Análise – Warriors Orochi 4

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É fácil se perder na enorme quantidade de jogos musou que a Omega Force lança por ano. Entre as séries originais do estúdio junto com a Koei Tecmo e o mar de crossovers e spin-offs envolvendo outras séries e desenvolvedoras, a sensação, principalmente para quem não é fã do gênero, é de que os jogos são sempre os mesmos, apenas com uma skin diferente, o que não é bem verdade, com os jogos se arriscando ou com variações distintas dentro do gênero (como a sub-série Empires e outros spin-offs) ou as recentes tentativas de mundo aberto em Dynasty Warriors 9 e Samurai Warriors: Spirit of Sanada.

Warriors Orochi 4, entretanto, é muito mais uma celebração do gênero e das séries que o inspiraram, entregando uma experiência mais “pura” e acessível tanto aos fãs de longa data quanto aos novatos. A série crossover entre a China Antiga de Dynasty Warriors e o Japão Feudal de Samurai Warriors une personagens, mecânicas e sistemas dos grandes expoentes do gênero e inclui suas próprias novidades, sempre tentando se manter fiel ao legado da Koei Tecmo e ao que cativou tantos fãs ao redor do globo.

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Seguindo o padrão estabelecido pela série ao longo dos mais de 20 anos do gênero, WO4 te coloca em um mapa no controle de um guerreiro que age como um “exército de um homem só”, enfrentando centenas de inimigos praticamente sozinho, derrotando generais inimigos, resgatando aliados e capturando bases em uma espécie de beat-em-up modernizado. WO4 marca o retorno aos mapas típicos da série, com cada missão se passando em uma fase específica, sem tentar apresentar um mundo aberto único e contínuo como em DW9, o que é uma decisão que favorece bastante o resultado final.

Uma das principais diferenças entre WO4 e as outras séries da franquia Warriors é o fato do jogador controlar não só um personagem, mas uma equipe de três guerreiros, podendo alternar entre eles a qualquer momento com um simples toque de um botão. Isso ajuda a reduzir um pouco da repetição inerente ao gênero, alterando a maneira de realizar combos, já que não só os ataques ficam mais fortes com a constante rotação do personagem ativo quanto as barras de energia e musou (os ataques especiais que dão nome ao gênero) dos reservas vão sendo gradativamente restauradas.

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A integração das diferentes características de ambos os jogos é bem sutil e funciona perfeitamente. Os personagens trazem as habilidades de suas séries originais, como os heróis de DW e os exclusivos de WO tendo um Charge Attack enquanto os de SW possuem um Hyper Attack ou o Rage Mode permitindo que personagens de DW realizem um Rage Attack e os de SW um Musou Frenzy Attack, permitindo com que os personagens mantenham seus próprios sabores.

Além disso, existem outros pequenos detalhes de gameplay exclusivos da série Warriors Orochi, tornando-o mais do que uma simples amálgama de outros jogos. Não só o jogo possui o retorno da base dos jogos anteriores (de onde é possível não só ver a interação entre os personagens e aprofundar os laços entre eles, mas também enviá-los em missões especiais), mas também trouxe a inclusão de um sistema de magias através das Sacred Treasures (ativado usando a combinação de R1 com um dos botões de face) adiciona não só outra forma de ataque e novas possibilidades para combos, mas uma outra alternativa bastante poderosa para limpar áreas infestadas com inimigos.

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O antigo ataque triplo presente em WO3 foi substituído por um ataque mágico especial entre os três personagens da equipe e os 4 backups (controlados pela inteligência artificial e que rodam o campo de batalha) que não só causa um grande dano em área, mas também gera mais drops dos inimigos. Essa barra de especial é carregada com o uso das magias normais enquanto a barra de musou carrega com dano sofrido e ataques normais, sendo necessário aprender a equilibrar os combos usando ambas as opções.

Retorna também o sistema de progressão de WO3, com a possibilidade do jogador de comprar novas habilidades com skill points, equipar novas armas ou melhorá-las ao adicionar diferentes elementos e usar os recursos conquistados com as missões para melhorar personagens fora da equipe ativa. Felizmente, não existe mais a classe wonder, com todos os heróis divididos entre Speed, Technique e Power, com um equilíbrio considerável nas características específicas de cada um, não havendo realmente opções inviáveis para se jogar.

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Com mais de 170 personagens entre personagens de legado de Samurai e Dynasty Warriors além de personagens exclusivos de Warriors Orochi, WO4 faz um ótimo trabalho ao tentar equilibrar os elencos absolutamente gigantescos das séries. Todos os personagens mais populares já criados pela Omega Force estão presentes com movesets únicos, refletindo tanto a personalidade quanto os equipamentos de cada guerreiro. Por mais que esse volume garanta que todo mundo possa jogar com seus personagens preferidos, e é notória a redução de personagens convidados e novos, com o foco realmente em ter mais personagens de DW e SW, isso também tem alguns problemas, em especial no tocante à história do jogo.

Mesmo com a narrativa girando em torno do deus grego Zeus que, com a ajuda de Ares e Athena, leva os heróis de ambos os mundos de volta ao universo mágico criado por Orochi nos jogos anteriores pois os acontecimentos de Warriors Orochi 3 Ultimate parecem “divertidos” para ele, restando a eles reunirem oito artefatos mágicos, com a ajuda dos Mystics, as criaturas imortais que são personagens recorrentes na sub-série, capazes de desfazerem os desmandos de Zeus e retornar os mundos aos seus estados originais.

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Enquanto boa parte dos generais têm papéis e interações na história, uma parte sequer passa de um par de linhas de diálogo ou interações secundárias ao longo das 51 missões principais (e 21 missões especiais), já que a história gira em torno dos oito Ourobouros Bracelets de Zeus e os personagens que, ao obtê-los, passam pelo processo de Deification, processo que dá ao personagem habilidades mais poderosas, capazes de igualar o campo de batalha com os deuses. Os personagens escolhidos são relativamente previsíveis, já que são alguns dos mais populares de toda a franquia, mas, se falta surpresa, é feito de maneira cuidadosa o suficiente para manter a história bastante agradável durante toda sua duração. Não é nada revolucionário e nem precisa de conhecimento prévio da série (só torna mais divertido e, mesmo assim, o jogo possui um sumário resumindo os 3 jogos principais), mas também não vai ofender a sua inteligência.

No fim, esse é um jogo que entrega exatamente aquilo que os fãs esperam dele e que os críticos tanto odeiam. Esse é um dos musous mais divertidos dos últimos anos no sentido mais puro da palavra, felizmente com poucos problemas de performance (mais no multiplayer) e que adotou os belos designs de SW4-II e DW8:XL (e fez ótimas escolhas nas deifications), sendo o jogo perfeito para se sentar e desestressar sem precisar pensar muito sobre a história ou gameplay. A presença de um modo multiplayer tanto split-screen quanto online (aqui ainda há a Battle Arena, um modo 3×3 de captura de base simples e divertido) é um bônus que ajuda a demonstrar porque tantos amam musous: esse é um jogo que não só é feito para divertir, mas que não tem vergonha de assumir quem é e celebrar a sua essência.

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Veredito

Warriors Orochi 4 é uma verdadeira celebração do que significa um ótimo musou. Orgulhoso da sua essência e do seu compromisso de entregar seu estilo de gameplay divertido e único, tudo foi feito com os fãs em mente, tornando-o um dos melhores jogos do gênero nesta geração.

Jogo analisado com cópia digital fornecida pela Koei Tecmo.

Veredito

90

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Warriors Orochi 4 is a true celebration of what means to be a great musou. Proud of its essence and its mission to deliver its own style of fun and unique gameplay, everything was done with the fans in mind, making it one of the best games of the genre in this generation.