Deathloop – Review

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Deathloop já começa com uma história interessante por trás do título e que pode ficar lembrado por outros fatores além do jogo em si. O marketing mais agressivo e exaustivo nos meses antes de sua chegada e o eventual lançamento com exclusividade temporária para o PlayStation 5 pela Microsoft acabam roubando bastante a atenção. Apesar de toda essa confusão, não se engane! O jogo da Arkane tem fundações sólidas e entrega a qualidade já conhecida do estúdio com suas características únicas.

O sugestivo nome já indica bastante sobre o que ele realmente é. Um ciclo de morte sem fim é o que aguarda o jogador numa experiência que vai apresentar tanto mecânicas únicas quanto usar diversas outras já consolidadas na indústria atual. Deathloop é claramente um jogo da Arkane, tendo boas similaridades na jogabilidade com Dishonored, mas acaba inserindo sistemas de roguelite e até de títulos da From Software no meio.

Deathloop

O jogador é Colt Vahn, que acorda numa praia sem qualquer memória sobre seu passado. Em poucos minutos já há a apresentação de Julianna, uma assassina implacável e que planeja impedir Colt de “quebrar o ciclo” da ilha Blackreef. Assim como o protagonista, o jogador se vê num turbilhão de informações sem saber exatamente o que está acontecendo a princípio e entra na jornada de compreensão dos mistérios da ilha e do que se passa ao redor de todos ali.

Há uma boa história em Deathloop e que é apresentada de forma bastante similar a uma teia de aranha. Mistérios e pistas vão se interligando para formar uma linha narrativa quebrada e culminar na explicação de diversos pontos do jogo. Dando uma explicação básica aqui sem querer entrar em spoilers, uma organização chamada AEON realizou experimentos na ilha de Blackreef e acabou criando uma espécie de loop temporal e um dia que sempre se repetirá. Colt está preso nesse loop, assim como todos os demais residentes da ilha, e descobre que nunca irá sair disso a menos que descubra mais sobre seu passado, sobre Julianna e os demais “visionários” da AEON que estão envolvidos com as pesquisas.

Na tentativa de quebrar o loop e escapar, Colt precisa entender toda a situação e descobrir como não se perder ciclo após ciclo. Como as memórias são as únicas coisas que acabam sendo mantidas de um ciclo para outro, descobrir informações úteis se torna a tarefa mais importante do jogo. Para isso, cada texto, áudio, conversa, ações de NPC e dos visionários se tornam a chave para o mistério aqui.

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Entretanto, descobrir essas pistas é uma tarefa complexa. Blackreef possui quatro localizações exploráveis e que podem ser acessadas durante 4 períodos do dia, sendo manhã, meio-dia, tarde e noite. Você já deve ter começado a perceber como a mecânica do jogo funciona então, certo? Acessar um mesmo local em diferentes horários trará resultados diferentes, assim como algumas atividades só estão disponíveis em determinados momentos. Por exemplo, uma pista específica é encontrada na cidade ao amanhecer, mas também há um alvo importante para ser eliminado num complexo de pesquisar ao amanhecer. Cabe ao jogador decidir como melhor irá aproveitar aquele ciclo e colher a maior quantidade de dados possíveis. Tudo isso será usado para a missão máxima de conseguir quebrar o ciclo, que, acredite, é uma tarefa mais longa e complexa do que pode parecer ao se descobrir como fazer.

Deathloop se torna uma experiência de exploração de informações com solução de quebra-cabeças, utilizando da ação bruta no combate ou se esgueirando silenciosamente por aí quando necessário, planejando passos durante o dia, guardando memórias importantes para o próximo ciclo e aprendendo a usar esse loop ao seu favor. De todas as formas, o jogo se torna mais do que apenas correr e atirar ou se esconder e pegar qualquer inimigo por trás, mas sim um exercício de raciocínio, muita leitura, concentração e percepção.

Ao jogar Deathloop, o jogador precisa ter em mente que o aprendizado é longo e até complexo. As primeiras 6 a 8 horas podem ser bastante confusas e até arrastadas. Há por um longo tempo diversas mecânicas sendo apresentadas, com uma boa quantidade de textos para ler e a pressão da repetição de um ciclo acelerado iminente. Porém, após esse período e principalmente ao entender o sistema de pistas, o jogador tem em mãos um jogo que é desafiador na medida certa, seja para o gameplay direto quanto para a capacidade de raciocínio.

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Talvez o maior problema seja realmente superar o início mais conturbado, já que depois disso o entendimento de demais mecânicas acontece facilmente. O combate e exploração não é algo novo e aqui são acompanhados do que seria a mecânica de roguelite. Cada vez que um ciclo termina ou Colt morre permanente, o jogador perde seus itens e precisa começar do zero. Eventualmente haverá um sistema que permite selecionar equipamentos que podem ser mantidos entre ciclos, mas isso acontecerá mediante um certo recurso.

Residuum é uma espécie de moeda usada para isso e é conquistada de diversas maneiras no jogo, mas também é perdida ao morrer. Colt pode ser eliminado duas vezes por período do dia, sendo que quando isso acontece ele retorna alguns passos atrás. Seu residuum é deixado no local de morte e pode ser recuperado ao voltar ali. Entretanto, morrer uma terceira vez é considerado uma fatalidade e desencadeará o início de todo um ciclo novamente.

O combate e stealth são muito similares a Dishonored, sendo com armas de fogo e habilidades chamadas de “placas”. Há também itens usados como perks para Colt e também melhorias de armas e placas. Ache mais de cada um desses pelos mapas e monte combinações perigosas enquanto tenta quebrar o ciclo. Não há nada aqui de tão inovador caso já tenha jogado os títulos anteriores da Arkane ou jogos similares, como Bioshock Infinite, mas tudo é executado de forma precisa e sem qualquer falha.

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Destaque aqui para a I.A. do jogo que consegue gerar certo desafio em vários momentos. Combate direto nem sempre vai ser a solução mais ideal, já que os inimigos são implacáveis em grupos. Ao usar stealth, é preciso também tomar bastante atenção e não ser pego desprevenido ou um alerta geral pode acontecer e até mesmo mudar o destino de alguns personagens naquele período do ciclo.

De certa forma, tudo em Deathloop realmente é um ciclo de diversas maneiras, não apenas para Colt. O jogador vai estar constantemente em um aprendizado sobre o que o jogo pode oferecer, assim como ter que entender a melhor forma de usar o ciclo ao seu favor. Retornar para um mesmo mapa será tarefa comum e acontecerá dezenas de vezes, mas cada uma com um possível resultado diferente.

Apesar disso, tal ciclo pode acabar sendo uma tarefa desgastante às vezes. Em determinado ponto do jogo, será comum acelerar o ciclo apenas para colher uma única pista sobre um evento em determinado mapa num certo período do dia. Isso acaba forçando a experiência a se desviar daquilo que é proposto e sendo apenas uma corrida insana para colher tal peça de informação, sem mais se preocupar com combate, stealth, exploração ou demais mecânicas apresentadas. Esses pontos forçam um certo atropelo do jogo que retira dele o melhor que poderia oferecer, mas que se tornam comuns ao se aproximar do final.

Deathloop

Ainda sobre esse problema, há um certo descompasso no ritmo geral de Deathloop. O início arrastado e confuso é superado para se tornar depois a melhor parte do jogo. Com o entendimento do sistema de pistas e adaptação total ao gameplay, o jogador passa a aproveitar tudo que o título oferece por uma boa quantidade de horas apenas para depois disso se tornar, em alguns momentos, uma corrida maluca por uma informação aleatória em um mapa enquanto todo o restante é ignorado. Com apenas quatro mapas e pouca variedade de inimigos, o combate também se torna desinteressante mais próximo ao fim. Mais tipos de inimigos e diferentes mecânicas de combate ajudariam a manter o desafio mais afinado do início ao fim do título.

Algo que o jogador pode acabar fazendo para mudar isso é tentar o outro lado da moeda. Enquanto Colt quer quebrar o ciclo a todo custo, Julianna quer manter o ciclo da forma como está. Sendo assim, é possível jogar como Julianna e invadir o jogo de seus amigos e outros jogadores online, tentando matar Colt e impedir que ele tenha êxito na sua tarefa. Esse modo é mais simples, mas há toda uma linha de objetivos para Julianna cumprir que resultará em recompensas depois. De toda forma, caso o jogador, no papel de Colt, não queira ser invadido por outros jogadores, há uma opção para um jogo totalmente “offline”, mas ainda acontecerá de Julianna parecer vez ou outra sendo controlada pela I.A.

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Alguns problemas técnicos aconteceram mesmo após patches do jogo serem disponibilizados durante o período em que o review estava sendo feito antes do lançamento. Bugs de I.A. e colisão foram encontrados e causaram mortes evitáveis ou inimigos desaparecendo pelo mapa quando não estavam com a cabeça presa em paredes. Além disso, pequenas oscilações na taxa de quadros foram percebidas em alguns momentos, assim como funções não tão bem executadas, como o Ray Tracing ou até dos gatilhos adaptáveis e feedback tátil do DualSense, ficando abaixo do esperado.

Deathloop não é um título perfeito, mas alguns de seus problemas podem ser corrigidos facilmente com algumas atualizações. O loop de gameplay é bastante satisfatório, ainda que seja preciso boas horas para se adaptar a ele. A trama se torna interessante exatamente quando essa adaptação acontece e o jogador se vê mais inserido no ciclo de Blackreef, aumentando o fator replay e aproveitando todas as opções possíveis dessa jornada quase sem fim.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Bethesda Softworks.

Veredito

A Arkane consegue deixar seu DNA claramente em mais um jogo, além de usar muito bem diversas outras mecânicas atuais. De toda forma, o jogador ainda vai sofrer no início de Deathloop, tendo que passar por uma longa e exaustiva curva de aprendizado para, após dominar e entender o funcionamento do game, conseguir aproveitar um ótimo e divertido título.

85
Deathloop
Fabricante: Arkane Lyon
Plataforma: PS5
Gênero: Ação / Roguelite / Tiro em Primeira Pessoa
Distribuidora: Bethesda Softworks
Lançamento: 17/09/2021
Dublado: Sim
Legendado: Sim
Troféus: Sim (incluse Platina)
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Arkane manages to leave its DNA clearly in one more game and it uses several other current mechanics very well. However, the player will still suffer at the beginning of Deathloop, having to go through a long and exhausting learning curve. Despite that, after mastering and understanding how the game works, it will be possible to enjoy a great and fun title.