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Resident Evil Requiem – Jogamos – Preview e Primeiras Impressões

Em um evento a portas fechadas em São Paulo horas antes do Resident Evil Showcase do dia 15 de janeiro, fomos convidados para conferir algumas novidades do mais novo lançamento da consagrada série Resident Evil, e finalmente podemos contar (um pouco) sobre aquilo que vimos.

Com algo em torno de três horas de gameplay em um trecho consideravelmente generoso da campanha, pudemos experimentar uma passagem que se inicia com Leon, passa por Grace e termina retornando ao veterano, e se há alguns segredos que não podemos revelar, é certo afirmar que há aqui o potencial para uma das melhores e mais equilibradas experiências de toda a franquia.

Resident Evil Requiem

O teste, realizado com o jogo rodando em PS5 Pro, trouxe algumas belas percepções gráficas, algo que reflete as primeiras impressões vistas no material de divulgação, incluindo os trechos exibidos no showcase. A ambientação é um espetáculo que celebra o que Resident Evil tem de melhor desde seus primórdios, reverenciando sua era clássica sem se distanciar dos avanços mais recentes.

Sem engasgos ou atalhos fáceis, o jogo de luz e sombras tão característico do gênero torna cada ambiente algo único e com grande nível de imersão. É possivelmente um dos mais bem resolvidos desempenhos audiovisuais da RE Engine e um dos melhores gráficos da geração não só pelo estilo artístico sóbrio com doses fartas de gore, mas principalmente pela construção de um mundo detalhadamente opressor e, ao mesmo tempo, imponente.

O local escolhido para esta demonstração não poderia ser mais simbólico: uma mansão cheia de portas e segredos, com direito a espaços de laboratório, garagem, quartos medonhos e locais destruídos, remetendo diretamente ao modelo de backtracking do primeiro, do segundo e do sétimo jogos da série numerada. O ciclo entre exploração, descoberta e retorno oferece um ritmo excelente, ainda que a cadência nas passagens com Grace possa decepcionar os mais adeptos da ação contínua.

Resident Evil Requiem

Isso não significa, porém, que Requiem abandona os trechos de maior intensidade e adrenalina, e sobretudo com Leon, a jogabilidade é muito próxima da perícia exibida pelo personagem na recente versão de Resident Evil 4, com alguns incrementos significativos. Não só pela interface, que parece uma derivação direta daquilo que vimos dois anos atrás, mas principalmente pela movimentação e pelo feeling do combate, os fãs do agente certamente ficarão bastante satisfeitos com embates marcantes e até com a rabugice típica do herói.

Ser convidado a portar a serra elétrica logo nos primeiros minutos do teste foi uma bela carta de boas intenções que os desenvolvedores nos entregaram, mas a sensação gratificante se manteve também na conjunção entre os equipamentos mais tradicionais, como a pistola automática e a inevitável shotgun, e armas de combate corpo a corpo não só para momentos de apuro e economia de munição, como também para finalizações bastante agressivas. Descer o machado (um fiel companheiro que demanda cuidados contínuos) em inimigos cambaleantes é brutal, sujo e deliciosamente prazeroso.

Resident Evil Requiem

Ainda assim, o grande destaque da apresentação foi para Grace, que definitivamente não tem o mesmo preparo físico que o seu parceiro inesperado para lidar com zumbis e outras aberrações, mas nem por isso é menos interessante. Claramente com habilidades intelectuais bastante diferenciadas, suas melhores mecânicas ficam por conta do uso de itens especiais para estudo e desenvolvimento de novas capacidades e outras benesses bem-vindas.

Suas principais mecânicas específicas dependem da coleta de recursos cuidadosamente distribuídos pelo ambiente para a criação de novos compostos por meio de aparelhos portáteis, partindo de um princípio bastante semelhante já visto anteriormente na série. Ela também pode, pela coleta de material genético de inimigos caídos, usar instrumentos em certos locais em análises que se aproveitam de mecânicas de puzzles dinâmicos para liberar novas possibilidades. Se Leon representa os músculos e a brutalidade, Grace é definitivamente o cérebro da dupla.

Estas novas capacidades, claro, não viriam sem custos, e Grace, ao contrário de Leon (que até no espaço nos bolsos se parece muito com aquele que explorou uma Europa esquisita anos atrás) tem um inventário limitadíssimo de apenas oito slots – ao menos neste ponto específico da jornada – para carregar tudo o que precisa, e por mais que não tenhamos acesso a um arsenal volumoso, é algo bastante restritivo.

Resident Evil Requiem

Isso porque para ela os itens não tem a relação entre tamanho e espaço ocupado, então uma moeda ocupa o mesmo volume de uma arma, e caixas de munição podem tomar o lugar de seringas de neutralização de inimigos. Não serão raros os momentos onde escolhas difíceis serão tomadas, e em vários pontos eu tive de decidir se, por exemplo, carregaria um item de cura extra ou se mantinha tralhas para síntese de mais munição.

A escassez de recursos e a incerteza do que será útil logo a seguir remete diretamente à trilogia original, e é tão irritante quanto desafiadora. Afinal, devo levar esse lápis aparentemente inútil comigo ou deixá-lo no baú e correr o risco dele fazer falta em um ponto avançado? Ouso ficar sem itens medicinais para carregar estas moedas para usa-las em uma certa máquina, com a chance de precisar encarar um monstro mais poderoso? Arrisco ir sem tantas balas apostando na furtividade para sobrar espaço para um amuleto estranho qualquer? Parece nunca haver uma escolha certa, e, de um jeito ou de outro, sempre saímos perdendo.

Se ainda havia qualquer dúvida sobre a alternância entre ambos, ela foi definitivamente dirimida aqui. Eles partilham uma campanha linear no estilo Resident Evil 0 (e que também está presente, em maior ou menor escala, em outras sequências) onde ora assumimos um, ora outro, passando muitas vezes pelo mesmo ambiente. Não ficou claro, porém, se eles vão partilhar recursos, porque não houve a oportunidade de acessar o tradicional baú quanto estávamos com o controle de Leon. O que é certo é que não há como deixar itens no chão com um para que o outro recolha, uma mecânica central no citado RE0.

Resident Evil Requiem

Outro elemento que, pessoalmente, me agradou bastante, é uma sensação de identidade particular para vários dos inimigos, incluindo os mais comuns, que parecem manter resquícios precários de suas personalidades pregressas. Do sujeito angustiado pelos interruptores e pela luz ligada à faxineira transtornada com a sujeira, os zumbis trazem aquele sentimento de serem bastante únicos em suas idiossincrasias, e ao mesmo tempo de estarem, ao seu ritmo, evoluindo para algo além do que Racoon City já havia nos mostrado.

Com identidades independentes, melhor controle motor (o que significa uma movimentação mais sofisticada e por isso mesmo, mais perigosa) e até diálogos rudimentares, a melhor notícia é que eles passam de meros minions regulares para algo muito mais aterrorizante não pela ameaça direta, mas pela imprevisibilidade de comportamento, estejam sozinhos ou acompanhados.

Não vou esconder que tinha um certo receio de que a dicotomia entre Leon e Grace – que afeta até o ponto de vista sugerido para cada um deles, apesar de termos a escolha de usar a primeira ou a terceira pessoa para ambos da forma como desejarmos – poderia prejudicar a ambientação a ponto de forçar demais o ritmo tal como aconteceu com o pouco popular Resident Evil 6. Não sou dos seus maiores detratores, mas compreendo que ao pesar a mão em alguns conceitos para tentar cobrir o máximo de vontades possível, o jogo acabou perdendo o equilíbrio que se espera entre a construção da tensão e os momentos de maior ação.

Resident Evil Requiem

Resident Evil Requiem, levando em consideração este recorte de aproximadamente três horas (que por mais farto que seja, ainda é só um recorte previamente selecionado), porém, parece ter aprendido com os equívocos e com as críticas recebidas até mesmo pelo mais recente capítulo Village, e refina a fórmula unindo passado e presente para resgatar e reafirmar, sem um apelo para a nostalgia barata, tudo aquilo que tornou a marca Resident Evil uma das mais relevantes da indústria.

Claro que ficaram mais dúvidas do que certezas, algo esperado de um teste controlado como esse. A boa notícia é que falta muito pouco para termos as respostas para muita coisa que tivemos a oportunidade de vislumbrar. Mas, como dito logo na abertura deste preview, tudo o que já foi mostrado é bastante promissor, e Resident Evil Requiem, que chega 27 de fevereiro de 2026 para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC, tem tudo para, mantendo o equilíbrio e a coesão propostas nesta prévia, ser uma das melhores entradas de toda a franquia, respeitando seu melhor legado e elevando este universo para um nível ainda maior. Definitivamente, boas expectativas foram criadas.

Resident Evil Requiem

O PSX Brasil agradece a Capcom pelo convite do teste de Resident Evil Requiem.

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