ENDER LILIES: Quietus of the Knights – Review

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ENDER LILIES: Quietus of the Knights é um jogo de aventura no estilo Metroidvania, desenvolvido pela Adglobe em parceria com a Live Wire e publicado pela Binary Haze. Com o ressurgimento do gênero nos últimos anos, principalmente em virtude dos financiamentos online de campanhas, ENDER LILIES é lançado de forma independente para o PlayStation 4 e outros consoles após um breve período em “early access” no PC.

O jogo começa com a protagonista Lily, uma jovem garota, que após acordar sem memórias numa igreja abandonada, encontra o Cavaleiro Negro, que acompanhará a protagonista para mostrar o mundo que existe lá fora. A história se passa num lugar chamado “País do Fim”, onde todos os seres vivos foram corrompidos através da chuva misteriosa, e que cabe às Sacerdotisas Brancas limpar os seres vivos de sua Corrupção para poderem descansar em paz.

A história do jogo é contada principalmente com textos e cartas encontradas no cenário por Lily, em breves monólogos do Cavaleiro Negro em alguns momentos e com cutscenes após derrotar certos chefes importantes. O jogo dá conta de trazer uma história para esses chefes e mostrar que em algum ponto, todos os Corrompidos já foram humanos vivendo as suas vidas e lutando pelo seu povo.

Apesar do gênero não ser exatamente conhecido por sua narrativa e foco na história, ENDER LILIES faz um bom trabalho em casar uma história interessante com um cenário misterioso. A coesão entre história, cenário, inimigos, lore, chefes, espíritos, armas, faz com que o jogador se sinta imergido nesse mundo e consiga sentir uma fluidez durante o seu tempo com o jogo.

Quanto à jogabilidade, ENDER LILIES é um Metroidvania com algumas mecânicas conhecidas de jogos Souls-like. Lily e o Cavaleiro Negro desbravam o “País do Fim” um mapa por vez, todos eles interligados entre si, porém nem todos são totalmente acessíveis no começo. Conforme o jogador vai habilitando mecânicas como pulo duplo ou ganchos para se pendurarem na parede, novas possibilidades surgem para a exploração de caminhos então inacessíveis.

Explorar o mapa em ENDER LILIES é uma delícia. O ritmo em que novas mecânicas vão sendo introduzidas, que itens ou caminhos então fechados se tornam possíveis, a facilidade em se deslocar através dos pontos de descanso, onde Lily também pode aumentar o nível de suas habilidades e equipar novas relíquias, é excelente. Em nenhum momento senti tédio em ter de revisitar velhos mapas para desvendar novas maneiras de alcançar esses lugares. O fato de mostrar cada mapa em azul indicando que ainda há itens a pegar e em laranja sinalizando que tudo já foi adquirido é genial e ajuda muito na hora de revisitar.

O combate de ENDER LILIES também é muito bom, apesar de haver algumas ressalvas. Inicialmente, você possui acesso apenas ao ataque de espadas básico do Cavaleiro Negro, porém conforme o jogo avança, Lily passa a contar com habilidades especiais – espíritos corrompidos que, após serem purificados por Lily, passam a ajudá-la no combate. As habilidades vão de espíritos que acompanham Lily ativamente no mapa, como um corvo que dispara projéteis de magia contra os inimigos, a espíritos que atacam pontualmente, como os disparos de flecha de um arqueiro, uma bruxa que lança magias, marretadas de uma guardiã, e por aí vai.

A possibilidade de combinações é enorme, porém a grande ressalva é que, apesar dessa grande quantidade de habilidades, o jogo em si não exige do jogador que as explore profundamente. É possível terminar todo o jogo usando apenas três, quatro das vinte e seis habilidades. Ainda que algumas delas tenham finalidades muito parecidas, seria interessante que os desenvolvedores criassem mapas e chefes específicos que pedissem uma exploração maior das habilidades destravadas até aquele ponto.

A menção às mecânicas Souls-like vem, em grande parte, do sistema de cura e de esquiva. Lily inicialmente conta com três preces, que ao apertar um botão específico, ela para por alguns segundos e se cura de boa parte dos danos então sofridos. Essa é a maneira principal de recuperar a sua vida durante a exploração, visto que é principalmente nos pontos de descanso que Lily recupera toda a vida e as preces. Os pontos de descanso até que são abundantes no mapa em geral, porém acredito que isso não é um ponto negativo, já que certos trajetos entre um ponto e outro costumam ser bastante difíceis e um momento de alívio sempre é bem-vindo.

Quanto à esquiva, ela será a maneira mais básica e principal da protagonista se “defender” durante o jogo. A esquiva permite que Lily atravesse maiores distâncias ou inimigos com um único botão, porém a sua invencibilidade temporária acaba no momento que a animação da esquiva termina. Também não é possível se esquivar várias vezes sem que esse breve momento a deixe vulnerável a danos, logo esquivas bem calculadas são absolutamente necessárias em mapas cheios ou chefes rápidos.

A arte do jogo e o design dos inimigos saltam aos olhos nos primeiros minutos do jogo. A atenção aos detalhes é enorme e o design de cada inimigo não apenas ajuda a indicar o seu padrão de ataques, mas também auxilia na imersão de que, novamente, o mundo, os inimigos e a história correm todas unidas. As breves cenas em cutscenes também trazem ilustrações etéreas e, em alguns momentos, até mesmo arrepiantes. Os chefes, especialmente, são muito bem desenhados, fazendo sentido entre o seu design e os golpes que disparam nas batalhas.

A trilha sonora é outro ponto muito positivo do jogo. São quase dez “áreas” no total divididas em pequenas ou grandes seções e cada área conta com uma trilha específica, as vezes mais de uma, dependendo do contexto de cada seção. As áreas mais próximas do fim do jogo trazem trilhas mais “experimentais” e diferentes, enquanto as primeiras contam com trilhas mais familiares a ouvidos de jogadores acostumados a jogos de fantasia ou mesmo sombrios.

Um ponto que devo tirar o chapéu é a localização em português do Brasil. Raramente costumo jogar, pessoalmente, com essa opção. Apenas quando analiso algum jogo que procuro, e quando tem, opto por ela. Comecei a jogar com as legendas em português do Brasil e cheguei ao final sem qualquer queixa que seja sobre a localização. Todo o texto e carta foi traduzido de forma minuciosa e impecável, as descrições das habilidades e relíquias não perderam em nada ao serem traduzidas e em nenhum momento cheguei a cogitar trocar o idioma do jogo para o inglês.

ENDER LILIES é um jogo que chegou “de fininho”. As desenvolvedoras e até mesmo a publisher são relativamente desconhecidas, lançando um jogo de um gênero bastante celebrado nos últimos anos, em que vemos dezenas de lançamentos todos os anos. Fico feliz em ter descoberto ENDER LILIES a tempo de ter jogado e escrito essa análise, porque tirando algumas questões bem pontuais, esse é o melhor Metroidvania que joguei em muitos anos.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Binary Haze Interactive.

Veredito

Mesclando diferentes gêneros e mecânicas, ENDER LILIES: Quietus of the Knights talvez seja um dos mais desconhecidos, porém também um dos melhores Metroidvanias lançados nos últimos dez anos. Do começo ao fim, tirando pequenos pontos, o jogo se destaca em tudo que faz.

95
ENDER LILIES: Quietus of the Knights
Fabricante: Live Wire / Adglobe
Plataforma: PS4
Gênero: Aventura
Distribuidora: Binary Haze Interactive
Lançamento: 20/07/2021
Dublado: Não
Legendado: Sim
Troféus: Sim (inclusive Platina)
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Mixing different genres and mechanics, ENDER LILIES: Quietus of the Knights is perhaps one of the lesser-known, albeit one of the best Metroidvania titles released in the last ten years. From start to finish, with very few caveats, the game excels in everything it does.