Dragon Ball FighterZ

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Dragon Ball é uma série extremamente popular no Brasil. Goku é tão conhecido pelo público que é difícil encontrar pessoas que não reconhecem o personagem. Mesmo com toda essa popularidade, ainda havia um campo que precisava de um bom título: luta 2D.

Escolher a Arc System Works para esse trabalho foi algo simples e natural. Guilty Gear Xrd possui gráficos incrivelmente belos criados na Unreal Engine 4 e Dragon Ball FighterZ simplesmente se tornou um anime jogável com eles.

Dragon Ball FighterZ é um excelente jogo para o que se propõe. É um pacote redondo, oferecendo tudo que esperamos e indo além, mas que não deixa de ter algumas falhas que veremos a seguir.

Primeiramente, o jogo, mesmo offline, nos leva a um lobby. É nele que temos acesso a todos os modos. Se você estiver online, existirão pessoas andando por ele e indo aos modos em questão como você. O jogador e as pessoas são representados por avatares chibbies (“bonitinhos” e estilizados) de vários personagens de Dragon Ball. Para adquiri-los, você deve ir à loja e comprar cápsulas com dinheiro in-game. Essas cápsulas fornecem não só os avatares, mas também cores aos personagens, títulos e outros itens cosméticos. Ao adquirir repetidos, você recebe outra moeda que, ao acumular 10 delas, pode trocar por uma nova cápsula. É o sistema de loot boxes básico, mas do jeito que é para ser (sem afetar o gameplay).

A partir do lobby, portanto, você tem acesso aos modos de jogo que descreveremos agora. O primeiro que gostaria de descrever é o Arcade. Nele há três caminhos distintos (3, 5 ou 7 oponentes) que, ao serem completados, liberam o modo difícil. Se você completar no difícil o de 5 ou 7 com uma ótima pontuação (rank A ou S), destravará as versões SSGSS de Goku e Vegeta, caso não tenha feito a pré-compra (eles também podem ser destravados acumulando 300 mil e 500 mil de dinheiro in-game). É interessante jogar o Arcade com esse objetivo (de destravar os personagens ou pela pontuação), mas infelizmente não há finais ou algo que o incentive a jogar várias vezes. É, portanto, um modo raso.

Para compensar a ausência de finais no Arcade, temos o elaborado modo História. O modo História é bastante lento e confuso no início, mas depois que você pega o jeito, ele se torna interessante.

São três arcos com histórias distintas: todas elas contam o mesmo enredo, mas devido ao fato do jogador usar diferentes personagens em cada arco, o desenrolar é diferente. Em outras palavras, é como se fosse a mesma história contada três vezes, mas de maneiras distintas. Ou ainda, a vilã sempre é a Androide 21, mas por motivos diferentes. É realmente difícil de explicar sem entrar em detalhes do enredo, mas quem jogou vai concordar comigo.

O primeiro arco, que é com Goku e seus amigos, começa com todos os heróis nocauteados por ondas misteriosas. Além disso, há clones espalhados por todos os lugares. Uma alma humana – no caso, o próprio jogador – se conecta a Goku e a história começa a se desenrolar. No início, ela é bastante lenta para engrenar e monótona. Inclusive, todas as cutscenes são uma espécie de visual novel – não espere ação. A parte de combate é, literalmente, o gameplay do jogo.

O modo história funciona com os chamados mapas. O jogador está localizado em um determinado ponto e deve chegar ao chefe do mapa. Você possui um número limitado de movimentos e escolhe o percurso que deseja fazer para chegar até o inimigo. No caminho, há vários clones a serem derrotados. Em determinadas situações, há personagens que podem ser resgatados para que você os controle, além de Goku.

Por fim, os personagens funcionam como uma espécie de RPG. A cada batalha vencida, você ganha experiência e pode evoluir de nível com os personagens que estava lutando. Eles não aprendem habilidades, mas você pode equipá-los com determinados “boosts”, como dar mais dinheiro nas lutas, aumentar o poder de ataque, recuperar vida no meio do combate, etc.

O modo história, de maneira geral, é muito interessante, principalmente para quem é fã de Dragon Ball. Há inúmeras cutscenes e inclusive várias secretas que só aparecem se você trouxer determinados personagens à batalha, como Goku, Vegeta e Gotenks, por exemplo.

O problema do modo é que ele é desnecessariamente longo (há muitos duelos contra clones – no terceiro arco você não vai aguentar mais destruí-los) e muito fácil. Ao terminar, você abre a possibilidade de jogar no difícil, o que “corrige” a facilidade. Mas ainda assim, será preciso terminar no fácil primeiro.

O modo história nos faz lembrar algo triste: apesar de termos legendas em português, a dublagem realmente fez falta aqui.

Continuando a falar sobre os outros modos além da história e Arcade, temos o Treino. Além do Training Mode clássico, temos as trials (desafios/provas) e tutorial. O tutorial ocorre tanto aqui quanto em vários momentos do primeiro arco do modo história. Portanto, você vai estar cansado de saber das mecânicas básicas após um certo tempo. De qualquer forma, ele ensina bem o que precisamos saber. O maior problema são as trials – elas são ridiculamente fáceis. São 10 por personagem, sendo que somente a décima é que apresenta alguma dificuldade. Para se ter ideia, as três primeiras sempre são os auto-combos com quadrado, triângulo e bola.

Vamos aproveitar essa brecha e falar sobre o melhor ponto de Dragon Ball FighterZ ao lado dos gráficos: o gameplay.

Dragon Ball FighterZ é frequentemente comparado à série Marvel vs Capcom por oferecer batalhas três contra três. Considerando isso, e a mecânica de troca e assistências, é justa a comparação. Mas todos os outros elementos são únicos ao jogo.

Os ataques são simples: quadrado é fraco, triângulo é médio e bola é forte. X executa, normalmente, um projétil do personagem. A partir disso temos as combinações que nos levam às outras mecânicas. Para facilitar, direi o que está na configuração padrão do game, mas saiba que L1, L2, R1 e R2 são apenas atalhos.

O R2 é um dos botões que você vai mais apertar. Ele realiza a perseguição – o seu personagem segue o adversário, não importando onde ele esteja no cenário, para atacá-lo. Isso inclusive atravessa os projéteis mencionados que são disparados pelo X (golpes especiais podem impedir o movimento, no entanto). Essa perseguição, portanto, é o que permite continuar seus combos em dados momentos.

Já o R1 funciona como o agarrão do jogo. No caso, o seu personagem dá um pequeno dash e realiza uma sequência de golpes que termina com o oponente sendo jogado ao ar para receber mais golpes ainda. Ele funciona como agarrão pois é a mecânica usada para quebrar a defesa.

L1 e L2 são os botões para os seus outros dois personagens. Pressione e você o chama para ajudar na luta (o chamado assist ou assistência). Se segurar, realizará a troca.

Enquanto isso, o quadrado e X juntos permitem que você carregue seu ki (em outras palavras, as suas barras de especiais), já bola e triângulo fazem um golpe de teleport que surge atrás do oponente (isso gasta uma barra de ki).

Além disso tudo, temos os golpes especiais e os ataques meteoro (os Supers de nível 1 ou 3). Todos eles são feitos com movimentos de 1/4 de círculo para frente (“Hadouken”, no caso de Street Fighter) ou para trás (“Tatsumaki”) e um ou dois botões. Não existem comandos mais complexos que isso – não há comandos de Shoryuken ou de 1/2 de círculo. No máximo, em alguns casos, há também baixo, baixo e um botão.

Por fim, há a mecânica de auto combo. Isso é algo que outros jogos têm adotado, como Persona 4 Arena, The King of Fighters XIV ou o próprio Marvel vs Capcom: Infinite. A diferença em DBZ é que os personagens realizam os auto combos mesmo se o primeiro golpe da sequência não acertar no oponente. Em outras palavras, pessoas que não possuem habilidade em jogos de luta terão como se divertir apertando apenas os botões freneticamente.

É justamente isso que torna DBZ atrativo para qualquer tipo de jogador. O game pode ser profundo em suas mecânicas para aqueles mais hardcore, que explorarão todos os tipos de combos, ou simples para quem só quer se divertir e ver seus personagens favoritos lutando na tela de sua TV.

Voltando a falar sobre os modos de jogo, finalmente chegamos ao Online. Antes dele, restou falar brevemente sobre o Versus local: além do básico, há uma opção de torneio, mas que no fim será pouco utilizada pelos jogadores. Sobre o online, há pontos positivos e negativos.

Primeiro os positivos: você dificilmente encontrará partidas lagadas, mesmo se o ícone de conexão estiver vermelho. Isso é essencial em um jogo de luta. Além disso, por causa dos lobbies, há vários meios de lutar online: partidas ranked (mundial), casuais, de arena e as que vamos chamar de ringue.

As ranked são auto-explicativas: ligue a busca, lute com o oponente que surgir e ganhe pontos para sua colocação nos rankings online. Lutas casuais possuem o mesmo sistema, mas não oferecem pontos. Já as de arena e ringue é onde estão os problemas mencionados…

No lobby, há uma arena central na qual você pode jogar com as pessoas que estão ao redor. Também existe a possibilidade de criar uma sala e esperar que alguém venha lutar com você. Ambas foram extremamente difíceis de funcionar em nossos testes, ao contrário das partidas ranked e casual. Mas sabe qual é o pior problema disso? Jogar com amigos.

Para jogar com os seus amigos, no sistema atual, você precisa marcar de todos eles se encontrarem no mesmo lobby e criar uma sala nele. Não existe um sistema de convite. E, ainda assim, corre o risco de dar erro de conexão. É uma dor de cabeça jogar com os amigos atualmente. No entanto, a Bandai Namco admitiu que os problemas existem e é possível que isso seja corrigido em breve.

Ainda relacionado aos lobbies, há loading para qualquer modo que você entrar, mesmo que seja apenas um menu na próxima tela. É algo que pode irritar um pouco, pois não faz muito sentido um loading entre menus.

Dragon Ball FighterZ, no fim, é uma ótima pedida para qualquer tipo de jogador. Além de tudo que foi discutido na análise, seja positivo ou negativo, outro ponto polêmico são os personagens. O jogo base possui um número considerável (24), mas que pode ser discutível para um título cujas batalhas são 3 contra 3. Além disso, ter diferentes formas dos mesmos personagens (Goku e Vegeta, por exemplo) não colabora para isso. Mas, pessoalmente, acredito que o elenco esteja variado no quesito gameplay e torço para que os DLCs que virão continuem oferecendo essa variedade.

Veredito

Dragon Ball FighterZ é um excelente jogo de luta. Apresenta gráficos incrivelmente belos e muito fiéis aos do anime. O gameplay, apesar de ser simples à primeira vista, possui uma profundidade que pode ser explorada pelos jogadores mais dedicados. O modo online também não decepciona, exceto pela dificuldade de jogar com os amigos. O modo história, mesmo tendo um começo lerdo e ser desnecessariamente muito longo, é interessante. No fim, Dragon Ball FighterZ merece muito ser conferido.

Jogo analisado com código fornecido pela Bandai Namco.

Veredito

95

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Dragon Ball FighterZ is an excellent fighting game. It has beautiful graphics that are very faithful to the anime. The gameplay, although simple at first glance, has a depth that can be explored by the most dedicated players. The online mode does not disappoint either, except for the difficulty of playing it with friends. The story mode, despite having a slow start and being unnecessarily too long, is worth checking out. In the end, Dragon Ball FighterZ deserves to be played.