Após cerca de um ano disponível exclusivamente para jogadores de PC em acesso antecipado, Abyssus recentemente chegou aos consoles trazendo mais uma experiência de jogo no estilo roguelite para os aficionados pelo ciclo de repetição, característico do gênero.
O título, desenvolvido pelo estúdio independente sueco DoubleMoose Games, é em primeira pessoa e suporta modo cooperativo online para até quatro jogadores, colocando os jogadores explorando uma civilização antiga e esquecida no fundo do mar repleta de construtos e criptídeos hostis.
Seguindo padrões já estabelecidos pelos incontáveis jogos alocados nesse gênero, aqui tudo é regido pela aleatoriedade, então uma partida nunca será igual a outra. Uma partida é composta por 15 níveis de profundidade dispersos em quatro áreas, sendo que apenas cinco biomas existem (portanto, apenas a primeira área pode alternar entre duas opções), e em cada nível você e seus parceiros devem sobreviver a um número de arenas.
Seu objetivo não poderia ser mais simples: atirar em tudo que se move. O ritmo de jogo é frenético e, durante os combates, você não pode se dar o luxo de parar pois as ondas de inimigos são agressivas e podem te deixar em uma situação complicada bem rapidamente — e se eles não o matarem, a próxima arena o fará.
Dessa forma, sua única chance de sobrevivência recai justamente na repetição. Cada mergulho, mesmo que mal sucedido, permite que você acumule fragmentos de alma para destravar melhorias para sua próxima partida, que aumentam aos poucos o dano que você causa, o número de equipamentos que você carrega, entre tantas outras, para que você lentamente avance cada vez mais fundo.
Nas arenas propriamente ditas, você encontrará moedas de ouro, que é um recurso que deve ser trocado por itens no mercador durante a sessão pois, caso contrário, será perdido; e também altares de bênçãos ou forjas para fazer melhorias em seu equipamento, bem como ocasionais refis para seu estoque de itens de cura; altares de sacrifício para trocar alguns pontos de vida para expandir sua vida máxima; e poços de desejo para apostar suas moedas sem a garantia de retorno.
As bençãos nada mais são do que efeitos elementais que podem ser aplicados para suas armas ou seu equipamento extra. Como cada arma possui dois tipos de disparo, e sua “habilidade” nada mais é do que um equipamento complementar — seja uma granada, uma torreta, ou até mesmo uma âncora para ataques corporais, entre outros —, isso significa que você pode equipar até três elementos diferentes em cada partida.
Além disso, cada altar de benção subsequente ainda oferece uma melhoria para aquele elemento em específico, aumentando o dano, a frequência que ativa áreas de efeito, e assim por diante. Mesmo que não exista uma sinergia entre os elementos, as combinações são muitas e em níveis avançados de uma partida é engraçado ver tantos fatores diferentes simultaneamente causando dano nos esponjosos inimigos em seu caminho.
E, por fim, você também pode equipar um amuleto, encontrado em baús, comprado no mercador antes de cada chefe, ou deixado para trás por chefes derrotados. Os amuletos por si parecem abrir uma gama ainda maior de opções, afinal são mais de duzentos deles, o que significa que, por conta do RNG, as chances de surgir justamente o amuleto que você deseja são baixas. Na prática, isso também é válido para as bênçãos e as melhorias de armas, portanto você e sua equipe precisam adaptar estratégias de acordo com as opções disponíveis em cada partida.
O modo cooperativo online é robusto e funcional, e aparentemente o jogo faz um escalonamento de inimigos de acordo com o número de jogadores presentes (sendo possível embarcar de 1 a 4 jogadores por partida). O matchmaking só pode ser feito antes de uma partida iniciar, então você precisa aguardar no lobby até que jogadores entrem em sua sessão, ou convidar seus amigos para agilizar o processo. O servidor oferece uma lista de salas abertas, então sempre existe a opção de embarcar na aventura com jogadores desconhecidos.
A direção artística do jogo, em especial no que diz respeito aos cenários, é excelente. Cada um dos cinco biomas possui seu próprio charme e uma paleta de cores distinta, e eles incluem templos antigos em ruínas, jardins exóticos, santuários de almas, até culminar no abismo real. Esse último é composto por uma paleta minúscula, quase que etérea, e é onde o ciclo de cada partida bem sucedida se encerra.
Entretanto, temos algumas ressalvas com base em nossos testes com o jogo em sua versão para PlayStation 5. A interface de menus é claramente projetada para uso com teclado e mouse, e, em alguns casos, o uso de controle não parece adequado — não encontramos uma forma de navegar pelas salas de outros jogadores no matchmaking, por exemplo, sendo limitados apenas às opções que aparecem no topo. Trocar os elementos cosméticos do personagem também é bastante contraintuitivo e nos vimos fechando o menu com frequência, quando apenas queríamos retornar ao submenu anterior.
Não tivemos qualquer tipo de problema com a performance do jogo em nossos consoles, mas em certas ocasiões a HUD não carregou informações como a barra de vida de chefes; e também experienciamos um bug no qual o jogo inteiro ficou mudo, e assim permaneceu até o término daquela jogatina (os sons do console, como troféus e notificações, continuaram funcionando normalmente). Foram casos esporádicos e que não afetaram negativamente nossa experiência, mas não podemos ignorá-los.
E, numa crítica que talvez revele nossa idade, o balanceamento é punitivo demais. As hordas de inimigos possuem incontáveis ataques de área, então não se surpreenda se acidentalmente saltar de penhascos enquanto tenta escapar, e a quantidade de inimigos com ataques em onda de choque é estarrecedora. Como o jogo é em primeira pessoa, às vezes você sequer vê o ataque inimigo, mas parece que a todo momento tem algo forçando você a saltar, enquanto você já estava tentando desviar de um projétil de outro inimigo, e sempre com dedo pregado no gatilho tentando eliminar os inimigos para seguir em frente.
O jogo não conta com qualquer tipo de localização em português brasileiro. Em tempos atuais, onde acessibilidade é um fator-chave para praticamente todas desenvolvedoras, é estranho destacar isso, mas pelo menos eles não recorreram ao uso de ferramentas de inteligência artificial para suprir essa triste lacuna.
Ainda assim, Abyssus é um jogo divertido e frenético, excelente para jogar em curtas doses com amigos. Uma multitude de desafios está vinculada ao processo de destravar novas armas, amuletos, e itens cosméticos, então aquela perigosa sensação de progresso parece estar sempre presente, incentivando você a embarcar em mais uma partida para continuar avançando e assim sucessivamente…
Abyssus está disponível para PS5, Xbox Series e PC sem legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela The Arcade Crew.








