VR. Apesar de possuir uma premissa simples, entrega um gameplay divertido e com um bom nível de profundidade. Ao final de cada confronto contra seus inimigos será impossível não gritar a icônica frase dita por Maximus Decimus Meridius em Gladiador: “vocês estão entretidos?”.

90

Gorn

Fabricante: Free Lives

Plataforma: PS4

Gênero: Ação

Distribuidora: Devolver Digital

Lançamento: 19/05/2020

Dublado: Não

Legendado: Não

Troféus: Sim

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Veredict

Gorn is certainly one of the best titles available for PlayStation VR. Despite having a simple premise, it delivers fun gameplay with a good level of depth. At the end of each confrontation against your enemies, it will be impossible not to shout the iconic phrase said by Maximus Decimus Meridius in Gladiator: “are you entertained?”.