Call of Duty: Vanguard – Review

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Call of Duty: Vanguard é o título da franquia para o ano de 2021 e continua mantendo a rotação dos estúdios principais com os lançamentos anuais. Se em 2019 tivemos a Infinity Ward e seu Modern Warfare e 2020 a Treyarch com Black Ops Cold War, agora temos a Sledgehammer Games entregando o retorno do FPS de peso na Segunda Guerra Mundial.

Quase como uma lista de entregas, cada Call of Duty sempre (com raras exceções) entrega o pacote completo já tradicional da franquia, sendo uma campanha principal com uma história e narrativa, algum modo cooperativo e o clássico multiplayer. Vanguard não faz diferente e, já adiantando, entrega tudo isso com uma solidez intrigante, mas sem arriscar em nada e com poucas surpresas.

A campanha volta para os momentos derradeiros do embate entre os aliados contra o eixo nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial. Na intenção de ataques diretos que possam ferir a Alemanha nazista, um grupo de soldados de elite é recrutado com membros de diversos locais e com habilidades únicas com o objetivo de atacar pontos estratégicos e acabar com a guerra, surgindo assim a Task Force One.

Call of Duty: Vanguard

A intenção aqui é dar ao jogador uma experiência única com cada membro do esquadrão de elite, presenciando habilidades exclusivas de cada, variando a jogabilidade de um para outro e mostrando parte da história de cada um. Por exemplo, Polina Petrova é uma atiradora russa e com agilidade e velocidade natural surpreendente, que a permite uma movimentação mais rápida e acelerada, com uso até de parkour. Por outro lado, Arthur Kingsley é o soldado que nasceu para liderar e planejar, sendo sempre a cabeça pensante da equipe.

Enquanto a primeira visão dessa estrutura de personagens pode indicar uma campanha vasta e variada, não é exatamente o que acontece. É interessante sim acompanhar as características únicas de cada personagem, mas isso é totalmente separado da história principal. Muitas das missões do jogo acontecem na forma de flashbacks e vão mostrar isoladamente um pouco sobre a história de cada “herói”. Isso acaba criando quase como que campanhas separadas de cada um deles e não como cada um vai se entremeando na campanha principal.

Apesar de algumas missões serem bem executadas e impressionantes até, como da origem de Petrova ou da batalha de Midway, são muito isoladas do objetivo principal da equipe e também da narrativa da campanha. Diferente de jogos anteriores onde o jogador controla 2 ou mais personagens e mesmo assim o andamento da narrativa ia para um único lado, em Vanguard isso fica muito falho e acaba entregando pontas para todos os lados e muito pouco para o desenvolvimento da própria campanha.

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O jogador passará mais tempo jogando missões de flashback dos personagens e apenas assistindo cutscenes sobre a história principal. Com uma duração de 6 a 8 horas e com esse ritmo quebrado, por mais que haja missões divertidas, a campanha como um todo é algo que falta desenvolvimento, até mesmo para unificar a equipe e a química entre os personagens e não apenas desenvolver o passado de cada um.

Ainda assim, destaque positivo para várias histórias ali mostradas e principalmente pela qualidade das cutscenes. Mesmo que pré-renderizadas, entregam uma fidelidade visual excelente e, com a ambientação bem acertada e participação de bons atores, mostram com impacto diversas cenas da campanha.

Apesar de muitos jogadores sempre procurarem a campanha como um atrativo em Call of Duty, a maioria sempre vai atrás do modo multiplayer de cada título lançado. Fácil falar que a fórmula aqui não muda e vai agradar os que se deliciam nos combates acelerados e frenéticos em diversos tipos de mapa.

O jogo ainda é muito focado nos reflexos e velocidade do jogador de forma individual, sem qualquer apelo ao jogo de equipe ou estratégias e táticas. Mesmo os modos que deveriam incentivar isso não o fazem e vira apenas uma festa de mata-mata independente da forma como jogar. Isso fica evidente até mesmo por como a comunidade reage aos modos disponíveis e, mesmo um onde deveria haver estratégia para plantar uma bomba e cada jogador com uma vida, se torna uma correria louca para ver qual time consegue ficar vivo no fim, esquecendo totalmente da bomba ali.

Como sempre, não vai agradar a todos e principalmente os que não se adaptam ao estilo acelerado em excesso devem investir pouco no multijogador. Participar de partidas no mapa Das Haus pode ser o ponto chave para saber se é um jogo PVP para você ou não, já que a loucura desenfreada de tiros e explosões fazem a experiência muito similar a uma sequência de eventos base de nascer, apontar, atirar, matar, morrer. Isso, inclusive, acontece numa janela de 5 segundos em média. É notável, independente do modo, mapa ou forma como jogar, que o TTK e TTD (time to kill e time do die) induzem o jogo a uma experiência de velocidade extrema e sem muito tempo para outra coisa além de apontar e puxar o gatilho.

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Para os que se engajarem na diversão do multijogador, vão se sentir numa das versões mais completas dos últimos jogos da franquia. A começar pelo sistema de armas e customização, dando ao jogador um arsenal totalmente customizável e com diversas opções de personalização que vão interferir na forma de jogar. Algumas armas possuem até 10 slots de modificação, o que pode abrir um leque imenso de opções de abordagem em partidas diferentes, como planejar uma aproximação mais direta e rápida ou modificar a mesma arma para acertar inimigos mais distantes de forma eficiente.

Entretanto, mesmo que a enorme quantidade para customização seja algo positivo, também traz um problema ao jogo. Armas desbalanceadas é algo que ficará mais evidente nas próximas semanas. Algumas demonstram uma certa inefetividade, enquanto outras já vão ser as preferidas de alguns jogadores por estarem realmente quebradas e mais poderosas do que deviam. Como sempre, boa parte disso deve ser corrigida nas próximas atualizações.

Além disso, uma boa variedade e quantidade de mapas é um grande ponto positivo aqui. Alguns são exclusivos de modos específicos, mas tendo até 20 mapas e mais a inclusão do Pacific que virá na integração com o Warzone dão ao jogo uma variação de cenários suficientes por um bom tempo. Obviamente isso irá ser aumentado com o suporte ao título pelo próximo ano, mas fica a ressalva de que alguns desses mapas não são originais, mas sim releitura de mapas presente em jogos anteriores e trazidos de volta aqui. Ainda que a originalidade não esteja presente 100%, há bons cenários para diversos tiroteios.

Call of Duty: Vanguard Zombies

Completando a lista de conteúdos, não poderia faltar um modo coop que aqui é o tradicional Zombies. Apesar de estarem fatidicamente apenas nos jogos Black Ops, Zombies aparece aqui como um dos modos mais divertidos do jogo e que irá agregar boas horas de diversão, principalmente quando em uma equipe fechada e todos atrás dos troféus específicos do modo.

Zombies é desafiador, divertido e talvez o maior parque de experiências sem ter que levar o jogo muito a sério. Jogue com outros 3 jogadores e se prepare para enfrentar dezenas de zumbis com o mesmo arsenal disponível para o multijogador, mas com alguns itens extras ainda. Sobreviva onda após onda, realize pequenas missões disponíveis, melhore armas e habilidades.

Apesar da tentativa de apresentar uma pequena história, isso praticamente não importa aqui. Enquanto o objetivo é a eliminação dos mortos-vivos, a tentativa de história mostra os jogadores ajudando o Professor Gabriel Krafft tentando conseguir auxílio de diversos demônios “do bem” para ajudar a eliminar a ameaça nazista e sua investida na ressuscitação de cadáveres, dando uma pequena sequência ao que foi visto em Black Ops Cold War.

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Inquestionável o quanto o modo é divertido, mas fica claro logo após umas 2 horas o quanto ele é limitado também. Acontecendo quase que somente no mapa Der Anfang, pouca variação realmente é vista pelo jogador. Além dos únicos 3 tipos de atividades e também poucos tipos de zumbis, o jogador logo fica exausto da pouca diversidade aqui.

Apesar disso, é fácil gastar boas horas aqui e, quando logo se acostuma a repetição excessiva, ainda será divertido jogar com amigos e principalmente acompanhar a dublagem de Krafft pelo lendário Hélio Vaccari, dublador original de Gandalf nas trilogias de filmes de O Senhor dos Anéis e O Hobbit.

Num breve parágrafo sobre a parte técnica, usando a engine de MW o jogo é entregue com qualidade visual de ótima qualidade, não somente nas cutscenes já elogiadas. No Ps5, com resolução maior, é possível ver efeitos e detalhes deslumbrantes, como neve, fogo, fumaça e ótimas sombras. Além disso, a opção para jogar a 120fps é indicada para quem tem equipamento para isso e pretende focar no multiplayer, ainda que o jogo fique um pouco mais borrado. Ponto negativo para a mixagem de som, que não é uniforme e apresenta efeitos sonoros descompassados, altos demais ou baixo demais em alguns momentos, e também para várias armas que possuem sons quase iguais.

Como já dito no início do texto, Vanguard é um Call of Duty que entrega seu conteúdo de forma sólida e bastante tradicional. Arrisca muito pouco e não se destaca em praticamente nada. Campanha, multiplayer e zombies são repletos de altos e baixos, com pontos positivos e negativos, sendo aceitáveis e divertidos do seu jeito mas entregando claramente alguma falta de polimento ou conteúdo. Particularmente, Modern Warfare de 2019 ainda é o melhor COD dos últimos anos e vai continuar assim por tudo que entrega. Vanguard é um jogo divertido e que ainda pode melhorar mais com o tempo, mas ainda não é um grande destaque na franquia.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Activision.

Veredito

Vanguard entrega a experiência de um Call of Duty de forma bastante tradicional e sólida, mas sem qualquer novidade. Longe de ser um título perfeito, possui diversos problemas tanto na campanha, multiplayer e zombies, como falta de direção, refinamento ou conteúdo.

75
Call of Duty: Vanguard
Fabricante: Sledgehammer
Plataforma: PS4 / PS5
Gênero: Tiro em Primeira Pessoa (FPS)
Distribuidora: Activision
Lançamento: 05/11/2021
Dublado: Sim
Legendado: Sim
Troféus: Sim (inclusive Platina)
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Vanguard delivers the Call of Duty experience in a very traditional and solid way, but with nothing new. Far from being a perfect title, it has several problems in the campaign, multiplayer and zombies, such as lack of direction, refinement or content.