Aliens: Fireteam Elite – Review

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Apesar dos diversos tropeços ao longo do tempo, Alien é uma franquia pela qual tenho muito apreço. O material original vindo dos filmes e diversas outras ramificações que tiveram na franquia sempre buscaram, ou pelo menos deram a entender isso, expandir um universo com grande potencial. Infelizmente, quando falamos em jogos desse mesmo universo, temos um desequilíbrio que tende mais para o negativo.

Se pegarmos apenas os exemplos mais recentes em Alien: Isolation e Aliens: Colonial Marines, já sabemos que o impacto negativo do segundo é absurdamente maior que a qualidade do primeiro. Entretanto, ainda na esperança de entregar algo de qualidade na forma de jogo, a Cold Iron Studios lança Aliens: Fireteam Elite como um jogo cooperativo e com foco total na ação.

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Em resumo, Fireteam Elite é um jogo de ação cooperativo para até 3 jogadores, que coloca o jogador no papel de um fuzileiro que, junto da tripulação militar da nave Endeavor, precisa atender a um chamado de resgate numa instalação da Weyland-Yutani no planeta LV-895. Com a história dividida em capítulos e esses contendo 3 missões cada, o jogo já promete bastante ação em cenários interessantes para os fãs da franquia, assim como boa variedade de gameplay no geral. Entretanto, alguns percalços vão impedir o jogo de brilhar mais.

Obviamente, a parte narrativa e história apresentada nem sempre é o ponto forte de jogos cooperativos assim. O que serve como pano de fundo aqui é o suficiente para se encaixar na lore da franquia, atiçar a curiosidade de alguns fãs e ainda ser respeitoso com o material de origem. De toda forma, não é o foco do jogo e muito menos o que é usado para o mesmo ser vendido. Agradável, mas nada excepcional.

Quando falamos no que realmente chama a atenção no título só podemos nos direcionar diretamente ao seu gameplay. Afinal, se juntar com mais dois amigos e encarar ondas e ondas de xenomorfos é o ponto chave aqui. Conclua missões, ganhe créditos e experiência e depois invista tudo isso em novos equipamentos e habilidades que deixarão o jogador pronto para desafios maiores. O ciclo de gameplay funciona e pode cativar o jogador com o tempo. Apesar disso, o início é mais lento e até desinteressante.

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Partindo do princípio, o jogador pode sempre escolher uma das 4 classes disponíveis, sendo artilheiro, demolidor, médico e reconhecimento. Cada uma tem acesso a determinados tipos de armamentos e possuem habilidades únicas. Como exemplo, o artilheiro é mais genérico e encaixa melhor em todas as situações, mesmo não se destacando em algo. Já o demolidor é especialista em armas pesadas, com habilidade de ataque em destaque, mas não se sobressaindo em outros aspectos, como jogo de equipe ou suporte.

Além das classes que vão ditar boa parte da experiência do jogador, o título ainda conta com mais de 30 armas e outros 70 acessórios que são usados para personalizar cada uma. Há mais de 20 tipos diferentes de inimigos, sendo maior destaque para os xenomorfos, que irão usar estratégias distintas para cada tipo existente. Se pensarmos por essa quantidade de conteúdo, há o suficiente para gerar diversificação no jogo e não criar uma experiência maçante com o tempo. Algo que completa isso é o bom sistema de melhorias.

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As habilidade funcionam como uma espécie de módulos inseridos numa grade de opções. Por exemplo, um módulo de maior munição para armas pesadas ocupa um quadrado 3×3 na grade. É necessário então ter um bloco livre nessas dimensões para poder adequar e usar essa vantagem no jogo. Alguns módulos são mais efetivos quando juntos a habilidades, como um que impulsiona o dano explosivo e precisa ficar perto da habilidade de lança-foguetes da classe demolidor. Liberar mais espaço nessa grade só acontece ao evoluir o personagem através do ganho de XP em missões. Mais vantagens podem ser compradas na loja, adquiridos em missões, caixas escondidas pelos mapas ou recompensas pelo sistema de desafios do jogo.

Quanto ao gameplay e principalmente com o cooperativo que irá mover a jogatina, funciona bem e é o destaque aqui, mas quando falamos disso no fator replay, vai sofrer rapidamente com a repetição. Jogar cooperativamente, combinando habilidades, enfrentando inimigos (xenomorfos e sintéticos) vindos de todos os lados, planejando estratégias de defesas e mais é, com certeza, a parte mais divertida aqui. Entra de positivo a comunicação entre os jogadores para a conclusão de objetivos, principalmente nas dificuldades mais elevadas. Entretanto, jogar utilizando a IA como companhia é uma experiência totalmente diferente da intenção do jogo e acaba prejudicando muito a diversão.

Se o loop de gameplay funciona e a história serve razoavelmente como pano de fundo, o replay aqui, que costuma ser primordial nesse tipo de jogo, é falho.. Cada missão dura, em média, 30 a 40 minutos para ser completa. Isso num ritmo normal, como numa primeira jogatina. Num total de 12 missões e tendo que repetir cada em dificuldades mais elevadas, sem mudanças e apenas colocando mais inimigos como esponjas de bala, a diversão se esvai. Fora os troféus e tentar investir num sistema de evolução lento e não muito recompensador, não há muito incentivo para o jogador gastar tanto tempo assim no jogo. A repetição entediante é logo apresentada e o ânimo por seguir se esvai muito rápido.

Além disso, precisamos apontar os problemas técnicos do jogo. Sobre a parte sonora, o título faz muito bem em usar sons e trilhas que remetem ao histórico da franquia nos cinemas. Sons de armas, dos xenomorfos e até das trilhas de momentos de tensão são característicos e se tornam um bom acerto. Porém, uma dublagem sem muita inspiração, mixagem ruim em diversos momentos e alguns bugs destacam negativamente esse aspecto.

Quanto à parte visual conseguimos ver, da mesma forma, pontos positivos de destaque e vários negativos. Enquanto os cenários são belos e bem detalhados, também mostrando ótima inspiração da franquia, modelos de personagens em geral deixam muito a desejar. Em alguns momentos é quase possível afirmar que o título parece um jogo do PlayStation 3, com modelos de NPC’s sofríveis com nenhuma sincronia labial. Além disso, a baixa diversificação visual dos sintéticos e xenomorfos deixa muito a desejar.

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Aliens: Fireteam Elite não é um desastre como Colonial Marines. Ainda assim, longe de ter um sucesso razoável como Isolation. Há pontos positivos a apontar no jogo e vão favorecer principalmente os que querem uma experiência de ação cooperativa no universo de Alien e estão dispostos a enfrentar os problemas que virão. De toda forma, mesmo a esses jogadores, o título não pode agradar o suficiente para manter o interesse.
Problemas técnicos, bugs, história singela, falta de ambientação mais profunda e outros defeitos podem ser o suficiente para que mesmo fãs fervorosos decidam não investir muito no título da Cold Iron Studios.

Continuamos na sina de ainda não ter um jogo no universo de Alien que realmente represente, em todos os pontos, as experiências diferentes que vieram das mais diversas obras que vieram do cinema. É fato que mesmo nos filmes houveram erros absurdos e que fizeram muitos torcer o nariz para isso, mas temos nos jogos algo que realmente não engrena a fundo e, quando apresenta sucesso, ainda não consegue explorar todo o potencial da franquia.

Jogo analisado no PS5 (versão de PS4) com código fornecido pela Cold Iron Studios.

Veredito

Aliens: Fireteam Elite consegue entregar um bom gameplay cooperativo e explorar de forma razoável o imenso universo de Alien. Mesmo assim, ainda derrapa em problemas técnicos, na falta de imersão e, principalmente, na repetição sem muita recompensa.

65
Aliens: Fireteam Elite
Fabricante: Cold Iron Studios
Plataforma: PS4 / PS5
Gênero: Ação / Tiro em Terceira Pessoa
Distribuidora: Cold Iron Studios / Focus Home Interactive
Lançamento: 24/08/2021
Dublado: Não
Legendado: Sim
Troféus: Sim (inclusive Platina)
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Aliens: Fireteam Elite manages to deliver good cooperative gameplay and it reasonably explores the immense Alien universe. Even so, it has technical problems, lack of immersion and, above all, repetition without much reward.