Battlefield 2042 – Review

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp

Nos últimos anos temos visto algo que se tornou comum na indústria dos jogos e que parece estar longe de mudar. Lançar jogos incompletos apenas para que possam entrar dentro de um ano fiscal para atender investidores e ignorando a experiência do jogador tem ficado em evidência agora. Seguindo o que aconteceu com outros jogos, como Cyberpunk 2077, Battlefield 2042 é mais um dos exemplos que reforçam o erro de empresas em focar apenas na entrega de um produto sem se preocupar com sua qualidade.

Ambientado num futuro não tão distante, Battlefield 2042 mostra um mundo à beira do colapso. Desastres naturais e outros causados pelo homem culminaram na erradicação de diversos governos e mais de um bilhão de exilados dessas antigas nações. Na disputa por valiosos recursos naturais, Estados Unidos e Rússia entram em conflito direto. Sem a quem recorrer, os exilados, ou sem pátria, se vendem como “mão de obra” para essa disputa e passam a fazer parte de uma guerra sem precedentes.

Ainda que o pano de fundo para os combates de Battlefield 2042 seja contemporâneo e interessante, isso é tudo que o jogador vai ter de história no jogo. Com foco total no modo multijogador, o título abandona uma campanha solo e talvez até um modo cooperativo para tentar entregar a melhor experiência de combate online. O marketing do jogo foi todo feito em como a franquia usaria o poder da nova geração e a promessa ficava em mapas imensos, partidas para até 128 jogadores, a sensação do caos das batalhas de um Battlefield ainda maior e momento únicos que só é possível num jogo do tipo.

Battlefield 2042

É nítido que o jogo entrega isso de alguma forma, mas não consegue ser de maneira satisfatória para um entretenimento de qualidade nas mãos dos jogadores. Battlefield 2042 é como uma receita de bolo tradicional que é alterada para mostrar novidade, mas as mudanças não foram bem pensadas e há excesso em um lado e falhas do outro que acabam entregando um produto final nada atraente.

Abordando o jogo pelo que traz de positivo, há qualidade notáveis aqui. O gunplay é muito bom e funcional, eliminando o ritmo acelerado que BFV trouxe para a “trocação” de tiros. Não há a sensação de morrer com um tiro ou uma janela de morte dentro de apenas um frame. É muito bem cadenciado, com TTK e TTD balanceados, mostrando uma evolução do que era o maior problema do jogo anterior. Sendo mais contemporâneo, essa parte do jogo vai lembrar bastante Battlefield 4, que também tem um gunplay excelente.

Particularmente, ao abordar o que é oferecido em questão de modos de jogo, acho que a decisão de retirar a campanha do pacote é acertada. Com exceção de Bad Company 2, nenhum jogo da franquia realmente teve uma campanha de destaque. Para entregar mais um modo assim de forma medíocre, melhor focar os esforços e recursos no que sempre deu destaque para os jogos, que é o multijogador. Obviamente, nem todos vão concordar com isso e o jogo poderia no mínimo entregar missões cooperativas com a IA num modo separado, que pelo menos atenderia aos que não são interessados pelas batalhas online.

Battlefield 2042

Temos então um jogo focado exclusivamente no fator multiplayer, com 3 modos distintos e que abordam diferentes lados da franquia aqui. All-Out Warfare é o modo padrão e a experiência definitiva do jogo, trazendo mapas imensos nos modos conquista e ruptura, repletos de veículos, infantaria, várias opções de abordagem e mais. Portal é um modo que entrega uma experiência tradicional de jogos anteriores, com mapas clássicos revitalizados, armas e acessórios desses jogos e serve mais como uma revisita a esses jogos clássicos. Hazard mode é muito mais uma versão competitiva e inspirado na febre dos battleroyales e jogos como Escape from Tarkov e Hunt: Showdown, sendo jogador vs jogador vs inimigos da IA.

Ainda sobre o que o jogo traz de positivo, o modo Portal é espetacular e a melhor opção do jogo. Reviver mapas clássicos da forma como foram concebidos, com o mesmo design de antes, trazendo as restrições e características de cada um, é a melhor experiência que se pode ter aqui. A sensação é de um remaster das partidas clássicas que se conseguia em BF2, Bad Company 2 e BF3, mostrando o que cada jogo trazia de espetacular e cada um com seu ritmo, armas, acessórios, classes e mais. Portal é a experiência definitiva do que fez Battlefield ser reconhecido é e o molde ideal para o futuro nos próximos jogos, modernizando o que fosse necessário e ainda mantendo o DNA da franquia.

Se já pontuamos até agora o que Battlefield 2042 trouxe de positivo, sendo praticamente o gunplay básico do jogo e o modo Portal, caímos agora no buraco gigante de problemas que o jogo entrega, muito inclusive carregando um amadorismo surpreendente. Um resumo antecipado é o jogo repleto de decisões questionáveis, mudança na estrutura da franquia que não levaram a lado nenhum, a inserção de novidades que apenas visam a monetização por micro transações ao tentar se igualar com outros jogos que fizeram isso com sucesso e uma imensidão de bugs e problemas técnicos.

Battlefield 2042

Eliminando o de vez o modo Hazard Zone dessa análise, só posso dizer que foi impossível testar uma partida sequer, mesmo com crossplay ligado. Diversas tentativas para montar times e criar uma partida foram feitas e todas sem sucesso, sequer saindo da tela de espera por outros jogadores. Há relatos que o matchmaking e crossplay estão bugados e afetando isso de alguma maneira. De toda forma, como não foi possível sequer aproveitar uma partida, é impossível falar algo no texto.

Mesmo assim, acredito que Hazard Zone compartilharia diversos problemas enfrentados no All-Out Warfare, principalmente o uso dos especialistas e vários bugs do jogo. A mudança das classes tradicionais da franquia para os especialistas é uma tentativa de modernizar o jogo. O modelo tradicional de classes sempre foi mais restrito e que força os jogadores a trabalharem juntos para aproveitar as vantagens de cada uma, tendo que adaptar o estilo de jogos às armas únicas para cada classe, assim como aceitar suas restrições. Os especialistas é uma versão das lendas de APEX Legends ou operadores de COD Warzone, sendo personagens mais únicos e com habilidades características de cada, como um gancho, escudo balístico, wingsuit e mais.

Além da eliminação das classes, jogadores agora não possuem restrição para tipos de armas. Qualquer especialista pode jogar com qualquer arma e também qualquer acessório. Em tese, isso daria mais liberdade ao jogador que poderia ter mais poder individualmente, mas o que acontece é uma bagunça imensa e uma quebra na estrutura do jogo. O principal ponto para isso é o grande impacto no fator ”teamplay”, com especialistas tendo diversas opções à mão, como blindagem, munição e poder carregar uma caixa de vida ou demais combinações do tipo. A decisão pelos especialistas elimina a necessidade de diversificar times com classes diferentes e foco no trabalho em equipe, criando agora até mesmo um esquadrão de 4 jogadores com todos usando os mesmos equipamentos, sendo um duro golpe no design de cooperação que sempre existiu na franquia. Acredito que os especialistas ainda possam fazer parte do jogo e até da franquia, mas não abandonando o sistema de classes que já existe.

Battlefield 2042

Aqui já começa a falta de balanceamento presente em todos os aspectos do jogo. Há diversos especialistas que quase não são usados em partidas, sendo comum encontrar quase sempre 3 ou 4 por todo o mapa. Não há a diversidade prometida e claramente a decisão não se encaixa no estilo de jogo. A intenção da mudança fica mais clara ao perceber as diversas customizações para cada um, como skins, finalizações e outros que só indicam um foco maior nisso no intuito de monetização. Estranho é focar excessivamente nisso e o jogo ainda ser pago, quase dando saudades do modelo de DLCs pagas de BF1.

Ainda sobre a falta de balanceamento no jogo, é fácil ver isso nas armas, veículos, design de mapas e mais. Além dos bugs que afetam a funcionalidade de diversas armas e equipamentos, algumas estão claramente mais poderosas que a outra, como a SMG PP29 que tem o alcance de um rifle de precisão e o recuo quase nulo, além do poder de ataque mais amplo. Ainda é fácil ver isso no excesso de veículos nos mapas e a ineficiência para combater os mesmos. O uso de hovercraft com poder de fogo alto e mobilidade até para subir em prédios ou o M5C Bolte e velocidade compatível com um Porsche, com resistência e poder de fogo de um blindado pesado. Além disso, todos os veículos sobram pelo mapa e às vezes é possível encontrar até 10 num mesmo objetivo.

Há diversos exemplos de problemas no jogo que não são apenas bugs, mas sim falta de um trabalho adequado no balanceamento das partidas. Um exemplo engraçado é a falta de efetividade de um lança foguetes para destruir um tanque, onde é necessário 4 foguetes quando comparado à de um rifle de precisão que consegue o mesmo feito com 3 balas.

Battlefield 2042

Há também problemas com design dos mapas que não consegue entregar combate por todos os pontos de controle, quase sempre acumulando em 2 ou 3 apenas. Isso é mais notável nos mapas para 128 jogadores, sendo possível ver 80% dos combatentes lutando pela mesma bandeira e diversas outras regiões sem nenhuma ação. Os mapas ainda sofrem com objetivos distantes demais entre si, muitas áreas abertas demais e a sensação de que a maior parte do tempo o jogador está numa maratona e não num tiroteio, graças ao imenso deslocamento realizado.

Na tentativa de incrementar cada vez mais o levelution, sistema que aumenta o dinamismo dos mapas com destruição e outros efeitos, agora é possível enfrentar desastres ambientais como tornados e tempestades. É algo de grande destaque visual quando acontece, mas o efeito nas partidas é mínimo, assim como a baixa destruição de cenários em alguns mapas. Outra característica da franquia que tem pouca interferência nas partidas agora.

E finalmente nos voltamos aos bugs e problemas técnicos do jogo. Lançar um título com essa quantidade de erros assim já é motivo para se destacar negativamente. O jogo inacabado entrega coleções de bugs visuais e erros básicos que é possível conferir em diversos compilados no YouTube. Se ainda fosse problemas visuais, seria menos pior. Mas aqui falamos de bugs que realmente atrapalham no funcionamento básico do jogo, como erros de colisão, geometria não finalizada e personagens adentrando cenários, erros de interação com objetos, jogadores não sendo revividos quando uma parte do corpo conflita com o cenário, corpos que saltitam pela tela, pedaços de veículos agindo sem qualquer tipo de física ao explodir e muito mais. Obviamente muito disso deverá ser arrumado com o tempo, mas é um grande desrespeito com o consumidor entregar um produto incompleto assim.

Battlefield 2042

Ainda temos um problema que, para mim, é um desastre completo quando falamos de partidas competitivas online. A total incapacidade de criar ambientes justos aqui acontece graças ao crossplay e o desespero de atender todo e qualquer tipo de jogador. É claro a vantagem que alguém tem ao usar mouse e teclado para um FPS e nenhum controle, ainda que versões elites, pode se equiparar. Criar um crossplay jogando no mesmo matchmaking consoles e PC é uma receita clássica para reclamação e um entendimento básico de qualquer lógica de videogames que faltou aqui. O correto seria usar o crossplay com aqueles que utilizam da mesma interface de entrada, ou seja, jogadores de controle apenas jogam com jogadores de controle, independente da plataforma.

Outro ponto crucial para isso não funcionar é sujeitar todos a problemas de hacks e modificações em partidas. Em 10 dias de jogo foi comum encontrar jogadores de PC usando aimbot e invisible wall tirando vantagens de várias formas. Se já existia um ambiente desleal com o crossplay, agora é algo totalmente invalidado por hacks e a incapacidade do jogo de afastar esse tipo de indivíduo das partidas. Não importa a plataforma, o uso de trapaças é inadmissível em um jogo, mas acaba sendo pior quando o sistema anticheat não funciona e todos aqueles num mesmo pool de matchmaking acabam sofrendo com isso.

Battlefield 2042 sofre em diversos aspectos, tenta inovar com decisões que não funcionam e, na tentativa de modernizar demais a franquia, falha miseravelmente. Não é um jogo que é afetado apenas por bugs e como um produto entregue antes do tempo de forma inacabada, mas sim por decisões questionáveis e mudanças nos pilares fundamentais da franquia. Sendo fã e tendo que recomendar o jogo para outro fã, só digo que vale com um bom desconto e para aproveitar o que o modo Portal oferece. A DICE tem um problema sério nas mãos com a franquia como um todo agora, que é superar a experiência positiva e de alta qualidade que aconteceu com Battlefield 1. Até agora, BFV e BF2042 não chegaram perto disso.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Electronic Arts.

Veredito

Nem mesmo um gunplay acertado e o excelente modo Portal podem salvar Battlefield 2042 de ser uma experiência medíocre. As diversas novidades, como especialistas e extravagância nas partidas, não surtem efeito e criam uma experiência desastrosa, cansativa e uma ofensa ao histórico da franquia.

60
Battlefield 2042
Fabricante: DICE
Plataforma: PS4 / PS5
Gênero: Tiro em Primeira Pessoa (FPS)
Distribuidora: Electronic Arts
Lançamento: 19/11/2021
Dublado: Sim
Legendado: Sim
Troféus: Sim (inclusive Platina)
Comprar na

Not even a good gunplay and the excellent Portal mode can save Battlefield 2042 from being a mediocre experience. The various additions to the game, such as specialists and huge scope for matches, have no effect and create a disastrous, tiring experience and an insult to the franchise’s history.