Com o passar dos anos, algo que vem se consolidando pra mim é o fato de que, entre todas as grandes novidades da indústria nesses últimos dez anos, a criação do estilo HD-2D pela Square Enix foi um dos maiores acertos imagináveis. Inicialmente parecendo só mais uma forma estilizada de atrair nostalgia e agradar aos fãs apaixonados pela “era de ouro” dos JRPGs, ele acabou se tornando muito mais uma marca de excelência. Um sinal de que não são só bons jogos, mas sim títulos da mais alta prateleira da histórica desenvolvedora japonesa.
Era natural que isso em algum momento se estendesse para jogos mobile, o que acabou acontecendo com Octopath Traveler: Champions of the Continent, um prequel da série que chegou aos celulares ocidentais em 2022 (e orientais em 2020). É esse mesmo jogo mobile que serve de inspiração para Octopath Traveler 0, novo jogo da franquia que pega a história de CotC e suas mecânicas e as adaptam em um novo jogo para consoles atuais e que recebeu uma demo após o State of Play de hoje.
Nós tivemos o prazer de jogar, à convite da Square Enix, a primeira parte do jogo e trazer as nossas opiniões para vocês aqui. E, bem, se você é fã da série ou tem curiosidade de conhecê-la, OT0 é uma excelente porta de entrada já que conta uma nova história na qual o seu protagonista é o centro dos acontecimentos, fugindo um pouco da estrutura de oito protagonistas dos outros dois jogos, mas ainda mantendo similares suficientes para ser bem familiar.

Seu protagonista é um jovem nascido na cidade de Wishvale e filho do capitão da guarda local que, após anos de treinamento, se junta a essa mesma guarda. Quando um poderoso incêndio destrói grande parte da sua cidade-natal, cabe a você partir em uma longa jornada de reconstrução para devolvê-la ao seu brilho natural. Jornada esta que irá te levar ao redor do continente de Osterra explorando algumas diferentes linhas narrativas para tal.
Sem entrar muito em spoilers e muito por termos jogado só o começo do título, é possível ver que, como já é tradicional na série, você terá bastante liberdade para avançar na narrativa como preferir. Embora seu ponto de partida seja Wishvale, o jogador pode caminhar ao redor do belo continente como bem preferir, com diferentes capítulos da história sendo acessíveis ao chegar em locais específicos. A principal diferença aqui é que, enquanto nos outros dois OTs esses capítulos eram vinculados à história de um dos protagonistas, aqui eles se conectam à um dos vilões (e uma linha de história para o protagonista).
É um sistema bem funcional e que ajuda a colocar o jogador um pouco mais vinculado à história e dá mais peso para os antagonistas da história, algo que incomodava um pouco nos outros jogos. É claro, todo esse sentimento pode acabar mudando à medida em que formos avançando pela história, já que tudo aqui é novidade pra mim, muito pois CotC sempre foi um daqueles jogos que a gente pensa em jogar, mas ficava em segundo plano por baixa afinidade com mobile. Mas o que eu pude jogar já me prendeu bastante.

Em termos de ambientação, cabe dizer que o jogo, novamente, parece fazer um trabalho excepcional em construir o seu mundo, com uma diferença muito importante. Enquanto nos outros era uma grande jornada de viagem ao redor do globo, aqui temos algo diferente, já que você precisa retornar sempre para Wishvale graças à uma mecânica nova: construção de base. Esse era, sinceramente, o ponto que me preocupava no jogo por não ser algo que me prende muito, mas é construído de uma forma bem interessante e rica (segundo a Square Enix, é possível construir até 500 prédios na versão de PS5), por uma boa razão. Sua viagem é destinada à reconstruir a sua cidade-natal, então é natural que você vá vendo esse processo de reconstrução acontecer aos poucos.
É interessante ver onde os elementos de CotC caminhavam para as exigências do mobile e ver o quanto o abandono das infames mecânicas de “gacha” fazem da experiência algo bem mais legal. É claro, a promessa é de que a campanha dure mais de 100 horas então ainda há muito chão pela frente antes de dar um veredito final sobre o quão bem essas mecânicas funcionam, mas elas se encaixam bem na história e é bem divertido. Cabe apontar aqui também que o jogo é brilhante do ponto de vista estético, com os mapas e animações muito bonitas. A trilha sonora é assombrosa de boa e o aumento da quantidade de diálogos dublados é ótimo, especialmente pelo cuidado notável nas interpretações.

Um ponto que já deu pra sentir um gostinho é de que o tradicional combate da franquia retorna de forma excelente e me fazendo lembrar porque ele é um dos meus favoritos entre todos os JRPGs. Ainda é muito no começo do jogo para poder testar a fundo como ele vai funcionar já que a grande novidade aqui é a inclusão de uma segunda linha de personagens no combate, aumentando a sua party para 8 (e até 30 personagens recrutáveis). Isso promete trazer uma complexidade maior de estratégias, se podendo alternar entre eles durante o combate, algo que pode ser bem interessante já que, com os sistemas forças e fraquezas, o sistema break e boost também retornam o que, por si só, já potencializa demais a entrega aqui.
No geral, pelo que pudemos jogar, Octopath Traveler 0 promete ser um jogo excepcional e mais uma boa adição à franquia que vem se tornando sinônimo de excelência em RPGs por turnos. Ainda há algumas boas dezenas de horas para se jogar daqui pra frente, mas pelo aperitivo que tivemos, certeza que teremos mais um concorrente ao jogo do ano chegando em 04 de dezembro para PS4, PS5, Xbox Series, Switch, Switch 2 e PC.

Preview realizado no PS5 com um código fornecido pela Square Enix. Uma demo está disponível.



