Dungeon Defenders: Awakened – Review

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Quando Chromatic Games lançou o primeiro Dungeon Defenders ainda em 2010 não se esperava que o título conseguiria sucesso relativo assim. Com destaque nos consoles da época (PS3 e Xbox 360), além do PC, o título chegou de forma mobile e também para dispositivos Apple, levando assim o jogo para um imenso público possível. O sucesso garantiu que uma sequência fosse lançada, mas essa aconteceu em moldes diferentes e seguindo o padrão free-to-play e microtransações. Ainda que o jogo gratuito ficasse disponível para vários jogadores a qualquer momento, muito da estrutura do tower defense com ação foi mudada para se encaixar na nova economia que o estúdio almejou para o segundo jogo da série.

Gosto de comparar Dungeon Defenders com Orcs Must Die! nesse sentido, principalmente já que ambas as séries tiveram um caminho similar. Um início com sucesso, então mudança para free-to-play e microtransações e, após não agradarem ao todo, darem um passo atrás e lançarem um novo jogo nos moldes antigos. Orcs Must Die! 3 se sobressaiu ao antecessor Unchained, mas Dungeon Defenders: Awakened vai conseguir o mesmo?

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Já tendo saído em 2019 no PC, onde a série é mais forte, o jogo só agora chegou para consoles com um atraso considerável e informações obscuras do lançamento. Ao poder aproveitar o jogo finalmente agora, já adianto que muito dessa obscuridade é devido ao resultado final do que é entregue nos consoles.

Se você nunca jogou um título da série, Dungeon Defenders é um tower defense com grande foco na ação, misturando elementos de RPG e loot. Defenda seu cristal de Eternia de diversos tipos de orcs, demônios e mais em mapas diversos, usando 4 heróis únicos com habilidades e ferramentas distintas para isso. A história continua girando ao redor dos 4 guardiões do primeiro jogo que, após ficarem velhos e mais experientes, são jogados de volta no tempo para enfrentar outros perigos em suas versões adolescentes. Adentre uma campanha com 12 mapas e outros modos de jogo para testar suas habilidades e táticas com até outros 3 jogadores online.

Aqui o foco na ação é recompensado de imediato ao jogador, que não precisa apenas se preparar para um ataque hostil posicionando torres de defesa e armadilhas, mas tendo que partir para o ataque direto contra centenas de inimigos por vez. Essa sempre foi a maior diferença de DD para outros tower defenses tradicionais, colocando aqui a ação e os atos do jogador sempre como prioridade na batalha e não somente observando a carnificina pelas táticas de armadilhas do cenário.

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No que tange ao “jogar”, muito pouco mudou e Awakened mantém a experiência muito similar e apenas refinando o que já foi entregue desde 2010. Isso pode ser uma faca de dois gumes de toda forma, já que pra quem espera mais vai soar como a mesma fórmula apresentada novamente sem novidades. Intercale ondas de construção com ondas de destruição e tente montar, dentre as limitações de cada mapa e heróis, a melhor estratégia de ataque e defesa para proteger seu cristal. Ainda que a estrutura do jogo seja o que mantém suas características únicas, o que pode soar estranho e também um dos maiores problemas de Awakened é a similaridade excessiva com o primeiro jogo e principalmente o aspecto de produto inacabado.

Vamos lá entender melhor isso. Se você jogar ambos os jogos lado a lado, intercalando um e outro, vai ver que são propostas quase idênticas, em apresentação e jogabilidade. Como disse, a fórmula do jogo é o que fez o título ter sucesso e virar uma franquia, mas sempre esperamos evolução, novidades, mais criatividade e algo que mostra as sequências não se prendendo somente ao que deu certo. Awakened induz muito isso ao apresentar o que seria apenas “mais do mesmo” 12 anos depois.

Algo que realmente se destaca de forma negativa é tudo aquilo que o jogador vê no título, do visual estranho aos menus e comandos desnecessariamente confusos. Há um excesso de coisas jogadas ao mesmo tempo que confunde qualquer um e exige algumas horas de aceitação de tudo isso para se tornar uma experiência agradável. De toda forma, mesmo se entendo mais com os menus e comandos com o tempo, ainda fica a sensação de estar com um jogo de PS3 rodando no seu PS4 (ou PS5) tamanha a falta de evolução gráfica do jogo.

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Não é exigir muito que um título evolua no quesito técnico e arte entre gerações, mesmo que isso seja feito mantendo sua essência. O estilo artístico do jogo ainda é compreendido facilmente e não deixa de ser bom, mas é um visual atrasado e sem apelo algum para quem entra na franquia pela primeira vez e já aceitando ser um projeto indie ou de menor escala.

Indo direto para o visual do jogo é uma visão horrenda desde o início. Texturas quadriculadas e objetos sem geometria definida são apenas alguns pontos encontrados já no início. Como disse, é aceitável que títulos de menor orçamento não se foquem tanto nesse aspecto, mas também acredito ser inaceitável simplesmente ignorar isso e entregar algo de uma década anterior. Junte a isso uma tradução para o PT-BR feita completamente pela metade e sem qualquer revisão ou ajuste no jogo final.

Algo que realmente me desagradou muito em Awakened são mecânicas já tradicionais jogadas aqui agora sem muito cuidado. O sistema de loot é o principal e se torna algo extremamente chato com o tempo, inundando o jogador de lixo que só acumula e vai fazendo pouco sentido acumular tudo isso. É certo que isso é feito para que o jogador possa evoluir mais de um herói ao mesmo tempo e possa experimentar cada um a qualquer momento, mas se mostra algo não muito bem executado e cansativo quando tem que gerenciar mais de 200 itens a cada mapa. Isso acarreta em muito tempo perdido entre menus ao invés de derrotando orcs.

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Admito que esperei algumas semanas para qualquer tipo de atualização para o jogo que poderia resolver problemas pequenos, como interface e comandos. Ainda que nenhum patch tenha sido lançado, a falta de comunicação sobre as melhorias para a versão de consoles também deixa a prospecção para o futuro do jogo nebulosa. Com 2 anos do lançamento para o PC, a impressão é que jogadores de consoles apenas receberam um port qualquer e que ficaria por isso mesmo, sendo um completo desrespeito ao consumidor assim.

Apesar de tudo, a diversão da franquia é encontrada aqui e mais em evidência quando jogado de forma cooperativa. Juntar até 4 jogadores em mapas com milhares de inimigos, explosões incessantes e ação frenética ainda é a melhor forma de aproveitar o jogo. Há diversos problemas aqui e vários podem ser corrigidos com o tempo e outros apenas ajustados. De toda forma, o que passa a preocupar é o compromisso nessa tarefa que não parece existir, ainda que tenha sido entregue um pacote completo com todo conteúdo possível.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Chromatic Games.

Veredito

A versão de consoles de Dungeon Defenders: Awakened é entregue apenas como um port sem muito cuidado. Ainda que possua visual defasado, menus horrorosos e impressão de um produto inacabado, a diversão tradicional proposta pelo jogo está presente e deve agradar tanto veteranos quanto nostálgicos.

65
Dungeon Defenders: Awakened
Fabricante: Chromatic Games
Plataforma: PS4
Gênero: Ação / Tower Defense
Distribuidora: Trendy Entertainment
Lançamento: 22/05/2022
Dublado: Não
Legendado: Sim
Troféus: Sim (inclusive Platina)
Comprar na

The console version of Dungeon Defenders: Awakened is delivered as a careless port. Although it has an outdated visuals, horrible menus and the impression of an unfinished product, the traditional fun proposed by the game is present and should please veterans and nostalgics alike.