O ex-chefe da franquia Assassin’s Creed, Marc-Alexis Côté, está processando a Ubisoft por mais de US$ 1,3 milhão.
Em outubro de 2025, foi anunciado que Côté deixaria a Ubisoft após quase duas décadas trabalhando na série Assassin’s Creed como designer, diretor e produtor. Duas semanas após o início das operações da Vantage, os co-CEOs Charlie Guillemot e Christophe Derennes enviaram um e-mail aos funcionários e publicaram um comunicado à imprensa alegando que Coté havia recebido uma oferta para um cargo de liderança na subsidiária, mas a recusou, decidindo deixar a Ubisoft.
Mais tarde naquela semana, Côté divulgou sua própria declaração, alegando que não havia se demitido e que foi “convidado a se afastar” pela Ubisoft, que havia “decidido transferir a liderança da franquia Assassin’s Creed para alguém mais próximo de sua estrutura organizacional”, acrescentando: “uma posição diferente foi mencionada, mas não tinha o mesmo escopo, mandato ou continuidade com o trabalho que me foi confiado nos últimos anos”.
Agora, a CBC Radio Canada (via VGC) informa que Côté está processando a Ubisoft, alegando “demissão indireta” e reivindicando mais de US$ 1,3 milhão em indenização por rescisão e danos morais.
O processo de Côté alega que uma reunião da diretoria da Ubisoft realizada no inverno brasileiro de 2025 revelou que a empresa estava procurando um “Chefe de Franquia” que supervisionaria as três propriedades intelectuais assumidas pela Vantage (Far Cry, Rainbow Six e Assassin’s Creed), e que essa posição assumiria a maior parte das responsabilidades de Côté.
Côté afirma que, em vez disso, lhe ofereceram o cargo de “Chefe de Produção”, que o reportaria ao Chefe da Franquia e o faria perder o prestígio de supervisionar a série, bem como a capacidade de liderar o diálogo com parceiros como a Netflix.
Segundo Côté, em setembro, a Ubisoft decidiu oferecer-lhe uma posição de liderança em uma possível “Casa Criativa”, que supervisionaria as séries de segundo escalão da Ubisoft. Considerando que se via como o “guardião da série Assassin’s Creed”, Côté alega que essas propostas eram, na prática, rebaixamentos.
Após tirar duas semanas de folga para refletir, por estar “desorientado, confuso e afetado pela situação que lhe causava ansiedade”, Côté afirma que, ao final desse período, a Ubisoft lhe disse que ele precisava tomar uma decisão final sobre aceitar ou não a nova posição proposta. Côté decidiu que se tratava de um “rebaixamento inaceitável” e uma “demissão disfarçada”, e, portanto, exigiu formalmente que a Ubisoft lhe pagasse uma indenização rescisória.
Côté alega que a Ubisoft lhe disse para não comparecer ao trabalho no dia 13 de outubro e para continuar em licença até que a empresa respondesse à sua notificação formal. No dia seguinte, a Ubisoft anunciou oficialmente que Côté havia deixado o cargo.
O processo alega que, como a declaração da Ubisoft sugeria uma “saída voluntária”, a empresa estava tentando evitar o pagamento da indenização rescisória e manter ativa sua cláusula de não concorrência. Côté está reivindicando o equivalente a dois anos de salário como indenização, além de US$ 75.000 em danos morais (pelo que ele alega ser abuso de poder e prejuízo à sua reputação), totalizando mais de US$ 1,3 milhão. Ele também pediu ao tribunal que revogue a cláusula de não concorrência.



