Se você cresceu assistindo a filmes como O Sobrevivente (Running Man) ou se diverte com a sátira corporativa de RoboCop, Showgunners vai te fisgar imediatamente pela temática. Originalmente lançado para PC, o título da Artificer finalmente desembarca nos consoles em sua “Platinum Edition”, trazendo todo o conteúdo extra e uma adaptação de controles que surpreende pela fluidez.
A história nos coloca na pele de Scarlett Martillo, uma mulher movida por um desejo de vingança contra a poderosa Omega Corporation. Para alcançar seus objetivos, ela se inscreve como competidora no reality show mais brutal do planeta: o “Homicidal All-Stars” (nome original do jogo, que ainda aparece em diversas referências internas).

A narrativa não tenta reinventar a roda, mas cumpre muito bem o seu papel. O mundo é sujo, neon e impiedoso. O grande destaque aqui é o Host (apresentador) do programa, que narra suas ações, faz piadas ácidas e interage diretamente com o desempenho de Scarlett, criando uma atmosfera de espetáculo macabro que poucos jogos do gênero conseguem replicar.
No cerne, Showgunners é um jogo tático por turnos que bebe diretamente da fonte de XCOM. Você tem sistema de cobertura (meia e cheia), porcentagens de acerto, overwatch e habilidades especiais. No entanto, o ritmo aqui é muito mais agressivo.

As arenas são “feitas à mão”, o que evita a fadiga de cenários gerados proceduralmente. Cada mapa possui armadilhas ambientais — como trens passando no meio do turno, barris explosivos e o temido “Diretor do Show”, que pode mudar as regras no meio da partida, invocando inimigos extras ou alterando o cenário para te prejudicar (ou ajudar, se você estiver dando um bom show).
Fora dos combates, o jogo muda para uma perspectiva em terceira pessoa onde você explora os bastidores do show, resolve quebra-cabeças simples e evita armadilhas em tempo real. É uma mudança de ritmo bem-vinda que quebra a monotonia das batalhas seguidas.
Ao eliminar inimigos com estilo ou interagir com fãs nos intervalos, Scarlett ganha seguidores. Isso não é apenas cosmético: a fama abre contratos de patrocínio que oferecem bônus passivos e itens raros. Escolher entre ser “humilde” ou “arrogante” nas entrevistas molda que tipo de patrocinadores você atrai, adicionando uma camada leve, mas interessante, de RPG.

A transição para o PS5 e Xbox Series X foi bem executada. O jogo roda a 60 FPS estáveis na maior parte do tempo, o que torna as animações de finalização (extremamente violentas e detalhadas) um deleite visual. Os tempos de carregamento são rápidos, aproveitando o SSD, e a interface foi adaptada para os controles de forma intuitiva, embora navegar por menus de inventário com o analógico ainda possa ser um pouco menos ágil que no mouse.
Um ponto negativo é que, em áreas mais abertas de exploração, podem ocorrer pequenas quedas de frame, e a câmera tática ocasionalmente se perde em ambientes fechados com muitos níveis de altura, mas nada que comprometa a experiência.
A trilha sonora é composta por sintetizadores pesados e batidas industriais que elevam a adrenalina durante as lutas. A dublagem (em inglês, com legendas em português) é excelente, especialmente a do apresentador, que carrega o carisma do jogo nas costas. Visualmente, o jogo usa bem as cores neon contra o cinza do concreto, criando o visual cyberpunk padrão, mas com identidade própria nos modelos de inimigos (como o Ogre e o Ronin).

Showgunners é uma adição extremamente bem-vinda à biblioteca de estratégia dos consoles, ocupando um espaço entre os simuladores táticos densos e os jogos de ação mais diretos. A Artificer conseguiu capturar a essência da sátira distópica dos anos 80 e 90, entregando um loop de gameplay viciante onde cada turno importa e cada execução é um espetáculo visual, graças às arenas desenhadas à mão que oferecem desafios estratégicos únicos. O sistema de Fama e Patrocínios é o grande diferencial, injetando uma personalidade rara ao gênero e recompensando o jogador por jogar com estilo.
Por outro lado, nem tudo é perfeito na arena: a exploração em terceira pessoa e os puzzles ambientais são simples demais e não possuem a mesma profundidade do combate, funcionando apenas como um respiro. Além disso, a câmera tática ocasionalmente se perde em locais apertados e a variedade de armas poderia ser maior para incentivar diferentes builds. Mesmo com esses tropeços técnicos, o título brilha com uma ambientação impecável e performance sólida no PlayStation, tornando a jornada de Scarlett Martillo uma escolha obrigatória para quem busca estratégia com carisma e muita brutalidade.
Showgunners está disponível para PS5, Switch e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Klabater.
