Corpse Party (2021) – Review

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A quantidade de vezes que Corpse Party foi refeito chega a ser assustadora. Originalmente desenvolvido para PC-9801 em 1996 utilizando a primeira versão do software que viria a ser conhecido como RPG Maker, o pequeno jogo adventure aos poucos foi galgando espaço como um clássico cult para os fãs do gênero.

Com o sucesso alcançado já no seu lançamento, a franquia teria dois remakes sucessivos na forma de Corpse Party: Blood Covered para PC em 2006 e Corpse Party: Blood Covered… Repeated Fear para o PSP em 2010. Esse segundo remake em especial reacendeu o interesse no jogo, dando início a uma franquia que a essa altura não só engloba múltiplas sequências e spin-offs, mas mangás e adaptações em forma de anime e filmes.

Agora, com o lançamento oficial do final da saga se aproximando com os vários teasers da MAGES sobre Darkness Distortion, a XSEED traz para o Ocidente a “versão definitiva” do primeiro Corpse Party, lançada em fevereiro deste ano no Japão para PlayStation 4, PC e Switch.

Corpse Party

Simplesmente chamado de Corpse Party (2021), essa nova versão não só traz todo o conteúdo que fora adicionado ao longo dos últimos dois remakes, mas imagens em melhor resolução, dublagem completa em japonês, áudio 3D e 2 novos capítulos. A maior parte das melhorias é de qualidade de vida, mas são suficientes para, de fato, tornar essa a versão definitiva para que os jogadores possam aproveitar a experiência Corpse Party.

Isso não significa que a estrutura básica de Corpse Party tenha mudado. Ele segue sendo um jogo de aventura com elementos de visual novel e terror no qual você precisa explorar uma escola macabra resolvendo puzzles ambientais para desvendar os mistérios do que aconteceu ali. O mesmo estilo visual de pixel-art chibi 2D com visão superior segue inalterado, mas agora com visual totalmente em HD e retratos retrabalhados para melhor encaixar com essa identidade.

A história gira em torno de um grupo de oito estudantes e uma professora que, ao realizarem um ritual de ocultismo chamado “Sachiko Ever After” e que, após o ritual dar errado, são transportados para uma versão destruída de Heavenly Host Elementary, a escola que existia no terreno onde hoje fica a escola deles e que foi destruída após uma série de crimes aconteceram ali.

Corpse Party

O grupo é dividido em vários subgrupos, transportados para “versões” distintas de Heavenly Host Elementary e precisam encontrar uma forma de sobreviverem aos vários horrores presentes ali. Ao longo dos 5 capítulos do jogo (cada um jogado da perspectiva de um personagem), os jovens precisam desvendar o mistério por trás dos crimes que aconteceram na escola e cuja resolução pode ser a única forma deles retornarem para o mundo real.

Eu não esperava que Corpse Party fosse conseguir criar um clima tão tenso e contar uma história tão interessante, muito graças ao visual que não é nem um pouco assustador (e muito do sucesso do horror vem do desconforto visual). Ainda assim, o roteiro consegue criar uma narrativa tão intrigante, com vários plot twists bem legais e que te mantém preso e tenso com o que pode vir a seguir.

A ambientação consegue criar uma certa tensão, graças ao ambiente destruído da escola, a quantidade de esqueletos e corpos deformados espalhados por ela, os fantasmas de crianças mortas e algumas das situações que acontecem logo no começo e são apresentadas com artes 2D.

Corpse Party

Isso permite que o jogador consiga sentir o clima opressivo das situações e a consequente perda da sanidade que cada um dos protagonistas vai sofrendo a cada nova situação. Até mesmo as breves situações que te trazem conforto e humor servem mais para embasar uma futura surpresa assustadora do que só para deixar o jogador menos tenso.

Outro ponto que merece ser elogiado em relação à história é que o jogo consegue incluir uma quantidade bem considerável de desenvolvimento de todos os personagens ao longo de um tempo de duração bem curto (a experiência como um todo dura entre 6 e 8 horas). Você claramente consegue sentir como aqueles adolescentes vão sofrendo e mudando ao longo da história, assim como o porquê deles conseguirem encontrar forças para tentar encontrar uma forma de sair dali.

O elenco é composto de personagens bem carismáticos, o que também aumenta o impacto sofrido quando algo irremediável acontece: alguns dos personagens vão morrer. Felizmente, a forma como isso acontece realmente contribui para o plot e nenhuma morte é feita só para matar um personagem aleatório e realmente ajudam a aumentar o impacto de cada novo desenrolar da história.

Corpse Party

Os principais problemas que Corpse Party apresenta estão mais ligados às escolhas feitas no gameplay do que a história, que é quase irretocável. Como se trata de um remake praticamente 1:1, ele segue a exata mesma estrutura que o jogo original. Assim, como todo bom adventure dos anos 90, ele tem uma estrutura muito rígida sobre como progredir até o final do jogo.

Isso significa que, salvo se você fizer todas as decisões em uma ordem específica, você irá encontrar um dos vários finais errados. E é bem fácil não saber qual a ordem certa em que cada etapa precisa ser executada para progredir. Felizmente, os capítulos são bem curtos, então mesmo esse problema não afeta tanto assim (e você precisará de uma boa quantidade de finais errados para um troféu, então…).

Os controles, no entanto, muitas vezes são muito escorregadios e acabam atrapalhando algumas sessões em que você tem um tempo curto para realizar uma determinada ação ou precisa desviar de algo. Por fim, como os cenários do jogo são repetidos à exaustão, você irá decorá-los rapidamente, o que acaba tornando a exploração um pouco entediante depois de um certo tempo.

Corpse Party

Por fim, os capítulos extras presentes são numerosos, mas todos são tão curtos que acabam não significando muito da experiência. A história contada neles está ligada aos finais errados ou adicionam mais um pouco o background de personagens secundários encontrados ou mencionados na história e ajudam a enriquecer a lore do universo, mas, com cada um raramente durando mais de 5 ou 10 minutos e poucos deles possuindo gameplay, são mais uma curiosidade do que uma parte integral da experiência.

Dito tudo isso, a XSEED parece ter decidido tornar a experiência a melhor possível, mas sem lançá-la pelo preço “completo”. Com o jogo custando meros $19,99/R$104,90, ela acaba se consolidando como uma experiência que, pelo preço mais acessível (especialmente em futuras promoções) e a alta qualidade da sua história, merece estar na lista de desejos dos fãs de jogos de adventure e/ou jogos de terror.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela XSEED.

Veredito

Corpse Party é um bom jogo de terror e um bem-vindo remake de um dos clássicos cult do gênero. Existem alguns problemas em seu gameplay, mas é uma experiência divertida e que agradará aos fãs do gênero.

80
Corpse Party
Fabricante: Team GrisGris
Plataforma: PS4
Gênero: Adventure
Distribuidora: XSEED
Lançamento: 20/10/2021
Dublado: Não
Legendado: Não
Troféus: Sim (inclusive Platina)
Comprar na

Corpse Party is a good horror game and a welcome remake of one of the genre’s cult classics. There are some issues with its gameplay, but it’s a fun experience and one that fans of the genre will enjoy.