Capes – Review

É um ótimo período para ser fã de jogos de estratégia por turnos. De um gênero quase morto antes do lançamento do reboot da série XCOM, a realidade passou a ser de pelo menos um quando não múltiplos jogos de alta qualidade e com abordagens mais distintas do que se costuma ver. Fugindo dos tradicionais jogos mais voltados para fantasia medieval, Capes traz uma abordagem única e inspirada por algumas das melhores obras de ficção por aí.

Desenvolvido pela Spitfire Interactive e publicado pela Daedalic Entertainment, Capes coloca o jogador no controle de uma crescente equipe de heróis super-poderosos renegados, lutando contra um governo autoritário que não só oprime toda a população, mas tem uma política forte de extermínio contra esses potenciais heróis. Quem seria capaz de tomar o controle de toda uma cidade e potencialmente de toda a Austrália?

Bom, nada mais, nada menos do que o grupo originalmente conhecido como Capes, agora chamados apenas de The Company. Esses heróis transformados em vilões em troca de poder e ganhos financeiros traíram um dos seus aliados originais, chamado apenas de Doctrine e, buscando vingança contra seus antigos aliados, ele passa a recrutar jovens cujos poderes despertaram recentemente para tomar a linha de frente nesse conflito e na proteção da população contra esse governo opressor.

Capes

Esse grupo de jovens heróis traz alguns personagens bem curiosos e diferentes do que estamos acostumados a ver em obras envolvendo super-heróis, juntamente com alguns personagens mais típicos, completando assim um grupo relativamente curto mas variado o suficiente para apresentar alguns desafios (e opções) de gameplay bastante funcionais.

Facet é o tanque do grupo, capaz de invocar cristais que o ajudam tanto a aumentar seus recursos de defesa quanto limitar e controlar a movimentação de seus adversários. Rebound é a sua DPS mais tradicional, usando suas habilidades de teletransporte para atacar os inimigos ou auxiliar na movimentação dos aliados pelo mapa. Weathervane se vale de ataques elétricos e poderes de ar para atacar grupos de inimigos ou movê-los para mais perto ou longe de si… E por aí vai.

É um grupo de personagens funcional e, embora nenhum deles seja excepcionalmente carismático ou nem perto disso, o jogo acaba te prendendo porque o plot em si é bem legal, ainda que nada totalmente inovador ou que fuja do que já foi visto em inúmeras tentativas de desconstrução do gênero de super-heróis ao longo dos anos. A experiência em si também não é das maiores, durando cerca de 20 horas para ser completada, então não se estende excessivamente. Ajuda que as missões também são curtas, é possível jogar em pequenas sessões sem cansar muito.

Capes

Um ponto interessante é que, graficamente, o jogo tenta emular o estilo das HQs com resultados bem… mistos. O jogo em si não tem nada de muito distinto, nem de forma positiva ou negativa, sendo mais um jogo 3D genérico. O maior incômodo fica por conta da trilha sonora bastante repetitiva e fraca e as artes em 2D que lembram o estilo adotado nas atrozes HQs dos anos 90, mais condizentes com uma obra do Rob Liefeld do que algo de bom gosto em 2024.

O grupo de aliados vai crescendo ao longo do jogo, com pelo menos um aliado se juntando a cada ato da história e sempre trazem novas opções de gameplay. Cada missão apresentada ao jogador, sejam elas principais para evoluir o plot central ou missões secundárias mais voltadas para explorar o background dos heróis ou plots secundários em andamento, trazem uma série de objetivos secundários bastante desafiadores para serem completos que te recompensam com pontos a serem usados para melhorar as habilidades dos seus heróis.

As missões em si te colocam no tradicional sistema de grid com modelos em 3D. Cada personagem tem pontos de ação que podem ser usados para movimentação ou para uso de habilidades, como se costuma ver. A grande novidade aqui fica por conta da possibilidade de ataques em conjunto entre dois heróis, na qual um dos seus aliados dentro do seu raio de ação coloca um efeito específico em um dos seus ataques. Algumas dessas habilidades são essenciais para lidar com grupos grandes de inimigos, algo importante já que o jogo te joga contra grupos progressivamente maiores de ameaças e missões que exigem bastante planejamento de movimentação para se manter em stealth.

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Seus personagens também tem acesso a um ataque supremo que é carregado de forma específica para cada personagem. Ao carregar a barra, eles funcionam como um ataque extra gratuito e são essenciais para conseguir dar conta dos seus inimigos, já que causam uma quantidade excepcional de dano e, dado o maior problema do jogo, ter essa ferramenta na manga é essencial.

E, bem, o grande problema fica por conta do quão desbalanceado o jogo é. As missões de stealth são horrivelmente construídas e muito mal planejadas e mesmo as missões de combate direto sofrem com inimigos comuns capazes de usar habilidades excessivamente poderosas, te fazendo se prender a um grupo específico de heróis por serem os únicos capazes de ter acesso rápido a sua habilidade suprema para dar conta de inimigos com ataques extras, ataques de área que o jogo não te permite fugir de (ou dificulta sequer ver onde eles irão afetar) ou respawns infinitos de adversários em missões de se abater todos.

É o tipo de estrutura que não é funcional em um jogo de estratégia uma vez que, embora o desafio e dificuldade mais elevadas sejam elementos essenciais para o gênero, já que ele precisa te fazer pensar, isso é apresentado de uma forma bem injusta e que parece existir por uma falta de compreensão do que é desafio e do que é só punição excessiva.

Capes

Ainda assim, Capes é o tipo de jogo que, se adquirido em promoção ou como parte de um plano de assinatura, merece a atenção do jogador. É uma experiência divertida, ainda que frustrante pelo seu desbalanceamento, mas que traz algumas novidades legais para o gênero e uma narrativa bem legal, ainda que os personagens em si não sejam tão bem escritos quanto poderiam.

Infelizmente, é o tipo de jogo que teria chamado mais a atenção e prendido mais os jogadores em uma época em que haviam poucas opções para fãs do gênero, mas em 2024 é só mais um em um mar de opções que, francamente, possui opções muito mais interessantes e divertidas do que ele.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Daedalic Entertainment.

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Veredito

Capes é um bom jogo de estratégia por turnos que traz algumas ideias interessantes, mas tropeça em um desbalanceamento no seu combate e uma falta de personagens carismáticos que impedem que sua história alcance tudo aquilo que poderia ser.

70

Capes

Fabricante: Spitfire Interactive

Plataforma: PS4 / PS5

Gênero: RPG de Estratégia

Distribuidora: Daedalic Entertainment

Lançamento: 29/05/2024

Dublado: Não

Legendado: Não

Troféus: Sim (inclusive Platina)

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Veredict

Capes is a good turn-based strategy game that has some interesting ideas, but its unbalanced combat and lack of charismatic characters prevent its story from achieving everything it could be.